!!O Superestimado do ano... ou: “Tropa de Elite”!!

27 de dez de 2007

“O policial tem medo, policial tem família, amigo. É por isso que nessa cidade todo policial tem que escolher: ou se corrompe, ou se omite ou vai pra guerra.”

Tenho 29 anos. Desses, acho que mais de 25 se passaram com pelo menos dez visitas aos cinemas a cada 4 meses. Vi de tudo nesse período, desde os filmes dos Trapalhões – principalmente na época em que Zacarias e Mussum ainda eram vivos (tempo bom que não volta mais!) – até as mais complexas obras do cinema racional, que vi com tremenda atenção.

E nunca, afirmo com total convicção: nunca vi um filme com tamanho extremismo como o “fenômeno” do atual cinema nacional “Tropa de Elite”. Antes que você comece a pestanejar do outro lado da tela, faço a seguinte pergunta: para um advogado exercer sua função, existiria somente três caminhos? Seriam eles: a justiça, a corrupção ou a omissão? Caso você fosse um publicitário, para por em prática seus conhecimentos, você teria somente três caminhos: mentir, prometer ou comunicar?

A vida não é tão simples como um regime de doutrina planeja estabelecer. Pelo contrario, sistemas não se resumem a possibilidades tão mínimas quanto a percepção de um cão adestrado que atende a cada comando dado. Há variáveis por todos os caminhos e a cada escolha feita. Desde a carreira até mesmo como se relacionar com os problemas que nos cercam.

Afirmo o parágrafo acima por uma simples questão que move todo esse filme: o diretor – o qual me recuso a mencionar o nome - vendeu sua obra, logo no início da divulgação da idéia, como algo baseado em fatos reais. Aí está o seu calcanhar de Aquiles. Como uma pessoa vende uma realidade deturpada do dia-a-dia de uma corporação policial que se dedica a combater o crime de forma diferenciada das demais, se baseando somente nos relatos de policiais que fazem parte da mesma?

“O que me fode é o sujeito que nasce com oportunidade e acaba entrando nessa vida.”

Onde está à contra parte de quem convive com os mesmos policiais dessa tal Tropa de Elite e que não são nem os traficantes, ou os policiais militares corruptos? E por favor, não me venha falar dos filhinhos de papai que só servem para ser traficante de universidade ou para serem intitulados como maconheiros bitolados que estudam nas melhores escolas do país e que tiveram oportunidade na vida, mas não souberam aproveitar – por isso o “Nice”mento pode descer a mão a vontade.

O problema que faz com que este filme não seja levado em consideração por quem pelo menos uma vez na vida já subiu um morro de noite para estudar – não para comprar um baseado e ser esbofeteado – é que ele é totalmente voltado para um só tipo de realidade: mostrar que ser extremista, seja de qual lado você for, é o melhor caminho.

“O homem com a farda preta entra na favela é para matar, nunca para morrer.”

Uma vez, vi um documentário em que um dos chefões da SS (a Tropa de Elite do Hitler) era interrogado sobre o porquê do reich gostar tanto que seus discursos encenados em imensos ginásios fossem reproduzidos nos cinemas da Alemanha e do mundo. Ele respondeu: “no cinema, o grau de concentração do espectador é muito grande. Além disso, a tela é imensa, o que multiplica o impacto da mensagem e o som é estridente ao ponto de ecoar nas mais escondidas idéias de seu córtex.”.

É nessa parte que eu pergunto: quantas pessoas que não consomem drogas, como eu, não ficaram feliz em ver “Nice”mento meter a mão na cara do playboy maconheirinho, que (mais extremista que isso impossível, como se variáveis como políticos corruptos, financiadores e contrabandistas não fizessem parte desse grupo) é o principal culpado pelo trafico reinar no Rio de Janeiro?

Quantas outras pessoas não acharam bonito (e até mesmo se espantaram com) a forma espartana de como os aspirantes a soldados do Bope são treinados, como verdadeiros guerreiros sedentos por dar fim aos corruptos – até mesmo os que freqüentam o curso de treinamento – e aos vilões espalhados pelos morros formado unicamente por traficantes – é amigo, aquelas pessoas se abaixando com seus filhos voltando da escola, enquanto o “Caveirão” entra na favela (imagens que passam nas reportagens que mostram as verdadeiras ações do Bope no Rio de Janeiro) dando tiro a torto e a direita devem ser ilusão (i) de ótica, minha e sua.

Qualidades? O filme tem três:

As cenas de ação – que muito nego pensa que é mérito total do diretor sem nome, mas que é fruto do treinamento dado pelo mesmo diretor de cenas de ação de alguns filmes do Ridley Scott (que dizem ter aplicado o curso em duas semanas e foi mandado embora, assim que todo mundo aprendeu tudo o que tinha de aprender);

O Wagner Moura, pelo qual tenho grande admiração e que fez realmente bem seu trabalho, mas sinceramente é uma pena que o grande público tenha conhecido o seu trabalho nesse ano de 2007 por este filme e por um trabalho mais ou menos em uma novela de grande emissora – se você quer um bom referencial do que este excelente baiano é capaz de fazer, assista ao estupendo “Cidade Baixa”, com Lázaro Ramos.

E o marketing feito nacionalmente pela equipe do filme que se utilizou de uma falha interna para tentar justificar um possível fracasso nas telas grandes, afirmando que como o filme havia sido pirateado, dificilmente teria o resultado tão esperado. Mais outro equivoco por parte do “não falo o nome dele de jeito e maneira” diretor do filme. Já que o mesmo se tornou o mais assistido do ano.

Tirando essas, sinceramente? Não aposto em nada ali. E antes do fim, duas coisas: quanto ao parágrafo anterior, o diretor - esse sim eu escrevo o nome e até em caixa alta – FERNANDO MEIRELLES afirmou em uma entrevista que seria maravilhoso se o seu “Cidade de Deus” tivesse sido copiado (pirateado, sniff, sniff!), pois o público teria com certeza ido mais vezes ao cinema para vê-lo com maior qualidade.

“Eles (os fascista) afirmavam que apenas um governo ditatorial fortemente nacionalista poderia resolver a crise que havia se instalado na Itália.”

História, Conceitos e Procedimentos de Ricardo Dreguer e Eliete Toledo

E por último: filmes influenciam sim. E é uma pena que em um país tão miscigenado como o nosso e tão cheio de junções, em pleno o século XXI, exiba um filme que prega as diferenças e a perseguição aos estereótipos como algo importante - senão vai pro “saco”.

Ainda bem que Hitler e Mussolini estão mortos, senão aplaudiriam de pé, dariam cinco estrelas ou ainda apoiariam uma candidatura para o Oscar.

Sem nota, pois sou um fanfarrão.

!!Olha a capa aê... ou: porra Marcos, eu e paguei cara!!

21 de dez de 2007

Demorou e olha que eu paguei adiantado o cara! Mas eis que surge a capa e contra do CD das meiores de 2007. Lembrando: aqui estão as minhas melhores do ano, semuma ordem real - mas porque ficou bom nessa ordem - de execução e com meus sinceros agradecimentos ao meu capeiro: Marcos Magalhães...
Ah! O CD só rola no formato MP3 - o bom é que vem acompanhado de mais 7 discos que eu acho que você deve ouvir!

Semana que vem sai a lista dos melhores filmes!!

As 20 meiores de 2007

4 de dez de 2007

Começou como uma brincadeira de quem não tem o que fazer com a chegada do final do ano, mas agora se tornou uma obrigação. Há dois anos faço um CD que possui as melhores músicas do ano, seja de que estilo for lá estão 15 petardos que renderam bons momentos aos meus ouvidos.

Algumas canções conhecidas, outras nem tanto. Algumas farão sucesso nas rádios – será? – outras serão subestimadas. Mas o que interessa é que nesse CD, que está em suas mãos, residem as minhas canções favoritas de 2007.

Este ano que ficara marcado como o ano em que o Police, o Rage Against The Machine e o Led Zeppelin voltaram – obrigado meu deus! - também fica para a história da música por ter tido uma boa leva de discos repletos de excelentes canções. Algumas não estão aqui...

Entre as canções que ficaram de fora, posso citar: “Ruby” dos Kaiser Chiefs, “Golden Skanks” dos Klaxons, “On Call” dos Kings Of Leon, “Knights Of Cydonia” do Muse, “Brianstorm e Balacava” dos Arctic Monkeys e muitas outras. Mas agora é hora das melhores.

E este ano uma novidade: não teremos 15, mas sim 20.

Lembrando: essas são as minhas 20. Opiniões me contradirão. Algumas pessoas cobrarão “aquela do fulano” e até contestarão: “cicrano não está aqui, não presta!”. Ok. Mas é a sua opinião e esta é a minha.

Em uma só palavra? Play. E até a lista do ano que vem!

1 - Arctic Monkeys: This House is a Circus

“Brianstorm”, você me tirou o sono. Sua pegada, sua bateria ritmada. Seu baixista estiloso e seus riffs calculadamente dedilhados me fizeram cantar e até mesmo bater o pé. “Balaclava”, seu baixo pontuado, suas viradas de bateria, assim como sua brecada, me fizeram bater mais ainda os pés. Essas duas excelentes canções poderiam estar aqui. São frutos da mesma árvore: “Your Favorite Worst Nightmare” – segundo disco dos macacos árticos. Mas havia mais, havia a indescritível “This House Is A Circus”.

2 – Interpol: No I in Threesome

Tem gente que reclama da vida. Outras reclamam com acidez de seus casos amorosos. Algumas pessoas acabam na mesa de um bar. Outras se unem aos seus amigos e formam uma banda, sugam essências de outras – Joy Division no caso do Interpol – tem entre seus componentes um excelente baixista, gravam um disco irrepreensível (“Our Love To Admire”) e acabam por entregar canções belas e sujas como essa pérola (“No I in Threesome”). Difícil decisão, mas agora está tomada.

3 - Queens Of Stone Age: Misfit Love

“Sick, Sick, Sick” era para estar aqui. Mas é tão paulada que você não iria agüentar... ou será que ia? Enfim, tenho uma teoria que todos os discos do Queens possuem suas melhores músicas descansando na faixa de número 6. “Era Vulgaris” – excelente (e difícil) disco do QOSA, não fez diferente e nos rendeu uma espécie de “fórmula” de como fazer musica ao estilo Josh Hommet. Com vocês: “Misfit Love”. Agüente quase um minuto de construção, a recompensa vale muito.

4 - Dave Gahan: Saw Something

Ele morreu – de overdose. Ressuscitou ao terceiro minuto. Tomou vergonha na cara. Voltou ao Depeche Mode e de 2004 para cá vem compondo belas canções. Em seu segundo disco-solo, “Hourglass”, logo na primeira faixa, o eterno vocalista do DM mostra suas armas, com “Saw Something”. Tranqüila, bonita e com a precisa voz de Dave. Agora é esperar por mais um disco do trio inglês em 2009.

5 - Velvet Revolver: She Builds Quick Machines

Preste atenção no que vou escrever: essa é a primeira das duas queimadas de língua do ano – um recorde! Sim “Libertad” segundo disco do Velvet Revolver me quebrou. Cai de cara no chão. Sim, parece com um disco do Stone Temple Pilots gravado pelo Guns & Roses. Entre tantas canções boas, esta “She Builds...” é perfeita. Até Scott Weilland voltou a catar e Slash dedilhou como o cara do STP.

6 - Justin Timberlake: Love Stoned

Michael Jackson pegou a Britney Spears, pintou o cabelo de loiro, cruzou com o Prince, deixou a barba rala, pegou a Jéssica Biel e ainda produziu o novo disco do Duran Duran. Ou melhor: Justin Timberlake se transformou nisso que acabei de descrever e lançou o excelente “Future Sex/Love Sounds” no final do ano passado. Entre tantas músicas boas essa “Love Stoned” se destaca por seu bitbox e por sua transformação que dá origem a flutuante “Think She Knows”.

7 - Klaxons: Golden Gravity’s Rainbow

Desafio do ano: tente compreender a letra dessa música. Já? Nada com nada né? Mas e aquele baixo do início da canção? E a entrada ritmada da bateria? E o vocal triplo? E a seqüência do piano? E a cobra, o bebê e a adaga do clip? E o refrão “I always be there for you my future love”? E o solo de guitarra completamente louco? E ainda tinha “Golden Skanks” nesse disco maluco.

8 - Linkin Park: What I’ve Done

É eles demoraram. Lançaram discos de remixes, de hip hop e desapareceram. Mas eis que o retorno foi bem feito. Por uma única razão de querer poupar um pouco os seus ouvidos – pois aqui deveriam estar duas pedradas: “Given Up” e “Bleed It Out” – aqui está à reflexiva, com solo de guitarra e bem tocada “What I’ve Done”.

9 - Foo Fighters: The Pretender

Você pode ter se enjoado da banda do eterno ex-baterista do Nirvana. “As músicas parecem às mesmas!”. Não parecem. “A batida e a pegada soam parecidas!”. Às vezes, mas há variações. “Eles sempre arrebentam na primeira faixa!”. Aí concordamos e muito. A prova é esta pedreira com partes calmas e pegada riffada com muita raiva. Grite: “Who Are You? Yeah Who Are You?”.

10 - LCD Soundsystem: North American Scun

A primeira vez que ouvi a simples frase “Its Time to get away, its time to get away… from you!” – faixa que abre o excelente “Sound Of Silver” dos loucos do LCD SS - percebi o quanto chato eu era e o quanto a vida poderia ser mais... digamos que positiva! Mas ao ouvir as palminhas de “Noth American Scun”, mais conhecida na minha residência como o “hit que não vai tocar na rádio este ano”, as coisas se tornaram mais contagiantes. Grite com “orgulho”: “We Are North American!!!”.

11 - Juliette Lewis & The Licks: Sticky Honey

“Tsssssiiiii”. Sabe que barulho é esse? O da minha língua queimando, tostando e cantando “Man You Wanna Getting On!” da infernal “Sticky Honey”. Sim fui um dos que riram quando falaram que a atriz fetiche de um monte de nerd havia decidido ser cantora de rock há anos e hoje me rendo a essa paulada.

12 – James Morrison: You Give Me Something

Esse cara acaba de roubar o espaço que era da banda mineira Udora. Mas ele tem crédito. Alguns dizem ser o novo Jammie Callum. Eu o acho mais calmo, menos genial, mas não menos competente. Musicão: com gosto de Rick Astley e reminiscências dos grandes interpretes das antigas, ele compôs essa “You Give Me Something”. Ser roqueiro está na surpresa e ele é a maior desse ano.

13 - Fall Out Boy: Thnks Fr Th Mmrs

Eles estiveram no CD das meiores de 2006 e estão aqui novamente. Rock alegre, com refrões grudentos, um vocalista competente e clips maneiros – o dessa música é aquele dos macacos, lembra? – fazem do Fall Out Boy uma promessa interessante para o rock descompromissado e mais pop.

14 - Rihanna: Shut Up And Drive

Em um mundo de Britneys, Beyoncés, Shakiras e demais peitos, bundas que as vezes até possuem voz e confundem ter atitude com pouca roupa e caras e bocas, eis que surge Rihanna. Sei que o “ela,ela, hey, hey, hey” do hit “Umbrella” fizeram você cantar, mas é em “Shut Up And Drive” que ela mostra que tem mais a oferecer do que se pensa.

15 - Kings Of Leon: Mc Fearless

De todos os discos, das bandas e artistas aqui selecionados, o que me deu mais trabalho para escolher uma música, foi “Because Of The Times” do Kings Of Leon. A razão é simples: é um disco completo em suas explorações e para ser ouvido por inteiro. Depois de muito pensar fiquei com a mais bela, tanto em letra quanto em “descida”. Mas fica a dica: ouça por inteiro esse discão.

16 - Ira!: Invisível DJ

Sou velho, quase trinta, e poucas bandas conseguem me lembrar a juventude, senão até mesmo a infância, como o Ira! faz ou fazia. A questão é que de uns três ou quatro anos para cá eles tentam emplacar um disco que pareça ou remeta ao clássico “Vivendo e não aprendendo” eles conseguiram com o já clássico – principalmente por ser o último trabalho da formação original até o momento – “Invisível DJ”. Você tem Ipod? Creative player? Essa música foi feita para você.

17 - The Hives: It Won’t Be Long

Durante anos, esses insanos escandinavos fizeram músicas que me faziam rir e até mesmo bater o pé, mas catzo: que diabos de música divertida, com voal roubado dos Ramones e ao mesmo tempo doida é essa? Parece tudo, menos Hives – tirando a paulada do baixo! Resumindo: um dos refrões mais grudentos do ano e a trilha sonora para o primeiro clip de traquinagem do Ernestão!

18 - Amy Winehouse: Re Hab

Doida, alcoólica, genial e antiquada. Quatro palavras que resumem a figura dessa cantora inglesa, com cara de interprete das décadas de 40 e 50. Mas e a música? Diferente, simples, sarrenta e nunca neste ano que passou inteiro, alguém conseguiu soar tão rock quanto esta suicida. E se tentarem te levar para a reabilitação, vá ouvindo a Amy “Casa de Vinho” e seus “No,no,no”.

19 - Smashing Pumpkins: Doomsday Clock

É: Billy Corgan e sua voz anasalada está de volta! E se você estava com saudades de uma banda que tenha guitarra em sua estrutura real de composição, ouça a paulada que é esta “Doomsday Clock”. Receita básica: bateria precisa, paredes de guitarras e o jeito de cantar desleixado de um vocalista esquisito. Obs: esta música é a melhor coisa do filme “Transformers” (é pra rir não para me xingar!)

20 - Radiohead: All I Need

A maior sacada do ano veio da mente insana e vanguardista de Thom Yorke. Ano passado ele havia lançado seu bom “The Eraser” e não esteve presente no CD das meiores de 2006. Mas o tempo é sábio: eis que após 4 anos sem notícias sonoras de uma das melhores bandas de todo o sempre, os cabeças de rádio lançam “In Rainbows” e deixam você escolher quanto deve pagar pelo disco. As gravadoras piraram e eu entrei em dúvida entre essa melancólica “All I Need” e a bela “Faust Arp” – no mesmo patamar que “Bullet Proof”. Venceu a melancolia.

!!A outra face da indústria do medo... ou: “O Hospedeiro” e “O Zodíaco”!! por Rod Castro

29 de nov de 2007

Há mais de dez anos, assistindo ao bom e extinto programa “RockStoria” da MTV, ouvi algo em um testemunhal de Ozzy Osbourne, que me fez entender o porque sua banda tinha como princípio básico chocar as pessoas que ouviam suas músicas:

Estávamos na calçada em frente ao estúdio que ensaiávamos. Do outro lado da rua havia uma enorme fila para assistir ao filme de terror B, chamado Black Sabbath. Naquele momento, encostei em Toni Iommi e disse: ‘engraçado, não? As pessoas pagam para assistir um filme que só tem como fundamento lhes deixar em pânico’. Ali foi o nascimento do nosso estilo.”.

A originalidade do pensamento de Osbourne, durante anos foi corrompida por dezenas, senão até centenas de bandas “malévolas” que endeusavam o capeta em suas melodias. E aquele conceito de deixar os ouvintes temerosos, deu vez para uma indústria do medo que ano após ano bancava jovens revoltados a montar suas bandas, que lançavam, com sucesso, seus discos apelativos.

Indústria e arte na mesma linha não dá certo. E isso não é uma afirmação, é uma constatação. Durante a década de oitenta Ozzy não se sentia bem. Todas as pessoas afirmavam que seu reinado só era grandioso por ele ter se voltado para o mal.

A celeuma era tamanha em torno de Ozzy que em um show, foi dito que ele havia tido um acesso de loucura e decapitara um morcego em pleno o palco – a verdade é que a platéia, em êxtase, jogou animais de plástico e de carne e osso no palco e Ozzy, fanfarrão como sempre, pegou um morcego e largou a dentada (o erro: o bicho era de verdade e o rockstar ainda levou anti-rábica).

O que tudo isso tem haver com os excelentes suspenses “O Zodíaco” e “O Hospedeiro”? Muito: durante anos, desde que os alemães W.F. Murneau rodou “Nosferatu” – adaptação não autorizada do livro “Drácula” de Bram Stoker – e Fritz Lang filmou o soberbo “M, o Vampiro de Düsseldorf”, os estúdios americanos, que industrializaram a sétima arte, desembestaram a produzir filmes em série de monstros e matadores seriais.

Uns piores que os outros, tanto que quando surgia uma pérola entre esse segmento, como “Alien, o Oitavo Passageiro” (de Ridley Scott) e “Se7en, os sete crimes capitais” (de David Fincher), a mídia e os demais estúdios pegavam a sua fórmula, e às vezes até mesmo seus títulos, e rodavam mais obras que tinham o mesmo estilo ou seguiam a mesma linha de realização.

Graças a dois excelentes diretores, o próprio David Fincher e o coreano Joon-ho Bong, dois dos melhores filmes desses segmentos foram rodados ano passado e infelizmente não chegaram aos cinemas de Manaus, mas podem ser alugados agora mesmo em uma locadora próxima da sua casa, os já citados “O Zodíaco” e “O Hospedeiro”.

O primeiro é desmistificação de um estilo. Nada de estudos sobre como é o ataque – eles são mostrados em detalhe para você – nada de final surpresa, muito menos apelação para um contexto violento que o choque por dias. Nem. O grande marco deste filme está presente na etapa nunca retratada de forma simples como agora: o que um fato como esse faz com a vida de pessoas normais, como eu ou você.

O elenco foi escolhido com pinça por Fincher: para o papel do melhor jornalista a cobrir o caso do assassino Zodíaco, um Robert Downey Jr compenetrado e humano; para o papel do cartunista do jornal e principal personagem do filme, um curioso e excelente Jake Gyllenhaal; e para o papel do detetive durão que não consegue resolver o caso, um estupendo e verdadeiro Mark Rufallo.

“O Hospedeiro” não fica atrás. Poderia ser só mais um filme de monstros que atacam um lugar na Ásia e toma-lhe explosões, militares e gritos proferidos por pessoas desesperadas com olhinhos puxados. Mas em nenhum momento isso ocorre.

Pelo contrário: este talvez seja um dos filmes que aborda vários temas ao mesmo tempo e possui cenas interessantíssimas. Fala sobre consciência ambiental, retrata as diferenças de idades, mostra como as coisas ocorrem em um estado a parte de tudo e de todos, como é a Coréia do Sul.

Ao mesmo tempo em que passeia por todos esses temas com maestria, o diretor ainda consegue arrancar atuações brilhantes de seu elenco e tem tempo para aterrorizar e até mesmo divertir o público, no caso você oras!

Dois incríveis filmes e que merecem sua atenção. Pode ser que soem esquisitos, mas não são. Nota 9,0 para ambos e direto para a minha coleção de DVDs!

!!Traição em três tomos... ou “O Despertar de Uma Paixão”, “Quebra de Confiança” e “Lady Vingança”!! por Rod Castro

19 de nov de 2007

“O Despertar de Uma Paixão”

Digamos que você fizesse uns quatro ou cinco papéis seguidos que rendessem não só aplausos, como prêmios dos mais variados. Nesse momento da sua carreira, o que você faria? Sumiria? Daria um tempo? Tentaria buscar projetos mais independentes ou quem sabe até mesmo se arriscaria na profissão de produtor de filmes “cults”?

Quais dessas coisas? Todas? Edward Norton, você está lendo esse texto? Acho que não, mas foi isso que este grande ator – escolhido como o melhor de sua geração – fez nos últimos três anos. Nenhum trabalho com grande destaque, mas todos bem feitos.

Entre eles está o drama “O Despertar de uma Paixão”. O roteiro é fácil: bacteriologista (Norton) do século dezenove se apaixona por uma filhinha de papai (Naomi Watts), lhe propõe casamento e alguns anos depois – em uma relação enfadonha – acaba descobrindo que está sendo traído por ela com um figurão de um clube local - Liev Schreiber (diretor do ótimo: “Uma Vida Iluminada”) marido de Naomi na vida real.

Frio, calculista, como um cientista o é, o personagem de Norton traça um plano – o casal viaja para uma área infectada por cólera na China - que fará sua esposa repensar a relação e o compromisso de ambos – “Será que ele quer me matar sem deixar vestígios?” - ao mesmo tempo em que tenta penetrar no mundo frio e distante em que seu marido vive.

Todos os elementos que permeiam um bom drama de época estão presentes: cenários, roupas, estrutura social, trejeitos na atuação do elenco principal, transições lentas de uma cena para a outra, cenário natural magnífico e elenco local – chinês – de apoio azeitado.

Antes do fim: sim, há uma virada na trama; sim o casal acaba por se reencontrar em um momento interessante e bem realizado; sim o filme não tem um final feliz – e tinha de ser assim; e sim, está é uma obra que merece ser vista com atenção por seus grandes momentos.

Não é o melhor de Norton, talvez seja o melhor de Watts - longe de suas poses em “King Kong” e perto da vontade de “Mulholland Drive” e “21 gramas”. Quem sabe, este “Despertar de Uma Paixão” esteja revelando um novo bom diretor para filmes mais intimistas? Só o tempo dirá. Nota 8,0.
“Quebra de Confiança”

Bily Ray é um roteirista que nos últimos cinco anos tem conseguido fazer seus textos ganhar vida em Hollywood. Entre suas histórias estão “Cores da Noite”, “Volcano”, o chato “A Guerra de Hart”, o intrigante “Suspeito Zero” e o esquecível “Plano de Vôo”.

De três anos para cá Billy recebeu a proposta de dirigir alguns filmes, entre eles “Shattered Glass” inédito por aqui e bem elogiado lá fora. Com esse crédito, o redator e agora diretor emplaca mais um projeto, com bom elenco e uma historia que prometia render um filme tenso e com boas cenas.

Foi por pouco, muito pouco que este drama que retrata a verdadeira história do agente da CIA que traiu a inteligência americana vendendo informações para os inimigos russos, não se concretizou em um bom filme de espionagem.

O filme tem bons diálogos – todos quando um ator de peso serve de “escada” para Ryan Phillips – boas cenas – como a final em que é montado um esquema especial para a prisão do agente traidor – e questionamentos antigos, mas que ainda servem de argumentos graças à administração Bush no comando do império ianque.

O único fator contra: em determinados momentos, o diretor não imprime o ritmo certo para uma trama tão bem amarrada e tensa como essa. Ao subir dos créditos a história acaba por ser só mais uma que “se baseou em algo que aconteceu e como não é minha realidade não merece minha atenção”.

Destaques: a razão da traição do espião – interpretado com competência por Chris Cooper (o mesmo de “Adaptação”) – o esquema traçado pela outra agente da CIA – papel da eficiente e sempre subestimada Laura Liney - que bola sua prisão.
Nota 7,5. Um pouco mais de ritmo e o filme teria recebido um 8,5.

“Lady Vingança”

Chan-wook Park. Este nome é o do melhor diretor sul coreano. É dele clássicos instantâneos, que merecem seu olhar e até mesmo pertencer a sua coleção de DVDs: o intenso “Zona de Risco”, o surpreendente “Mr. Vingança” (recentemente lançado no mercado nacional de DVDs), o genial “Old Boy” e o interessante “Lady Vingança”.

Os últimos três citados fazem parte da sua trilogia da vingança. Em todas as histórias, você encontra aspectos parecidos, mas sempre enquadrados de formas diferentes. O princípio é o mesmo, como ocorre e o que será a vida daquela pessoa a partir do início do processo da vingança não.

Este “Lady Vingança” merece respeito pelos aspectos imagéticos empreendidos com requinte e a inteligência de sempre de um não tão inspirado Park. A história também é a mais simples de todas, contada de forma direta, com alguns poucos recursos de flashback no seu começo.
Vale a construção dos personagens, outra característica marcante na filmografia do ator, assim como a boa e sempre firme direção de atores e as cenas que retratam o surrealismo que é estar preso na cadeia sul coreana para mulheres.

Não é o melhor de Park, mas ainda assim supera e muito alguns suspenses americanos. Nota 7,0 e com certas dúvidas quanto a possibilidade do mesmo figurar entre os meus DVDs.

!! Leve três e pague 1... ou: Inesquecível, O Segredo de Berlim e Uma Garota Irresistível!! Por Rod Castro

8 de nov de 2007

“Inesquecível”

Uma revista nacional e que fala somente sobre cinema, ou assim o deveria ser, faz uma incrível crítica sobre uma película nacional. Falando não só bem da direção, como da história que é contada -por quase uma hora e meia de duração - e das atuações de seus protagonistas.

“Poxa, interessante!” Você pensa. Vai até a locadora, consegue o filme, assiste-o com o maior dos interesses e ao chegar à parte em que sobe os créditos sua reação é: "que m@#$&! Fui enganado!". E foi mesmo! Filme ruim, mal dirigido, com atuações pífias e frias, além de uma história que nem novela de hoje em dia consegue cometer – e sim, isso é um elogio a porcaria que passa nas telas de tevê de todo o país.

Mas o que esperar de um diretor que tem em seu currículo filmes como: “Sonho de Verão”, “Popstar”, “Xuxa e os Duendes” e a incrível continuação “Xuxa e os Duendes 2 – no caminho das Fadas”.

Podíamos mudar o nome do filme para esquecível!

Nota 2,0 pelo DVD ter me dado o crédito no aluguel de outros filmes! (levei 4 paguei dois!)

“O Segredo de Berlim”
Como fazer um excelente filme?

Contrate somente feras para o seu núcleo principal. Gente do quilate de George Clooney, Tobey Maguire e Cate Blanchett. Chame um bom diretor, daqueles que já foi contratado para rodar filmes cabeça, alguém como Steven Soderbergh (o mesmo de “Traffic” e “Onze Homens e um Segredo”). Por último, enquadre tudo nos moldes de um dos estilos que mais renderam bons filmes na história do cinema: o noir.
Vai dar tudo certo. Pois não deu. História: um antigo informante americano (Clooney em versão “pose”) que morava na Alemanha, antes da Segunda Guerra Mundial, é convocado para assumir a direção de um jornal local. O motorista (Maguire em versão “olhos exagerados”) encarregado de levá-lo a todos os lugares é um camarada bem safado e faz parte de todos os esquemas sujos que comandam a nova Berlim.

O que o ex-informante não sabe, é que sua antiga amante (Blanchett totalmente fria) tem um caso com o tal motorista. Esse fio de história o faz perder exatos 105 minutos de sua existência.

4,5 – pela fotografia em preto e branco interessante e a boa caracterização dos cenários.

“Uma Garota Irresistível”
Adoro aquelas capas de DVDs com dizeres entre aspas com algo bem vendável. Do tipo: “O filme mais polêmico do ano nos EUA!”. Será que isso realmente funciona para um filme que vai falar sobre o artista plástico Andy Warhol – criador do conceito Pop Arte e da frase “No futuro todos terão seus quinze minutos de fama”, entre outras?

Acho que não. O filme passeia pelo encontro de Warhol (feito com maestria por um Guy Pearce odiavelmente irreconhecível) com sua mais fiel atriz e modelo, a riquinha Edie Sedgwick (encarnada com leveza e a displicência necessárias por Siena Miller).

As desventuras entre criador e criatura acabam por ser um retrato feio de uma sociedade nem aí com nada da década de 70 e que fez da arte uma nova forma de expressar seus desalentos e fobias. Às vezes o filme se perde, possivelmente de propósito e por querer retratar como o pensamento da personagem principal vivia seus dias, noutras cenas mostra encontros inusitados de pessoas importantes dessa época.

Destaque para a trilha sonora interessantíssima, a fotografia que é retratada com fidelidade absurda ao estilo de câmeras utilizadas nos filmes “cabeça” de Wahrol e sua musa. E a boa interpretação de Bob Dylan realizada por um irreconhecível Hayden Christensen (o mesmo que encanou o novo Darth Vader de “Guerra nas Estrelas”).
Filme interessante, mas com final abrupto. Nota 6,5!

!! Efeito Tom Cruise? Ou a Última Cartada e O Julgamento do Diabo!! Rod Castro!

Tom Cruise é um dos astros mais poderosos do planeta. Isso você sabe, eu acho, e não é pelo seu belo sorriso ou excelentes atuações, longe disso. Esta constatação foi criada nos bastidores e no verdadeiro mundo de negócios e cifras que abastecem os grandes estúdios de Hollywood.

Pois no final de 2001, em um festival alternativo de cinema, Cruise viu um filme que lhe chamou a atenção, o ótimo policial “Narc”. Imediatamente o astro convocou sua parceira de negócios, Paula Wagner, marcou um jantar com o diretor (Joe Carnahan) e fechou não somente a distribuição da película para o mercado mundial, como o contratou para comandar “Missão Impossível 3”.

Dois anos e meio depois, Carnaham – que já estava com o roteiro aprovado pelo astro e com a pré-produção iniciada – decidiu largar “MI:III”, alegando divergências criativas com seu astro principal e “chefe”. Em seu lugar foi convocado J.J. Abrams – redator/diretor da série “Lost” – e o filme se saiu bem nas telas e mais ou menos nas bilheterias.

Cranahan tocou sua vida e rodou em Las Vegas, com grande elenco, anos depois, a aventura “A Útima Cartada”. Resumo da “história” do filme: um mágico que limpou dinheiro para máfia, legalizando a grana dos Dons no patrocínio de seus shows, decide dedurar geral. Resultado: uma paulada de matadores profissionais são contratados para matar o cara.

São tantos personagens, viradas e tiros, que o filme em certas horas parece tudo, menos filme. O desenvolvimento de personagens dá vez para frases de efeitos, edição rápida e fotografia saturada.

Uma pena, pois alguns personagens são apresentados de forma interessante nos primeiros minutos, mas a confusão é tamanha lá pelo meio da história que você não consegue se familiarizar com nenhum deles. E pena maior: um bom diretor vê seu prestígio ir por ralo abaixo em um filme fraco e esquecível.
E o “Julgamento do Diabo” o que tem haver com isso? Simples: Alec Baldwin certo dia recebeu um roteiro de uma comédia de humor negro, achou-o interessante e resolveu bancar as filmagens – como Cruise de vez em quando se arrisca. E? E o filme é ruim que dói. Nem os atributos abaixo do queixo de Jennifer Love Hewitt e o talento de Anthony Hopkins salvam.

Notas: 4,5 para ambos. Não alugue, não veja!

!!Crime de Mestre ou: É um crime copiar o mestre!! Por Rod Castro

5 de nov de 2007

A primeira vez que vi Ryan Gosling atuando foi em “Tolerância Zero”. No filme ele fazia um neonazista que se dava mal por suas atitudes e pensamentos. Foi exatamente por este trabalho, que o ator recebeu minha total antipatia.

E não. Não foi porque seu papel foi bem desempenhado, mas sim porque ele praticamente fez uma homenagem a Edward Norton – o qual Ryan lembra fisicamente – e seu odiado, esse sim, personagem de “A Outra História Americana”. São historias diferentes, com temáticas parecidas, mas na minha cabeça o mais jovem quis “soar” como o mais competente. E acredite: houve esforço por parte dele, que nem ao menos ressoou como Ed.
Alguns anos se passaram e, após ser indicado ao Oscar como ator principal este ano, Gosling conseguiu novamente: fez uma escolha de personagem que remete a sombra projetada por Norton sobre sua carreira. Explico: com “Crime de Mestre” Ryan praticamente fez dois filmes do seu perseguido exemplo de categoria em um só.


No filme, o personagem de Gosling é um advogado jovem (como o de Ed em “O Povo Contra Larry Flint”) e ambicioso, que se envolve em um caso intrigante no qual um engenheiro (Anthony Hopkins) assassinou sua infiel esposa e por razões, inicialmente não explicadas, acaba por se entregar a polícia.

Tirando o lance do advogado, o que isso tem haver com Norton? Muito, pois em seu primeiro trabalho nas grandes telas – até aquele momento ele tinha feito somente papéis nos palcos e tablados americanos – o jovem ator encarnou um rapaz, frágil e “santinho”, que assassina um arcebispo e se entrega à polícia, em vez de fugir (atitude idêntica ao de Hopkins).

O filme em questão? “As Duas Faces de um Crime”. O resultado para Norton: várias indicações aos principais prêmios da sétima arte e os aplausos dos mais chatos críticos de plantão da época.

As coincidências não param por aí, siga as pistas: o jovem advogado de Ryan – que é arrogante e prepotente – em meio ao filme acaba por ter sua redenção (assim como o de Ed em “A Outra História Americana”); as melhores falas entre os personagens principais ocorrem em um tribunal e são proferidas pelo personagem mais experiente (Hopkins) – de forma idêntica aos personagens de Richard Geere (“As Duas Faces de um Crime”) e Woody Harrelson (“O Povo Contra Lary Flint”); e para terminar com chave de ouro: há um final surpresa com direito a virada inteligente (“Clube da Luta”? Calma que eu tô brincando!).

Bem, antes que haja a condenação por total persuasão dos meus argumentos, recomendo que você vá à locadora mais próxima, alugue os filmes acima citados - assista primeiro os do Ed - e aperte o play do seu aparelho de DVD após colocar o disquinho de o “Crime de Mestre”.


Meu veredicto: crime de cópia. Nota 6,5 (algo raro na carreira de Norton).

!!O brilho eterno de um diretor polivalente... ou: “Sunshine – Alerta Solar”!! por Rod Castro

30 de out de 2007


Listas, talvez esta seja a palavra mágica que motiva boa parte das pessoas envolvidas com os mais diversos tipos e níveis de cultura, a se aprofundarem de verdade em seus gostos e predileções. É notável que a maioria dos ditos “cultos”, alguma vez em sua interessante existência se dispôs a realizar uma lista de “melhor isso” ou “melhor aquilo”.

Mas aqui cabe um diagnóstico: elas são necessárias. Senão pelo critério de associação direta de assuntos, que seja pelas inúmeras possibilidades que permitem para que um contexto tenha maior e melhor percepção. Mas exatamente nesse ponto do texto você se pergunta: “O que diabos uma lista tem haver com o novo filme de Dany Boylle, ‘Sunshine – o alerta solar’?”.

E eu respondo: tudo. Quer ver? Então alugue agora mesmo “Sunshine”, pegue lápis, papel e tome nota: equipe de cientistas rumam para o espaço tentando salvar a Terra de uma ameaça que porá nossa existência em total extinção (“Impacto Profundo”); no decorrer da viagem você descobre que outra equipe já foi anteriormente solucionar esse problema e desapareceu sem deixar vestígios (“Alien, o Oitavo Passageiro”, “Solaris” e “Enigma do Horizonte”); com o passar do tempo de exposição ao espaço, todos os tripulantes começam a pirar e ao se digladiar (“Missão Marte” e “Alien O Resgate”); e por fim: naquele local totalmente vazio e tão complexo, você e o diretor contemplam - com imagens estupendas – o verdadeiro infinito que só o espaço pode nos oferecer (“2001, Uma Odisséia no Espaço” e “2010, o Ano em que Faremos Contato”).
Parece clichê não é mesmo? Senão até mesmo pouco criativo. Mas aqui cabe outra lista, pois estamos falando de Dany Boyle, o homem que: em seu primeiro trabalho fez um dos filmes mais inteligentes e subestimados do início dos anos 90 (“Cova Rasa” – uma pena que ainda não o tenham lançado em DVD em terra brasillis); em seguida rodou um dos mais pop filmes e que até hoje é adorado por jovens desajustados e até mesmo os certinhos (“Trainspotting”); teve coragem de em seu primeiro trabalho por um grande estúdio, realizar uma comedia de humor negro que não se preocupava com as bilheterias (“Por Uma Vida Menos Ordinária”); e por fim, um homem que após ser rejeitado ao realizar um filme mais ou menos (“A Praia” e que muitos dizem que a Fox teve mais culpa do que ele e o Leoardo DiCaprio juntos), voltou para a sua terra natal e refez o status quo de um dos gêneros mais queridos do cinema, que havia se tornado piada com o passar dos anos (“O Extermínio”).

Pois Boyle acertou de novo. Sua câmera solta ou flutuante (influência total do mestre Kubrick). Seu enredo bem amarrado e bem conceituado (com toques de Ridley Scott e Andrei Tarkovski). Seu twist – virada de trama – com ritmo e sem foco (De Palma na veia). E suas homenagens na medida certa, resultaram em um filme pronto para voar direto para a sua estante de DVDs.

Alguns podem dizer que ele fez um remendo de lindas imagens com conceito existencialista já debatido em filmes anteriores, mas aqui cabe o seguinte comentário: será que este não era o seu objetivo maior? Bem, se for, ele acertou em cheio e mais uma vez deu vida nova a um estilo de filme que foi deixado de lado pelos bons cineastas.

Nota 9,0 (de cegar)!

!! Ri melhor quem ri por último... ou “Ultimato Bourne”!! por Rod Castro

15 de out de 2007

2001, ávido por novidades sobre um próximo trabalho do diretor Doug Liman – o mesmo do excelente Go, Vamos Nessa! (um dos filmes mais subestimados do início do século XXI) – encontro no site IMDB um título interessante e uma premissa mais ainda: “Identidade Bourne”.

O filme me despertou curiosidade e rendeu uma pesquisa por alguns dias. Ao final dela a empolgação se transformou em expectativa. Razões? Várias: além de Liman, descobri que o projeto era baseado em uma série de livros de espionagem que tinha como autor, na opinião de meu avô, um mestre: Robert Ludlun.
Ainda na pesquisa vi que o filme contava com elenco não tão estelar na época, mas competente ao extremo e visivelmente diferenciado, como: Chris Cooper – vencedor do Oscar de melhor ator coadjuvante daquele ano por “Adaptação” – a alemã Franka Potente (do viciante “Corra Lola, Corra”) e um desconhecido Clive Owen que ganharia fama a partir desse trabalho.

O papel de Matt Damon, longe dos grandes holofotes, era perfeito. Seu Bourne era visivelmente confuso e mortal, ambos na mesma proporção. As cenas de combate eram realistas e ao mesmo tempo criativas. Mas em minha opinião faltava tensão, um dos princípios básicos para os bons filmes de espionagem.

Em resumo: projeto barato, repleto de inovações – como o herói do filme sangrar e fazer as mais diversas estripulias – e com excelente renda nas bilheterias. Resultado: uma franquia de ação inesperada e um personagem com uma só cara, a de Matt. Mas Doug largou o projeto e zarpou para “Sr. & Sra. Smith”, filme que uniu nas telas e fora delas Angelina Jolie e Brad Pitt.

Dois anos se passam e eis que um dos maiores diretores da atualidade e que havia rodado somente um filme para cinema até aquele momento – o excelente e recomendável “Domingo Sangrento” - assume a cadeira de comando do projeto Bourne, Paul Greengrass.

Com ele as coisas mudam e para melhor. Damon entra em uma saga mais rápida, com cenas impressionantes – como a perseguição de carro que finaliza o filme – se depara com um emaranhado de conflitos e questões que sido o start do primeiro filme, mas que não tinham sido tão bem trabalhados como agora.

A dinâmica de vídeo clip de Liman ganha um olhar documental – e uma câmera extremamente nervosa. A trama é tão rápida e tão bem amarrada que com menos de 50 minutos de filme o herói perde o amor de sua vida, após um atentado realizado por um matador frio e calculista como o de Clive (agora vivido por Karl Urban), vê a possibilidade de uma vida normal se perder por entre seus dedos – assim como o corpo de sua amada - e parte em uma perseguição implacável aos responsáveis.

Em resumo: neste segundo ato a franquia conseguiu dar um passo a mais em sua carreira, melhor, se preparou para uma última parte de forma tão bem pensada por seu novo comandante que alguns entendidos em cinema de ação recomendavam o filme para premiações mais sérias.

Resultado: o filme teve mais sucesso nas bilheterias e na crítica do que sua primeira parte; Greengrass recebeu convites para dirigir dezenas de filme – tendo escolhido bem o seu filme seguinte: o indicado ao Oscar “Vôo United 93”; os produtores do novo filme do espião mais conhecido do cinema, 007 oras, reviram vários aspectos e reformularam o personagem para os anos 2000; e uma terceira parte para Bourne se tornou um ultimato dos fãs e da crítica.

Pois bem, sete anos após minha pesquisa por informações sobre o novo filme de Liman, um novo filme com o nome Bourne surge nas telas do mundo inteiro. As expectativas são as melhores e estão devidamente cumpridas e levando em consideração importantes aspectos: respeito aos fãs, dignidade para com seu personagem principal e fidelidade com a história até agora contada.

“Ultimato Bourne” está repleto de ação, cenas frenéticas, diálogos rápidos, lutas inspiradas, perseguições realísticas, ataques mais rápidos ainda, viradas inesperadas e um final apoteótico – que relembra o início do “Identidade” -coroando tudo o que foi feito até agora com a série.

Jason Bourne na verdade é uma personificação na tela grande do mito de Jasão. Mas em vez de um renascimento de Jason – um possível “Jason Rebourne”, talvez? - em mais um filme, espere pelo inesperado após o início da música do Moby.

“Este é o fim. Meu único amigo, o fim”, como dizia Jim Morrison. Preciso e mortal, como Bourne.
Nota 9,0 e com grandes chances de ser o filme de ação do ano, como em 2005.

!! Duas comédias de matar de rir... ou: “Os Simpsons” e “O Vidente”!! por Rod Castro

10 de out de 2007

“Os Simpsons”

É eu não vejo Os Simpsons faz muito tempo e não, não é por falta de interesse. O culpado principal é o “Zappeando”, programa de variedades jovem que passa na emissora que retransmite o seriado da família amarela de olhos arregalados em rede nacional, para a cidade em que vivo Manaus.

E isso é ruim e depõe até mesmo contra qualquer comentário engraçado que eu possa fazer a respeito da história – referências a episódios sensacionais no caso - dos Simpsons. Assim, vamos ao que interessa:

O filme é engraçado, exagerado, escatológico, cheio de piadas de situações, boas dublagens – foco de reclamações dos fãs que queriam o mesmo dublador das antigas do patriarca da família - tem várias sacanagens relacionadas a uma penca de filmes de sucesso - destaque para “porco aranha, porco aranha” cantarolado por Hommer – e merece ser conferido, agora em DVD neste mês de outubro. Confira, divirta-se aos montes e tomará que os produtores estejam mentindo quanto à possibilidade de não se realizar uma continuação. Nota 8,0!!
“O Vidente”

Este filme é ruim.

Se você tivesse o poder de ver seu futuro com dois minutos de antecedência, faria uma bobagem? Pagaria um mico? Entraria numa furada? Acho que não né?
Bem, se você se chama Nicolas Cage ou Julianne Moore, as chances de você assinar um contrato para fazer uma bobagem, acredite: é imensa. Sério, este dois excelentes atores que já foram indicados e até mesmo vencedores de prêmios importantes do cinema, parecem ter um certo imã de atração para fazer lixo de vez em quando.

E como foi dito há dois minutos atrás: esse filme é ruim. E se baseia exatamente nessa premissa que utilizei nesse texto, ao por o que seria dito agorinha acima bem no início, logo na primeira linha.

Ou seja: Nicolas Cage é um cara que tem o extraordinário poder de ver seu futuro com até dois minutos de antecedência. E por isso mesmo o FBI, liderado por Julianne Moore, necessita de seus “poderes” para descobrir onde alguns terroristas de sotaque francês esconderam uma bomba atômica.

Nota 3,0. E com dois minutos de antecedência.

O final pode agradar a alguns e se utiliza de um recurso já feito antes pelo eterno mestre do cinema Alfred Hitchcock em “Pavor nos Bastidores”. Filme que é o mais criticado e execrado do diretor por se utilizar de algo falso para vender uma finalização verdadeira. Só vendo para entender o que escrevi agorinha u tendo o poder de Cage. Que parece ter falhado ao ter assinado esse contrato.

Assim você não precisa ser vidente para saber qual é a nota: 3,0. (e ainda assim pelas citações a filmes de Stanley Kubrick, como a máquina de abrir olhos de “Laranja Mecânica” e a imagem em um televisor do excelente “Dr. Strangelove, mais conhecido como “Dr. Fantástico, filme que se eu recebesse de presente, agradeceria).

!!“A primeira faz tcham. A segunda faz tchum e... e aí que tá muito repetitivo. Ou... Escorregando Para a Fama”!! por Rod Castro

9 de out de 2007

Gosto de Will Ferrel, comediante que fez sua fama como um dos integrantes do programa de humor americano “Saturday Night Live”, e que de um tempo para cá vem ganhando destaque em filmes de comédia. Mas já faz certo tempo que percebo um padrão em seus filmes que resulta em trabalhos cansativos senão até mesmo chatos.

Pode soar até como uma perseguição à última linha do parágrafo anterior, mas sinceramente, não é o caso. Sou fã de humoristas. Gosto de um filme que me faça rir e que me alegre o dia, afinal sou fã declarado do rei do pastelão na telona, o incrível Jerry Lewis.

Mas o novo mestre das comédias escrachadas das telonas está se tornando repetitivo e pior: pouco criativo. E para você ver como não estou com implicância, listo dois fatos que comprovam minha afirmação:

Fato 01: os enredos dos filmes de Ferrell são sempre os mesmos. Duvida? Então tome nota: seus personagens são os melhores em seus ofícios, arrogantes, têm tudo o que desejam e bem no começo dos filmes sempre se encontram no ápice de suas carreiras. Também sempre estão cercados por personagens menores e que são tão bobos quanto eles.

Ah, aqui ainda cabe um detalhe da mesmice: quando chegamos aos 30 ou 35 minutos de projeção, um novo personagem entra em cena e acaba com a vida do personagem principal (Ferrell) que rapidamente tem sua vida reconstruída, após chegar ao fundo do poço, sem o menor pudor pelo comediante.
Fato 02: Will sempre convida alguém que renda mais do que ele em cena para fazer os seus rivais. Exemplos: em "O Âncora – A Lenda de Ron Burgundy" - filme em que ele encarna uma espécie de Cid Moreira de uma emissora de San Diego - seu personagem é desafiado pela repórter encarnada por Christina Applegate (quando ela está em cena ele some).
Já em “Ricky Bobby – A Toda Velocidade”, ele interpreta um campeão de Nascar que vê um novo adversário ganhar o maior número de provas ao mesmo tempo em que rouba todo o seu prestígio com a mídia especializada. Neste papel de rival quem arrebenta é o comediante inglês Sacha Baron Cohen, mais conhecido do público por seu personagem “Borat”.

E para transformar meus fatos em fórmula, eis que o novo filme do comediante chega as nossas telas, com certo atraso, diga-se de passagem: “Escorregando Para A Fama”, a coisa muda? Nananinãnão. Em time que está ganhando não se meche certo? Assim o que esperar?


O de sempre: um campeão (nossa que novidade!) de patinação artística no gelo entra em conflito com o seu adversário principal (meu Deus, nunca vi isso antes no filme do Will) e é punido comendo o pão que o diabo amassou (sem brincadeira que é original assim?).

Daí ele dá a volta por cima, se une ao seu rival – que rouba todas as cenas de Ferrell (tá curtindo com a minha cara?) – Jimmy MacElroy interpretado por John Heder de “Napoleão Dinamite”... e? E fim seu banana. Bons risos de sempre.

Nota 5,0 (E só para constar: tenho o DVD de “O Âncora” em casa).

!!Duro de Matar 4.0 ou... Yippee Ki Yay Mother Fucker!! por Rod Castro

1 de out de 2007

Se você pudesse entrar em uma máquina do tempo, regredisse quase duas décadas e entrasse em um cinema do centro de Manaus em uma sexta-feira, encontraria o seguinte cenário: muitas filas, pipoqueiros ao redor das pessoas e, se o filme fosse de ação, com certeza veria Arnold Schwarzenneger, Sylvester Stallone ou – isso mais para o fim da década de oitenta – Jean-Claude Van Damme.

Então foi com certo estranhamento que em uma sexta-feira, sentado na escadaria do cinema 02, também conhecido como Cantinflas, que me deparei com um cara comum e quase careca, que havia viajado para encontrar sua esposa em uma daquelas festas de final de ano chatas e acabou participando de uma aventura irresponsável: lutar sozinho – e descalço - contra terroristas armados até o pescoço.

Ao final daquela maluquice, enquanto as pessoas pediam para que eu me afastasse para subirem ao hall de entrada do cinema, percebi que duas coisas mudariam na escola de se fazer filmes de ação com personagens masculinos: não era preciso fazer parte de tríade imbatível de brucutus para empolgar o ser macho no escurinho do cinema.

E o carequinha, que se feria, se rasgava, sangrava, gritava de dor, contava piadas enquanto levava bordoadas e mesmo assim derrotava os mais perversos vilões, conquistava de forma sincera boa parte das mulheres que assistiam ao filme que se tornava a revelação daquele ano de 1988, “Duro de Matar”.
Depois de John McClane, a vida de Bruce Willis alcançou degraus nunca antes galgados. E olha que nesse tempo ele já tinha conquistado a admiração da ala feminina e a simpatia dos machões por seu personagem canastrão David Addison Jr., da série de televisão – que passava na TV Globo aos domingos entre os anos de 1986 a 1989 – “A Gata e o Rato”, com Cybill Shepherd.

Pois bem, quase vinte anos se passaram. Mais dois filmes da série “Duro de Matar” foram feitos. E apesar de ter conseguido boas bilheterias o gostinho de inusitado não fazia mais parte da franquia que foi a responsável pela criação não só de um ícone, mas de uma marca que levava multidões aos cinemas e fãs ao delírio.

Aqui um parêntese: o maior responsável por todo este sucesso com certeza é Bruce. O alemão – é ele não é americano – que topou fazer um filme que dezenas de astros de TV de hoje em dia não teriam o mínimo de coragem. E melhor: de tão bem feito era o seu trabalho, você não conseguia ver o astro em ação, mas sim o detetive John McClane.

O tempo passou e após dezenas de tentativas frustradas, Willis jogou mais de quinze roteiros fora depois dos atentados de 11 de setembro, em 2007 mais um filme da série estréia nas salas de cinema. A pergunta que qualquer fã faz é: “E?”. E que o filme é muito bom. Tão surpreendente quanto sua primeira parte.

E a quem se deve este grande resultado? O diretor/roteirista Len Wiseman, responsável pela série de vampiros e lobisomens “Anjos da Noite” - a primeira parte é meiote, já a segunda merece respeito - com a bela Kate Beckinsale, não se empolgue que ela é esposa do diretor.


Com Wiseman no comando, “Duro de Matar” ganha takes inovadores, diálogos engraçados, personagens secundários novos – tanto o hacker quanto a filha de McClane – que põem mais lenha na fogueira para filmes futuros e o principal: um diretor que rende uma sincera e movimentada homenagem a um personagem que fazia sua alegria durante a adolescência.

Antes de assistir ao filme faça uma lista e a cada cena vá marcando com uma caneta ou com risos de satisfação, pois está tudo lá, exagerado e barulhento como tem que ser: vigor, descontração, criatividade, explosões, tiros, batidas de carro, os adversários mortais que no final levam a maior peia de McClane e muitas, muitas mentiras.

Só resta dizer uma coisa e com um grande sorriso no rosto: Yippee Ki Yay mailto:MotherF@#$%r! (até isso tem!). Nota 8,5!

!!Dia de São DVD... ou dicas de DVD, quer dizer: mais ou menos isso!! por Rod Castro!

20 de set de 2007

Em DVDs as novidades não foram poucas, algumas confesso me decepcionaram e outras me fizeram ter novas perspectivas sobre o trabalho realizado fora do “eixo do mal”, mais conhecido como Hollywood. Cabe aqui falar que dos quatro filmes que comento a partir do próximo parágrafo, apenas a metade deles – o primeiro e o quarto - chegaram as nossas grandes telas e ficaram em cartaz em poucos menos de duas semanas.

Então selecione o idioma e suas subtitles, agradeçam a Deus por está excelente invenção, passe na locadora mais próxima, sente na poltrona ou cama e aperte o play!
Alpha Dog – Li uma crítica sobre este DVD de um dos caras que mais admiro: Rubens Ewald Filho. E discordo completamente do que ele postou em sua coluna de lançamentos do site uol. O filme é raso, em nenhum momento choca, a afinidade sua por qualquer um dos personagens principais é nula e a direção do filme é nada mais que o normal.

Não há nada que lhe aça perder a calma ou até mesmo se sentir perturbado. Muito pelo contrário: o filme termina e você não tem o mínimo de vontade de parar para pensar no que lhe foi mostrado. Não há revolta, surpresa ou coisa parecida. Tirando uma ou duas atuações – Justin Timberlake até que convence, mas só! – um Bruce Willis canastrão e uma Sharon Stone maquiada ao final do filme, nada é aproveitável. Raso como um pires! Nota 4,0!


Árido Movie – Sai ano e entra ano, chego ao seguinte pensamento: quem precisa de Rede Globo? Mesmo com todos os comentários de pessoas que assistem televisão e pensam que ela e cinema são a mesma linguagem – atenção: não é! – a sétima arte consegue entregar, vez por outra, um filme bem realizado e com alguns diferenciais.

Este é o caso de Árido Movie, filme de estrada totalmente filmado no nordeste e que conta com atuações muito boas do grupo de amigos – viciados em maconha e donos dos melhores diálogos de todo o filme - liderados por Selton Mello – muito gordo! E do índio feito pelo sempre excelente José Dumont, o coxo e trambiqueiro Salustiano feito pelo competente Matheus Nachtergaele e a revelação Suyane Moreira – cearense - no papel da índia Wedja, personagem pivô de toda a trama.

O final dá uma quebrada, meio que existencialista, senão até surrealista, mas o início meio e boa parte do fim compensam e muito. Nota 8,0!

C.R.A.Z.Y. – o nome do filme e até mesmo a forma como ele foi vendido – como comédia – pode dar uma noção errada do que ele tem a oferecer. A temática é difícil de realmente segmentar, pois fala de muitas coisas e sempre se utiliza de formas inusitadas de contar.

Formato que remete ao mesmo utilizado no francês “O Fabuloso Destino de Amelie Poulain”, cheio de lembranças contadas de forma fantasiosa e com personagem principal dando o seu referencial do que realmente lhe aconteceu em sua biografia desde a infância a fase adulta.

Destaque para atuação do personagem principal, tanto como criança quanto adolescente, assim como o irmão mais velho e o patriarca a família maluca, que só ao final da trama que você entende o porquê do título do filme. Único problema para que o filme não mereça uma nota melhor do que a que eu vou dar agora: se arrasta um pouco no seu final, mas merece sua atenção. Nota 8,5!
Hollywoodland – Sabe quando você tem uma grande sacada e ao se embrenhar no que pode ser interessante para o desenvolvimento dela acaba metendo os pés pelas mãos? Não? Então o exemplo reside aqui: Hollywoodlad.

Filme mais ou menos que conta com bons atores – Diane Lane, Bob Hoskins, Adrien Brody e Robin Tunney – que tenta explorar a morte inexplicável de um dos maiores ícones do início das adaptações de revistas em quadrinhos no mundo: o Superman do seriado radiofônico e televisivo George Reeves – que pasmem, tem boa interpretação feita por Ben Affleck.

Para que você entenda onde o diretor tentou cutucar, basta dizer que George nunca foi lá grandes coisas em Hollywood até que o homem de aço lhe fosse delegado – ele vivia se gabando para agentes e pessoas que havia participado de “...E o Vento Levou”, mas ninguém lembrava muito bem de seu papel. Antes dessa escolha por parte dos produtores da série – que era um enorme sucesso nos EUA – ele, em ma festa, conheceu a esposa de um dos sócios da MGM um dos maiores estúdios de Hollywood da época – papel de Bob Hoskins - que é encarnada pela bela Diane Lane.

Pois bem, um belo dia o ator aparece morto – ponto de partida do filme – em seu quarto e em um dia em que sua esposa – Robin Tunney que pegou uma geladeira por parte dos grandes estúdios e na minha cabeça sem o mínimo de razão - e um casal de amigos ficaram conversando em sua sala de estar.

E daí você me pergunta: “E o narigudo? O que ele faz no filme?”. E eu respondo: Adrien é o detetive que investiga a "verdadeira casa mortis" do ator adorado pelas crianças daquele tempo. E você questiona novamente: “O filme parece bom!”. E até concordo. Mas definitivamente o diretor Allen Coulter e o roteirista Paul Bernbaum acabaram por transformar esta boa trama em uma trama paralela ao que para eles realmente interessa: a vida conturbada do detetive Louis Simon (Brody) e aí pecam demais.
A premissa era boa. As atuações, a montagem, a direção de arte idem e só. Nota 6,0!

!!Veja... não é a revista, mané! São dicas de filmes!! por Rod Castro!

Não! Esta é a reposta para a pergunta que mais me é feita nos últimos dois meses. A pergunta: “Parou de ver filmes? Tanto no cinema quanto no DVD?”. O que complementa a resposta dada logo na primeira linha e única palavra, é que o trabalho está me tomando mais tempo do que antigamente.

Sendo assim, aqui vai uma lista total de filmes que vi nestes últimos três meses – somente os que eu assisti de forma inédita, hein? Os que revi, foram muitos e daria mais uma boa lista – não foram poucos. Mas vamos dar nomes aos bois? Então segue!


O Extermínio 2 – Bom filme. A temática não é a mesma do primeiro filme, que praticamente cria um final na mente de quem o assiste, mas não se resolve em imagem. Os zumbis estão mais carniceiros – literalmente – os enquadramentos são mais bem explorados, a intensidade de sustos por minutos continua presente e o principal: nada de gente fazendo “uuooooooo”ou andando de forma lenta, uma seqüência de abertura impressionante, uma estréia em direção muito boa – o espanhol - e uma continuação com boas perspectivas em aberto. Nota 8,0!


Transformers – Eu elogiei Michael Bay. Falei há pouco tempo que finalmente ele havia cometido o seu primeiro filme – “A Ilha” – tendo deixado de lado os videoclips, como “Armagedon” e “Pearl Harbor”. Mas ele conseguiu e pior, com apoio de um dos maiores mestres do cinema atual, Steven Spielberg.

O filme é ruim? Não. Mas é tudo o que deveria ser? Nops. E a culpa? Bay, com certeza! Tudo bem que o desenho animado não tinha bons roteiros ou até boas resoluções de tramas, mas o ritmo acelerado, com roteiro ralo – pior até que alguns filmes que passam na Sessão da Tarde – e uma moça que sofre de paralisia facial na região do lábio inferior, toda vez que a câmera consegue focar seu rosto em vez das suas curvas, transformou esta nova franquia cinematográfica em um sucesso de bilheteria e mais um fracasso como filme. Ou seja: um típico filme de Bay!

O vídeo clip do Smashing Pumpkings, digo o filme dos robôs que se transformam em máquinas, ganha sim nos seguintes aspectos: Shia Labeouff – carisma em alta – trilha sonora bem escolhida, efeitos fabulosos – quando Bay não faz movimentos bruscos – e lutas malucas acompanhadas do efeito de transformação e baques de babar! Nota 6,0!

!!Uma foto e um xeque-mate... ou meu Adeus a Bergman e Antonionni!! por Rod Castro

12 de set de 2007

Tempo. O senhor do destino, tanto o meu quanto o seu. Hoje consigo entender, ou melhor, ter total compreensão – através da vivencia mesmo - do que um episódio da maravilhosa saga de Kevin Arnold, um dia mostrou: você não tem domínio do tempo, pelo contrário, com o passar dele, quem dita as regras da sua vida são os segundos, os minutos e as horas.

Falo isso porque 2007 está conseguido me escapar a cada hora, dia, semana e as vezes até nos meses. E por quê? Tanto faz, ele passa, você tenta agarrar pelos ponteiros, mas ele se esvai, como a água que cai do chuveiro e que você quando é garoto tenta pegar, mas ela escapa. Simples e escorregadio.

Mas o que o instante tem haver com cinema? Muito. Mas e o instante real, não o imaginário que se ilumina na tela, tem haver com a percepção dos segundos? Depende do seu ponto de vista. Muitas vezes quando o filme é bom você não consegue medir quanto tempo passou. Tamanha é a imersão da sua mente em algo diferente, novo e que tem muito a lhe entregar.

Talvez aqui resida a maior relação do tempo com o espectador e o cinema: quanto mais sua mente absorve e se entrega, mais você descobre e vê. E em 2007 o que mais tenho feito é rever. Desde os filmes mais geniais aos mais capengas. Tudo por uma busca: a de tentar reaver o tempo em que me entregava de fato a ilusão que uma sala escura tinha sobre a minha pessoa, mente e imaginação.

Uma busca difícil de ser seguida pelos mais diversos fatores: hoje há mais conhecimento e discernimento em nossos cérebros quanto à sétima arte; temos uma máquina informativa – a Internet – que a cada dia nos deixa mais informado sobre o filme que ainda não foi visto, as vezes nem rodado, e que não se importa em falar a respeito dos outros filmes (bons) que já foram realizados; e principalmente, nossas mentes estão menos soltas. Parecem ter chegado a um porto da realidade em que não se permitem mais burlar as leis do mundo “real”.

E isso é bom? Sim e não. Sim, porque a índole de quem assiste o tempo inteiro policia o que está sendo passado, tentando colher algo de interessante e não, porque sinceramente falando: há muito lixo sendo feito e o pior, há mais aceitação do público por este tipo de material. Seria reflexo dos tempos? Ou seria uma fórmula mágica registrada na parte norte de nosso continente e seguido à risca por pseudos-artistas que sofrem da incrível vontade de “ganhar cada vez mais dinheiro”?

Sinal dos tempos? Ou final dos tempos? Sem compreensão e sem a menor possibilidade de me estender por mais dois parágrafos, pois sejamos sinceros, a maioria das pessoas que lêem um escrito na internet ou até mesmo em um jornal hoje em dia, “não tem tempo para isso”. Deixo essa dúvida em sua mente.

Assim como o mestre sueco Ingmar Bergman – autor de um dos melhores filmes que já assisti (“Persona” também conhecido no Brasil como “Quando duas mulheres pecam”) e o incrível diretor italiano Michelangelo Antonionni (do intrigante “Depois daquele beijo”). Ambos falecidos no último mês.

Com eles vão embora à inspiração e obras que estão ao seu inteiro dispor e tempo para serem descobertas e até mesmo redescobertas. Mas aqui um aviso para os apressadinhos: reserve algumas horas – não, os filmes não são demorados, a degustação mental sim – pois todas as emoções vividas a cada instante merecem os seus mais sinceros sentimentos. Pois sensações são eternas.
A esperança, a dor, a genialidade, a preocupação com o verdadeiro eu e o olhar único se esvaem deixando saudades, mas graças ao DVD estão prontas para desafiarem você, como a morte um dia desafiou a um homem, a qualquer hora e em qualquer tempo.

!!Dicas em páginas!!

27 de ago de 2007

Quadrinhos/literatura:

Não sei se você sabe, mas o mundo dos quadrinhos não é mais o mesmo: o vilão de hoje pode ser o herói de amanhã e aquele hábito que os bons heróis tinham de entregar o vilão a polícia, ao final da história, é uma raridade, pois na maioria das vezes ele o mata e ainda recebe apoio dos civis e tiras.

Esta revolução teve início há muito tempo e pelas hábeis mãos de dois autores sensacionais senão até geniais: Frank Miller e Alan Moore. Duas obras, de cada, fundamentaram o que os quadrinhos seriam nos próximos 20 anos e elevaram os heróis de capa e poderes mágicos a outra categoria. São elas: “Batman Cavaleiro das Trevas” e “Batman Ano Um” de Frank e “Watchmen” e “V de Vingança” de Moore.

Mesmo sendo obras conhecidas - “Watchmen” que será filmada esse ano e chega aos cinemas em 2008, foi escolhida pela Revista Time como uma das cem melhores obras já escritas - nenhum desses clássicos da nona arte realmente é conhecido do grande público.

“Mas o que diacho este cara pretende falar com isso?”, você se indaga e daqui deste lado do computador sai à resposta: este alicerce fundamentado há anos pode começar a ter mostras mais comerciais com o lançamento da minissérie “Guerra Civil” da Marvel Comics – lar de Capitão América, Homem de Ferro, Hulk entre outros - em nossas bancas.
A grande sacada dessa mini, que foi campeã de vendas nos EUA no ano passado, é mostrar o que realmente ocorreria se os heróis existissem e colocassem as mãos em perigosos vilões. Para que conseqüências maiores, como mortes de civis aos milhares, não se tornem apenas algo corriqueiro de mais uma aventura, o governo americano decide então registrar todos os heróis do universo Marvel.

É exatamente aqui que reside a grande sacada da série: o que aconteceria com um cara como o Homem Aranha, cheio de pessoas que o amam – como a tia May e sua esposa Mary Jane – e o odeiam – dezenas de vilões que foram para a prisão ou foram “humilhados” – se ele decidisse ir a imprensa e dizer: “Eu sou Peter Parker!”?

O resultado disso pode ser sentido não apenas na série, como nas demais revistas com o selo Marvel já em todas as bancas. O que eu posso afirmar é: compre e prepare-se para um texto bem feito – graças ao melhor redator de quadrinhos da atualidade, senhor Mark Miller, que já escreveu durante algum tempo os pronunciamentos do ex primeiro ministro inglês Tony Blair – e excelentes desenhos – feitos pelo incrível Steve Mcnieven.
Tá com dinheiro sobrando? Então compre imediatamente “Assombro” o mais recente livro lançado pelo mestre da literatura moderna Chuck Palahniuk. Aqui ao invés de tomar somente uma história e conta-la do início ao fim, ele aposta em pequenos e médios contos que somados formam um incrível livro. É da editora Rocco e merece lugar de destaque na minha coleção de trabalhos anteriores do autor, como: “Clube da Luta” (filmado por David Finch e com Brad Pitt e Edward Norton no elenco), “O Sobrevivente”, “Cantiga de Ninar” (o melhor de todos), “No Sufoco” - que já está com seus direitos comprados para ser adaptado para as telonas, mas ainda se encontra sem diretor - e “O Diário”.

Um dos textos desse super lançamento já foi publicado aqui no blog e é altamente recomendável para quem fica horas sozinho e pensando em alguém!

Amanhã música (Beastie Boys e Queens Of Stone Age)!!!