!!Uma foto e um xeque-mate... ou meu Adeus a Bergman e Antonionni!! por Rod Castro

12 de set de 2007

Tempo. O senhor do destino, tanto o meu quanto o seu. Hoje consigo entender, ou melhor, ter total compreensão – através da vivencia mesmo - do que um episódio da maravilhosa saga de Kevin Arnold, um dia mostrou: você não tem domínio do tempo, pelo contrário, com o passar dele, quem dita as regras da sua vida são os segundos, os minutos e as horas.

Falo isso porque 2007 está conseguido me escapar a cada hora, dia, semana e as vezes até nos meses. E por quê? Tanto faz, ele passa, você tenta agarrar pelos ponteiros, mas ele se esvai, como a água que cai do chuveiro e que você quando é garoto tenta pegar, mas ela escapa. Simples e escorregadio.

Mas o que o instante tem haver com cinema? Muito. Mas e o instante real, não o imaginário que se ilumina na tela, tem haver com a percepção dos segundos? Depende do seu ponto de vista. Muitas vezes quando o filme é bom você não consegue medir quanto tempo passou. Tamanha é a imersão da sua mente em algo diferente, novo e que tem muito a lhe entregar.

Talvez aqui resida a maior relação do tempo com o espectador e o cinema: quanto mais sua mente absorve e se entrega, mais você descobre e vê. E em 2007 o que mais tenho feito é rever. Desde os filmes mais geniais aos mais capengas. Tudo por uma busca: a de tentar reaver o tempo em que me entregava de fato a ilusão que uma sala escura tinha sobre a minha pessoa, mente e imaginação.

Uma busca difícil de ser seguida pelos mais diversos fatores: hoje há mais conhecimento e discernimento em nossos cérebros quanto à sétima arte; temos uma máquina informativa – a Internet – que a cada dia nos deixa mais informado sobre o filme que ainda não foi visto, as vezes nem rodado, e que não se importa em falar a respeito dos outros filmes (bons) que já foram realizados; e principalmente, nossas mentes estão menos soltas. Parecem ter chegado a um porto da realidade em que não se permitem mais burlar as leis do mundo “real”.

E isso é bom? Sim e não. Sim, porque a índole de quem assiste o tempo inteiro policia o que está sendo passado, tentando colher algo de interessante e não, porque sinceramente falando: há muito lixo sendo feito e o pior, há mais aceitação do público por este tipo de material. Seria reflexo dos tempos? Ou seria uma fórmula mágica registrada na parte norte de nosso continente e seguido à risca por pseudos-artistas que sofrem da incrível vontade de “ganhar cada vez mais dinheiro”?

Sinal dos tempos? Ou final dos tempos? Sem compreensão e sem a menor possibilidade de me estender por mais dois parágrafos, pois sejamos sinceros, a maioria das pessoas que lêem um escrito na internet ou até mesmo em um jornal hoje em dia, “não tem tempo para isso”. Deixo essa dúvida em sua mente.

Assim como o mestre sueco Ingmar Bergman – autor de um dos melhores filmes que já assisti (“Persona” também conhecido no Brasil como “Quando duas mulheres pecam”) e o incrível diretor italiano Michelangelo Antonionni (do intrigante “Depois daquele beijo”). Ambos falecidos no último mês.

Com eles vão embora à inspiração e obras que estão ao seu inteiro dispor e tempo para serem descobertas e até mesmo redescobertas. Mas aqui um aviso para os apressadinhos: reserve algumas horas – não, os filmes não são demorados, a degustação mental sim – pois todas as emoções vividas a cada instante merecem os seus mais sinceros sentimentos. Pois sensações são eternas.
A esperança, a dor, a genialidade, a preocupação com o verdadeiro eu e o olhar único se esvaem deixando saudades, mas graças ao DVD estão prontas para desafiarem você, como a morte um dia desafiou a um homem, a qualquer hora e em qualquer tempo.

Um comentário:

Anônimo disse...

Vi "Persona" este final de semana. Realmente é um filme "difícil". Mas sabe o q mais me impressionou? Não sei se o Bergman era psicólogo - acredito q não - porém, nunca vi um filme mais adequado a "estudos de caso" nas salas de Psicologia. Uma pena q os professores só lembrem de Freud Além da Alma ou de Mr. Jones, que são filmes tão óbvios q o aluno nem sequer precisaria cursar psicologia para entender. Já Persona seria perfeito como "ponto extra", para ser analisado por aquele aluno q realmente se interessar, podendo oferecer sua análise sobre os fatos passados no filme.

Bom, sobre o filme em si, é uma obra prima de fotografia (q chiaro-scuro fenomenal!!!!!!) mto bem utilizada p/ pontuar a direção perfeita! E olha só: descobri de onde o Fincher tirou inspiração p/ aquela cena do pênis, hehe! Ele insinua mto sem mostrar nada, deixa td a critério do expectador, até o final. Um show de direção! Show de filme! Valeu pela dica, primóide!

Bjs,
V