!!O brilho eterno de um diretor polivalente... ou: “Sunshine – Alerta Solar”!! por Rod Castro

30 de out de 2007


Listas, talvez esta seja a palavra mágica que motiva boa parte das pessoas envolvidas com os mais diversos tipos e níveis de cultura, a se aprofundarem de verdade em seus gostos e predileções. É notável que a maioria dos ditos “cultos”, alguma vez em sua interessante existência se dispôs a realizar uma lista de “melhor isso” ou “melhor aquilo”.

Mas aqui cabe um diagnóstico: elas são necessárias. Senão pelo critério de associação direta de assuntos, que seja pelas inúmeras possibilidades que permitem para que um contexto tenha maior e melhor percepção. Mas exatamente nesse ponto do texto você se pergunta: “O que diabos uma lista tem haver com o novo filme de Dany Boylle, ‘Sunshine – o alerta solar’?”.

E eu respondo: tudo. Quer ver? Então alugue agora mesmo “Sunshine”, pegue lápis, papel e tome nota: equipe de cientistas rumam para o espaço tentando salvar a Terra de uma ameaça que porá nossa existência em total extinção (“Impacto Profundo”); no decorrer da viagem você descobre que outra equipe já foi anteriormente solucionar esse problema e desapareceu sem deixar vestígios (“Alien, o Oitavo Passageiro”, “Solaris” e “Enigma do Horizonte”); com o passar do tempo de exposição ao espaço, todos os tripulantes começam a pirar e ao se digladiar (“Missão Marte” e “Alien O Resgate”); e por fim: naquele local totalmente vazio e tão complexo, você e o diretor contemplam - com imagens estupendas – o verdadeiro infinito que só o espaço pode nos oferecer (“2001, Uma Odisséia no Espaço” e “2010, o Ano em que Faremos Contato”).
Parece clichê não é mesmo? Senão até mesmo pouco criativo. Mas aqui cabe outra lista, pois estamos falando de Dany Boyle, o homem que: em seu primeiro trabalho fez um dos filmes mais inteligentes e subestimados do início dos anos 90 (“Cova Rasa” – uma pena que ainda não o tenham lançado em DVD em terra brasillis); em seguida rodou um dos mais pop filmes e que até hoje é adorado por jovens desajustados e até mesmo os certinhos (“Trainspotting”); teve coragem de em seu primeiro trabalho por um grande estúdio, realizar uma comedia de humor negro que não se preocupava com as bilheterias (“Por Uma Vida Menos Ordinária”); e por fim, um homem que após ser rejeitado ao realizar um filme mais ou menos (“A Praia” e que muitos dizem que a Fox teve mais culpa do que ele e o Leoardo DiCaprio juntos), voltou para a sua terra natal e refez o status quo de um dos gêneros mais queridos do cinema, que havia se tornado piada com o passar dos anos (“O Extermínio”).

Pois Boyle acertou de novo. Sua câmera solta ou flutuante (influência total do mestre Kubrick). Seu enredo bem amarrado e bem conceituado (com toques de Ridley Scott e Andrei Tarkovski). Seu twist – virada de trama – com ritmo e sem foco (De Palma na veia). E suas homenagens na medida certa, resultaram em um filme pronto para voar direto para a sua estante de DVDs.

Alguns podem dizer que ele fez um remendo de lindas imagens com conceito existencialista já debatido em filmes anteriores, mas aqui cabe o seguinte comentário: será que este não era o seu objetivo maior? Bem, se for, ele acertou em cheio e mais uma vez deu vida nova a um estilo de filme que foi deixado de lado pelos bons cineastas.

Nota 9,0 (de cegar)!

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