!! Ri melhor quem ri por último... ou “Ultimato Bourne”!! por Rod Castro

15 de out de 2007

2001, ávido por novidades sobre um próximo trabalho do diretor Doug Liman – o mesmo do excelente Go, Vamos Nessa! (um dos filmes mais subestimados do início do século XXI) – encontro no site IMDB um título interessante e uma premissa mais ainda: “Identidade Bourne”.

O filme me despertou curiosidade e rendeu uma pesquisa por alguns dias. Ao final dela a empolgação se transformou em expectativa. Razões? Várias: além de Liman, descobri que o projeto era baseado em uma série de livros de espionagem que tinha como autor, na opinião de meu avô, um mestre: Robert Ludlun.
Ainda na pesquisa vi que o filme contava com elenco não tão estelar na época, mas competente ao extremo e visivelmente diferenciado, como: Chris Cooper – vencedor do Oscar de melhor ator coadjuvante daquele ano por “Adaptação” – a alemã Franka Potente (do viciante “Corra Lola, Corra”) e um desconhecido Clive Owen que ganharia fama a partir desse trabalho.

O papel de Matt Damon, longe dos grandes holofotes, era perfeito. Seu Bourne era visivelmente confuso e mortal, ambos na mesma proporção. As cenas de combate eram realistas e ao mesmo tempo criativas. Mas em minha opinião faltava tensão, um dos princípios básicos para os bons filmes de espionagem.

Em resumo: projeto barato, repleto de inovações – como o herói do filme sangrar e fazer as mais diversas estripulias – e com excelente renda nas bilheterias. Resultado: uma franquia de ação inesperada e um personagem com uma só cara, a de Matt. Mas Doug largou o projeto e zarpou para “Sr. & Sra. Smith”, filme que uniu nas telas e fora delas Angelina Jolie e Brad Pitt.

Dois anos se passam e eis que um dos maiores diretores da atualidade e que havia rodado somente um filme para cinema até aquele momento – o excelente e recomendável “Domingo Sangrento” - assume a cadeira de comando do projeto Bourne, Paul Greengrass.

Com ele as coisas mudam e para melhor. Damon entra em uma saga mais rápida, com cenas impressionantes – como a perseguição de carro que finaliza o filme – se depara com um emaranhado de conflitos e questões que sido o start do primeiro filme, mas que não tinham sido tão bem trabalhados como agora.

A dinâmica de vídeo clip de Liman ganha um olhar documental – e uma câmera extremamente nervosa. A trama é tão rápida e tão bem amarrada que com menos de 50 minutos de filme o herói perde o amor de sua vida, após um atentado realizado por um matador frio e calculista como o de Clive (agora vivido por Karl Urban), vê a possibilidade de uma vida normal se perder por entre seus dedos – assim como o corpo de sua amada - e parte em uma perseguição implacável aos responsáveis.

Em resumo: neste segundo ato a franquia conseguiu dar um passo a mais em sua carreira, melhor, se preparou para uma última parte de forma tão bem pensada por seu novo comandante que alguns entendidos em cinema de ação recomendavam o filme para premiações mais sérias.

Resultado: o filme teve mais sucesso nas bilheterias e na crítica do que sua primeira parte; Greengrass recebeu convites para dirigir dezenas de filme – tendo escolhido bem o seu filme seguinte: o indicado ao Oscar “Vôo United 93”; os produtores do novo filme do espião mais conhecido do cinema, 007 oras, reviram vários aspectos e reformularam o personagem para os anos 2000; e uma terceira parte para Bourne se tornou um ultimato dos fãs e da crítica.

Pois bem, sete anos após minha pesquisa por informações sobre o novo filme de Liman, um novo filme com o nome Bourne surge nas telas do mundo inteiro. As expectativas são as melhores e estão devidamente cumpridas e levando em consideração importantes aspectos: respeito aos fãs, dignidade para com seu personagem principal e fidelidade com a história até agora contada.

“Ultimato Bourne” está repleto de ação, cenas frenéticas, diálogos rápidos, lutas inspiradas, perseguições realísticas, ataques mais rápidos ainda, viradas inesperadas e um final apoteótico – que relembra o início do “Identidade” -coroando tudo o que foi feito até agora com a série.

Jason Bourne na verdade é uma personificação na tela grande do mito de Jasão. Mas em vez de um renascimento de Jason – um possível “Jason Rebourne”, talvez? - em mais um filme, espere pelo inesperado após o início da música do Moby.

“Este é o fim. Meu único amigo, o fim”, como dizia Jim Morrison. Preciso e mortal, como Bourne.
Nota 9,0 e com grandes chances de ser o filme de ação do ano, como em 2005.

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