terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

!!Os melhores filmes de 2009 (1a parte)!! por Rod Castro!

Entre os anos de 2009 e 2010 minha vida teve várias viradas. E entre idas e vindas, acabei não tendo tempo para fazer minha lista com os melhores do ano. Assim, acabei tendo que realizá-las neste mês de Fevereiro, mas antes tarde do que nunca, concorda?

Em resumo, achei que 2009 teve excelentes filmes pequenos, bons filmes grandes e naufrágios gigantescos (“G.I.Joe” e “Transformers 2” que os digam). Mas 09 ficou marcado no cinema por uma obra-prima de um diretor pop – “Bastardos” – uma atuação magnética – Mickey Rourke no papel de sua vida – um suspense de congelar o sangue – o sueco “Deixe Ela Entrar” – boas biografias políticas – “Frost VS Nixon” e “Milk” – mais um clássico da Pixar – “Up, Altas Aventuras” – e duas surpresas significativas – “500 dias com ela” e “Distrito 9”.

Bem, vamos deixar de papo e acompanhar os listados? Vamos, lá!

20 – “Os piratas do Rock” – típico filme que realmente não podia chegar ao Brasil com os seus devidos méritos. Nele você acompanha a vida de uma equipe de rádio pirata que revolucionou o jeito de ouvir música de toda uma geração na terra da rainha. Excelente.



19 – “Gran Torino” – divertido, forte, dramático e mais um personagem para a galeria de tipos durões de Eastwood. Filme com cara de pequeno, mas com roteiro gigantesco e fim apoteótico, mesmo sendo triste, como o é.




18 – “Bolt” – parece que a Disney tem potencial para gerenciar sua área de animação em computação gráfica, mesmo sem a equipe da Pixar – apesar da primeira, hoje, ter o mesmo comandante que gerou a segunda. Aventura em primeiro nível para crianças e adultos.


17 – “Arraste-me Para o Inferno” – Sam Raimi saiu da franquia do Homem Aranha e voltou a sua base criativa: filmes de terror com base na comédia e nos exageros de cena. Roteiro simples, trucagens sensacionais, é o velho Raimi, mostrando para a molecada que eles têm que ralar muito para chegar lá. Divertido e espantoso.


16 – “Se beber, não case” – uma das maiores surpresas do ano acerta por se mostrar mais do que mera diversão. A realidade, mesmo nas cenas mais absurdas, é o trunfo de um roteiro que desobedece as regras ao mesmo tempo e quem cria personagens memoráveis.



15 - “Queime Depois de Ler” – mais um filme louco rodado pelos irmãos mais loucos do cinema americano – os Cohen, ora bolas. Um típico filme que te constrange a cada risada e mais um papel inesquecível na carreira de Brad Pitt.



14 – “Watchmen” – esperei por este ano durante muito tempo em minha vida. E posso dizer que não me arrependi por inteiro, pelo contrário, está é a primeira adaptação para cinema de uma história escrita por Moore que merece destaque, mesmo distante dos dez melhores do ano. Zack acerta o ponto, erra muito pouco e traz um clássico dos quadrinhos a vida.


13 – “Avatar” – é isso mesmo, “Avatar” não está entre os dez melhores. Sei que é uma revolução, sei de seu desempenho nas bilheterias, mas esta é a minha lista e aqui é o melhor lugar para este bom filme. Um dos favoritos ao Oscar de 2010, e que não deve sair de mãos abanando, mas Cameron não merece o prêmio de melhor diretor.


12 – “O Curioso Caso de Benjamin Button” – é uma pena que o Oscar do ano passado, não tenha dado o crédito necessário ao minucioso trabalho realizado por Fincher e equipe. Este é um dos seus melhores trabalhos e a técnica utilizada na computação gráfica é um marco para a história do cinema moderno. Filme bonito e na hora certa.

11 - "Tá Chovendo Hambúrgueres" - Confesso que não acreditava em um filme, mesmo sendo uma animação, com um título tão bobo quanto este. O preconceito foi quebrado com menos de 15 minutos de exibição: tudo está no seu devido lugar, sao excelentes personagens, boa trama e uma computação gráfica de extremo requinte. uma das grandes surpresas do ano, que ficou mais divertida ao se ver em 3D.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

!!A mãe lobo deu cria novamente... ou: é se desfazendo que se faz um bom disco?!! Por Rod Castro!

Poucas bandas alcançaram um respeito de crítica e público assim que apresentou seu primeiro trabalho. De cabeça agora, alguns nomes me vêem a cabeça: Coldplay, The Strokes, Queens Of Sonte Age, Stone Temple Pilots... e mais alguns, mas não devo passar de uns 50 nomes. Entre eles, com certeza, estará o do power trio australiano Wolfmother.

Uma mistura de Black Sabbath com Led Zeppelin. Esta era a minha primeira definição sobre a banda assim que pus meus tímpanos em seu primeiro disco, intitulado com o nome da banda.

Músicas interessantes, apresentações viscerais, clipes bem bolados, premiações, shows lotados, boas vendas. Tudo estava a favor do Wolfmother, que para impressionar mais ainda seus ouvintes e crítica, tinha uma média de idade entre os 23 anos, assim que surgiu.

Era a banda certa, surgindo no momento certo. Até que a gravadora cobrou um novo disco, já acertado em contrato. Ai tudo foi por água abaixo. A banda entrou em conflito, as acusações começaram e um sumiço imediato tomou conta do Wolfmother e ano de 2008, o que a banda deveria entregar um novo álbum, passou em branco.

Em 2009, foi anunciada a saída de seu baixista/tecladista Chris Ross (um fã de John Paul Jones) e o baterista Myles Heskett (um fã incondicional de Bill Ward batera do Black Sabbath). O vocalista Andrew Stockdale (um Ozzy Osbourne mais consciente e ótimo guitarrista) tocou o barco sozinho, pôs anúncios em jornais e retomou a banda, agora um quarteto: Adrian Nemeth (guitarra base), Ian Peres (baixo/teclado) e Dave Atkins (bateria). O resultado?

Melhor do que se esperava. O segundo disco do Wolfmother: Cosmic Egg tem uma pegada de estrada e uma ousadia que o difere do primeiro trabalho da banda, mas a distancia é proposital e traz novas camadas ao som já anteriormente proposto. É rock de qualidade, tocado com maestria, com letras sobre unicórnios e garotas. Ou seja: é o velho (?) Wolfmother, com roupagem nova e sugando a sua fonte seiscentista: Deep Purple, Led Zeppelin e Black Sabbath.

“California Queen”, “Sundial”, “10.000 Feet”, “Pilgrim” e “Black Round”caberiam em qualquer disco do Sabbath; “New Moon Rising”, “Cosmic Egg”, “Cosmonaut”, “Eyes Open”, “In The Castle” e “Phoenix”seriam repertório em qualquer show do Purple; “White Feather”, “In The Morning”, “Far Away”, “Caroline” e “Violence Of The Sun” fariam os monstros do Led balançarem suas cabeças.



É com toda essa pompa que o Wolfmother segue rumo ao estrelato já previsto. E que agora eles se unam e façam bons trabalhos como estes, afinal, os saudosistas de um bom rock agradecem as homenagens e cantam suas músicas. Nota 9,0 (obrigatório para a sua coleção de discos da safra de 2009).

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

!!Julian Plenti é o Paul Banks do Interpol... ou: Julian Casablancas tem que aprender esta lição!! Por Rod Castro!

Dois vocalistas das bandas mais interessantes do rock indie desses anos 2000, The Strokes e Interpol, decidiram dar um tempo de suas bandas – as duas no princípio de gravações de seus novos álbuns para este ano de 2010 – e resolveram tocar projetos solos. Julian não arriscou tanto, fez um disco não tão bom quanto pode fazer, principalmente em grupo com os seus parceiros habituais, o caso de Paul Banks, do Interpol, é diferente.

Já era de se esperar. Banks é notavelmente contido, não se sabe se é tipo, e um grande observador. Suas letras são mais interessantes, apesar de ácidas e as vezes mórbidas, que as de Casablancas, e o seu som não está lincado ao que sua banda se propôs a fazer, mas sim ao estilo de rock que ele aprendeu a gostar, como o que era produzido por Ian Curtis e o seu Joy Division.

Em março do ano passado, algumas notícias em sites especializados afirmavam que Paul havia entrado em estúdio para produzir algo seu, somente isso, sem nomes de colaboradores ou por que selo o CD sairia. E a surpresa – como ele tão bem berra na faixa de abertura do disco “Julian Plenti Is... Skyscraper”, na faixa “Only If You Run” – foi um trabalho melhor como qualquer disco de sua banda.

O som parece com o que ele faz. Mas este parece tem tantas possibilidades que seria um crime buscar algo na sonoridade deste trabalho nos já realizados com os seus companheiros de Interpol. Sim, o som às vezes sinistro, a guitarra emparedada e a bateria concisa – o baterista é o mesmo do Interpol – mas há uma alegria em certas canções, seja por um pianinho aqui – na música já citada – seja em uma harmonia em guitarra menos acelerada ali ou até mesmo pelo estilo mais dançante da faixa em si, que os referenciais já instituídos por Banks, acabam por passar reto e algo novo surge em seus ouvidos.

“JP Is... Skyscraper” parece ter saído de uma trilha sonora de algum filme de David Lynch. Pondo sempre seu ouvinte em questão, criando camadas que podem parecer algo, mas que rapidamente é contradito ao que se pensava ser, ou deveria ser. É corajoso, pretensioso, diferente, parecido, repetitivo, novo e alucinantemente bom. É de se perguntar: será que Banks precisa do Interpol? O que os outros integrantes do Interpol pensaram sobre o trabalho?

Bem, o caminho está pavimentado. Paul deve estar mais que feliz. E com músicas como as já citadas, mais a moderna “Unwind”; as climáticas “Skyscraper”, “Madrid Song”; o rock dançante de “Games For Day”; a sacana “Fly As You Might”; as belas “No Chance Survival”, “Girl On The Sporting News”, “On The Splanade” e a derradeira “H”.

Se Julian pensou em soar pop e assim arrastar seus fãs de Strokes, errou. Se Paul tentou não soar como sua banda, mas não deixar de lado certas características artísticas, como ele mesmo fala na faixa de abertura: Surpresa! Ele acertou quase em cheio, mas ainda precisa sim do Interpol para fazer um disco, como só ele e seus companheiros de banda conseguem – respondendo assim a pergunta de que ele pode seguir um caminho só ou acompanhado.

Nota 8,5. E a partir de hoje, Julian Plenti é Paul Banks sem Interpol. Veremos...

!!O quinteto de um homem só... ou: o disco solo de Jullian Casablancas, o “líder” dos Strokes!! Por Rod Castro!

A vida de Jullian Casablancas deve ser um saco: ele é filho de John Casablancas – dono da Elite Models, a maior agência de modelos do planeta Terra, estudou em colégios internos na Europa – onde conheceu seu parceiro de primeiras composições Albert Hammond Jr. (filho de outro famoso), deve ter recebido carinho de centenas de modelos - hoje famosas, e por final, mas não derradeiro, é o líder da banda que “salvou o rock” nos anos 2000, os Strokes.

Chato né? Talvez tenha sido esta monotonia que o motivou a dar um passo adiante, enquanto sua banda não lança nada novo (há mais de 3 anos), e lançar um trabalho solo, com participação de vários companheiros de Strokes: “Phrazes Right In The Dark”. Um disco que parece ter saído dos intervalos de várias gravações da sua banda.

E isto não é ruim, longe disso. Mas não soma para Julian pensar em abrir mão de seus companheiros de quinteto e viver uma vida de crooner. Há muito boas músicas: as Strokianas “Out Of The Blue” e “River Of Breaklights”; as interessantes “Left Right In The Dark” e “Tourist”; um hit instantâneo “11th Dimension” - o início dessa canção lembra uma do New Order no disco “Brotherhood”.

Mas nada que se possa dizer: ele sabia o que queria e não precisa mais de uma banda para mostrar trabalho. Bom disco, algumas boas canções, mas não, não, não, seu Casablancas, volte para o ninho ao lado do aconchego e brigas de seus parceiros de Strokes e dedique-se ao máximo para o próximo lançamento da banda. Nota 6,5.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

!!Um tapa sem luvas... ou: Rated R, o novo disco da sempre bem produzida Rihanna!! Por Rod Castro

Michael Jackson assim que saiu dos Jackson 5 sabia: era o astro principal de sua banda e este era o seu momento de brilhar, mas somente ele, sem banda. Mas neste exato momento ele deve ter se perguntado: cadê o apoio que sempre fez a minha estrela brilhar?

O medo deve ter sido contornado com a entrada de Quincy Jones na vida de Michael. Quincy passou pela vida de Ray Charles, como amigo e colaborador, pela vida de Stevie Wonder, como instrumentista e produtor. Ele fez mais por Michael do que os próprios 5 haviam feito.

Sem comparações diretas, o que ocorre com a cantora Rihanna é algo parecido com o que ocorreu com o rei do pop: a moça pegou bons produtores pelo seu caminho e ano após ano, seja lançando discos próprios ou participando de colaborações com outras estrelas solo e bandas (como no Hit “If I Never See Your Face” com o Maroon 5), ela consegue criar boas canções pops.

Assim como em “Good Girl Gone Bad”, “Rated R” (o novo disco da moça) é mais um CD repleto de hits instantâneos com a pegada pop rock atual. Mas há algo de diferente neste novo trabalho: ela se arriscou mais, teve uma produção mais detalhada e, de música para música, é sensível a carga criativa nos detalhes das composições – seja nos trabalhos vocais ou nos pequenos toques na produção dos sons – como no pianinho que toca ao fundo na terceira canção, “Hard”.

E isso fica claro desde a primeira faixa: uma voz masculina, como aquelas que fazem anúncios em trailers de cinema, repete “Welcome To The Mad House” – como Vincent Price o fez com sua voz cavernosa em “Thriller”- e alguns sons feitos em voz pela cantora, acabam por criar um som ambiente intrigante, como as faixas de apresentação de um bom disco costumam fazer – quem hoje em dia tem confiança para tal façanha?

“Stupid In Love” é um recado da cantora para outras mulheres que já levaram uns tapas de covardes e ganha um arranjo simples, mas reflexivo: piano e estalos de dedos. “Russian Roulette” trata praticamente do mesmo tema da música anterior, a diferença está nas batidas mais pop e no arranjo ao bom estilo Massive Attack.

Mas o que a moça que compôs o hit “Umbrella” sabe fazer é canção pop, grudenta. Em “Rated R” ela repete sua sina e entrega o pop, misturado com rap e rock – mas talvez não seja essa a Rihanna que o mundo aprendeu a gostar e isso traga uma carga de preconceito ao novo estilo da artista: “Rockstar” – tocada com Slash nas guitarras e uma letra perfeitamente sacana; “Fire Bomb” – de novo a base de guitarra está presente, mas esta é uma canção mais pop, com jeitão de parada de sucesso, é só esperar o tempo certo para ouvi-la seguidas vezes nas rádios do mundo; “Rude Boy” – parece música de R&B da década de 80, muitos setentizadores, vocal repetindo palavras “Boy,boy,boy”, um dos maiores grudes do disco; “Photographs” – com Wll Iam do Black Eyed Peas é outra canção pop, mas com a pegada das canções feitas em dupla na década de 70; “G4L” – outra canção para se destacar: arranjo moderno, letra sacana, brecadas de ritmo diferenciada e potencial para ser trabalhada em um bom videoclipe.

Este disco é melhor que o anterior? Acredito que sim. Rihanna amadureceu. O seu estilo de pensar música está mudando e a produção por detrás da artista é cada dia melhor. A possibilidade de ir além é muito grande e ela vai. Desde que deixe os problemas pessoais em segundo plano e invista mais ainda em sua carreira.

Este parece ser o primeiro de vários discos novos da cantora que tem carinha de santinha, coxas robustas e produtores mais do que competentes. Nota 8,5.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

!!Como o tempo passa rápido... ou: Faith No More no Maquinária!!

Poucas coisas me tiram de dentro de casa. Poucas coisas me tiram de dentro de Manaus. Para ser mais honesto, falei isso a minha esposa e repito aqui: só viajaria para ver outro show em São Paulo se o Faith No More voltasse a vida - e olha que nesse meio tempo deixei de conferir gente boa, como Arctic Monkeys, Yeah Yeah Yeahs, The Killers e os Beastie Boys.

Em um dia de muito sol, como qualquer outro para quem vive em Manaus, sou alertado por um amigo para conferir meu e-mail, pois tinha me mandado uma notícia surpreendente. Vou lá e com um sorriso imenso na cara, constato que o Faith No More havia voltado a vida, com praticamente a formação clássica da banda - faltava somente o guitarrista, mas eles haviam chamado o mesmo que fez parte da última formação.

Mais três meses se passam e a confirmação mais desejada dos últimos anos é postada no site oficial da banda: eles passariam pelo Brasil, em um festival com outras boas bandas. Convoquei um grupo de amigos, programei-me para ir, e a partir desse parágrafo relato o que aconteceu.

Hoje eu posso ser um bobo pelo resto da vida. Afinal, fui rei por um dia!

Minhas previsões metereológicas se tornavam realidade e uma chuva, um pouco pesada, começou a cair do céu cinza e preto acima da Chácara do Jóquei. Correria geral: pessoas tentavam se abrigar sob as lonas que protegiam os compradores de bebidas e comidas, outros corriam atrás do cara que vendia capas - que lá fora, antes do show, custavam 3 reais e que na hora do pinga pinga saía por 10 ou 15 R$, dependendo da sua cara de desespero - e alguns, já mais felizes do que deviam estar, somente tiravam as blusas e as colocavam sobre suas cabeças.

Enquanto pagava "deizão" na minha capa - que não conseguia por e acabei dando-a para uma moça desesperada atrás de mim - notei que o palco havia sido inundado pela chuva. Pior: todos os intrumentos do Faith já estavam ali e os rodies corriam para cobrí-los. No mínimo haveria um atraso, mas eles tocariam. Pelo menos era o que eu e mais 24 mil pessoas esperavam.

Em poucos minutos a chuva estiaria. Os sorrisos voltariam a face de todos os presentes pela presença acima do palco de um cara vetido ridícularmente com um terno vermelho, óculos escuros e guarda-chuvas preto, daqueles que se compra em um camelô. Era Mike Patton e toda a banda que faria seu primeiro ato: a execução da música Reunited (um brega americano de relativo sucesso gravado pela banda Peaches & Herb) cantada em coro por grande parte da plateia - mostrando que a maioria dos que estavam ali já tinham visto vídeos na internet da apresentaçnao desta nova turnê.

Todos sabem no que são os melhores. E naturalmente vamos nos divertir.

O playlist executado pela banda foi especial, mesmo não fugindo da lista planejada para toda a turnê. Passou por todos os CDs, dando mais oportunidades para os dois melhores - King For A Day... e Angel Dust - e teve boa parte das canções cantadas em coro pelos presentes, mostrando que a maioria não foi pela onda de estar ali, mas sim para ver uma grande banda realizar um belo espetáculo.

Quando a pauleira começou, lembro-me de falar a seguinte frase para o meu velho amigo Marcos: o Chino (do Deftones) é do primário, esse aí é o mestre! E de fato, Mike Patton deu 150%: ficou molhado de chuva, gritou como um louco, teve uma presença de palco que faria a performance realizada a pouco pelo Janes parecer um mero aquecimento, cantou em português, brincou centenas de vezes com a galera - as três mais interessantes foram: "Temos uma grande banda aqui: Secos (o Faith em cima do palco) & Molhados (nós)"; "Esta talvez seja a nossa última apresentação aqui (o público se mostrou triste e ele lembrou), talvez, hein? (e todos riram)"; "Está música é para o Palmeiras! (seguido de muitas vaias e um ou dois aplaudindo - eu no caso!)".

A chuva rareava, mas não dava trégua, eles esbanjavam boa vontade e o povo correspondia, assim foram realizados dois bis, com umas 7 canções (os dois somados), Mike Patton antes do primeiro, fez questão de descer junto ao público que pagou mais e fez uma sequência de eu falo e vocês repetem de "Porra, Caralho", que resultou em confusão entre ele e alguns seguranças e um corajoso beijo na boca por parte de um fã - que se tornou motivo de muitos risos, ao ser projetado em telão para todos que viam a apresentação.

O show foi mais do que esperávamos, com som cristalino, sem confusões, repleto de bons momentose com a minha música favorita executada com pompas de clássica (Caffeine). Por tudo isso, talvez eu não tenha sentido na hora as dores nas pernas - devido as sequências e mais sequências de pulos - a rouquidão e a gripe que se arrastava a partir do desligar das luzes sobre o palco.

A empolgação foi maior do que o primeiro encontro - há 17 anos - e deixou uma certeza, nada de talvez seu Patton, de que mais outros momentos como estes serão vividos entre Faith No More e Rod Castro. Afinal, nem eu e nem eles, entramos na crise da meia idade. Nota 10 e com certeza este foi o melhor show que vi nestes 26 anos de rock.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

!!Maquinária: Janes Addiction... ou: eles são bem mais do que sempre pareceram!!

Quando soube que o Janes Addction estava no plantel do Maquinária confesso que fiquei um pouco triste. Conheço pouco da banda – ainda hoje afirmo isso, mesmo com um Best of no MP4 e alguns outros CDs deles – mas sempre quis ver como seria uma apresentação deles – havia lido sobre e sempre rasgaram elogios.

E a questão mais importante e que sempre me fiz era: será que o David Navarro é o típico ficeleiro ou ele realmente é mais do que apenas uma pose? Com essa pulga atrás da orelha, ainda sentindo a adrenalina deixada pelo Deftones e com o sol saindo de lado – graças a Deus – o Jannes subiu no palco.

E a primeira palavra sobre o que vimos é: eles são muito, mas muito bons mesmo. No mínimo dezenas de vezes melhor do que alguns imaginavam. Tá certo que o som das caixas melhorou muito – não estava ruim, mas algo diferenciou - e isso trouxe mais brilho a apresentação. Uma das coisas que mais passavam pela minha cabeça, como público era: moçada, vamos fazer nossa parte que assim o Pharrel - o Lollapalooza - traz o festival dele para o Brasil.

Tá certo que de meia em meia hora o Perry fazia questão de se afirmar homem – alguém deve ter falado ou postado bobagens sobre o cara e ele ficou muito, mas muito chateado mesmo – mas isso de forma alguma atrapalhou a apresentação dos viciados (addiction, ok?). Em uma apresentação nada contida, repleta de solos cavalares, peso (hard mesmo) da cozinha em total sincronia, eles atropelaram o pessimismo alheio e deixaram o público no ponto para o que seria uma das melhores apresentações de rock do ano em solo brasileiro, o Faith oras?

Momentos paga pau: sentir a precisão do Navarro em um som cristalino, ver o Pharrel cair algumas vezes porque não continha sua felicidade de ver tanta gente junta em um lugar louco como aquele, ouvir “Stop” com uma precisão sonora avassaladora e um encerramento com todos os demais componentes do grupo arrebentando alguns tambores enquanto Perry fazia suas estripulias.

O céu já ameaçava fechar e eu vociferava a todos próximos: vai cair uma tempestade amigos. E neste momento o Janes já se despedia, com muitas pessoas aplaudindo a apresentação e alguns, eu e mais uns três da minha turma, trocávamos palavras como: foi bom hein? Os caras arrebentaram.Sai o Janes, dono de um 9 com louvor.

E o palco se molharia para que os reis surgissem. Daqui alguns dias, senhoras e senhores: Faith No More.