quarta-feira, 11 de novembro de 2009

!!Eu sempre tive fé de que no final nós nos encontrariamos de novo!! Por Rod Castro!

Em 1991, uma banda roubaria a atenção do público e da mídia no mais esperado festival de rock em solo brasileiro (Rock In Rio II): o Faith No More. Em mais de uma hora de show, Mike Patton e seus 4 companheiros de banda fariam história e acabariam se rendendo não somente aos cariocas, mas ao Brasil como um todo: excursionaram pelos mais distantes Estados tupiniquins, chegando a minha cidade, Manaus.

Sim, assim como centenas de pessoas que lá estavam no Studio 5, eu e minha prima eramos dois que haviamos adquirido os LPs/CDs da banda e não só sabiamos de cor as letras, assim como as loucuras que Mike Patton era capaz de realizar em cima de um palco – não sabíamos, mas ele se jogaria, com direito a mortal, sobre os metaleiros próximos ao palco; pularia como um canguru insandecido durante boa parte da apresentação e se jogaria de encontro a bateria, paralisando a apresentação por alguns minutos.

Mas mesmo assim, aquele show foi no mínimo espantoso e significante para todos que estavam lá. Por mais de uma hora e meia, cantamos, nos divertimos, ficamos surdos e vimos uma performance digna de aplausos e muito, mas muito sour mesmo – tanto da banda, quanto dos nativos. Como fala um amigo meu: não foi um gasto de dinheiro, foi um investimento.

Naquele mesmo ano em que vi a banda com meus próprios olhos, ouvi seu segundo excelente – e até hoje subestimado disco – “Angel Dust” a exaustão. Torci para que eles voltassem ao país e lembrassem que os amazonenses tinham feito tudo o que podiam para eles gostarem de ter passado por aqui, mas não existiu tal apresentação.

Dois anos depois, confeço que havia me afastado da banda. E mesmo em 1995, quando eles lançaram, o que em minha opinião hoje é o seu melhor disco, “King For A Day, Fool For A Life Time”, deixei de lado a vontade de escutar o trabalho e acabei ficando para trás. A recuperação e a aliança entre meus ouvidos e som da banda foi feito um ano depois, quando um amigo me mostrou uma apresentação deles em um estúdio de uma rádio de São Paulo, enquanto eles excursionavam por lá.

O Faith voltava a minha discoteca e teria mais presença em minhas audições solitárias em meu quarto, com direito a gritos e pulos – que faziam o aparelho de CD pular ou silenciar suas caixas, dependendo da intensidade do salto. Até que em 1997 Patton e seus 4 “amigos” lançavam o CD com o título mais sacana que já vi nesses últimos anos: “Album Of The Year”. A cada faixa passada, sentia algo diferente, como se fosse uma despedida, um certo despreendimento com o público e principalmente, uma mensagem cifrada de que eles não eram mais os mesmos – ainda assim realmente era um dos melhores discos do ano, afinal era um CD do Faith.

Houveram apresentações da banda, mas o sucesso da antes não era alcançado. E os rumores começaram a surgir de todas as partes, como: eles não se dão mais bem; Mike Patton passa mais tempo inventando novos projetos e não tem mais ambição musical com a banda; desde que o guitarrista original saiu, eles começaram a se atacar; é questão de tempo para que a banda chegue as vias de fato.

Em 19 de Abril de 1998, apõs muito se comentar e nada se concretizar, Bill, o baixista, em um email no site da banda comunicava que a “banda encerrava os boatos de separação… com uma separação”. Era assim, de uma forma até criativa, sem alardes ou marketing, que o Faith parava.

Nesses últimos dez anos de separação, ouvia-se de tudo: Mike fez o certo, é só ouvir os projetos dele – Fantômas, Peeping Tom e Tomahawk - e você vê que o cara era mais do que uma banda; o baterista se tornou o batera official de Ozzy Osbourne; o baixista trabalhou no projeto El Ninõ; e Rod produzia CDs de novas promessas do mundo do Rock.

Ah e quase ninguém falava de uma reunião, pelo menos não com Mike, que se recusava a falar do assunto ou quando se sentia disposto a tanto, acabava escrachando a possibilidade de tal forma que o próximo jornalista ficava com muito medo de retornar ao assunto. Até que…

Em fevereiro de 2009 os boatos surgiam pela internet: Mike Patton decide não gravar mais um disco dos seus projetos; Bill e Rod são vistos juntos; Mike Bordin larga a excursão de Ozzy; a banda anuncia que está de volta e excursionara por todo o planeta. Confeço que quando li essa última notícia me senti emocionado ao ponto de ir ao banheiro aqui da empresa em que trabalho e olhando para o espelho chorei de felicidade, como em poucas vezes na minha vida.

Você pode rir, mas tenha certeza, naquele dia eu ri mais que você. Só não ri mais, do que no dia em que soube que eles viriam ao Brasil, ou no dia em que minha prima Cláudia mandou um e-mail dizendo que estava com meu ingresso em mãos. Mas isso fica para o próximo post. Afinal, meu reencontro com o Faith No More ocorreu há 4 dias. Até lá.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

!!E O Faith No More, Hein?!! By Sra. T. Beresford (a Mari)!!

Bem, amigos do A Sétima, estou de volta de Sampa - tempo corrido apenas três dias por lá e com muuuito sol na moleira. Meu texto sobre o show do Faith No More e todo o festival Maquinária você confere daqui uns dois dias, segue abaixo o que a Mariana - minha xapa e do Richard - escreveu sobre o show que assistiu no RJ. Divirtam-se!


E o Faith No More contrariou a todos e à eles mesmos (assim como qualquer outra banda depois de muito dizer que nunca fará isso) e resolveu se reunir e sair em turnê. E, depois de muito tentarem se desvencilhar de nosso país tropical, claro que acabaram dando as caras no país que os recebeu muito bem desde a lendária apresentação do Rock in Rio de 1991.

O Faith No More não é uma banda qualquer. Não por ter "inventado o Nu Metal" (ou sei lá que diabos querem dizer com isso), ou por reunir alguns músicos excelentes e um vocalista louco e carismático, ou por cometer um (ousaria dizer dois ou até mais) dos melhores discos da década passada (e do final dos 1980). Eles não são uma banda qualquer pelo fato de ser uma banda MUITO esquisita. Daquelas que quando você ouve pela primeira vez, tem aquela sensação de "mas o que é isso que tá acontecendo?!?!?". Os críticos que tentavam categorizar a banda (sem muito sucesso) lá no início dos anos 1990 que não me deixam mentir.

Levando para o lado pessoal, poderia dizer a vocês o seguinte: tanto o FNM não é uma banda qualquer que até eu, uma pessoa super farofa que só gosta de música pop e não tem apreço algum por bandas "pesadas", sou fã deles - isso, antes mesmo de saber que eles foram um dos poucos corajosos a aceitar tocar com o Sparks (e desde que soube disso a minha admiração só aumentou, óbvio). Ou então, levando para níveis mais absurdos ainda: eu nunca tive uma banda favorita quer caísse tanto no gosto de meus próprios pais, coisa que aconteceu com o FNM - para desgosto do meu irmão mais velho, o maior fã deles na face da Terra (dentre os que eu conheço, ao menos), que de tamanho frenesi por eles acabou contaminando a família inteira. Sim, ele também sofria de ciúme de banda (deve ser algo nos genes, como podem ver). Ou seja, a gama de fãs da banda transcede idade, gêneros e gostos, e vale lembrar que não é qualquer um que consegue tamanha façanha.

O caso da banda californiana ilustra bem o que eu quis dizer no post anterior, quando a história que você tem com certa banda vai além do que você possui ou sabe sobre ela. Ela é parte da sua vida, queira ou não. E eles eram tão bons que nem mesmo percebíamos o quão estranhos eram - ou então achávamos bons por serem tão estranhos, não sei. É daquelas perguntas tostines que não podemos (e nem queremos) tirar conclusões.

Claro que antes de eu por os pés naquela casa de show com nome de banco no Rio de Janeiro, a minha história com o show do Faith No More passou por altos e baixos: começou muito animada, com a confirmação dos shows no Brasil, e quase terminou bem mal, com a minha desistência em ir ao show - devido aos fatores de sempre, falta de dinheiro e poucas opções de transporte para mim - se não fosse pela aparição de uma mão amiga na última hora que me possibilitou de presenciar o evento. Devo dizer que foi uma sensação agridoce. Afinal, de uma família a qual praticamente todos os membros tinham algum nível de admiração pela banda, somente eu estava ali testemunhando algo tão especial.

Nem preciso dizer que passei a primeira metade do show às lágrimas (foi um bloco arrasador mesmo), e só parei em "Easy" por ser uma ótima piada, mas sem necessidade de choro. ;D
Mas logo depois vieram "Epic" e "Midlife Crisis" e aí nem preciso dizer que as lágrimas voltaram. Muitas lembranças ressurgiram: os primórdios da MTV Brasil; as madrugadas que eu passava acordada ouvindo música com meus irmãos; o amigo oculto do colégio na quinta série, quando pedi um vinil do FNM que nunca ganhei; de um amigo nosso que ligou aqui pra casa ao encontrar um dos integrantes após um show - e meu supracitadíssimo irmão mais velho desligou na cara por não acreditar que alguém do Faith No More estava querendo falar com ele no telefone; do meu saudoso irmão do meio, que adorava "roubar" as bandas favoritas do primogênito de forma que chegava a irritar; do meu igualmente saudoso avô, que adorava nos acompanhar até as lojas de discos importados e raridades e sempre com grande entusiasmo em estar conosco ouvindo aquele monte de música estranha. No show, eu via o tecladista Roddy Bottum e me lembrava de quando ele ainda tinha cabelo e de como eu o achava liiiindo (eu e os gays, sempre), olhava para o baixista Billy Gould e pensava que ele foi (junto com Les Claypool, Robert Trujillo, Kim Deal e Tina Weymouth) um dos responsáveis pelo meu interesse acerca deste instrumento durante a minha (pré-?)adolescência. E Mike Patton... ah, eu duvido que tenha existido uma adolescente sequer nos anos 1990 que não tenha se apaixonado por ele por um breve instante que seja, ao mesmo tempo em que havia um certo receio (pra não dizer medo) de sua figura - sem falar que na verdade eu sempre acabava preferindo a "outra banda" de Patton, mas se não fosse pelo Faith No More eu nunca saberia da maravilha que era o Mr. Bungle. Enfim, são apenas algumas das histórias para mostrar que o Faith No More, antes de ser uma banda interessante, criativa, caça-níquel ou qualquer outra coisa para o resto do mundo, era uma banda que eu precisava ver ao vivo.

O show deles foi tão carregado de significados que apenas avaliá-lo com notas ou dizendo que música tocou ou faltou torna-se pouco, irrelevante.

- Isn't that what it's about ?
Sra. T. Beresford

terça-feira, 27 de outubro de 2009

!!Gibis mensais que merecem leitura: DC, Marvel e a volta da Vertigo!! Por Rod Castro!

Quando eu era novo, faz tempo isso, havia uma empresa que mandava em todo o setor de quadrinhos no Brasil: a Editora Abril. Antes dela também havia outra hegemonia: a EBAL. Ambas botavam nas bancas de jornal de todo o país os quadrinhos das duas melhores editoras americanas de quadrinhos – a Marvel e a DC.

Hoje, sou veinho, mas a hegemonia continua. Sim, teve um tempo em que a Abril viu seu império começar a ruir, graças a entrada da editora italiana Panini Comics no cenário – esta aliás, é a editora da Marvel Comis na Europa inteira - sua chegada foi um solavanco que a Abril nunca esperou viver.

Neste tempo, entre 2001 e 2002, a Abril colocava o seu eterno formatinho – aqueles gibizinhos, lembra? - com os herois da DC, para brigar frente à frente com o formato Americano e papel especial dos italianos. O resultado: a Panini acabou vencendo a guerra e tirou a DC da concorrente, consolidando um novo império nas bancas tupiniquins, até agora…

E é nesse cenário, que indico algumas boas opções em quadrinhos que você pode comprar por um preço, ainda, acessível, vamos lá?


Superman – foi-se o tempo em que ler um gibi do Superman era uma eterna chatiçe. A nova equipe formada por James Robinson (roteirista de cinema e autor do excelente título Starman) e o desenhista brasileiro Rafael Albuquerque, assumiram os principais gibis do escoteirão desde o mês passado e dão continuidade ao bom trabalho traçado durante mais de um ano por Geoff Johns - o cara que mais produz na DC e que também é roteirista de cinema.

Dimensão DC: Lanterna Verde – o Lanterna Verde é um dos melhores personagens já criados no universo DC, mas assim como vários heróis da editora, sofreu muito nos anos 90, ao ponto de se tornar um dos seus maiores vilões – Parallax. Graças ao já citado Geoff Johns, o personagem (Hall Jordan) voltou da morte e tem tido uma das melhores sequências de histórias dos últimos anos. Hoje a revista conta com um mix interessantíssimo (Tropa dos Lanternas Verdes e Gladiador Dourado) e em seu título principal um dos melhores desenhistas do mundo, o premiado e brasileiro Ivan Reis.


Batman – o escocês Grant Morrinson, o redator mais insano dos quadrinhos, há mais de um ano planta pistas deste atual momento do homem morcego e que deve cuminar na morte de Bruce Wayne – ah, vai dizer que você não sabia que o morcego bateu as botas nos quadrinhos? Batman descance em paz é a série mais conturbada do morcegão desde que Bane quebrou sua coluna – lá na década de 90. A revista não é de fácil acesso, ainda mais se você pegar para ler a partir do atual número, mas conta com duas grandes equipes no comando, Grant & Tony Daniel e Paul Dini (redator do aclamado desenho animado do morcego) & Doug Mankhe (um dos desenhistas mais bacanas da DC).






Marvel Max – não tenho noção de quantas vezes me perguntei quando a revista Marvel Max iria finalmente deixar de existir. Primeiro foi quando o próprio selo Max perdeu força nos EUA e depois quando Garth Ennis largou o principal título por lá, o do Justiceiro. Bem, a revista não só não foi cancelada como de um uns meses para cá, vem fazendo bonito no seu mix de histórias. Seja com o descompromissado terror de zumbis com Simon Garth - o Zumbi (do polivalente Kyle Holtz), com a série de ação do personagem mais intrasigente da atualidade o Fool Killer (muito bacana), o interessantíssimo Terror Ltda. (do premiado David Lapham) que possui um pé na história da humanidade e outro na espionagem e o já falado último arco produzido pelo mestre da escatologia Garth Ennis frente o título de Frank Castle em Justiceiro Max.




Os Novos Vingadores – Brian Michael Bendis é o cara hoje na Marvel – ele tem a mesma importância que Geoff Johns possui na DC. E ambos conseguiram tal posição graças a uma palavra: regularidade. O domínio que o carequinha BMB tem do mundo Marvel é tamanho que as principais histórias dos personagens da “casa das Ideias” sempre tem um toque seu, no caso dessa revista, o toque vai no título principal, o dos Vingadores. Para a revista ser uma das melhores publicações Marvel no Brasil pesa mais três títulos: Miss Marvel (hoje bem melhor que no início, apesar de ter o mesmo redator Brian Reed no comando), Thor (do sempre bom J.M. Stranckzynski e do desenhista Pat Ollife) e o excepcional Capitão América (do argumentista mais vanguardista dos últimos anos, Ed Brubacker, ao lado do desenhista Steve Epting). Um gibi que há mais de um ano sempre tem três ou as quarto histórias boas, todos os meses.




Homem Aranha – o bom e velho cabeça de teia se deu bem: entrou numa série que balançou seu status quo (Mary Jane não é mais casada com Peter e nem ele nem ela sabem disso), ganhou três novos redatores e uma nova equipe de desenhistas que mudou por completo o ritmo e o gosto e suas histórias. Desde que a mudança proposta pelo editor-chefe Joe Quesada ganhou as bancas do Brasil, ainda não li uma, sequer uma, história que fosse no mínimo interessante. Talvez o gibi que mais indico da Marvel hoje.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

!!Um dos mais corajosos filmes do ano. Imperdível: Distrito 9!! Por Rod Castro!

O que falar de um filme que pega um mote tantas vezes já explorado no cinema e o inverte em quase todos os conceitos? “Genial”, “Transgressor”, “Obrigatório”, “Filme Do Ano”. Não, isso seria se utilizar de outro alicerçe, mas de divulgação, da mesma mídia para dizer o que não se pode ser dito.

“Distrito 9” é este tipo de filme. Que te pega por uma verve que você nunca tinha sido capturado e faz seu olhar enxergar todo um mito por outra lógica. Mas como isso é possível? Simples: um excelente enredo, aliado a efeitos especiais que complementam a história a ser contada – não se transformando em uma alavanca para chamar público, como a maioria o faz hoje em dia – e um diretor que acredita na realidade antes de transformá-la em imaginação.

Enredo
Os ETs existem, chegaram à Terra em uma grande nave, há 20 anos, doentes e foram abrigados em uma favela isolada por arames farpados. Já pensou nisso que acabei de escrever? Releia e pense por um instante nestas breves linhas. Já? Que filme traz esta inovação ao bom e velho segmento de filmes de ETs? Nenhum.

A transgreção proposta pelo diretor/roteirista não para por aí: a nave não surgiu sobre os EUA, mas sim sobre a África do Sul; não é uma invasão com milhares de mortos, mas sim um incidente; há sim, uma alusão declarada ao Apartheid, ainda mais se você notar que o apelido dado aos ETs é “Camarão”; e o maior problema da história a ser contada é que os alienígenas estão “enfeiando” a capital Africana e por isso serão removídos para uma área isolada – muito parecida com um campo de concentração nazista.

O elemento surpresa da história nos é apresentado bem em seu início: um pretencioso membro da organização responsável pela “manutenção” dos ETs na Terra. O papel deste pomposo cidadão é o de liderar a remoção dos “camarões” para a sua nova moradia – mas algo deu errado e ele fez algo que todos, os terrestres, recreminam.

A partir deste momento, ficção e realidade se confundem constantemente até você se sentir completamente imerso no contexto e abraçar este cenário inumano como algo possível. E esse sentimento é desenvolvido não pela presença dos ETs, mas pela reação racista da pior raça existente no mundo: nós, os terrestres.

Efeitos
Nada avassalador ou perfeito. Mas realista ao ponto do espectador ver os alienígenas como algo natural depois de dez minutos de projeção. Como Peter Jackson sempre falou – e ele é o produtor principal do filme: a contextualização vem antes da plástica.

É visível a participação dos técnicos envolvidos com a direção de arte do filme com os que cuidaram dos efeitos especiais. Este cuidado faz com que a unidade visual siga o seu percurso: dando apoio aos personagens e o desenvolvimento da excelente trama.

Está entre os melhores filmes do ano?
A minha lista ainda não está fechada. Tem nomes já citados por aqui, como “Bastardos Inglórios”, “Milk”, “Deixe Ela Entrar”, “State Of Play”, “Frost vs Nixon”, “Up”, “Está Chovendo Hambúrgueres” e “O Lutador” entre outros.

E com certeza “Distrito 9” terá presença garantida. Um filme que merece ser conferido em sala escura. Nota 9,0.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

!!É Taranta, você fez sua obra-prima… ou: Bastardos Inglórios!! Por Rod Castro!!

Nesses mais de 30 anos de vida, não me lembro de ter falado tantas vezes “É o melhor filme dele (diretor)” em uma sala de cinema. Posso ter constatado isso ao assistir “Ratatouille”, mas esta reação veio com o subir dos créditos. Talvez em “O Senhor dos Anéis: o Retorno do Rei”, mas já estava no corredor de saída. Ali, assistindo e somente com 35 minutos de filme, isso nunca me ocorreu.

Ou melhor: na última sexta fiquei repetindo essas palavras dezenas de vezes enquanto assistia a obra-prima de Quentin Tarantino: “Bastardos Inglórios”. Sei que muitos arremessarão pedras, mas o filme é tão bom, que tive que rever todos os filmes do diretor Americano – incluindo aí, alguns que ele fez somente o roteiro, como “Amor À Queima Roupa”.

E esta minha conclusão não é empolgação, é certeza. A cada minuto de projeção você, principalmente quem é fã do diretor, entende porque Quentin demorou tanto neste roteiro: ele queria a perfeição.

E tudo está no lugar certo (como dizia Thom Yorke): personagens incríveis, história simples, sacadas visuais, palavras tão bem escritas (e ditas) que são decoráveis e sequências inteiras rodadas com maestria que arrancam riso ou sorrisos – a última reação é de constatação de que este é um filme para se ver e rever muitas vezes.

História

O roteiro é dividido em três partes: uma moça (Shosanna) se torna a única sobrevivente judia de uma família “genialmente” massacrada pelo “Caçador de Judeus”, o coronel Hans Landa, na França recém tomada pelo exército de Hitler; no futuro, Shosanna se torna dona de um cinema em Paris e acaba bolando um plano para por um fim a vida dos líderes nazistas, incluindo o próprio filho do cão, Hitler; neste mesmo tempo, somos apresentados a um grupo de soldados americanos cruéis, que se divertem massacrando os “nazis”, os Bastardos.

Basicamente é isso. Fácil e simples assim. Melhor, o filme não se utiliza de montagens entrecortadas para mais explicações ou transformar as histórias em mitos, pelo contrário, são narradas com câmeras quase estáticas e em muitos momentos, lembra uma peça encenada em grande tela.

Outra dado importante: não espere por um filme sobre a Segunda Guerra Mundial, a história de “Bastardos” é uma das mais corajosas já contadas sobre este fato histórico, sendo capaz de ter um final nunca antes pensado e brilhante – que não merece ser falado e sim descoberto por você no cinema.

Personagens

Quem leu até aqui, deve conhecer a capacidade de Tarantino em criar personagens únicos. Pois vou contar um segredo do filme: os melhores personagens criados pelo diretor estão em “Bastardos Inglórios”. Tempo para você se indignar e citar nomes inesquecíveis como os de Vincent Vega, A Noiva, Mr. White, Butch, Mr. Orange, Bill, entre outros. Pode xingar aí…

Já? Continuando. Parece que o queixudo leu um livro com delcarações de Walt Disney e viu que “o vilão tem que ser mais importante que o herói, sempre” e tal inspiração o fez criar seu personagem mais incrível: o coronel Hans Landa, criado (pois deve ter muito das percepções desse ator ali) de forma visceral pelo ator alemão Christoph Waltz – que deve levar todas as premiações de coadjuvante do ano que vem, já levou Cannes.

Landa é o mal encarnado. Sabe aquele mal estar que somente Hanibal Lecter (de “O Silêncio dos Inocentes”), Coringa (de Heath Ledger), Tony (de o “Poderoso Chefão II”) e o Coronel Walter E. Kurtz (de Marlon Brando em Apocalipse Now) são capazes de infligir quando estão em cena? Então, Landa consegue o mesmo efeito. Um personagem já perpetuado na história do cinema.

Os “Bastardos” não ficam atrás e levam à seguinte conclusão: o que faz Eli Roth ser diretor com tanto potencial para encenar? Como um arrogante inglês, mesmo sendo um britânico e crítico de cinema, conquista sua afeição de tal forma que você lamenta por ele aparecer tão pouco? E Aldo Raine é o segundo melhor papel já encarnado por Brad Pitt – o primeiro ainda é Tyler Durden, de o “Clube Da Luta”. Deve ganhar corpo e lembrança com o passar do tempo.

Sequências

São tantas, tantas, mas vamos lá: a primeira cena de Landa em uma casa de camponês (a maldade sem exageros); os resgates e torturas dos Bastardos; a apresentação do personagem crítico de cinema que é espião inglês; o melhor tiroteio já imaginado pelo diretor; e toda a sequência final no cinema de Shosanna – destacando o encontro entre Landa e os Bastardos - uma ode ao bom cinema em pouco mais de 25 minutos.

Veredicto

Aldo (ou seria Tarantino?) olhando direto para o público, já disse o que irei dizer: “essa deve ser a minha obra-prima”. Nota 10!!

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

!!Entre atitude e diversão, o Jet prefere a segunda opção!! Por Rod Castro

Fala pra mim algumas bandas que vieram da Austrália. Tá, tenta lembrar comigo: AC/DC (porrada, mas festeiros), Midnight Oill (atitude ecológica, mas ô banda ruim), INXS (talvez a melhor dentre tantas) e … mais recentemente o Jet.

Uma banda descompromissada com a parte histórica - apesar de uns riffs lembrarem, apenas isso, os feitos com maestria pelo guitarra do AC/DC – mas que sempre capricha no pop e nas levadas românticas. Mas a carreira do Jet, em resumo, fica nisso: um meio termo. Talvez este seja seu maior problema, nunca teve maior definição artística.

Após dois discos, o que se pode chegar a conclusão é o seguinte: eles buscaram o algo mais, bateram em hits que fizeram os jovens dançarem e levaram alguns dinossauros a prestarem mais atenção em seu som, mas foi apenas isso. E isso é pouco para um quarteto com dois bons discos como eles.

Pior, todos sabem que o terceiro disco é a hora da virada e ao mesmo tempo o momento certo para mostrar sua capacidade criativa. Aqui, coragem é metade da solução pra esse dilema.

Os Strokes tiveram e fizeram um disco que agora está sendo adorado. Os Arctic Monkeys também e mais: saíram da sua casa natal – Inglaterra – e chamaram um produtor de peso para o novo trampo (o guitarra e líder do Queens Of Stone Age). Mas e o Jet? Teve medo e seguiu sua fórmula de fazer música.

“Shaka Rock” não é um disco sensacional, não tem o frescor dos anteriores, mas tem rock (“Seventeen” e “Beat On Repeat”), pop (“Black Hearts On Fire” e “Times Like This”), baladinhas (“Goodbye Hollywood”), rock estilo Fab Four (“La Di Da” – parece “Obladi, Oblada” e “Walk”) e hits (“KIA” e “Shes a Gennius”).

A diferença de “Shaka…” para os anteriores: muitas faixas e algumas passaram a ideia de que realmente sobraram, como as forçadas “Let Me Out” e “She Holds A Grudge”. Uma pena, já que em “Start The Show”, a banda mostra que é capaz de fazer mais, apenas não deseja.

Enfim a poeira do deserto australiano, que foi bem levantada em trabalhos anteriores, dá uma baixada. E a pergunta que me faço é : sera que as brigas relatadas por produtores e engenheiros que participaram das gravações desse trabalho, acabou afetando o disco? Infelizmente parece que sim. Nota 7,5.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

!!A escuridão dá lugar ao azul, ou: novo disco do Alice In Chains!! Por Rod Castro!

Antes de ouvir o novo disco do Alice In Chains eu pediria somente três coisas do ouvinte: esqueça que Laney Staley – vocalista fundador – faleceu há 7 anos; lembre dos melhores momentos que a banda mais pesada a surgir no movimento grunge, em seus três discos de inéditas e o trabalho mais conhecido, o disco Acústico; e por último, a primeira música desse novo disco que você deve ouvir é a última faixa, a mesma que dá título ao trabalho.

Faça isso. Ou melhor, lembre das duas primeiras recordações enquanto ouve a faixa tão recomendada. Pode ter certeza, as viúvas de Laney – sou uma delas – esquecem tudo o que de ruim ocorreu e a chance de uma segunda oportunidade para este novo trabalho sem o inesquecível vocalista ganha em esperança.

Além de bonita, repleta de significados – o luto dá vez à esperança – esta faixa com certeza estaria em qualquer um dos CDs antes lançados pela formação original do Alice e se bobear seria um grande momento em qualquer show da formação original. Fica melhor ainda quando o ouvinte descobre que o piano tocado ao fundo foi belamente realizado por Elthon John.

Mas antes que você tenha a impressão de que o peso, de que os riffs, os vocais duplos, as palavras cantadas de forma lenta e melódica, unidas ao compasso bem preparado de bateria e baixo se perderam por este novo trabalho da banda - que não gravava nada novo desde o falecimento do vocalista – eu dou a certeza: está tudo lá.

Parece que os remanescentes – não, nada de sobreviventes – apenas deram uma volta por aí, aqueel tipo de sumisso que a banda dá após uma longa turnê e surge com um trabalho mais avassalador que o anterior, e voltaram com uma gana de fazer o melhor disco deles, desde o clássico “Dirt”.

Todas as músicas são no mínimo boas. Desde a primeira faixa (“All Secrets Known”), a típica faixa AIC: lenta, mas pesada, com riffs decoráveis, solo de guitarra como se fazia nos anos 70 e refrão memorável. A segunda (“Check My Brain”) poderia ser uma das várias faixas pesadas do primeiro disco, crua e ao mesmo tempo positiva.

Um dos melhores momentos é quando o novo vocalista - William DuVall - mostra do que é capaz e põe a voz do guitarrista e eterno líder da banda, Jerry Cantrell (talvez o guitarrista mais injustiçado de sua geração) para ser seu backing em “Last Of My Kind” e “Private Hell”. Lembra, mas não lembra, entende?, o vocal de Laney. E isso é bom, pois mostra que a banda tem um futuro de verdade e não viverá somente do seu glorioso passado.

Mas talvez o medo de Jerry e demais parceiros, o de perderem o vocalista novamente, fez com que o guitarrista assumisse o vocal em quase todas as canções, isso é bom. Cantrell canta muito, compõe como poucos e na maioria das vezes, prefere fazer dupla, esta característica do AIC permeia quase todo o disco e rende outros três excelentes momentos: “Looking In A View” (a melhor canção do disco), “Acid Bubble” e “Leason Learned”.

Em um ano feliz para os roqueiros – a volta do Faith No More, o disco maduro do Arctic Monkeys, a homenagem bem feita do Muse ao som do Queen e a banda formada pelo vocalista do Queens Of Stone Age+o baixista do Led Zeppelin e+o baterista e vocalista do Foo Fighters – “Black Gives Away To Blue” está entre os melhores lançamentos do ano com folga perante os demais e merece uma cópia original na sua estante dos melhores de 2009. Nota 9,0!!!