As 20 meiores de 2007

4 de dez de 2007

Começou como uma brincadeira de quem não tem o que fazer com a chegada do final do ano, mas agora se tornou uma obrigação. Há dois anos faço um CD que possui as melhores músicas do ano, seja de que estilo for lá estão 15 petardos que renderam bons momentos aos meus ouvidos.

Algumas canções conhecidas, outras nem tanto. Algumas farão sucesso nas rádios – será? – outras serão subestimadas. Mas o que interessa é que nesse CD, que está em suas mãos, residem as minhas canções favoritas de 2007.

Este ano que ficara marcado como o ano em que o Police, o Rage Against The Machine e o Led Zeppelin voltaram – obrigado meu deus! - também fica para a história da música por ter tido uma boa leva de discos repletos de excelentes canções. Algumas não estão aqui...

Entre as canções que ficaram de fora, posso citar: “Ruby” dos Kaiser Chiefs, “Golden Skanks” dos Klaxons, “On Call” dos Kings Of Leon, “Knights Of Cydonia” do Muse, “Brianstorm e Balacava” dos Arctic Monkeys e muitas outras. Mas agora é hora das melhores.

E este ano uma novidade: não teremos 15, mas sim 20.

Lembrando: essas são as minhas 20. Opiniões me contradirão. Algumas pessoas cobrarão “aquela do fulano” e até contestarão: “cicrano não está aqui, não presta!”. Ok. Mas é a sua opinião e esta é a minha.

Em uma só palavra? Play. E até a lista do ano que vem!

1 - Arctic Monkeys: This House is a Circus

“Brianstorm”, você me tirou o sono. Sua pegada, sua bateria ritmada. Seu baixista estiloso e seus riffs calculadamente dedilhados me fizeram cantar e até mesmo bater o pé. “Balaclava”, seu baixo pontuado, suas viradas de bateria, assim como sua brecada, me fizeram bater mais ainda os pés. Essas duas excelentes canções poderiam estar aqui. São frutos da mesma árvore: “Your Favorite Worst Nightmare” – segundo disco dos macacos árticos. Mas havia mais, havia a indescritível “This House Is A Circus”.

2 – Interpol: No I in Threesome

Tem gente que reclama da vida. Outras reclamam com acidez de seus casos amorosos. Algumas pessoas acabam na mesa de um bar. Outras se unem aos seus amigos e formam uma banda, sugam essências de outras – Joy Division no caso do Interpol – tem entre seus componentes um excelente baixista, gravam um disco irrepreensível (“Our Love To Admire”) e acabam por entregar canções belas e sujas como essa pérola (“No I in Threesome”). Difícil decisão, mas agora está tomada.

3 - Queens Of Stone Age: Misfit Love

“Sick, Sick, Sick” era para estar aqui. Mas é tão paulada que você não iria agüentar... ou será que ia? Enfim, tenho uma teoria que todos os discos do Queens possuem suas melhores músicas descansando na faixa de número 6. “Era Vulgaris” – excelente (e difícil) disco do QOSA, não fez diferente e nos rendeu uma espécie de “fórmula” de como fazer musica ao estilo Josh Hommet. Com vocês: “Misfit Love”. Agüente quase um minuto de construção, a recompensa vale muito.

4 - Dave Gahan: Saw Something

Ele morreu – de overdose. Ressuscitou ao terceiro minuto. Tomou vergonha na cara. Voltou ao Depeche Mode e de 2004 para cá vem compondo belas canções. Em seu segundo disco-solo, “Hourglass”, logo na primeira faixa, o eterno vocalista do DM mostra suas armas, com “Saw Something”. Tranqüila, bonita e com a precisa voz de Dave. Agora é esperar por mais um disco do trio inglês em 2009.

5 - Velvet Revolver: She Builds Quick Machines

Preste atenção no que vou escrever: essa é a primeira das duas queimadas de língua do ano – um recorde! Sim “Libertad” segundo disco do Velvet Revolver me quebrou. Cai de cara no chão. Sim, parece com um disco do Stone Temple Pilots gravado pelo Guns & Roses. Entre tantas canções boas, esta “She Builds...” é perfeita. Até Scott Weilland voltou a catar e Slash dedilhou como o cara do STP.

6 - Justin Timberlake: Love Stoned

Michael Jackson pegou a Britney Spears, pintou o cabelo de loiro, cruzou com o Prince, deixou a barba rala, pegou a Jéssica Biel e ainda produziu o novo disco do Duran Duran. Ou melhor: Justin Timberlake se transformou nisso que acabei de descrever e lançou o excelente “Future Sex/Love Sounds” no final do ano passado. Entre tantas músicas boas essa “Love Stoned” se destaca por seu bitbox e por sua transformação que dá origem a flutuante “Think She Knows”.

7 - Klaxons: Golden Gravity’s Rainbow

Desafio do ano: tente compreender a letra dessa música. Já? Nada com nada né? Mas e aquele baixo do início da canção? E a entrada ritmada da bateria? E o vocal triplo? E a seqüência do piano? E a cobra, o bebê e a adaga do clip? E o refrão “I always be there for you my future love”? E o solo de guitarra completamente louco? E ainda tinha “Golden Skanks” nesse disco maluco.

8 - Linkin Park: What I’ve Done

É eles demoraram. Lançaram discos de remixes, de hip hop e desapareceram. Mas eis que o retorno foi bem feito. Por uma única razão de querer poupar um pouco os seus ouvidos – pois aqui deveriam estar duas pedradas: “Given Up” e “Bleed It Out” – aqui está à reflexiva, com solo de guitarra e bem tocada “What I’ve Done”.

9 - Foo Fighters: The Pretender

Você pode ter se enjoado da banda do eterno ex-baterista do Nirvana. “As músicas parecem às mesmas!”. Não parecem. “A batida e a pegada soam parecidas!”. Às vezes, mas há variações. “Eles sempre arrebentam na primeira faixa!”. Aí concordamos e muito. A prova é esta pedreira com partes calmas e pegada riffada com muita raiva. Grite: “Who Are You? Yeah Who Are You?”.

10 - LCD Soundsystem: North American Scun

A primeira vez que ouvi a simples frase “Its Time to get away, its time to get away… from you!” – faixa que abre o excelente “Sound Of Silver” dos loucos do LCD SS - percebi o quanto chato eu era e o quanto a vida poderia ser mais... digamos que positiva! Mas ao ouvir as palminhas de “Noth American Scun”, mais conhecida na minha residência como o “hit que não vai tocar na rádio este ano”, as coisas se tornaram mais contagiantes. Grite com “orgulho”: “We Are North American!!!”.

11 - Juliette Lewis & The Licks: Sticky Honey

“Tsssssiiiii”. Sabe que barulho é esse? O da minha língua queimando, tostando e cantando “Man You Wanna Getting On!” da infernal “Sticky Honey”. Sim fui um dos que riram quando falaram que a atriz fetiche de um monte de nerd havia decidido ser cantora de rock há anos e hoje me rendo a essa paulada.

12 – James Morrison: You Give Me Something

Esse cara acaba de roubar o espaço que era da banda mineira Udora. Mas ele tem crédito. Alguns dizem ser o novo Jammie Callum. Eu o acho mais calmo, menos genial, mas não menos competente. Musicão: com gosto de Rick Astley e reminiscências dos grandes interpretes das antigas, ele compôs essa “You Give Me Something”. Ser roqueiro está na surpresa e ele é a maior desse ano.

13 - Fall Out Boy: Thnks Fr Th Mmrs

Eles estiveram no CD das meiores de 2006 e estão aqui novamente. Rock alegre, com refrões grudentos, um vocalista competente e clips maneiros – o dessa música é aquele dos macacos, lembra? – fazem do Fall Out Boy uma promessa interessante para o rock descompromissado e mais pop.

14 - Rihanna: Shut Up And Drive

Em um mundo de Britneys, Beyoncés, Shakiras e demais peitos, bundas que as vezes até possuem voz e confundem ter atitude com pouca roupa e caras e bocas, eis que surge Rihanna. Sei que o “ela,ela, hey, hey, hey” do hit “Umbrella” fizeram você cantar, mas é em “Shut Up And Drive” que ela mostra que tem mais a oferecer do que se pensa.

15 - Kings Of Leon: Mc Fearless

De todos os discos, das bandas e artistas aqui selecionados, o que me deu mais trabalho para escolher uma música, foi “Because Of The Times” do Kings Of Leon. A razão é simples: é um disco completo em suas explorações e para ser ouvido por inteiro. Depois de muito pensar fiquei com a mais bela, tanto em letra quanto em “descida”. Mas fica a dica: ouça por inteiro esse discão.

16 - Ira!: Invisível DJ

Sou velho, quase trinta, e poucas bandas conseguem me lembrar a juventude, senão até mesmo a infância, como o Ira! faz ou fazia. A questão é que de uns três ou quatro anos para cá eles tentam emplacar um disco que pareça ou remeta ao clássico “Vivendo e não aprendendo” eles conseguiram com o já clássico – principalmente por ser o último trabalho da formação original até o momento – “Invisível DJ”. Você tem Ipod? Creative player? Essa música foi feita para você.

17 - The Hives: It Won’t Be Long

Durante anos, esses insanos escandinavos fizeram músicas que me faziam rir e até mesmo bater o pé, mas catzo: que diabos de música divertida, com voal roubado dos Ramones e ao mesmo tempo doida é essa? Parece tudo, menos Hives – tirando a paulada do baixo! Resumindo: um dos refrões mais grudentos do ano e a trilha sonora para o primeiro clip de traquinagem do Ernestão!

18 - Amy Winehouse: Re Hab

Doida, alcoólica, genial e antiquada. Quatro palavras que resumem a figura dessa cantora inglesa, com cara de interprete das décadas de 40 e 50. Mas e a música? Diferente, simples, sarrenta e nunca neste ano que passou inteiro, alguém conseguiu soar tão rock quanto esta suicida. E se tentarem te levar para a reabilitação, vá ouvindo a Amy “Casa de Vinho” e seus “No,no,no”.

19 - Smashing Pumpkins: Doomsday Clock

É: Billy Corgan e sua voz anasalada está de volta! E se você estava com saudades de uma banda que tenha guitarra em sua estrutura real de composição, ouça a paulada que é esta “Doomsday Clock”. Receita básica: bateria precisa, paredes de guitarras e o jeito de cantar desleixado de um vocalista esquisito. Obs: esta música é a melhor coisa do filme “Transformers” (é pra rir não para me xingar!)

20 - Radiohead: All I Need

A maior sacada do ano veio da mente insana e vanguardista de Thom Yorke. Ano passado ele havia lançado seu bom “The Eraser” e não esteve presente no CD das meiores de 2006. Mas o tempo é sábio: eis que após 4 anos sem notícias sonoras de uma das melhores bandas de todo o sempre, os cabeças de rádio lançam “In Rainbows” e deixam você escolher quanto deve pagar pelo disco. As gravadoras piraram e eu entrei em dúvida entre essa melancólica “All I Need” e a bela “Faust Arp” – no mesmo patamar que “Bullet Proof”. Venceu a melancolia.

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