!!O Maldito de hoje pode ser o gênio de amanhã!" (por Rodrigo Castro)

4 de mai de 2007

A vida é engraçada: todos os dias verdadeiras instituições e paradigmas imutáveis caem e com o passar dos anos outros fatos incontestáveis serão criados para ocupar o lugar dos que se foram. No cinema a coisa não é tão diferente do que se pensa, aliás, há dois casos emblemáticos e atuais de como isso acontece.

O primeiro filme “que deu certo por mãos erradas” é a maior trilogia que a sétima arte já testemunhou - tanto por seu apuro técnico quanto por sua arrecadação final, que beira um bilhão e meio de dólares: “O Senhor dos Anéis”.

A série de livros do autor J. R. Tolkien, chegou a ganhar um selo de “infilmável” por parte dos engravatados dos estúdios. E olha que grandes nomes tentaram tornar o sonho de milhões de fãs em realidade, como a dupla Steven Spielberg e George Lucas (a mesma de “Indiana Jones”) no início dos anos oitenta e até mesmo os quatro fabulosos de Liverpol, os Beatles – durante os anos setenta. E no que deu? Em nada.

Foi preciso que um diretor neozelandês de filmes B e de alguns dramas interessantes formasse uma boa equipe e dedicasse quase uma década inteira de labuta ao mundo de Frodo e seus parceiros de Condado para que a terra mágica imaginada por Tolkien se tornasse real. O resultado agradou tanto especialistas na obra quanto fãs radicais.

Mas o desafio era enorme e Peter Jackson, o tal diretor, enfrentou-o com devoção e amor. “A Sociedade do anel”, “As duas torres” e “O retorno do rei” somados, renderam quase vinte Oscars ao barbudo e equipe. Resultado: hoje Jackson tem carta branca para rodar o que quiser e sem muitos questionamentos por parte dos estúdios.

Outro exemplo para consolidar o que foi falado no primeiro parágrafo? Rápido e rasteiro: quando se poderia imaginar, há dez anos, que este ano chegaria às telas dos cinemas a terceira aventura de um dos maiores heróis de todos os tempos e que com certeza o filme seria um sucesso esmagador, detonando, dia após dia de exibição, recordes nunca antes ultrapassados?

Pois no próximo amanhã tudo isso e até mais, se tornará realidade com a estréia de “Homem Aranha 3”. Não, o filme não é uma trilogia - moda desgraçada que cerca 10 entre 10 filmes que dão certo e que clamam por uma continuação – mas é sim: a terceira parte de dezenas de filmes que terão o cabeça de teia como protagonista.

Mas a escalada de Peter Parker rumo ao topo das bilheterias não foi moleza, pelo contrário: a Marvel passou quase quinze anos vivendo de possibilidades e neste período viu dezenas de astros, diretores e estúdios terem a solução certa para uma possível série de filmes com o seu herói mais popular. Ou melhor: eles achavam que tinham a solução, mas não tinham e a coisa não andava.

Nem mesmo quando o nome do diretor do maior sucesso de bilheterias de todos os tempos ao lado de sua maior estrela, James Cameron e Leonardo DiCaprio (dupla de “Titanic”), tiveram seus nomes relacionados ao projeto “Homem Aranha” a idéia não se tornou película. Mais uma vez, uma cria “maldita” do cinema mundial pôs sua visão a favor da mitologia Nerd e “Homem Aranha” ganhou vida.

Seu nome: Sam Raimi, um diretor que fez dos filmes de terror (como a série “A morte do Demônio”) um local agradável – até engraçado – para se por os olhos e desprender a emoção. Com muito esmero, criatividade em alta e respeito tanto à mitologia do personagem quanto a opinião dos fãs, Raimi ganhou a confiança dos engravatados e hoje um homem de fantasia vermelha e azul se balança de um prédio para o outro, de forma incrível e crível, na imensa Nova Iorque.

Que outros “malditos” se tornem “queridos”. E que muitos queridos refaçam seus pensamentos.
Nós, cinéfilos/Nerds, e penso eu que até mesmo os engravatados, agradecemos.

Em tempo: faz alguns meses que o estúdio New Line – o mesmo responsável pela trilogia do Senhor dos Anéis – anunciou que Sam Raimi deve ser o substituto de Peter Jackson na direção de mais um filme inspirado na obra de J.R. Tolkien: “O Hobbit” – livro que conta as aventuras de Bilbo Bolseiro (tio de Frodo) e precede toda a trilogia que já virou filme.

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