!!No escurinho do sarcasmo... ou Cinema Noir (1), por Rod Castro!!

28 de mai de 2007


Em meu quarto, com minha persiana entreaberta - daquele jeito que faz com que a luz de fora desenhe listras claras e escuras nas paredes – penso em qual segmento de cinema mais me agrada como cinéfilo.

Minha mente vagueia pelo suspense, passa com calma pelo cinema pensante e de arte, freia ao recordar das escolas que se dedicaram ao inusitado, mas prossegue até encontrar os filmes biográficos e os de ficção. Quando minha viagem chega ao ponto fundamental de minha indagação é exatamente quando meus olhos se encontram com as listras de minhas persianas: o cinema Noir (lê-se NOÁR).

Respiro. Abro um sorriso sarcástico. E algumas imagens me vêem a cabeça, como flashes velozes de uma lembrança que faz pensar, analisar, sorrir, questionar e me maravilhar com as possibilidades que o cinema realmente pode trazer para a vida de quem o tem como hábito e alimento cultural.

Entre as principais imagens, está a de um policial perseguindo uma andróide em uma cidade onde chove sem parar, retratando um futuro caótico e sem perspectivas de felicidade (“Blade Runner – O Caçador de Andróides”). Também vejo a história de um magnata (“Cidadão Kane”) que dedicou sua vida a comunicação, ser contada de forma sombria e recheada de pormenores. Ao fim dessa linha de lembranças ainda consigo ouvir as palavras de Orson Welles: Rosebud.

O Noir também me faz recordar de “Laura”, uma mulher inesquecível e linda que tem o mundo – na verdade homens das mais diversas categorias e idades – aos seus pés e que às vezes nem percebe seu encanto, mesmo quando está “morta”. Assim como me traz memórias de um certo policial correto, e extremista, que guarda um grande segredo - que é pequeno perto do que a sua própria esposa tem mantido em seu âmago - e que se depara com uma situação nunca imaginada, nem por ele, ou muito menos por você espectador (“Chagas de Fogo”).

E só de pensar em três grandes obras-primas desse estilo inconfundível de se fazer cinema, me entrego à escuridão da arte: “O Crepúsculo dos Deuses” “Um Corpo que Cai” e “A Relíquia Macabra – O Falcão Maltês”. Histórias bem dirigidas, com personagens magníficos, repletas de falas que ressoam em minha mente quando me recordo de diálogos marcantes e atores no auge de sua capacidade dramática em papeis únicos, que merecem não só uma simples homenagem de um amante do cinema como eu, mas o reconhecimento de todos os que deixam suas emoções transbordarem a cada cena passada em uma grande tela.


Fico feliz em ver que uma nova onda de filmes com notável inspiração Noir começa a tomar conta do mercado cinematográfico. São filmes dúbios. Com excelentes histórias. Investigativos e com fotografia marcante. Se você se interessar em fazer uma pequena lista para ter um prazer gigantesco em se embrenhar neste universo sujo, mal, repleto de mulheres tão estonteantes quanto perigosas, prepare a caneta rapazes – e moças também – e vá para a locadora mais próxima: “Seven – Os Sete Crimes Capitais”, “Los Angeles: a Cidade Proibida”, “Os Suspeitos”, “Vidas em Jogo”, “Mulholland Drive”, “Femme Fatale”, “Sin City – A Cidade do Pecado”, “Boa Noite e Boa Sorte” e “A Verdade Nua”. Ou espere pelo novo rebento do mestre Brian de Palma, “A Dália Negra” que estreou nos cinemas este ano.

Obs.: A primeira vez que tive algum contato com "O Falcão Maltês - A Relíquia Macabra" foi através de um pôster que vi atrás da mesa do escritório de Joaquim Marinho - ainda quando havia a sua rede de cinemas do Centro de Manaus. A curiosidade que aquela imagem teve sobre mim se refletiu com a minha ida a locadora mais próxima - que tinha o DVD .

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