!!Nolan é o Coperfield do cinema?... ou: Abracadabra!! por Rodrigo Castro

28 de mai de 2007


Ontem de manhã, meu pai me encontrou na cozinha. Enquanto ele se arrumava para ir ao trabalho eu tomava água. Com um certo ar de surpreendido, ele me fala de um filme que alugou:


“Rodrigo, faz tempo que não vejo um filme tão bom. Que história interessante e que atuações. Este ‘O Grande Truque’ é um filmão.”.

Terminando de virar o copo e já esboçando um sorriso, afirmo: “Já falei pro senhor que tem bons filmes hoje em dia. O problema é que a mídia não dá a devida atenção e o filme acaba passando batido.”.

Graças a este papo matinal, republico a minha crítica sobre este excelente filme de Christopher Nolan e que recentemente chegou as locadoras. Senhoras e senhores, com vocês: “O Grande Truque”.

Em determinado momento de “O grande truque” – filme que recentemente estreou nas salas de cinema em Manaus – o espectador não contém a curiosidade e começa a fazer comentários com a pessoa mais próxima, tentando descobrir o que realmente acontece diante de seus olhos. O diretor então consegue o que queria: faz com que o seu público tenha a mesma reação de quem assiste ao incompreensível através de um número de mágica.

Costumo afirmar que grandes diretores sempre contam a mesma história em seus filmes, tentando provar uma teoria, ou até mesmo perpetuar algo interno, como um trauma. Mas a história sempre tem um personagem e uma situação diferente. E Christopher Nolan e o seu irmão, o redator/roteirista Jonathan Nolan, põem a minha teoria em prática ao realizar este excelente filme.

O centro nervoso das obras dos irmãos Nolan passa por duas palavras: obsessão e vingança. No primeiro trabalho, “Amnésia”, há um homem que perde a memória e busca encontrar e matar o homem que assassinou sua esposa. Em “Insônia”, um policial procura redenção por sua má conduta em um caso envolvendo um serial killer , numa cidade onde nunca anoitece. E em “Batman Begins” encontramos um Bruce Wayne até mais importante que o próprio homem morcego. Mais um personagem em busca da vingança para justificar seus atos.

“O Grande Truque” não difere deste estilo de fazer cinema. Pelo contrario, extrapola todos os elementos já antes utilizados. Se em “Amnésia” você perdia o centro do que acontecia por sua montagem de trás para frente; se a fotografia era praticamente uma personagem em “Insônia”, fazendo você perder a noção de realidade e até mesmo de tempo; e se em “Batman Begins” você encontrava personagens fantásticos se utilizando de equipamentos reais para exercer sua magia diante das câmeras, neste novo filme Nolan joga todos esses elementos em uma cartola. Fala a palavra mágica “arte” e entrega ao público o seu melhor filme.

No filme, dois mágicos (Bale e Jackman) passam sua vida em busca de vingança e de ascensão profissional. Por terem se envolvido de tal maneira com o seu trabalho, não diferenciam bem do mal, cometendo então atos cruéis para roubar os truques um do outro. Mas a equação não é tão simples como escrevi acima. Pelo contrário, este é o filme mais inteligente a passar nos cinemas este ano e falar mais iria estragar o espetáculo. E acredite: o melhor de um ato de ilusão é você não entender como ele é feito, mas sim o efeito que ele exerce sobre a sua pessoa.

Um conselho: olhe bem de perto. Não acredite em seus olhos. Não busque elementos verdadeiros, pois tudo pode não passar de uma mera ilusão. E sempre, sempre desconfie de tudo e de todos, afinal estamos em contato com o mundo falso e repleto de mentiras, em que somos maravilhosamente ludibriados por luzes, gestos, lindas mulheres e engenhocas simples e complexas.


“O Grande Truque” é cinema com “C” maiúsculo, de clássico. Ainda bem que surgiu agora e pode ser visto por você em um cinema e não somente daqui a alguns anos, quando algum espertinho se apoderar de seus números e jogá-los como uma novidade num futuro próximo em uma sala de cinema. Abracadabra.

2 comentários:

Loop! disse...

Rapá, táe um filme bão que eu naum assitia há muito tempo. Lembrou muito o Amnésia desse mesmo diretor. Muito manero o lance de colocar uma figura historica como o Tesla, com papel fundamental para a trama no final. Sem contar o dominío técnico do diretor com seus flashbacks, câmeras incisivas que captam e transmitem a angústia das personagens e o cenário com seus figurinos vitorianos. Um suspense de primeira.

Rod Castro disse...

Roteiro entrecortado. Personagens impressionantes. Jogadas - como a do diário de cada um deles - e um show de interpretações realmente fazem desse grande filme um espetáculo diferente de muitos filmes que passam nos cinemas hoje em dia.

Outro filme muito, mas muito bom mesmo, que chegou rescentemente as locadoras e que merece muito a atenção das pessoas que amam a sétima arte é: "Filhos da Esperança".

Outro subestimado!