!!O dia em que Tom Hooper surpreendeu o mundo, ou: especialistas, quem, eu e você?!! Por Rod Castro

28 de fev de 2011

Antes de começar a falar sobre o Oscar, que tal comentarmos sobre a transmissora do mesmo em sinal de televisão aberta? A pergunta que me faço é: como uma emissora se digna a comprar os direitos de transmissão desse importante programa e praticamente abre mão dos mesmos, ao dar continuidade a sua grade normal, tanto em programação quanto em horário?

Não compra, oras. Deixa para as outras que fazem boas transmissões, como aquelas da Gabi Gabriela, com comentários do Ewald Filho e senão me engano, uma vez, da apresentadora Babi com comentários do Roberto Sadovski, ex-editor da SET, no SBT do Silvio?

Resultado? Boa parte da premiação já entregue, temos o José Wilker e uma apresentadora no ar. Nada contra um, nem com o outro. Mas acho que até mesmo eles ficam sem graça ao perceberem que o que vão falar se baseia em prêmios já entregues.

Mas vamos falar do que interessa então simbá: “O Discurso do Rei” é muito bom filme. Sim. O é. Mas ele é melhor que “Bravura Indômita”, “Rede Social” e até mesmo “A Origem”? Tenho cá minhas dúvidas. Uma coisa eu sei: o filme possui mais méritos que deméritos.

“Discurso” é daqueles filmes bem realizados. Com enredo desafiador – quando o personagem principal se confronta com uma situação extraordinária e terá que pô-la abaixo a favor de um motivo maior – e que possui excelentes atuações. Se levarmos em conta que a história toda escrita se baseia em um fator físico do personagem principal, entende-se como ele “roubou” o Oscar “certo” de roteiro original de “A Origem”.

Os outros prêmios recebidos: de melhor ator – uma compensação pelo não creditado Oscar do ano passado a Colin Firth no seu belo trabalho em “Direito de Amar”, o ator mesmo lembrou que devia metade deste prêmio ao diretor deste filme, Tom Ford – diretor e filme, não são compensações, passam até como acerto, mas em que parte? Na seguinte:

Tom Hooper, o mais novo dos diretores, arriscou-se em um segmento já tantas vezes encenado em tela grande: o drama histórico. Mas ele não o fez sem mostrar um novo olhar sobre o já batido tema “Segunda Guerra Mundial”. Seus personagens são mais sensíveis, o enredo não força a barra, a fotografia é por muitas vezes até experimental e sua trilha passa raspando no comum, mas possui grandeza dramática eficiente. Pelo conjunto da obra e por mais uma vez, os Weinstein terem estreado o filme próximo das premiações internacionais – deixando o filme fresco na memória de quem o vê – o filme sai mesmo como o maior premiado.

Hooper acerta em outros dois pontos: a gagueira de seu personagem principal não é anedótica nem tão dramática, é praticamente um entrave, um solavanco, algo que lembra aquele personagem que ele, apesar de grandioso em sua tradição, é humano e falho. A atuação de Helena Boham Carter como uma rainha mais contida, sem os já característicos exageros que marcam sua carreira, transparece a mão pesada de Tom.

Roteiro, diretor e ator principal premiados? Seria impossível, ou até mesmo irracional, não premiar a produção como a melhor entre as 10 indicadas.

O segundo filme mais premiado da noite foi “A Origem”. Dentre os prêmios merecidos, estão mixagem e edição de som e efeitos visuais. Concordo com Wilker que o filme não merecia o de melhor fotografia – esse ficaria entre “Bravura indômita” e o já citado “Discurso do Rei” – mas não concordo com seu argumento de que o filme de Christopher Nolan parece ter uma fotografia computadorizada, até porque, boa parte das cenas mais importantes do filme foi feita com trucagem mecânica.

Se “A Origem” realmente merecia um prêmio que lhe foi negado, foi o de melhor trilha, de longe superior ao de “A Rede Social”. Falando no filme do criador do Facebook, duas escolhas feitas a favor do filme, na premiação, foram dignas: melhor roteiro adaptado e melhor montagem – aqui um adendo: impossível não lembrar de “Scott Pillgrim” quando o assunto é montagem, mas aí teríamos que lembrar que Nolan não foi indicado ao prêmio de melhor diretor também.

Ainda sobre “A Rede Social”. Se o filme não fez a premiação de ator, em minha opinião, Jesse Eissenberg é melhor que Firth, assim como Bridges é melhor que os dois juntos, também não o fez de melhor filme, como poderia premiar seu diretor? Fincher passou, mais uma vez, limpo no Oscar.

Mas de todas as ignoradas deste Oscar 2011, a menos justificável foi o “somente indicado” que o pôster e a futura capa do DVD/Blu-Ray de “Bravura Indômita” terá em letras garrafais. A produção, seu novo script, ator principal, atriz coadjuvante, trilha e insuperável fotografia, passaram zerados por este Oscar. O que nos leva ao seguinte raciocínio, bem explorado na fala final de Steven Spielberg – que viu seu filme não convencional de guerra “O Resgate do Soldado Ryan” ser derrotado pelo esquecível “Shakespeare Apaixonado”.

“A Rede Social”, “A Origem” e “Bravura Indômita” figurarão ao lado de “Cidadão Kane”, “O Mágico de Oz”, “O Grande Ditador” e muitos outros bons filmes, totalmente ignorados pela “tal” academia. Fazer? Ano que vem tem mais.

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