!!Fã – obsessão cega… ou até onde sua admiração atrapalha sua visão no cinema!! Por Rod Castro!

31 de jul de 2009

Há uma diferença grande entre fã e admirador. Segundo o Aurélio, a maior delas entre essas palavras é a exaltação. Vejamos:

Admiração sf. 1. Sentimento de deleite, enlevo, respeito, etc., ante o que se julga nobre, belo ou digno de amor, de consideração.

Fã s2g. Pop. Admirador exaltado, tiete.

A primeira vez que realmente entendi como um fã se portava, foi ao assistir um filme da década de 80 ou finzinho dos anos 70, em que um rapaz ficava tão obcecado pelo seu objeto de admiração – uma atriz, se a memória não me falha – que se vestia como ela e planejava acabar com sua vida.

O nome deste filme dá título a este texto: “Fã, Obsessão Cega”.

E acho este tema interessantíssimo quando o assunto é cinema. Hoje, com a internet “popularizando o conhecimento” e ao mesmo tempo criando seus “especialista instantâneos” - graças a uma busca realizada no Google - acabou criando um fenômeno que dei o nome de “texto de fã”.

Nele, por três ou até sete parágrafos, você terá total apreço pelo novo filme do diretor fulano de tal, que entende muito, tanto, mas tanto de cinema, que se você não viu o filme pela ótica dele – quase sempre sem mudanças de estúdio, claro: ele não precisa de engravatados, os engravatados precisam dele – é porque você não entendeu, é um tapado, ou simplesmente não procurou pelo maior número de explicações que ele deu por dezenas de site – que também não entenderam nada com o subir dos créditos, assim como o público.

Na maioria das vezes, esse tipo de texto não aponta erros, não pensa no público, cria ou dá mais crédito a dezenas de teorias “planejadas” – após a entrega da obra – pelo autor do filme e cita filmes ou cenas e mais cenas já realizadas em outros filmes desse “grande artista moderno incompreendido”. Transformando-o em um semideus do novo cinema futurístico.

Acho engraçado que esses mesmos autores nunca, nem se reencarnarem novamente, chegarão aos pés de diretores eternos e que sim, cometeram erros em suas maiores obras ou ralizaram filmes ruins.

A cegueira promovida pela admiração sem limites, graças a Deus, não é como a prevista por Saramago, em seu livro recém levado ao cinema, em que muitos são afetados, não. Ela premia ou melhor, elege poucos e bons (?) que se dedicam a assistir horas a fio a mesma obra, decorando trechos e textos explicativos para se tornar cada vez mais “fera” ou talvez cada vez mais inteligente que os demais.

Isso é fanatismo, ou como a definição lá acima citou: admiração exaltada. Ela faz os erros ou as derrapagens cometidas por quem está na direção parecerem caprichos ou “assinaturas”. Mas no fundo, no fundo, o que um grande admirador, fanático, realmente deseja?

Ser adorado como seu ídolo.

Já sei, você tá tendo aquela crise nervosa rindo e dizendo que eu não entendo nada. Vai falar que quando DePalma fez aquele lixo chamado “Femme Fatale” ele fez dezenas de homenagens que somente fãs do cinema noir captaram ou entenderam.

Ou que ao realizar o sonolento “Último dos Moicanos” Michael Mann tentava passar a naturalidade do tempo em que aquelas pessoas viviam e blá,blá, blá, blá ou melhor, a reação da platéia ao assistir ao filme: zzzzz, zzzzzz, zzzz.

Ou até mesmo afirmar que George Lucas não nasceu para dirigir filmes, apenas para criar personagens e é por isso que ele só dirigiu um dos filmes clássicos de Guerra nas Estrelas – mas caceta, ele fez o subestimado THX e o neo clássico Loucuras de Verão.

Fã não vê falhas, ao percebê-las escreve pouco sobre ou fala baixo.

Mas aqui um conselho: seu ídolo tem pés de barro, assim como os meus. E suas lamentações pelos seus erros, revertida em lágrimas, não farão seus pés se dissolvererem.

Criticar um grande diretor ou um diretor que você goste não fará a menor diferença na vida dele, muito menos em sua carreira e principalmente, lembre-se: ele é humano, como você, que não é tão especial quanto acha – como falava Tyler Durden em Clube da Luta – e por isso comete erros sim.

E uma observação: se for escrever algo sobre um artista ou diretor que você adore além da conta, fale antes no artigo “Olha, sou fã, mas isso não deprecia meus pensamentos que você vai ler a partir do próximo parágrafo, mas admito que há possibilidades de o filme não ser tudo isso.”

Poupa tempo e melhor: não deturpa ou empurra uma verdade goela abaixo dos demais que levam suas ideias e pensamentos em consideração.

Ah, por favor, fãs, escrevam, critiquem, mas não enfartem ou tenham acessos de risos nervosos. Obrigado!

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