Timberlake hoje é o mais preto dos brancos... (por Rodrigo Castro)

24 de abr de 2007


Qual é a sua definição de rock? É rock, o bom e velho estilo de música que faz muitas pessoas sacudirem o esqueleto e a cabeça a cada música executada. Pergunto isso porque costumo afirmar que a definição do que é rock de verdade, reside em uma palavra distinta: atitude.

Exemplo: Michael Jackson durante boa parte de sua carreira solo - principalmente no início dela – foi um dos maiores roqueiros que o planeta Terra testemunhou em palco e apresentações. Ele dançava, passava a mão em “lugares proibidos” – Elvis e James Brown também o faziam - e ainda conquistava todos os tipos de público e olha que o seu estilo de som não era o rock propriamente dito.

Mas isso foi há muito tempo atrás. Hoje somos vitimas – ou culpados? – de um som datado e sem criatividade que assola rádios e emissoras de televisão com “mais do mesmo” a cada canção. Poucos artistas têm e mantêm uma “atitude rock” perante crítica, público e biografia.

Pois bem, se eu disser para você que nos último três ou quatro anos um artista que era tido como “mais um garoto bonitinho, que dança mais ou menos e que era membro de uma daquelas boys band” se tornou um dos maiores rockers do mundo. Você acreditaria?

Pois é verdade e vou até dar até nome ao boi: Justin Timberlake. Este é um dos caras mais rock and roll do pop atual. Seja por sua mudança artística, postura de “não me preocupo com o que falam de mim, mas falem”, som mais trabalhado (ou “chupado” de bons artistas negros do tempo da Montown) e até mesmo pelo seu lado “pegador”. A soma de todos esses fatores tornou o ex-líder do N’Sync em um artista versátil e diferente.

Duvida? Bem, se você é daqueles que sente falta do bom e velho Michael Jackson, mate-a de maneira rápida e certeira: “Future Sex/Love Sound”, o mais novo disco de Timberlake. Cada música, arranjo, participação especial e voz afinada no tom, farão sua memória musical ir ao seu arquivo de bom gosto e rememorar bons momentos, que um dia ficaram perdidos na pasta “Michael Jackson dos tempos de ‘Thriller’”.

Os entendidos em música dizem que a parceria feita por Justin e o produtor Timbaland foi a principal responsável pela virada de mesa do artista. Mas em “Justified”, primeiro disco solo do cantor, muitos dos elementos que resultaram nesta grande mudança já estavam lá, em menor porte é verdade, mas existiam.

“FS/LS” com certeza é um dos discos mais interessantes e bem produzidos do ano passado e deve catapultar a carreira de Justin, levando seu nome para o mesmo lugar de gente que ele admira e que de certa forma até segue, como o já citado Jackson e até mesmo Prince (a faixa que abre o disco é soa como a canção “1999” do baixinho).


Além de apostar em sons diferentes, dando um clima mais nostálgico em suas músicas, o que se sente a cada canção tocada do novo álbum de Justin é algo entre o intransigente e o “novo”, mesmo que a novidade soe antiquada. Antiquada sim, datada e de qualidade duvidosa? Não.

O refino de “FS/LS” consegue ligar letras sensuais, sexuais e até engraçadas, a uma linguagem rápida e de ritmo arrebatador que deve se tornar – agora não, mas daqui a uns anos com certeza – um dos discos mais inovadores dos anos que sucederam os 2000. Exagero? Só o tempo e Justin podem dizer.

8 comentários:

Mark disse...

Rodrigo, Elvis não fazia o Rock propriamente dito?Tá certo que o cara no fim de sua carreira flertou com o gospel e outros elementos...Não engoli essa.Timberlake tenta fazer sua música vibrar tal qual os grandes artistas negros, sua músisca é apenas um ensaio da música, seu trabalho não tem solidez...É apenas uma farofinha descompromissada.

Mark disse...

Putz, dei uma mancada feroz...Mas quando erro me desculpo.Se referia ao Michael e não ao Elvis.Essa minha vista me mata!!Sorry, Rodrigo.Já ia mandar te fuzilar.

Rod Castro disse...

Tranquilo, mas acho que você novamente se equivocou ao falar do trabalho do Justin. Falo com propriedade o que vou dizer agora: o último disco do Justin é muito, mas muito mesmo, superior a música sem qualidaded que toca nas rádios de hoje em dia.

Outra, que na minha opinião é muito mais importante que minhas considerações: pergunte para quem ama música negra, ama mesmo, se o FS/LS não é para se ter e ouvir centenas de vezes? A resposta é unânime: sim e em alto volume.

Inclusive, o título do texto não é meu, mas sim uma frase de um grande apresentador de programas black de uma rádio Inglesa que costumo ouvir.

E para terminar: Quincy Jones - sabe quem é? "Apenas" o produtor de Thriller e de mais várias pérolas das décadas de setenta e oitenta, afirmou que gostaria de ter trabalhado no último disco de Justin para poder ter seu nome relacionado a algo que tenha consistência musical hoje em dia.

E agora, um porém meu. Na boa? Eu odéio boy bands, sou preconceituoso com relação a este tipo de "conceito" musical que de ano em ano põe um de seus representantes nas paradas de sucesso. Mas, insisto, se você ouvir FS/LS tenho certeza que sua opinião a respeito de Justin e sua música, vai mudar. Mas deixa o preconceito de fora na hora em que apertar o play.

Abraços Mark!

Mark disse...

Como não conhecer o cara que produziu uma “incrível” canção, ‘We Are The World’ – que embalou minhas aventuras quando criança- e um álbum soberbo, “Off The Wall”, que indicava as novas mudanças na música ‘limpinha’ que o garotinho Michael realizara no fim dos anos 60.Preconceito?Eu?Muito pelo contrário, Ricardo.Sou um amante da música , seja ela de que poste de gênero for.Gosto de algumas canções do menudo.Até mesmo do Timberlake fase N’sync.O Som do cara é agradável, mas seus álbuns não mostram solidez.E quem liga para a opinião do produtor-ativista, ops, ativista-produtor Quincy Jones?Eu não ligo.Queria ter sido Quincy por um segundo, apenas para ter a felicidade de ter tocado com feras do Jazz como Miles e Gillespie.Mas Timbarlake está se esforçando.

Rod Castro disse...

Já estamos chegando a algum caminho Mark. E é Rodrigo, não Ricardo, ehheehhe. Mais uma: é o que eu acho do novo cd do Timberlake e sem exageros. E ainda acho que o CD é muito bom. Você ja o ouviu? Abraços!

Breno disse...

Ainda não escutei o novo álbum do Timberlake, mas não deixa de ser muito curioso que um branco, com maior pinta de mauricinho, ex-boy bands fazendo música negra. É no mínimo curioso e vale a pena conferir. Eu vou baixar para dar uma escutada.

Mark disse...

Adoro ‘Cry Me a River.Eu tenho o “Future Sex/Love Sound”.Realmente não tive paciência para escutar direito- mas tenho que admitir que 'Losing My Way' e a faixa título são fodas.Ainda vejo o Tim meio preso.É auxiliado por muita gente.Pode verificar, ele não faz as músicas sozinho.A mesma coisa que acontece com a Gal.Não faz música, mas é uma grande artista.Respeito sua opinião.Mas ainda quero ver o cara dando vôos maiores.Abraços, Rodrigo.Agora o nome foi certo.

Rod Castro disse...

Vai por mim: escute. Ainda mais que você se mostrou ser fã do tempo do Michael Jackson sob a tutela de Jones. Há um lance interessante nesta fase do Jackson em que boa parte das músicas, quando estavam para chegar ao seu fim, faziam clima para a música seguinte.

Pois Timberlake fez a meesma coisa neste seu novo CD e com transições mais interessantes até!