Lewis nunca levou o Oscar, mas quem precisa do careca dourado? (By Rodrigo Castro)

26 de abr de 2007


No último Oscar, a Academia acabou convidando três grandes diretores do cinema americano para entregarem a estatueta da categoria a Martin Scorsese. Enquanto Steven Spielberg, Francis Ford Coppola e George Lucas esperavam a subida do baixinho Scorsese para receber o prêmio, pensei em alguém muito especial para o cinema e que também foi diretor: Jerry Lewis.

Daí você se pergunta: “Spielberg, Coppola e Lucas. E o cara me vem com Lewis? Enlouqueceu!”. Pois saiba que contando com Martin no palco, o único grande diretor que ali estava e que não teve ligação direta com um dos maiores comediantes do cinema, o bom e velho Lewis, foi Coppola.

A capacidade de Jerry ia além da carreira de ator comediante. Sua participação por de trás das câmeras também foi emblemática: escrevia boa parte dos seus próprios roteiros – em determinada época escreveu dez roteiros de filmes em apenas dez anos, detalhe: todos campeões de bilheterias; e seu trabalho como diretor era preciso e muitas vezes até inovador – principalmente se levarmos em conta que o seu forte era os filmes cômicos e “para toda a família”.

Essa capacidade rendeu ao palhaço das multidões a responsabilidade de se tornar um dos professores de cinema mais importantes de Hollywood. Nessa nova façanha, quando se tornou mestre de cinema em universidades da área, surgiu a idéia do “Professor Aloprado” – seu trabalho mais impressionante e elogiado em toda a sua longa carreira.

Em sala de aula, dois de seus mais fervorosos alunos, tinham um futuro promissor: Steven Allan Spielberg e George Walton Lucas Júnior. Tenho a impressão que a influência do professor se fez presente na vida de Spielberg através da dinâmica de direção, com a sugestão de ângulos diferentes.

Já na carreira de Lucas, a mão do mestre pode ser sentida pela agilidade nos roteiros – principalmente na característica de dar um tom cômico em suas obras, mesmo em “Guerra nas Estrelas” dá para se sentir isso nas mais diversas cenas.

Há 24 anos, Lewis também cruzaria o caminho de Scorsese: quando o diretor ítalo-americano fez “O Rei da Comédia”. Mais impressionante ainda: neste filme o renomado comediante fez o papel de si mesmo – mas com outro sobrenome: Langford - mostrando que sua fama de mal humorado, e até grosseiro, era verdadeira e não atrapalhava seu carisma.

Fico triste, sinceramente, por ver que a cada ano que passa pessoas importantes para a sétima arte - principalmente os comediantes – são deixadas de lado. Jerry Lewis, que no último dia 16 de Março completou 81 anos de idade, praticamente não faz um novo filme desde 1995 e a sua classe não sente sua falta ou muito menos lhe rendem homenagens.

Pior: sai ano e começa outro e você não o vê ou muito menos seus filmes. Assim, jovens e adolescentes perdem a chance de ver em ação um gênio da comédia – do quilate do mestre Charles Chaplin, outro injustiçado - pior: perseguido.


Muitos anos de vida “mestre da comédia moderna”! Você sempre fará muitas pessoas rirem – incluindo este escriba.


Em tempo: uma boa parte dos filmes do Jerry estão a venda no Brasil, lógico que faltam dezenas deles, principalmente quando ele fazia dupla ao lado de Dean Martin. Procure-os e divirta-se.


Em tempo 2: assista ao filme "Verdade Nua" (2006) e talvez você encontre um dos motivos que fez a dupla mais rentável do cinema acabar.

Um comentário:

Breno disse...

Essas injuntiças com os grandes da sétima arte são de praxe em Hollywood. Billy Wilder ficou muitos anos sem filmar antes e morrer. Ficou esquecido. Isso depois de tudo que ele tinha feito pelo cinema americano.