!!Vai-se um dos melhores. Adeus Sidney Lumet!!

11 de abr de 2011

Eu estava com meio artigo pronto sobre o novo CD do Foo Fighters "Wasting Light" que é muito bom por sinal. Daí meu hermano, Leonardo Mancini, o Mancha, pergunta-me: "Man, o Sidney Lumet, morreu?". O susto foi tamanho que perguntei pra ele se ele estava perguntando ou afirmando. E ele disse: "No Hot Tomatoes diz que ele morreu dia 09 agora".

Procuro no IMDB de hoje e nenhuma notícia de destaque. Nada. Procuro nos sites e nada de novo. Daí arrisco-me, com aquela vontade de não ser verdade, em dar uma "procura" do nome do mestre Lumet no IMDB e vejo: falecido aos 86 anos, no último dia 09. Entristeci, de verdade. Levei um soco.

A última vez que vi Lumet, em imagem, ele realmente não parecia ter a alegria de vida que sempre demonstrou nas mais variadas situações. Era 2005 e ele recebia seu Oscar honorário, mais que merecido. Afinal, senão fosse naquele momento, correria-se o perigo de mais um grande nome da história do cinema passar sem o devido reconhecimento.

Antes, ele havia sido indicado, na categoria de diretor, pelos: tenso e teatral "12 Homens e Uma Sentença" (1957), o dramático, mas engraçado "Um dia de Cão" (1975), o atualíssimo e preocupante "Rede de Intrigas" (1976) e "O Veredicto" de (1982). Também recebeu outra indicação pelo seu roteiro adaptado para "O Príncipe da Cidade" (1981).


Mas acredite, foram poucas indicações para uma carreira tão prolífica. Um homem que fez filmes como "O Homem do Prego" (1964), "Sérpico" (1973) - ainda não lançado em DVD por essas bandas - e o seu último trabalho, o ignorado pelos prêmios, um absurdo, "Antes Que o Diabo Saiba Que Você Está Morto" (2007), merecia mais que Oscars, merecia aplausos.

Isso ele recebeu. Assim como a consideração de um público seleto que via sinceridade em seus trabalhos e um olhar até mesmo natural em suas obras. Seus atores brilhavam e dava para sentir que Lumet tinha crédito naquilo. Seja pela liberdade dada ou pela confiança concedida, ele estava ali, naquele momento em que o júri decide ("12 Homens e Uma Sentença"), quando Sérpico percebe no que se envolveu, quando o Cid Moreira fictício decide se suicidar em cadeia nacional para não perder o emprego ("Rede de Intrigas") e no desespero alucinante de Sonny (Al Pacino, perfeito) e na compreensão de que ele agora é o astro em um grande palco ("Um dia de Cão").
Perdemos o cara que gostava de melodramas, mas bem feitos, do diretor que apostava em seus atores, sem perder as rédeas, e que se importava sinceramente com a história que tinha para contar, afinal, como li em uma entrevista dele: "como vou contar aquilo que me interessou e deixá-lo mais interessante para quem o vê? Com simplicidade, oras.".

Pena, mas era a hora. Chegou a sua vez de comandar mais um belo espetáculo em tela grande. Agora lá por cima, espero. Abraços Lumet.  Vai-se o homem, fica a obra.
E para o Oscar não se tornar o vilão dessa história. Lumet foi indicado 06 vezes ao Globo de Ouro, levou somente por "Rede De Intrigas"; também foi indicado a 04 Palmas de Ouro em Cannes e nunca ganhou; marcou presença 05 vezes no Festival de Berlim, levando o Urso de Ouro por "12 Homens e uma Sentença"; e 08 vezes indicado ao Bafta, que nunca foi premiado.

2 comentários:

Leonardo J. Mancini disse...

Era um grande mestre! Fez vários clássicos, todos gelavam a espinha. Fazia pensar como ninguém! Mil camadas de interpretação no menor dos planos. Gênio.

Rod Castro disse...

Conciso, centrado em contar a história, poucas invecionisses. Talvez isso tenha jogado contra ele, mas era seu jeito de ver a história e contá-la para nós.

Num meio repleto de "intelectuais" que se autopromovem a cada filme, era legal ver Lumet falar de seus personagens e suas histórias, comuns, mas bem contadas.

Vai-se o homem, fica obra para ser admirada!