!!Filmes interessantes, mas que podiam mais!!

18 de abr de 2011

Todos os dias novos projetos cinematográficos ganham destaque em sites e programas especializados nesta arte. Na maioria das vezes este fator esta ligado aos atores ou aos diretores que se propõem a filmar aquela nova – ou recontar – história.

 Infelizmente três boas promessas para a safra de 2010/2011 acabaram não rendendo o que se esperava, pelo menos pelo meu olhar. Todos os projetos pediam a minha atenção por seus diretores, artistas que fizeram alguns bons vídeos e um ou outro bom filme e por isso, excelente razão, deveriam arrebentar nestes novos projetos, mas não foi assim. Vamos lá, do menos interessante ao quase certeiro?

“Sucker Punch” de Zack Snyder

2004 foi um ano interessante na vida de Zack Snyder. Ele dirigiu um comercial para a Subaru, conheceu sua esposa Deborah – produtora da Warner Brothers – e fez uma refilmagem interessantíssima, “Madrugada dos Mortos”.

Em seguida fez a adaptação de quadrinhos “300”, inspirado no gibi de autoria do mestre Frank Miller. Tal trabalho o preparou para um novo desafio, talvez o maior de todos em que ele se comprometeu: a adaptação do melhor quadrinho de super-herói de todos os tempos, “Watchmen”.

Ano passado ele fez dois filmes de uma só vez, a animação “Lenda dos Guardiões” e este “Sucker Punch”. Diga-se de passagem, que o último citado é um “conceito” pensado por ele e desenvolvido em parceria com o roteirista Steven Shibuya. 

E “SP” funciona como efeito especial. Como estilo de edição, composição e até mesmo de “viagem”, mas como filme, com conteúdo, com algo que realmente tenha algum efeito na vida de quem o assiste, aí, nada ocorre.

É óbvio que ver meninas lindas – Jena Malone nunca esteve tão bonita e Abbie Cornish é uma linda mulher – em roupas diminutas, lutando contra samurais, dragões e robôs – quase tudo em câmera lenta, como em todos os filmes do diretor – rende bons momentos visuais para um marmanjo. Mas a falha no roteiro é tamanha que não dá para engolir os “conceitos visuais”. Filme mediano. Poderia ser muito melhor. Nota 6,0.

“As Melhores Coisas do Mundo” de Laís Bodanzky

De todos os filmes de Laís, vi somente o curta-metragem “Cartão Vermelho” – que pode ser conferido no Youtube. Bom filme, mas nada de mais, sejamos sinceros. Os seus outros dois longas “Bicho de Sete Cabeças e Chega de Saudade” passaram-me batido e por isso mesmo não posso fazer uma busca no IMDB e tecer comentários em cima de outros comentários, como algumas pessoas o fazem.

Por isso vou me prender a este drama adolescente que ela fez e que chegou a passar em salas de cinema locais. “As melhores coisas do mundo” poderia ser um episódio da extinta e saudosa série de TV “Anos Incríveis” – se você não conhece, também procure por este clássico no já citado Youtube, vale muito a pena.
E isso é um elogio e não um demérito, longe disso. Está tudo lá: a narração em over ou off, o personagem principal sofrendo por ter um parente que traz problemas para ele na escola – no filme o pai de Mano, na série a mãe, professora, de Kevin – o irmão problemático e a amiga que deveria ser namorada e que no final, obviamente se tornará.

O filme funciona e tem seus pontos fortes, Fransisco Miguez (Mano) convence como um adolescente que sofre perseguições pelos seus problemas em casa – o pai se assumindo gay e o irmão, artista, sofrendo por perder a namorada para outro colega de colégio – e que se encontra em uma fase de transição de garoto para adolescente e por seguida em adulto.Mas é isso, é um episódio dos “Anos Incríveis” se o filme virasse uma série, funcionaria mais. Nota 7,0.

“Não Me Abandone Jamais” de Mark Romanek

Lembra daquele clipe do Morrissey, com várias lâmpadas, “The More You Ignore Me, The Closer I Get”? E daquele do Michael Jackson com a Janet, todo em preto e branco que até a Sandy e o Júnior imitaram, “Scream”? E aquele da Madonna, lindamente fotografado, “Rain”, ou aquele, também da Madonna, cheio de efeitos especiais, “Bedtime Story”? Ou “Jump The Say” do mestre David Bowie e “Can´t Stop” do Red Hot Chili Peppers?

Todos são do mesmo diretor. O americano Mark Romanek. É dele também o suspense, impressionantemente deixado de lado por várias premiações mundo afora, “Retratos de Uma Obsessão”, com uma atuação espetacular de Robin Williams.

Pois bem, Mark decidiu levar as telas mais um livro do japonês Kazuo Ishiguro, autor do também conhecido “Vestígios do Dia”, levado as telas dos cinemas pelo sempre competente James Ivory, em 1993.

Este “Não me Abandone Jamais” toca num assunto já muitas vezes levado ao mundo do cinema: clones, usados como mercadorias de reposição por parte da humanidade, já vimos isso algumas dezenas de vezes, até em blockbusters, como o único filme feito por Michael Bay, “A Ilha”, o resto era videoclipe, certo?

Mas a diferença da história contada por Romanek reside em seus personagens, muito bem encarnados por Keira Knightley (Ruth), Andrew Garfield (Tommy) e a melhor deles, Carey Mulligan (Kathy). O filme se inicia pela premissa de que a ciência avançou de tal forma durante os anos 50 que todas as doenças por nós conhecidas foram erradicadas. 

A expectativa de vida passa dos 100 anos para todos os que habitam o planeta. E como isso é possível? Através da clonagem de seres humanos, que “doam” seus órgãos para que outros não morram. O tiro certeiro da história é mostrar somente o lado dos clones que realmente não sabem quem são seus receptores e vez por outra - por não terem parentes ou ao menos conhecidos - acabam por ter uma falta de humanidade tocante.

Filme triste, com interpretações na medida. Mas que poderia oferecer um pouco mais. Nota 7,5.

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