!!E Oscar foi… lá pra casa – Parte 1 - ou: “Gomorra”, “Dúvida” e “Gran Torino”!! por Rod Castro!!

3 de set de 2009

O Oscar é uma influência mundial não só para o mercado cinematográfico – os filmes que por lá passam, devem estar em todos os cinemas do planeta – como para os fazedores de cinema e apreciadores da “arte”. Mas estando distante dos cinemas, por diversos motivos, acabo vendo os mais interessantes quando saem em DVD – o que me aterroriza ainda mais o extermínio de locadoras em Manaus.

Assim, algumas boas obras acabaram sendo apreciadas no conforto do meu quarto, deitado na minha cama e com direito a eject, play, pause, stop e play novamente, mas nunca FFW – detalhe importante e que atesta a qualidade dos filmes.

Assim, vamos ao que interessa:

“Gomorra” – Esperava mais desse filme, por vários motivos: o alarde que foi feito em torno do livro que lhe deu origem foi sentido no mundo todo, seu autor foi ameaçado de morte, o filme esteve presente em quase todas as mais importantes premiações do mundo e filmes italianos sempre tem algo muito parecido com o estilo de filmar brasileiro.

Fraco, às vezes até mesmo raso, a força não está na denúncia proposta em seu roteiro, mas na atuação de boa parte do seu elenco. Talvez por ser brasileiro e assistir tantas reportagens sobre o crime organizado no Brasil, a proposta acaba não chocando ou afetando psicologicamente o espectador. Mesmo com as informações de como a “Nova Máfia” vem aterrorizando a Europa, o filme não preocupa a quem o vê. Mediano e apenas isso. Nota 5,5.

“Dúvida” – Peças de teatro quando são levadas para telas maiores, precisam se alicerçar em um importante ponto: bons atores. E isso sem dúvida – nada de trocadilhos – o filme em questão tem.

Raras são as vezes que não nos convencemos de que aquele universo estudantil de um colégio de freiras e padres não remete a algo já presenciado por qualquer pessoa. A trma é simples: um jovem e promissor padre (o sempre ótimo Philip Seymour Hoffman) acaba sendo julgado e condenado por duas freiras (Amy Adams e outra fera Meryl Streep) como um aproveitador de crianças.

Para piorar a situação, vivemos o encerramento da segregação entre negros e brancos nos EUA e o garoto – possivelmente abusado – é o primeiro aluno negro dessa tradicional escola. O que não é dito, mas visto, acaba trazendo mais dúvidas ou talvez certezas quanto a situação, mas tudo muda na sua percepção quando a mãe do garoto trava um diálogo com a diretora/freira (Streep). Bom filme, tradicional, intrigante e que merece sua atenção. Nota 8,0.

“Gran Torino” – Se o final deste excelente drama tivesse um pouco mais de vigor, nada contra o humor e a simplicidade proposta, poria este novo trabalho do velho Eastwood lado a lado com o seu melhor filme – “Menina de Ouro”.

A graça de pegar um veterano, solitário, deslocado em sua própria comunidade e que tem mais coração do que a sua marra tenta demonstrar, acaba confundindo ator e personagem durante todo o filme. Ou será que vimos um ator sem sua maquiagem e disposto a ser ele mesmo em um filme?

Essa pergunta não pode ser respondido por outra pessoa que não o próprio diretor. E isso é apenas mais um charme do roteiro, que possui personagens tão encantadores quanto o de “Menina de Ouro”. Eles são humanos, engraçados, trágicos e criam uma impressionante empatia com o espectador, resultando em comentários e cabeças afirmando e negando a cada virada da história.

Clint e o filme mereciam mais atenção da imprensa especializada e indicações, mas acabou passando como se fosse somente mais um em exibição nos cinemas. Talvez o DVD faça mais justiça a película.

O mais importante de “Gran Torino” é notar que Eastwood não para de produzir – e bem – sempre priva por bons roteiros, lança novos nomes e está atento a realidade do seu país, nas mais diversas comunidades e castas.
Muito bom filme. Nota 8,5.

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