!!Outubro em resumo ou... “Stardust”, “Possuídos”, “Quarteto Fantástico”, “Entre o Céu e o Inferno” e “Bobby”!! por Rod Castro

7 de jan de 2008

Não sei se você percebeu, mas de um mês e meio para cá acabo por traçar, post após post, artigos que falam dos filmes que assisti, seja em DVD ou cinema. E como os planos para 2008 são muito mais ambiciosos, como escrever sobre todos os filmes em que pus os meus olhos, sejam eles: clássicos, pertencentes ao meu acervo e principalmente os inéditos.

Aliás, não só filmes estarão por aqui neste ano que se inicia, muito pelo contrário, teremos CDs, livros e quadrinhos sendo resumidos, criticados e indicados por este que aqui aperta essas teclas que unem letras, aproximam as palavras, formam frases, que ganham maior sentido ao serem lidas em seqüência, por você.

Para o bonde seguir seu trilho e você cumprir todo o percurso com muito mais afinco, seguimos em frente, das estações mais ou menos até as que você deveria descer para dar uma conferida...

Atenção, passageiros. Estação: adaptação de quadrinhos número um.

“Stardust, o Segredo das Estrelas”

Uma das primeiras adaptações com o selo Neil Gaiman - um dos maiores autores de quadrinhos, na verdade um dos escritores que fazem parte da tríade sagrada, composta por Frank Miller (Sin City e Cavaleiro das Trevas) e Alan Moore (Watchmen e V de Vingança) – a chegar as grandes telas do mundo todo.

No filme, acompanhamos a história de um apaixonado rapaz que promete uma estrela cadente para a sua amada – quem já não planejou isso em uma noite romântica? Eu não. E para conseguir levar tal estrela (Claire Danes) até a amada (Siena Miller), o jovem irá passar por dezenas de incríveis situações, como enfrentar bruxas (lideradas pela ótima Michele Pfeifer) e herdeiros de um trono distante.

Duas coisas merecem destaque no filme, além da boa interpretação de Michelle: a direção de arte é interessantíssima e conservou o ar fantasioso que o sempre competente desenhista Rich Veitch deu a obra nos quadrinhos. Segundo: o pirata interpretado por Robert De Niro que rouba por completo a cena de qualquer outro personagem com o qual contracena.

O filme poderia ser melhor. Em certas horas empaca e pior, arranca alguns suspiros de quem o acompanha com maior empolgação. Bateu na trave, mas merece ser conferido.

O diretor é o competente Mathew Vaughn, o mesmo do interessantíssimo “Nem Tudo é o que Parece” - praticamente o ensaio para a estréia de Daniel Craig como James Bond. Mathew ficou mais conhecido em Hollywood por ter sido o braço direito de Guy Ritchie (marido da Madonna) nos excelentes “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes” e “Snatch”, por ter deixado de lado “X-Men 3” - ficou com saudades da sua recém formada família – e por ter assinado contrato para dirigir a adaptação de “Thor” para as telonas.

Nota 6,5! Queria ver sua cara quando De Niro começar a... (surpresa!).

Agora que você já visitou a nossa primeira estação, se divertiu com o mundo de magia conferido e imaginado pelo mestre Gaiman – um filme de Sandman pelas mãos de Guillermo Del Toro seria uma benção para os meus olhos – embarque novamente em nosso bonde cinematográfico e se prepare para o assombro.

Assim que nos aproximamos da próxima estação, a cabine treme, as luzes piscam e após certo desespero, chegamos a uma estação escura repleta de mosquitos e insetos (ou seria somente sua imaginação?). Desça!

“Possuídos”

Certa vez, assistindo aos extras de um dos vários filmes de Hitchcock que tenho em casa, o diretor M. Night Shyamalan (o mesmo de “Sexto Sentido” e “Corpo Fechado”) falava que o grande diferencial do mestre Alfred era a sugestão. As coisas que deveriam estar em imagem, na verdade residiam em um lugar muito mais sombrio: a sua mente.

As vezes, não mostrar, sugerir, é pior do que você tivesse visto. Este é o charme desse filme, que se eu pudesse segmentar, não o trataria nem como suspense ou muito menos como terror, como alguns fizeram. O intitularia como mais um bom título do cinema de guerra que dá mais abertura para o combate que existe na mente de quem passa por uma situação dessas, do que pelos corpos estendidos repletos de sangue.

A história é mais simples do que parece e remete diretamente para o clássico “Sob o Domínio do Mal” de John Frankheimmer: um homem volta da Guerra do Golfo e acaba por cruzar o caminho de uma garçonete (boa atuação de Ashley Judd) maltratada pelos infortúnios da vida. Após uma noite daquelas, ele decide lhe falar que foram feitas experiências com o seu corpo durante a Guerra.

A partir daqui começa uma verdadeira odisséia ao mundo da paranóia, da teoria da conspiração, do medo, do terror e do verdadeiro medo. Seria delírio? Seria verdade? Você agüenta cenas de mutilação fortes? Sangue frio mesmo?

Este é o filme. Repleto de boas atuações. Roteiro enxuto, assim como a produção. Boa direção – do mestre William Friedkin (mesmo de “Operação França” e o “Exorcista”). E cenas que se agarrarão as suas memórias.

Nota 7,5 – recomendo que você o veja de dia e longe da sua esposa se possível!

Sei que você já se imaginava em um trenzinho do terror, ou algo do tipo, mas não. Aqui é um verdadeiro bonde. E tão leve como a brisa – graças a Deus um pouco de ar, depois de um filme como o da última estação – surge ao fundo a imagem em azul de quatro companheiros que estavam a sua espera para mais uma aventura em família – ou seria, mais uma aventura para famílias?

“Quarteto Fantástico”

Você gostou do primeiro filme? Ok, vai gostar desse também. Você odiou o primeiro filme? Sem problemas, este segundo conseguiu corrigir certas falhas do primeiro. Você fã dos quadrinhos achou que faltou mais ação na primeira parte dessa franquia, que estava repleta de cenas engraçadas? Tá bom cabeça de fogo, a pancadaria come solta e as cenas agora estão engraçadas, mas no ponto certo.

A história dá continuidade direta ao primeiro filme da família mais aventureira dos quadrinhos. E ainda traz de lambuja a presença de dois dos mais fantásticos adversários já criados para a turma liderada por Red Richards: o impressionante conquistador das galáxias, Galactus, e o seu arauto, o fabuloso Surfista Prateado.

Para quem não sabe, estes são os dois mais clássicos “vilões” de todos os tempos de quadrinhos dos Fantásticos. E para não fazer feio na tela, o diretor Tim Story chupou vários aspectos clássicos e modernosos de ambos os personagens: Galactus não é um ser vivo com um puta capacete na cabeça – veja a foto abaixo – mas sim uma entidade, como uma poeira espacial (conceito utilizado recentemente em uma revista dos Fantásticos) – já o Surfista está idêntico ao que sempre foi: um ser reflexivo e que de mal não tem nada.

Os efeitos melhoraram. As batalhas aumentaram. As graças estão presentes, mas pontuam as cenas e não tiram a emoção do filme. Cada vez mais os quatro principais personagens e seus interpretes conseguem ter mais semelhanças do que apenas formas. E é um bom filme para se divertir.

Recomendo: não pense. Apenas se divirta. Nota 8.

Com um belo sorriso na cara, você adentra ao nosso bonde que segue sua trajetória. E assim que você começa a pensar que faltam apenas mais duas estações para o final de nosso passeio cinematográfico, algumas notas de uma guitarra começam a arranhar seus tímpanos. Com o passar do tempo e com a chegada a nossa próxima estação, você percebe que temos um guitarrista negro a sua espera enquanto desembarcamos. E descemos bem...

“Entre o Céu e o Inferno”

Sabe aquela máxima do raio? A de que um desses fenômenos não acontece duas vezes no mesmo local? É mentira. E após conferir esse bom filme, você vai concordar comigo.

Há quase um ano e meio, conferi um filme que rendeu uma indicação ao Oscar e ao Globo de Ouro para o ator Terence Howard, o inédito nos cinemas de Manaus, “Ritmo de Um Sonho”. O filme que retratava a vida de um gigolô que se tornava rapper, com a ajuda de um colega de infância e suas prostitutas, chamou minha atenção e de mais milhares de pessoas que gostam de filmes diferentes.

Pois bem, com o passar de mais um ano, foi lançado no Brasil inteiro, menos Manaus, novamente, “Entre o Céu e o Inferno”, segundo filme do diretor Craig Bewer, que também dirigiu o já citado “Ritmo”. A história aqui é totalmente diferente, apesar de englobar outro estilo de vida/música dos negros americanos: no caso o blues.

Em uma cidade do interior, um pacato fazendeiro negro (Samuel L. Jackson, arrebentando) que foi corneado pela sua esposa, acaba por cruzar a estrada de uma moça branca (ótima atuação de Christina Ricci), que ao que tudo indica pirou da cabeça por ter perdido seu namorado/marido (Justin Timberlake) para a Guerra do Iraque e decidiu “pegar” todos os homens da cidade.

“Que plotzinho escroto?”. Diz você do outro lado da tela. E eu respondo dedilhando meu teclado: “Calma rapaz, que este talvez seja um dos filmes mais interessantes a retratar o blues e suas tendências religiosas (apesar de muita gente afirmar o contrário)”.

Se prepare para atuações impressionantes, canções de raiz do cancioneiro americano, direção impecável e cenas de tirar o fôlego em todos os sentidos. Filme para ver com calma e atenção, características que marcam um apreciador de boa música.

Para entrar na coleção de DVDs com certeza! Nota 8,5!

Ao som da guitarra dedilhada com maestria pelo personagem de Samuel L. Jackson para espantar o mal do corpo de Ricci (magrinha!!!), seguimos nossa viagem que ruma para a última estação da linha “Outubro Cinematográfico”. Uma estação que marcou história e que pode ter certeza é uma das mais subestimadas de 2007. Tão importante que tem até nome de irmão de presidente, mártir, americano.

“Bobby”

Você se lembra de Emílio Estevez? O jogador de futebol americano que aprontou alguma e ficou enclausurado com mais quatro tipinhos em pleno final de semana, quando ainda cursava o colegial?

Aquele mesmo cara que mais tarde seria o garçom de um restaurante em que mais de seis amigos sempre iam comemorar os mais diversos motivos, enquanto ele procurava a cada instante pelo verdadeiro amor, mesmo que no corredor de um hospital?

Emílio Estevez. Que mesmo tendo gravado filmes interessantes na década de oitenta, como os já citados “Clube dos Cinco” e “O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas”, sempre era apresentado como o irmão de Charlie Sheen (de “Platoon”) e filho de Martin Sheen (de “Apocalipse Now”)?

Pois então. Emílio, o baixinho. Rodou, roteirizou e até mesmo atuou em um dos melhores dramas do ano. Este recomendado “Bobby”. O filme conta a história, em quase tempo real, das pessoas que estavam e trabalhavam no Hotel Embassador, que serviu de sede para as comemorações da vitória para a concorrência a presidência da República dos EUA, pelo irmão mais novo de John Fritzgerald Kennedy, Robert Kennedy.

O trabalho de Emílio e de toda a sua equipe de produção é soberbo. Cheguei até mesmo a apelidar o filme de “Magnólia mais politizado”, tamanho é o número de personagens presente na trama. Assim como P. T. Anderson fizera nesse maravilhoso filme já citado, Estevez se utiliza de excelentes atores para contar uma história vista por dezenas de olhares diferentes.

E cada um desses olhares em algum momento se depara com trechos reais de entrevistas, depoimentos e matérias que mostram o verdadeiro plano de Robert para aquele país. Em certos momentos chega a ser emocionante, sem nenhum sentimento piegas de minha parte que sou contra os americanos em centenas de ocasiões.

Filme para se ver com emoção. Prestando atenção na câmera bem utilizada, nas atuações coreografadas – a última cena fala por si – e no texto corrido que saem das bocas de seus personagens - as atuações de Anthony Hopkins, Shia Labeouf, Laurence Fishburne e Christian Slater, assim como os mexicanos, são excelentes.

Nota 8,5 e com lugar de destaque na safra 2007.

Chegamos ao fim de nossa viagem. Fique esperto, após subir os degraus desta última estação.

Você encontrará um trem que o levara para a locadora mais próxima em que você encontrará todos esses filmes.

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