Os melhores filmes de 2011, por Rod Castro

3 de jan de 2012


Fazer lista. Hábito que me é recorrente desde que tenho meus 11 ou 12 anos. Na maioria das vezes, estas listas nunca foram divulgadas ou postas a críticas. Até que veio a internet, eu fiz uns três ou quatro blogs – contando com este – e eis que as listas começaram a ser divulgadas com mais frequência.
Fazer uma lista dos melhores filmes que vi requer a seguinte metodologia: anoto todos que vi, dou uma nota, não após assistir ao filme, mas com alguns dias depois de tê-lo feito – afinal, a chance de estar envolvido pelo que vi pode pesar na nota.

Vou dando sequência, não tendo em nenhum momento pena ou muito menos dou ouvidos ao que os outros pensam. A lista é minha. Cada um faz a sua e segue sua vida, minha lista não é melhor que a sua e “meu cinema” não é superior ao seu. Pelo contrário.

Óbvio que muitos vão criticar, outros vão elogiar. Mas o objetivo maior de uma lista é recomendar os filmes e não fazer com que você se sinta um privilegiado ou um zé mané. Bem, em 2011 vi 80 filmes inéditos.

Na lista foram postos somente os que foram lançados em cinema ou locadoras – cada vez mais raras – de Manaus. Assim, ei-la, espero que gostem.


20 – Um sonho de amor, de Luca Guadagnino
Filme italiano, rodado com dinheiro de tudo que é canto. A história: família rica de Milão – envolvida com a indústria de tecidos – vê sua vida – repleta de clichês do modo de ser rico - mudar a partir de uma festa de fim de ano. Simples assim, mas com interpretações naturais – destaque para Tilda Swinton - texto realista e uma direção de fotografia excelente.










19 – Jogo de Poder, de Doug Liman
Tenho 04 filmes do diretor americano Dou Liman em minha coleção: The Swingers, Go – Vamos Nessa, Identidade Bourne e Sr. E Sra. Smith.  Todos filmes divertidos e com foco na ação. Aqui ele surpreende ao contar a história – real – de uma espiã (Naomi Watts) que teve sua vida estampada em todos os jornais possíveis dos EUA, após seu marido (Sean Penn) realizar uma pesquisa e ver que as desculpas do Tio Sam para invadir o Iraque eram furadas.








 

18 – Kung Fu Panda 2, de Jennifer Yuh
Sim: eu misturo os filmes “sérios” com os de animação. Este aqui é daqueles filmes para se ver em tela grande e perceber que há mais, na arte, do que somente diversão sem cérebro, como de costume. Sim há comédia, sim há bobagens, mas sim: há drama, ação, arte em 2D misturada com 3D e um filme de artes marciais que não deve nada a ninguém. Uma das melhores animações do ano e deve tirar a invencibilidade da Pixar no Oscar 2012.









17 – 127 horas, de Danny Boyle
Cada vez mais distante do mundo pop e palatável de “Quero Ser Milionário”, que bom. Este é Danny Boyle, um cara que faz cinema “pop, mas diferente” e cresce a cada projeto realizado. Contar a história, real, de um alpinista que se encontra em uma situação extraordinária – ficar com uma pedra sobre seu braço em uma depressão, por mais de 04 dias – foi um desafio e tanto. A solução: arranjar um ator promissor – James Franco – e apostar na criatividade e no cinema surrealista. 








16 – Melancolia, de Lars Von Trier
Tirando as polêmicas. Suprimindo os eternos maus tratos feitos por ele para com suas protagonistas. O dinamarquês Von Trier acertou e muito a mão neste filme catástrofe. Nada de efeitos especiais gigantescos – apesar de eles estarem lá e realmente pesarem na história. Nada de takes com pessoas gritando, afetadas pelo acontecimento. O filme mostra seu derradeiro momento somente com 03 pessoas em cena.  É triste, mas que filme deste cineasta não o é? Recomendo, muito, o filme em Blu-Ray.








15 – Amizade Colorida, de Will Gluck
05 roteiristas. Um diretor que fez o mediano “A Mentira”. Justin Timberlake como protagonista. Esta fórmula realizada de forma continua em Hollywood tinha tudo para ser somente uma “comédia romântica”, bem boba e que não oferece nada além de “belos” momentos às mulheres que vão ao cinema, certo? Nada disso: roteiro excelente, diálogos que deixariam Howard Hawks e Billy Wilder orgulhosos. A primeira surpresa do ano. 









14 – SUPER 8, de J. J. Abrams
Acho que este é o terceiro filme de J.J. Abrams a figurar entre os melhores do ano. Isso é um ótimo fator. E se na primeira vez que ele aqui surgiu foi por um de ação que se preocupou com o vilão – Missão Impossível  03 – e na segunda foi com a remodelação de uma série – Star Trek – o que falar desta homenagem ao cinema pipoca dos anos 80? Isso: Super 8 é uma homenagem a Spielberg, Lucas, Zemeckis, Donner e tantos outros diretores que divertiram a minha geração no cinema nas tardes de algum fim de semana. Destaque para a beleza e talento de Elle Fanning.





13 – Contra O Tempo, de Duncan Jones
Vai chegar um tempo que ele não será mais chamado por este escriba e por muitos de “o filho do David Bowie”. Isso porque Duncan Jones acerta, cada vez mais, em seus projetos cinematográficos. Primeiro nos levou ao espaço e nos deixou perdidos e até mesmo curiosos em Lunar – agora ele aposta em viajar pelo tempo para desvendar um crime. Simples assim e ao mesmo tempo complexo, como seu primeiro filme. O elenco, mais uma vez, reforça a trama que tem final surpreendente e emocionante.










12 – A Última Estação, de Michael Hoffman
Retratar a vida de um grande autor em seus últimos momentos, por si só, já rende uma boa história. Mas quando você faz isso e encontra um autor internacionalmente conhecido e que se tornou ícone de um movimento, ah, aí as chances de você ter um filme dos bons pela frente se multiplicam. Michael Hoffman se propôs a mostrar os últimos meses de vida do grande Liev Tolstói. Para arrebatar de vez ele escala um elenco invejável: Christopher Plummer (Tolstói), Hellen Mirren (esposa do autor), Paul Giamatti e James Mc Avoy. Segunda surpresa do ano.








11 – Cisne Negro, de Darren Aronofski
Pi, Réquiem por um Sonho, Fonte da Vida, O Lutador e agora Cisne Negro. Todos os filmes de Darren estiveram em minhas listas. Mas este Cisne, assim como Fonte da Vida, podia render mais. Sim, temos uma das melhores atuações de Natalie Portman, a direção de fotografia do filme é muito boa, a trama em si, assim como os efeitos especiais pontuais. Mas faltou algo, talvez a facilidade de se entender a história me faça por este trabalho de Darren entre a metade de baixo da lista deste ano e assim está feito.







10 – O Vencedor, de David O. Russell
Filmes de superação sempre são agradáveis. Isso é fato. A questão de você se ver através do personagem principal e ver que ele tem sim como vencer, é uma vontade de todos que vão ao cinema. Mas aqui, neste O Vencedor, há mais. O personagem de Mark Whalberg  tem que vencer não somente os adversários de boxe, estes até que são fáceis. O maior desafio é a sua família: a mãe manipuladora, as irmãs loucas e o irmão viciado em drogas e ex boxer (trabalho inspirado de Christian Bale). 








09 – X-Men: Primeira Classe, de Matthew Vaughn
Nem Tudo é o que Parece, Stardust, Kick Ass e agora X-Men: Primeira Classe. É, parece que o sobrenome de Matthew parou de ser “ex-produtor de Guy Ritchie” para Vaughn mesmo. E se em seu primeiro filme ele praticamente lançou Daniel Craig para o papel de 007, neste último ele mostra para a maior editora de quadrinhos do mundo que há diretores capacitados longe dos Estúdios de Cinema Marvel. Tudo está em seu devido lugar e o desenvolvimento do filme baseado em histórias reais, fazem deste uma das melhores adaptações de quadrinhos para cinema de todos os tempos. Agora é esperar por mais.






08 – Abutres, de Pablo Trapero
Faz tempo que o cinema argentino acertou a mão. Nada contra o nacional, longe disso, mas a temática realizada por esses cineastas são simples, mas ao mesmo tempo complexas. Aqui temos a história, escrita e dirigida por Pablo, de um esquema de acidentes de trânsito que envolve escritórios de advogados, policiais, paramédicos e pessoas comuns – precisando de dinheiro. Gravado com muitos planos-sequência, o filme ganha o espectador pelo tema e pela tensão que propõe. Filmaço.








07 – O Mágico, de Sylvain Chomet
Já imaginou uma animação inteira com uma ou duas falas entendíveis? Uma animação em 2D, tradicional, francesa e que faz uma homenagem ao “Chaplin Francês”? Com direção de arte excelente e tons pastéis por tudo que é canto? Imaginou? Então, bem vindo ao incrível mundo de Sylvain Chomet. Ele já havia feito uma das melhores animações dos anos 2000, As Bicicletas de Belleville, agora se rende aos feitos de um mágico em fim de carreira numa bela história que se utiliza da imagem e dos maneirismos do mestre Jacques Tati. Com certeza: a melhor animação do ano.






 

06 – A Árvore da Vida, de Terrence Malick 
Já conversei com muitas pessoas sobre Árvore da Vida. Boa parte delas, gente que gosta de cinema, que tem meu respeito e que está acostumada com o cinema de Malick. Em suma, todos afirmam: o filme é belo. Em suma: quase todos não conseguem teorizar sobre o que viram. Eu acho, repito: acho que vi um caminho. O filme fala da recriação de dois mundos após suas abruptas destruições. O mundo de Sean Penn que era baseado em seus pais e o mundo de sua mãe que era baseado nele, Sean quando criança, e seus irmãos. Quando um desses garotos morre, aquele mundo que vimos se desenvolver tem que ser reconstruído. E quando a mãe de Penn morre, ele tem que achar um novo mundo. É assim que eu vejo.





05 – Baarìa (A Porta do Vento), de Giuseppe Tornatore
Vamos ser sinceros: Tornatore só não é um grande diretor de cinema aclamado mundialmente porque é italiano e só faz filmes por lá. Se tivesse se “vendido a Hollywood” seria um cara aclamado a cada trabalho feito. Confira: Cinema Paradiso, Estamos Todos Bem, A Lenda do Pianista do Mar, Malèna e agora Baarìa. O italiano de Palermo produz filmes belos por suas imagens e ainda tem a capacidade de criar personagens memoráveis inseridos em realidades mágicas. Falei para muita gente e continuo a repetir: Baarìa tem a mesma pegada de Cidade de Deus, mas sem a violência do mesmo. Você tem que conhecer este filme.





 

04 – Bravura Indômita, de Joel e Ethan Coen
Sou acusado por muita gente de ser saudosista, como senão gostasse do cinema atual. Esta lista é a prova contrária disso, afinal, são filmes deste último ano. E aqui vai uma prova maior de que a acusação sempre foi falha: Bravura Indômita, dos Coen, é bem superior ao mesmo filme estrelado por John Wayne. A solução de gravar o filme como foi feito na história contada no livro foi inusitada e ao mesmo tempo um acerto. Chamar Jeff Bridges para fazer o papel que uma hora foi encarnado por um ícone do cinema americano outro tiro certeiro, assim como por a estreante Hailee Steinfeld no papel principal. Não refilmar boas histórias antigas? Não fazer mais Faroestes? Sei.




 

03 – O Palhaço, de Selton Mello
Astro-mirim? Confere. Dublador? Confere. Ator promessa? Confere. Um ator que gosta mais de fazer cinema que TV? Confere. Um diretor de mão cheia? Era uma promessa. Um diretor autoral de mão cheia? Sério? Sim, sério, muito sério. Tão sério que às vezes faz você chorar em certos momentos e se espocar de rir em outros. O Palhaço é um filme muito, mas muito acima de média. É um engole tudo o que você falava de mim do Selton Mello para muitas pessoas. E mais: é um caminho que mostra para dezenas de diretores e artistas do audiovisual que não é preciso ser bobo, ou fácil para se atrair público aos cinemas. 


02 – A Pele Que Habito, de Pedro Almodóvar
Toda vez que falo do cinema deste espanhol, faço um trajeto por alguns de seus filmes que assisti. O mais interessante é ver seu amadurecimento. O distanciamento da necessidade de chocar a qualquer custo e o principal: a preocupação com a trama a ser contada tornou-se mais sombria e dramática. Mas aí ele inventa de gravar seu primeiro roteiro adaptado e eu e muitos outros admiradores damos um passo para trás. E como é bom estar errado quanto a um pré-conceito, não? Almodóvar arrebenta, não exagera, põe mão firme em todas as cenas e faz Antonio Banderas lembrar que um dia ele realmente foi um ator.






01 – Meia Noite em Paris, de Woody Allen
Noivo Neurótico, Noiva Nervosa. A Era do Rádio. Poderosa Afrodite. Todos Dizem Eu Te Amo. Poucas e Boas. Dirigindo no Escuro. E o sensacional recém-lançado em DVD, no mercado brasileiro, Descontruindo Harry. 

Esta sequência de filmes de um dos maiores diretores norte americano de todos os tempos, o baixinho Woody Allen, é toda gravada em solo americano. A partir de Match Point a coisa virou. Ele saiu dos EUA e mostrou que seu cinema é global e seu trabalho está cada vez mais próximo dos cineastas que ele tanto admirou, como Alfred Hitchcock, no já citado Match Point e Billy Wildder como vimos em Vicky Cristina Barcelona. 

Mas quando ele foi à Paris e decidiu rodar uma despretensiosa obra que fala sobre escapismo, romantismo e bebe na fonte do humor o resultado foi muito maior do que o esperado. Falar de Meia Noite Em Paris e sua história é depor contra a experiência que o diretor propõe ao espectador. De todos os filmes que vi em 2011, este foi o melhor.



2 comentários:

Mayara disse...

Cisne Negro, Meia noite em Paris, O Palhaço, O Vencedor e XMen First Class entrariam para minha lista sim, o resto eu não assisti ou não gostei. hehe Boa lista! :D

Mariana disse...

Fiz uma lista também. Só pra complicar a vida, né?

Amizade Colorida eu assisti, mas achei que já tinham lançado um filme parecido (que eu não vi, "sexo sem compromisso").

Curti o Palhaço em terceira posição. Nem listei, porque foi um dos ultimos que vi em 2011...

Queria muito ter visto o Mágico, mas não vi.. =/