!!E O Faith No More, Hein?!! By Sra. T. Beresford (a Mari)!!

10 de nov de 2009

Bem, amigos do A Sétima, estou de volta de Sampa - tempo corrido apenas três dias por lá e com muuuito sol na moleira. Meu texto sobre o show do Faith No More e todo o festival Maquinária você confere daqui uns dois dias, segue abaixo o que a Mariana - minha xapa e do Richard - escreveu sobre o show que assistiu no RJ. Divirtam-se!


E o Faith No More contrariou a todos e à eles mesmos (assim como qualquer outra banda depois de muito dizer que nunca fará isso) e resolveu se reunir e sair em turnê. E, depois de muito tentarem se desvencilhar de nosso país tropical, claro que acabaram dando as caras no país que os recebeu muito bem desde a lendária apresentação do Rock in Rio de 1991.

O Faith No More não é uma banda qualquer. Não por ter "inventado o Nu Metal" (ou sei lá que diabos querem dizer com isso), ou por reunir alguns músicos excelentes e um vocalista louco e carismático, ou por cometer um (ousaria dizer dois ou até mais) dos melhores discos da década passada (e do final dos 1980). Eles não são uma banda qualquer pelo fato de ser uma banda MUITO esquisita. Daquelas que quando você ouve pela primeira vez, tem aquela sensação de "mas o que é isso que tá acontecendo?!?!?". Os críticos que tentavam categorizar a banda (sem muito sucesso) lá no início dos anos 1990 que não me deixam mentir.

Levando para o lado pessoal, poderia dizer a vocês o seguinte: tanto o FNM não é uma banda qualquer que até eu, uma pessoa super farofa que só gosta de música pop e não tem apreço algum por bandas "pesadas", sou fã deles - isso, antes mesmo de saber que eles foram um dos poucos corajosos a aceitar tocar com o Sparks (e desde que soube disso a minha admiração só aumentou, óbvio). Ou então, levando para níveis mais absurdos ainda: eu nunca tive uma banda favorita quer caísse tanto no gosto de meus próprios pais, coisa que aconteceu com o FNM - para desgosto do meu irmão mais velho, o maior fã deles na face da Terra (dentre os que eu conheço, ao menos), que de tamanho frenesi por eles acabou contaminando a família inteira. Sim, ele também sofria de ciúme de banda (deve ser algo nos genes, como podem ver). Ou seja, a gama de fãs da banda transcede idade, gêneros e gostos, e vale lembrar que não é qualquer um que consegue tamanha façanha.

O caso da banda californiana ilustra bem o que eu quis dizer no post anterior, quando a história que você tem com certa banda vai além do que você possui ou sabe sobre ela. Ela é parte da sua vida, queira ou não. E eles eram tão bons que nem mesmo percebíamos o quão estranhos eram - ou então achávamos bons por serem tão estranhos, não sei. É daquelas perguntas tostines que não podemos (e nem queremos) tirar conclusões.

Claro que antes de eu por os pés naquela casa de show com nome de banco no Rio de Janeiro, a minha história com o show do Faith No More passou por altos e baixos: começou muito animada, com a confirmação dos shows no Brasil, e quase terminou bem mal, com a minha desistência em ir ao show - devido aos fatores de sempre, falta de dinheiro e poucas opções de transporte para mim - se não fosse pela aparição de uma mão amiga na última hora que me possibilitou de presenciar o evento. Devo dizer que foi uma sensação agridoce. Afinal, de uma família a qual praticamente todos os membros tinham algum nível de admiração pela banda, somente eu estava ali testemunhando algo tão especial.

Nem preciso dizer que passei a primeira metade do show às lágrimas (foi um bloco arrasador mesmo), e só parei em "Easy" por ser uma ótima piada, mas sem necessidade de choro. ;D
Mas logo depois vieram "Epic" e "Midlife Crisis" e aí nem preciso dizer que as lágrimas voltaram. Muitas lembranças ressurgiram: os primórdios da MTV Brasil; as madrugadas que eu passava acordada ouvindo música com meus irmãos; o amigo oculto do colégio na quinta série, quando pedi um vinil do FNM que nunca ganhei; de um amigo nosso que ligou aqui pra casa ao encontrar um dos integrantes após um show - e meu supracitadíssimo irmão mais velho desligou na cara por não acreditar que alguém do Faith No More estava querendo falar com ele no telefone; do meu saudoso irmão do meio, que adorava "roubar" as bandas favoritas do primogênito de forma que chegava a irritar; do meu igualmente saudoso avô, que adorava nos acompanhar até as lojas de discos importados e raridades e sempre com grande entusiasmo em estar conosco ouvindo aquele monte de música estranha. No show, eu via o tecladista Roddy Bottum e me lembrava de quando ele ainda tinha cabelo e de como eu o achava liiiindo (eu e os gays, sempre), olhava para o baixista Billy Gould e pensava que ele foi (junto com Les Claypool, Robert Trujillo, Kim Deal e Tina Weymouth) um dos responsáveis pelo meu interesse acerca deste instrumento durante a minha (pré-?)adolescência. E Mike Patton... ah, eu duvido que tenha existido uma adolescente sequer nos anos 1990 que não tenha se apaixonado por ele por um breve instante que seja, ao mesmo tempo em que havia um certo receio (pra não dizer medo) de sua figura - sem falar que na verdade eu sempre acabava preferindo a "outra banda" de Patton, mas se não fosse pelo Faith No More eu nunca saberia da maravilha que era o Mr. Bungle. Enfim, são apenas algumas das histórias para mostrar que o Faith No More, antes de ser uma banda interessante, criativa, caça-níquel ou qualquer outra coisa para o resto do mundo, era uma banda que eu precisava ver ao vivo.

O show deles foi tão carregado de significados que apenas avaliá-lo com notas ou dizendo que música tocou ou faltou torna-se pouco, irrelevante.

- Isn't that what it's about ?
Sra. T. Beresford

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