!!A Sétima Arte em Sete...ou: DVD a sétima maravilha moderna?!! por Rod Castro

1 de jul de 2008

Alugar um filme hoje em dia, em uma locadora de DVDs, é uma missão quase impossível de ser realizada. São tantos filmes para se ver, tão pouco tempo (e dinheiro?) para se ir ao cinema e tanta porcaria lançada que alguns momentos você não lê a sinopse ou identifica o projeto, mas “mata” as opções pelo “olhomêtro” – reservando o que vai levar pelos títulos, artistas e as vezes, raramente, pelos diretores.

Outro fator determinante na hora da escolha são as promoções. Alugue um e veja dois, alugue três e leve três pipocas e alugue 4 e devolva quando quiser – essa eu inventei agora, mas se existisse eu seria um cliente feliz.

Assim, neste mar de lançamentos em DVD de “filmes imperdíveis” que todos os meses você acaba não vendo, mas confere meses depois no conforto da sua sala de estar ou quarto no friozinho e com direito a pause, sento o verbo em sete filmes que recentemente aluguei.

Os Senhores da Guerra – A fórmula de sucesso: filme de ação com aventura que tem Je Li metido em alguma saga na China antiga, pela primeira vez falha em um filme chato, arrastado, repleto de falas e com uma, somente uma eu disse, cena de luta (e fraquinha) com o mestre do kung fu moderno. Esquecível. Nota 2,0.

Meu Nome Não é Johny – É engraçado como determinados filmes são vendidos na mídia e como certos “críticos” vêem aspectos penetrantes em coisas superficiais. Enquanto assistia ao fraco “Meu nome não é Johny” me lembrava de “Juno” outro “fantástico filme” em que não vi nada demais.

A história de um jovem, classe média alta, que não precisava traficar, vai preso, cumpre pena em um hospício e acaba saindo de lá recuperado não é nova – vide o excelente “Expresso da Meia Noite” (e ser preso pro porte de drogas na Turquia ainda é o terror para dezenas de traficantes mundo a fora).

A diferença, que é imensa, entre o dois está na parte mais fraca do nacional que explora o tempo em que João Estrela – bom trabalho e nada mais que isso, de Selton Melo – vai a Europa levar drogas ao lado da namorada – Cléo Pires que não cheira nem fede – e acaba bancando o “excêntrico drogadão brasileiro”.

O que salva esse filme de tomar uma nota 2,0 são o Selton Mello e toda a parte que é rodada na prisão, com cenas interessantes e engraçadas, mas podia ser melhor. Nota 4,5.

Atos Que Desafiam a Morte – Harry Houldini foi um mágico que desafiou a morte todos os anos de sua curta carreira. A perseguição por algo fantástico através de atos mirabolantes e planos de mágica que realizava em apresentações por todo o mundo – mais especificamente a Europa e a América – foi um marco na mágica em todos os tempos.

Neste bom “Atos Que Desafiam a Morte” acompanhamos os últimos dias do mágico – muito bem vivido pelo australiano Guy Pearce, que não acertava um papel que prestasse desde o inteligente “Amnésia” - que cansado de tantas estripulias lança um desafio final a todos os adivinhos do planeta: “digam quais foram as últimas palavras de minha mãe em seu leito de morte, ditas somente para mim, e eu lhe pago 10 mil dólares”.

É neste momento que cruzamos com uma falsaria (boa interpretação de Catherine-Zetta Jones) e sua filha (Saoirse Ronan) que vivem de pequenos golpes pelas ruas de Edimburgo, na Escócia. As duas farão de tudo para conseguir a quantia oferecida pelo mago, mesmo que para isso a mãe tenha que pagar um preço alto: o amor.

A história é interessante. A direção de arte e a fotografia são magistrais. E a interpretação de dois coadjuvantes – a já citada Siorse e o talentoso Timothy Spall, como empresário de Harry - é vital para que o filme tenha humor, tensão e até mesmo toques de genialidade. Não passou nos cinemas locais e merece sua atenção. Nota 8,0.

PQD – Em um país que exaltou o esculacho nos bandidos que é o “Tropa de Elite” acho estranho que a mesma exaltação não tenha sido feita a este bom documentário que registra em mais de um ano toda a prova de seleção para ser pára-quedista nas forcas armadas do Brasil.

Processo difícil, repleto de desafios mentais e físicos que devem ser cumpridos e quebrados. Destaque para as cenas hilariantes em que os candidatos falam do porque de sua decisão em prestar o exame e algumas constatações de futuro a ser seguido, após a reprovação ou aprovação no mesmo – sempre na presença da família (os comentários de mães, pais, irmãos e vós são sensacionais).

Um bom trabalho que serve de guia para um exame mais aproximado do que os jovens do sexo masculino e sem boas condições pensam e suas dificuldades atuais de seguir uma carreira, já que faculdade é uma coisa bem distante de suas realidades. Atual e como todo excelente documentário, verdadeiro. Nota 8,0.

Jogos do Poder – Você já assistiu a algum filme com Phillip Seymour Hofman que fosse ruim? Eu tentei lembrar de algum aqui, mas não consegui – “Embriagado de Amor” merece no mínimo respeito, principalmente pelas suas atuações e seus diálogos inusitados.

Em “Jogos do Poder” Hoffman rouba a cena a cada entrada. No papel de um agente da CIA de ascendência grega, o robusto e talentosíssimo ator, compõe mais um incrível personagem para figurar entre seu repleto cardápio artístico.

A história do filme é atual: acompanhamos os dias mais importantes da vida do congressista pelo Texas, Charles Wilson (Tom Hanks quase no automático) , tempo em que ele em uma festa regada a cocaína e várias mulheres decide que vai se interessar um pouco mais pela causa de “liberdade” pregada e alardeada por todos os EUA.

A tal liberdade deve chegar a um país distante – mas que hoje todo mundo sabe onde fica: o Afeganistão. E assim, o que seria somente um ímpeto em ter um pouco de destaque, já que Wilson até aquele momento só obteve grande sucesso em sua carreira parlamentar “ao se eleger cinco vezes seguida sem plataforma nenhuma” como diz o personagem de Hofman, acaba por se tornar um filme interessante, repletos de diálogos ácidos e situações surrealistas para aquela época e os dias atuais.

Filmão, com direção simplista do mestre Michael Nichols (de “Angels In América” e “Closer”) muito recomendado para se entender como as coisas realmente aconteciam no poder americano durante a famigerada “Guerra Fria” lançada e defendida com ímpeto pelo fanfarrão do Reagan. Nota 8,5.

A Família Savage – Já disse agorinha acima que P.S.Hoffman é o cara? Pois a atriz Laura Liney é a “cara” quando o assunto é escolher bons projetos e criar personagens críveis em uma atuação sem exageros e sempre memoráveis.

Laura não é aplaudida e nem ganha o destaque que mereceria porque não participa de escândalos, tira fotos ousadas ou dá declarações que merecem capas de revistas de estrelas - ainda bem. Mas merecia um Oscar faz tempo.

Nesse drama lindo e por vezes chocante de tão intenso, podemos assistir dois dos melhores atores americanos em cena e em uma história que pode acontecer com qualquer pessoa: dois filhos que nunca foram lá grandes irmãos juntam forcas para cuidar de seu pai que está apresentando sinais latentes de demência.

São tantas cenas boas. São tantos diálogos bem escritos. Tem tantos personagens interessantes, que fica difícil dizer o que você deve prestar mais atenção em “A Família Savage”.

Mas filme bom é assim mesmo: deve ser sentido, vivido e analisado. Mais um lindo e sensível trabalho realizado pela diretora/redatora Noah Baumbach (mesma do inesquecível “A Lula e a Baleia”, também com Liney – novamente perfeita). Para ficar na estante ao lado de “Vênus”, no setor “como envelhecer e pensar na morte de outra forma”. Nota 8,5!

Vermelho como o Céu – Existem duas máximas que me tiram do sério, são elas: “o cinema americano é o melhor do mundo”, “desde o fim da década de 90 não se têm bons filmes” e “(não entendi por isso desdenho afirmando que é ) cinema de ‘arte’”. Três mentiras que infelizmente se tornaram um mantra tanto nas pontas dos dedos dos críticos, quanto nas pontas das línguas de pessoas que entendem ou gostam de verdade de cinema.

O que falar de filmes como “Cachê” e “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” (ambos da França)? Ou “Diários de Motocicletas” e “Cidade de Deus” (ambos dirigidos por brasileiros e rodados na América do Sul)? E preciosidades americanas do quilate de “O Grande Truque” e “Filhos da Esperança”.

Não são bons filmes? Realmente não, são obras-primas. Que desmentem as três frases difamatórias já citadas que, por sua repetição, afastam as pessoas que buscam algo a mais do cinema de qualidade das filas das salas de exibição.

“Vermelho como o Céu” é mais um filme a desmentir os “mantras”. Primeiro porque, até o momento, é o filme mais lindo que assisti em 2008. Segundo porque é cinema com “C” maiúsculo de clássico. E terceiro por ser italiano e retratar uma história biográfica de um editor de som italiano que perdeu a visão ainda criança.

A história do filme é encantadora e nela podemos ver – graças a Deus eu e você podemos enxergar – como um garoto, Mirco, sente e expressa a vida através de um sentido pouco usado por todos nós: a audição. As fitas produzidas por ele e seu amigos, a visita ao cinema no meio da noite e a peça apresentada no último ato do filme são de emocionar qualquer coração de pedra, como às vezes aparenta ser o meu – mas as aparências enganam.

E mais tocante ainda é saber que aquele garotinho se tornará um dos maiores editores de som do cinema italiano. Filme para ficar na sessão de “para ser revisto sempre quando possível”. Nota 9,5.

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