!!Top 5 dos filmes de aventura da década de oitenta!! Por Rod Castro!

25 de mar de 2008

Você já fez alguma lista a sua vida? Não? Que pena, não sabe o prazer que está perdendo. Longe da baboseira de gente que não tem memória boa ou de pessoas que as retratam como apenas “falta do que fazer”, uma boa lista rende um divertimento para quem a faz quanto para quem a acompanha.

Nela estão inclusas algumas doses de gostos pessoais, essências de polêmicas e até mesmo pitadas do bom e velho cinismo – o que caracteriza uma excelente lista, pois cutucar as apreciações dos outros sempre faz bem. Mas o objetivo principal de se listar algo é fazer você viajar a tempos distantes, prever o que ainda nem começou a ser feito, relembrar bons momentos – os ruins também – além de transformar o ato em uma pequena e divertida ação.

E para começar essa seqüência de Top 5 faço uma pequena e direta lista de filmes de aventura que rodaram pelos cinemas da Manaus na década de oitenta. Antes de dar início aos trabalhos vamos aos itens que valem para a concorrência direta: não vale filmes de ficção – aqui incluem aqueles futuristas ou que utilizaram efeitos especiais gigantescos (desclassificados: “Guerra nas Estrelas: O Império Contra-Ataca” e “De Volta Para o Futuro”) – muito menos os policiais que podem ser encarados como ‘filmes de ação’ (desclassificados: “Rambo”, “Máquina Mortífera” e “Duro de Matar”).

O que vale: filmes em que os protagonistas se metem em situações incríveis de aventura – meio que por acaso – e que a ação viva o contexto e não seja o principal, pois aí seria um filme de ação. Segundo critério: valem filmes que usam de efeitos especiais baseados em trucagens, como fundos falsos, dublês e fios de sustentação, mas que em nenhum momento usem fundos verdes e azuis. Vamos lá? Simbá.

5 - “Feitiço de Áquila” (1985)

Porque está aqui? Uma das primeiras aventuras fantásticas a serem rodadas nos anos 80. O ritmo entrecortado, o contexto de lenda dado ao enredo – dois amantes são “amaldiçoados eternamente” por um arcebispo e tem seus corpos transformados em lobo (o dele pela noite) e em Águia/Falcão (o dela pela noite) – as batalhas de capa e espada com trilha alta e um inesquecível personagem cômico e original chamado “Rato”– feito pelo ainda novato Matthew Broderick.

Momentos Inesquecíveis: Todas as batalhas promovidas pelo cavaleiro errante feito pelo bom Rutger Hauer – principalmente a que ocorre na taverna improvisada – a fuga de “Rato” da prisão – com falas ditas pelo personagem direto para a câmera e toda a seqüência do eclipse que encerra o filme.

Mas que curioso... Assisti a essa aventura com jeitão moderno no antigo Cinema Chaplin em uma sessão tarde – algo que só se repetiria novamente com “Duna” de David Lynch; “Feitiço de Áquila” é o sétimo filme da linda Michelle Pfeiffer e é o quarto em que ela ganhava papel principal; o filme é dirigido pelo mestre da ação com “som no toco” Richard Donner que seria o diretor da cine série “Máquina Mortífera”; “Feitiço de Áquila” é o terceiro filme de Matthew Broderick, o seu segundo como papel principal, três filmes depois ele faria o seu principal filme: “Curtindo a vida Adoidado”; o filme concorreu a dois Oscars de efeitos sonoros em 86;

4 - “Indiana Jones e a última Cruzada” (1989)

Porque está aqui? Simples: é uma divertida continuação das aventuras de Indi, no exato momento em que Hitler surge para o mundo, agora acompanhado do seu velho e distante pai – interpretado na medida certa por Sir Sean Conery. Eles se mentem nas mais diversas enrascadas para conseguirem o que o bigodinho do demônio também deseja: o Santo Grau.

Momentos inesquecíveis: Fácil por ter três, aquele em que os dois Jones se encontram próximos de uma lareira e você descobre que ambos tiveram um caso com a mesma mulher, aquele em que Indiana fica frete a frente com o monstro chamado Hitler – e ainda ganha um autógrafo do mesmo – e todo o magistral final do filme em que se entende o que motivou os cavaleiros que participavam das cruzadas.

Mas que curioso... Assisti a esse filme no antigo Cinema Novo - um dos poucos cinemas de Manaus que tinha dois andares - que tempos depois foi transformado em igreja e que hoje é um dos vários prédios de uma rede de faculdades; o início do filme contava a origem das aventuras de Jones e tinha o excelente River Phoenix – hoje mais conhecido como o irmão mais velho de Joaquin – no papel do jovem aventureiro; infelizmente, tempo depois do filme River morreu de overdose em frente a uma danceteria de um famoso nos braços do ainda desconhecido irmão já citado; a diferença de idade entre Harrison Ford e Sean Conery, filho e pai no filme, é de apenas 11 anos; o filme em 1990 concorreu a um Globo de Ouro de ator coadjuvante (Sean Conery) e três Oscars, tendo vencido na categoria de Efeitos Sonoros;

3 - “E.T. O Extraterrestre” (1982)

Porque está aqui: Já sei que uma hora dessas, você está falando que eu tô cuspindo no prato que comi, pois “E.T.” é cheio de efeitos e telas azuis e sorrindo digo para você que não. O boneco do filme é animatronic – com técnicos com instrumentos que o movimentam – a nave foi totalmente construída e o melhor: a clássica cena das bicicletas foi feita com fios pendurando os atores. Basta para justificar a posição ou ainda preciso afirmar que este é melhor filme de ETs de todos os tempos?

Momentos Inesquecíveis: São tantos, mas vamos lá. O bordão “ET, telefone, casa”, a primeira cena de ET no quintal de Elliot, a cura feita pelo dedão vermelho – com direito a “Ai” – o ET morto de bêbado dentro do armário com direito a peruca, a cena da perseguição de bicicletas e um dos mais tristes fins de um filme na história do cinema. Sniff, sniff.

Mas que curioso... Assisti a este emocionante filme no Cinema Novo, no colo de uma moça para não sentar no chão de tão lotado – na mesma sessão ganhei de presente aquele ET que ascendia o dedão da Máquina Love, lembra?; “E.T. O Extraterrestre” foi produzido e dirigido por Steven Spielberg – então com apenas 36 anos de idade; o ator que fez Elliot se chama Henry Thomas e nunca obteve papeis de destaque até o recente “Gangues de Nova Iorque” em que faz o amigo traidor de Leonardo DiCaprio; este é o segundo trabalho em filmes de Drew Barrymore, filha e neta de atores famosos em Hollywood; o filme recebeu nove indicações ao Oscar de 83, tendo vencido em 4 categorias: Som, Efeitos Sonoros, Trilha Sonora e Efeitos Especiais; também foi indicado a 12 Baftas tendo vencido o de melhor trilha sonora em 1983; e concorreu a 5 Globos de Ouro tendo vencido os prêmios de Trilha e Filme; 20 anos depois o filme teve alguns elementos apagados digitalmente a pedido de Spielberg para chegar aos cinemas de forma “mais amena”;

2 - “Os Goonies” (1985)

Porque está aqui? Motivos não faltam, mas o fundamental mesmo é que este é o primeiro filme verdadeiramente pensado para grupos de criança que tem imaginação fértil. Sua influência nos grupos infanto-juvenis da época ainda pode ser sentida hoje, nos velhinhos com mais de trinta – com seu escriba – que lembram de frases clássicas como “Andy, você é uma Goonie!!” e “Slott quer chocolate”.

Momentos Inesquecíveis: Aos montes: a perseguição aos irmãos Fratteli – que ao mesmo tempo apresenta todos os personagens que formam Os Goonies; todas as cenas do gordo; as traduções de inglês para espanhol de Bocão; o irmão mais velho Brand andando de bicicleta de menina e com rodinhas; a excepcional trilha sonora; o “bar” e a água dos Fratelli; todas as armadilhas feitas por Willy o “Caolho”; Slott e seu companheiro, o gordo oras!; a “luta” no barco pirata de Willy; e o bom e engraçado final do filme;

Mas que curioso... Assisti a esse filme mais de duas vezes na sua estréia, cada uma em um estado diferente: Rio de Janeiro, São Paulo e Amazonas; “Os Goonies” sempre foram vendidos como ‘de Steven Spielberg’, mas o filme foi dirigido pelo já citado Richard Donner; Spielberg produziu e escreveu o roteiro ao lado de Chris Columbus; os únicos dois irmãos da turma – interpretados por Josh Brolin e Sean Astin – só tiveram reconhecimento após anos de trabalhos com filmes: “O Senhor dos Anéis” (Sean faz o Sam) e “Onde os Fracos Não Têm Vez” (Josh faz o papel principal); a mesma falta de sorte não ocorreu para o ator Joe Pantoliano – que interpretava o Fratelli mais novo – que emendou papéis importantes em filmes como “Ligadas Pelo Desejo”, “Matrix”, “Amnésia” e “Demolidor”;

1 - “Indiana Jones e o Templo da Perdição” (1984)

Porque está aqui? A teoria de que a segunda parte de um bom filme é mais sombria, mais aterradora e mais fantástica, fui cunhada por “O Poderoso Chefão II” (de Francis Ford Coppola), confirmada por “Guerra nas Estrelas: O Império Contra-Ataca” (de George Lucas), mas ganhou força com essa sinistra continuação de Indiana. Aqui a aventura divertida de “Os Caçadores da Arca Perdida” dá vez para uma aventura mais sombria e repleta de emoção, como se nunca tinha visto no dito “Filme para a Família”. Clássico!

Momentos Inesquecíveis: Todos: o explosivo início no bar em que Indi é envenenado e cruza o caminho da louca cantora “Willie”; a queda de avião na montanha gelada; a chegada à vila das crianças desaparecidas; o maravilhoso jantar com pratos deliciosos; o revólver que falha; a escapada por entre insetos pelas passagens secretas do castelo; a perseguição de carrinhos; o impressionante ritual de “Kalibaaaaahhh”, com direito a coração batendo; o vodu feito pelo príncipe/rei – que tem seu troco; a clássica cena da ponte que se resume a um “Meu Deus, ele é louco!”;

Mas que curioso... Assim como o primeiro filme de Indi “Os Caçadores da Arca Perdida” não assisti a este filme nos cinemas, somente no vídeo cassete; Spielberg dirigiu todos os filmes de Indiana, tendo como produtor e redator o amigo George Lucas; o ator vietnamita Jonathan Ke Quan que faz o parceiro mirim de Indiana nesse filme é o mesmo que fez o “Data” de “Os Goonies”; a atriz que faz a cantora/caso de Indi, “Willie” é a ótima Kate Capshaw, que conheceu Spielberg durante as gravações e se tornou sua esposa logo após o filme estrear nos cinemas; “O Templo da Perdição” foi indicado a 2 Oscar e 4 Baftas, tendo vencido nas duas premiações na categoria de efeito especial;

Assim encerro o primeiro dos vários e futuros Top 5 que por aqui serão postados. Você concordou, não? Meta bronca. Abraços e até o próximo Top 5!