!!Muito bafafa resulta em duas decepções... ou: “Eu Sou a Lenda” e “Cloverfield”!! por Rod Castro

18 de fev de 2008


Opiniões, a vida é feita delas. O que ocorre hoje em dia é que há uma luta, seja pelas grandes mídias ou pelas pessoas que as formam de alguma maneira, para que todas as opiniões convirjam para uma só, sagrada, sem direito a questionamentos e totalmente “verdadeira”.

Agora, opinião é diferente de gosto. Você gostar de um segmento, de um estilo, de um formato ou forma, é distante de opinar sobre algo. A coisa piora quando esse objeto de estudo se chama arte, seja ela qual for: desde um quadro aos quadrinhos; desde clássicos a pipocas; desde clássicas a popular.

E se torna um péssimo comentário quando você usa da emoção para discursar sobre algo, quando é cinema então... a paixão aflora. Vejamos “Eu Sou A Lenda”. Um filme que tinha tudo para ser um filmão a ponto de se tornar referência para futuros filmes de ficção.

A história do único homem do planeta Terra que sobrevive a um vírus mortal já foi contada duas vezes antes no cinema. Essa terceira leitura foi muito bem realizada – a produção é primorosa e rende excelentes momentos visuais - possui um ator principal que comove – Will Smith – e, próximo a sua uma hora de duração, faz até você pensar.

Mas assim que os “zumbis/vampiros” surgem na tela. A coisa degringola, o caldo entorna e o resultado final deixa um gosto amargo e a sensação de que podia ser muito, mas muito, melhor. Talvez a opção por Francis Lawrence (o mesmo de “Constantine” – um filme nota 8,0) não tenha sido das melhores.

Mas esse mesmo filme nas mãos dos irmãos Wachowski (de “Matrix” e do novo “Speed Racer”) ou de M. Night Shyamalan (de “Corpo Fechado” e “Sinais”) "Eu Sou a Lenda" poderia se tornar um clássico. Tudo porque esses nomes citados teriam coragem para barrar um final tão sem graça e optariam por pessoas reais para fazer os vilões em vez de uma CGI vergonhoso.

O Caso de “Cloverfield – O Monstro” não é tão diferente. A história de um monstro – colocar no título do filme de que a história mostrada fala de um monstro é de uma imbecilidade tremenda – que invade uma grande metrópole e sai matando todos e destruindo tudo, não é novidade.

A novidade/diferença é o formato como essa história é contada. Estamos em um mundo moderno em que celulares gravam, tiram fotos e boa parte das pessoas consegue ter uma câmera – ainda mais em um país consumista como os EUA. E o “charme” do filme reside nessa forma de contar: ele é todo rodado por um amador que se utiliza de um equipamento de acesso real – câmera de mão. E só.

Os ângulos inusitados. A utilização de recursos do equipamento – o infravermelho em certa seqüência de ação. E a captação – terrível – de áudio do aparelho, rende alguns bons momentos, mas é válido como cinema? Mais ou menos. É uma nova forma de contar, algo que já foi explorado ao extremo: tem seus momentos, prega alguns sustos, não é bem estruturado, tem falhas enormes de roteiro. Mas "Cloverfield" tem que ser assistido – é a tal premissa de que se você não assistir estará por fora.

Mas sinceramente? Prefiro um bilhão de vezes a “Bruxa de Blair”, que explora o mesmo formato de “Cloverfield” - amadores registrando algo fantástico - e consegue prender muito mais sua atenção – ainda mais por seu final ser mais solto que o de “Cloverfield” (ou você vai me dizer que não entendeu que eles jogaram uma bomba nuclear no Central Park? E se o foi: como o magnetismo da câmera não foi afetado? E sim, infelizmente o filme deixa que questionamentos como esses sejam feitos por seus produtores explorarem a premissa de real ao extremo.).

“Eu Sou a Lenda”:

Nota 6,0 (pela boa 1 hora de filme, pelo Smith e o Pastor Alemão).

“Cloverfield – O Mostro”:

Nota 6,0 (por algumas cenas e pela coragem dos produtores. Se quiser ver um filme bom de monstro, assista ao excelente “O Hospedeiro”.).

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