!!Em 2009 o Metallica pôs o hard rock em Xeque. Este ano é o Deftones, ou: Diamond Eyes!! Por Rod Castro!

22 de mar de 2010

Há duas formas de ouvir o novo disco do Deftones: com ouvidos de fã - aqui me faço presente – e com ouvidos de um admirador de bons discos de rock – aqui professor!

O problema de “Diamond Eyes”, o sexto disco da banda, é que esta linha é tão tênue, mas tão tênue que você tem que ouvir as músicas mais de três vezes para poder tecer qualquer comentário sem que o mesmo não seja totalmente sentimental.

Como fã, lembro-me da trajetória do Deftones:
A primeira vez que meus ouvidos foram tomados pelo som da banda foram nos idos anos de 1997. Vendo o finado e saudoso programa “Gordo Pop Show”, em que vi o clipe de “My Own Summer (Shove It)”. Como não tinha computador e a banda não tinha nenhum dos seus discos lançados em território nacional, acabei vendo e revendo dezenas de vezes o curto tempo do clipe no ar.

Conversando com um chapa, Ricardo Vianna, consegui que ele me encomendasse o primeiro e o segundo disco da banda: “Adrenaline” e “Around The Fur” – tempos bons em que o dólar estava um por um. Ouvi os dois discos de tal forma que sabia as sequências de trás para frente e assim por diante.

Mas o Deftones era uma banda entre várias surgidas naqueles anos: Korn, Limp Bizkit e Coal Chamber, entre outros. Havia uma diferença, é verdade, mas parecia que a banda estava amarrado a trupe do “Nu Metal”. A distância do movimento se iniciaria no terceiro CD, o subestimado “White Poney”.

A virada da década trouxe maturidade à banda. Os compassos carregados no baixo deram espaço para uma bateria por vezes agressiva, noutras lenta; o vocal saiu de berros – mas não os abandonou - para uma leveza que o diferenciava dos demais e a banda ganhou mais balanço em suas composições – sem abandonar o peso, como na faixa “Elite” (que deu o Gramy para a banda).

Em 2003, depois de quase um ano em estúdio, o Deftones entregava o seu primeiro disco mais completo: “Deftones”. Um disco pesado – “Hexagram”, “When Girls Telephone Boys”, “Good Morning Beautiful” e a sensacional “Blody Cape” – que tinha suas pitadas de experimentalismo – “Anniversary Of A Uninteresting Event” - e doses de calmaria – “Minerva”, “Deathblow” e “Batle Axe”.

“Saturday Night Wrist” foi o momento de total afirmação por parte da banda, mesmo que hoje se saiba que o produtor entrou em conflito com os membros e boa parte das canções não foram trabalhadas da melhor maneira.

Mesmo assim, “Saturday...” não desanda como a maioria dos discos conflituosos de outras bandas. Canções como “Hole In The Earth”, “Rapture”, “Beware”, “Rats! Rats! Rats!”, “Combat”, “The Earth” e “Xerxes”, a mais linda canção já feita pelo Deftones até então, são dignas da nova proposta.

Aqui termina o momento trajetória. Agora começa o texto do admirador de bons trabalhos. E assim, afirmo que há praticamente três discos a banda busca um novo caminho e merece mais atenção da mídia especializada do que verdadeiramente recebe o que é uma pena. Talvez com este moderno, diferente e ainda assim pesado novo trabalho façam as coisas mudarem.

“Diamond Eyes” é o “Songs Of Faith and Devotion” do Deftones. Explico: “Songs of Faith and Devotion” foi o disco mais audacioso e porque não perfeito, já lançado por uma das bandas mais adoradas pelos amigos de Chino: o Depeche Mode.

E assim como os modernos ingleses fizeram em 1993, ao trazerem o rock – tanto em visual quanto em som – para a sua estrada, o Deftones mistura todas as suas influencias e põe todo seu potencial artístico em 11 excelentes canções.

“Diamond Eyes” pode ser dividido em três momentos-chave: musicas diferentes, canções lentas e pauladas com a assinatura da banda. Abre com a canção título. Lenta, pesada, compassada, letra bonita e refrão que cola nos ouvidos. Em seguida temos uma das melhores canções já feita pelo Deftones: “Royal” - praticamente um resumo artístico: som limpo, pesado, vocal perfeito – com direito a um dos berros mais viscerais de Chino.

“CMND/CTRL” não fica atrás da paulada anterior, mas traz um elemento pouco trabalhado pela banda em toda a sua carreira: Chino faz rimas como a de um rap raivoso – “Once Again, Just Because I Can” - ao som de uma banda de hard rock que sabe o que está fazendo.
“You´ve Seen The Butcher” não fica atrás: parece algo ensaiado por uma banda da década de setenta, mas realizado por uma banda atual, com efeitos modernos e um vocal quase feminino de tão suave.

Mas se há um caminho que pode trazer orgulho aos fãs de Deftones é a canção mais bem realizada em sua curta carreira: “Beauty School”. Simples, dona de um riff grudento, uma bateria compassada e um baixo marcante. A voz de Chino nunca esteve tão bem posta em uma canção.
“Beauty School” é daquelas canções que ao seu fim, deixa um gosto de repeat at eternum - para que você descubra todos os seus desdobramentos sonoros e porque não até mesmo sentimentais.

A climática “Prince”, as bonitas “Sextape” e “976 Evil”, a pesada sem estourar os tímpanos “Risk” e a mais experimental e que fecha o disco - que estaria em qualquer CD do Duran Duran no início de carreira (quando os ingleses eram menos pop e mais rock) – “This Place Is Death”, dão um gosto especial a este sexto trabalho do quinteto.



Para encerrar, se você quer um gostinho para decidir se compra, desce ou tenta de qualquer maneira ouvir “Diamonds Eyes”, confira o clipe da canção que faz parte do CD e que abriu o show deles no último Maquinária: a paulada “Rocket Skates”. O melhor disco da banda 9,5! (com direito a “Guns, Razors, Knives”!).

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