!!Um tapa sem luvas... ou: Rated R, o novo disco da sempre bem produzida Rihanna!! Por Rod Castro

18 de jan de 2010

Michael Jackson assim que saiu dos Jackson 5 sabia: era o astro principal de sua banda e este era o seu momento de brilhar, mas somente ele, sem banda. Mas neste exato momento ele deve ter se perguntado: cadê o apoio que sempre fez a minha estrela brilhar?

O medo deve ter sido contornado com a entrada de Quincy Jones na vida de Michael. Quincy passou pela vida de Ray Charles, como amigo e colaborador, pela vida de Stevie Wonder, como instrumentista e produtor. Ele fez mais por Michael do que os próprios 5 haviam feito.

Sem comparações diretas, o que ocorre com a cantora Rihanna é algo parecido com o que ocorreu com o rei do pop: a moça pegou bons produtores pelo seu caminho e ano após ano, seja lançando discos próprios ou participando de colaborações com outras estrelas solo e bandas (como no Hit “If I Never See Your Face” com o Maroon 5), ela consegue criar boas canções pops.

Assim como em “Good Girl Gone Bad”, “Rated R” (o novo disco da moça) é mais um CD repleto de hits instantâneos com a pegada pop rock atual. Mas há algo de diferente neste novo trabalho: ela se arriscou mais, teve uma produção mais detalhada e, de música para música, é sensível a carga criativa nos detalhes das composições – seja nos trabalhos vocais ou nos pequenos toques na produção dos sons – como no pianinho que toca ao fundo na terceira canção, “Hard”.

E isso fica claro desde a primeira faixa: uma voz masculina, como aquelas que fazem anúncios em trailers de cinema, repete “Welcome To The Mad House” – como Vincent Price o fez com sua voz cavernosa em “Thriller”- e alguns sons feitos em voz pela cantora, acabam por criar um som ambiente intrigante, como as faixas de apresentação de um bom disco costumam fazer – quem hoje em dia tem confiança para tal façanha?

“Stupid In Love” é um recado da cantora para outras mulheres que já levaram uns tapas de covardes e ganha um arranjo simples, mas reflexivo: piano e estalos de dedos. “Russian Roulette” trata praticamente do mesmo tema da música anterior, a diferença está nas batidas mais pop e no arranjo ao bom estilo Massive Attack.

Mas o que a moça que compôs o hit “Umbrella” sabe fazer é canção pop, grudenta. Em “Rated R” ela repete sua sina e entrega o pop, misturado com rap e rock – mas talvez não seja essa a Rihanna que o mundo aprendeu a gostar e isso traga uma carga de preconceito ao novo estilo da artista: “Rockstar” – tocada com Slash nas guitarras e uma letra perfeitamente sacana; “Fire Bomb” – de novo a base de guitarra está presente, mas esta é uma canção mais pop, com jeitão de parada de sucesso, é só esperar o tempo certo para ouvi-la seguidas vezes nas rádios do mundo; “Rude Boy” – parece música de R&B da década de 80, muitos setentizadores, vocal repetindo palavras “Boy,boy,boy”, um dos maiores grudes do disco; “Photographs” – com Wll Iam do Black Eyed Peas é outra canção pop, mas com a pegada das canções feitas em dupla na década de 70; “G4L” – outra canção para se destacar: arranjo moderno, letra sacana, brecadas de ritmo diferenciada e potencial para ser trabalhada em um bom videoclipe.

Este disco é melhor que o anterior? Acredito que sim. Rihanna amadureceu. O seu estilo de pensar música está mudando e a produção por detrás da artista é cada dia melhor. A possibilidade de ir além é muito grande e ela vai. Desde que deixe os problemas pessoais em segundo plano e invista mais ainda em sua carreira.

Este parece ser o primeiro de vários discos novos da cantora que tem carinha de santinha, coxas robustas e produtores mais do que competentes. Nota 8,5.

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