!!Julian Plenti é o Paul Banks do Interpol... ou: Julian Casablancas tem que aprender esta lição!! Por Rod Castro!

19 de jan de 2010

Dois vocalistas das bandas mais interessantes do rock indie desses anos 2000, The Strokes e Interpol, decidiram dar um tempo de suas bandas – as duas no princípio de gravações de seus novos álbuns para este ano de 2010 – e resolveram tocar projetos solos. Julian não arriscou tanto, fez um disco não tão bom quanto pode fazer, principalmente em grupo com os seus parceiros habituais, o caso de Paul Banks, do Interpol, é diferente.

Já era de se esperar. Banks é notavelmente contido, não se sabe se é tipo, e um grande observador. Suas letras são mais interessantes, apesar de ácidas e as vezes mórbidas, que as de Casablancas, e o seu som não está lincado ao que sua banda se propôs a fazer, mas sim ao estilo de rock que ele aprendeu a gostar, como o que era produzido por Ian Curtis e o seu Joy Division.

Em março do ano passado, algumas notícias em sites especializados afirmavam que Paul havia entrado em estúdio para produzir algo seu, somente isso, sem nomes de colaboradores ou por que selo o CD sairia. E a surpresa – como ele tão bem berra na faixa de abertura do disco “Julian Plenti Is... Skyscraper”, na faixa “Only If You Run” – foi um trabalho melhor como qualquer disco de sua banda.

O som parece com o que ele faz. Mas este parece tem tantas possibilidades que seria um crime buscar algo na sonoridade deste trabalho nos já realizados com os seus companheiros de Interpol. Sim, o som às vezes sinistro, a guitarra emparedada e a bateria concisa – o baterista é o mesmo do Interpol – mas há uma alegria em certas canções, seja por um pianinho aqui – na música já citada – seja em uma harmonia em guitarra menos acelerada ali ou até mesmo pelo estilo mais dançante da faixa em si, que os referenciais já instituídos por Banks, acabam por passar reto e algo novo surge em seus ouvidos.

“JP Is... Skyscraper” parece ter saído de uma trilha sonora de algum filme de David Lynch. Pondo sempre seu ouvinte em questão, criando camadas que podem parecer algo, mas que rapidamente é contradito ao que se pensava ser, ou deveria ser. É corajoso, pretensioso, diferente, parecido, repetitivo, novo e alucinantemente bom. É de se perguntar: será que Banks precisa do Interpol? O que os outros integrantes do Interpol pensaram sobre o trabalho?

Bem, o caminho está pavimentado. Paul deve estar mais que feliz. E com músicas como as já citadas, mais a moderna “Unwind”; as climáticas “Skyscraper”, “Madrid Song”; o rock dançante de “Games For Day”; a sacana “Fly As You Might”; as belas “No Chance Survival”, “Girl On The Sporting News”, “On The Splanade” e a derradeira “H”.

Se Julian pensou em soar pop e assim arrastar seus fãs de Strokes, errou. Se Paul tentou não soar como sua banda, mas não deixar de lado certas características artísticas, como ele mesmo fala na faixa de abertura: Surpresa! Ele acertou quase em cheio, mas ainda precisa sim do Interpol para fazer um disco, como só ele e seus companheiros de banda conseguem – respondendo assim a pergunta de que ele pode seguir um caminho só ou acompanhado.

Nota 8,5. E a partir de hoje, Julian Plenti é Paul Banks sem Interpol. Veremos...

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