!!Eu dançava que nem o Michael, ou: é agora que começa a lenda?!! por Rod Castro

26 de jun de 2009

Eu sei que você uma hora dessas deve estar dando muitas risadas imaginando como deveria ser eu - branquelo de cabelos castanhos, com somente 5 anos de idade e cheio de sardas – dançando que nem o mestre Michael Jackson, ao som do seu disco perfeito “Thriller”. Com direito a moonwalker no dia 22 de fevereiro de 1983, um dos dias mais felizes da minha infância, quando ganhei o tão esperado disco em que ele estava com um terno branco, calças da mesma cor e blusa preta.

Mas não era somente eu que dançava que nem ele, praticamente todas as pessoas, principalmente as crianças que estavam na festa não queriam saber de Balão Mágico, Trem da Alegria ou da maldita Xuxa, nops! Todos dançavam, lembravam de seus passos e sinceramente tentavam, quase impossível sem muito treino, parecer com a maior estrela da música mundial daquele ano – nada de rei do pop, isso foi com o passar do tempo, em 1983 ele era mais poderoso que todos.

Sua parceria com Quincy Jones fazia todas as pessoas, de todas as idades e de todas as cores – sem essa babaquice dele querer ficar branco, isso só ele poderia esclarecer, sem trocadilhos – se balançarem mundo a for a. Desde os mulçumanos, passando pelas pessoas da minha rua, chegando até o número 1 de todas as paradas desse planeta e até de outras galáxias.

Se havia alguém que conseguia parar o mundo na década de oitenta, não somente no ano de Thriller, ele era o cara, o mundo soube, quase que instantâneamente quando: ele queimou uma das mãos fazendo um comercial da Pepsi, quando ele inventou o passo para trás, adotou uma jaqueta vermelha, começou a era dos filmes no formato vídeoclipe e infelizmente também viu sua derrocada ladeira abaixo.

Seu poder perante as pessoas era tamanho, que somente essas poucas ações listadas acima, acabaram lançando moda em todas as esquinas e festas ao redor do planeta: a luva que ele usou para esconder as queimaduras na mão virou adereço de dançarinos no mesmo ano; moonwalker causou um estardalhaço quando foi encenado a frente de centenas de convidados de uma festa da MTV – procura no youtube e se arrepie; sua jaqueta vermelha, tanto do vídeo Thriller quanto do vídeo Beat It era obrigatória mesmo em cidades quentes como a que eu vivo – Manaus; e seus vídeoclipes eram praticamente curtas metragens com trilha pop – trabalhou com gente do peso de David Fincher, Martin Scorsese, entre vários outros.

Outro legado lançado por Jackson: a primeira grande ação realizado por um pop star/rock star teve sua participação efetiva. Junto com Quincy Jones e senão me falha a memoria agora Steve Wonder, escreveu o hino We Are The World e reverteu a venda do EP toda para as vítimas da fome na África. E foi além, em Beat It, de Thriller, pediu para que Quincy escolhesse o melhor guitarrista do rock naquele momoento para fazer um solo rápido na canção, resultado: Eddie Van Halen arrebentou na gravação e fez um solo de praticamente 1 minuto.

Mesmo sendo a estrela maior, Michael não se abateu e pediu para que o solo entrasse por completo no meio da música, será que as estrelas de hoje em dia deixariam outro astro brilhar de forma tão intensa no seu melhor disco? Ele deixou e hoje no dia em que o mundo entende que ele morreu Eddie lamenta sua perda.

É Michael Jackson está morto e isso me lembra que hoje quando Justin Timberlake se requebra e faz barulhos com a boca - tcha, shaa e demais – quando os caras do Maroon 5 suingam sua música e seu vocalista afina a voz e quando Beyoncés e Rihannas se requebram e até mesmo usam trechos de suas músicas em suas “novas” composições ele, a partir de hoje estará vivo.

Por ultimo algo engraçado: quando meu filho tinha uns 5 meses e acordava lá pelas 5 da manhã – talvez para pegar um ônibus para o distrito, hehe – uma vez coloquei na MTV e entrou o bom e velho MJ cantando o clássico Rock With You, naquele clipe que ele veste uma roupa cheio de brilho e um raio laser por detrás dele joga seu canhão em efeito, lembra?

Ernesto meu filho parou e olhou fixamente para a tela e eu tive o seguinte raciocínio: poxa, nem pra tu morrer logo e as pessoas lembrarem quem você já foi Michael. E agora que ele está morto, nesse momento sinceramente triste, sinto ouvindo sua música como ele foi importante para o meu gusto musical, meu jeito de ser e talvez até um dos principais culpados de eu ser quem eu sou.

Vai-se o homem e graças a Deus, agora começa a lenda.

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