!!Top 5 diretores surgidos nos anos 2000!! By Rod Castro!

25 de abr de 2008

Adoro filmes clássicos. O que me deixa sempre feliz em assisti-los e notar a sua forca e ao mesmo tempo seu critério de originalidade. Algo que se perdeu pela industrialização que Hollywood sofreu com os anos e pela enorme quantidade de porcarias por lá produzidas – algo que influenciou outras indústrias cinematográficas mundo a fora.

Mas e de um tempo para cá, para ser mais preciso nesses últimos oito anos, quantos bons filmes você pode citar? Poucos com certeza. E diretores? Pior ainda. Mas ainda há salvação? Claro, para isso foi criado esse top 5.

Antes de iniciar a seqüência de nomes, vale aqui falar uma boa lista de bons diretores que foram excluídos por terem feito filmes ainda na década de 90. Se você dúvida, pesquise e terá tremendo sustos como eu tive.

Ficaram de fora: M. Night Shyamalan, Darren Aronofsky, Cameron Crowe, Wes Anderson, Alexander Payne, Doug Liman, Marc Foster, Richard Linklater, Chan-wook Park, Alejandro Amenábar, James Mangold, Alfonso Cuarón, Christopher Nolan, Fernando Meirelles e Paul Greengrass.

Todos competentes, mas por um critério de só ter “surgido para o mundo” a partir dos anos 2000, foram cortados sem ao menos poderem reclamar. Vamos dar nome aos escolhidos e seus porquês? Simbá!

Zack Snyder

Quem é o cabra? Zack é uma promessa que a cada filme rodado consegue mostrar a que veio. Em seus mais de 32 anos, o americano rodou uma pá de comerciais, um documentário, uma dúzia de clipes e fez sua estréia com pé direito em uma regravação do clássico de George Romero “A Madrugada dos Mortos”. Em seguida rodou o sensacional 300”, adaptação da excelente revista em quadrinhos de Frank Miller e está pós-produzindo outro clássico da nona arte: “Watchmen”, a obra máxima de Alan Moore.

Por que está aqui? Movimentos rápidos de câmera, abuso de filtros durante as filmagens e um estilo de edição diferenciado faz com que Snyder seja, hoje, um dos mais novos talentos “comerciais” que consegue ter o respeito de críticos e de fãs – tanto de quadrinhos quanto de cinema e ainda conseguiu conquistar, por seu estilo, um público mais ferrenho ainda: os fãs de games.

O ápice? Muita gente acha que 300” foi o grande momento da prematura carreira de Snyder, mas aposto todas as minhas fichas em seu novo projeto: “Watchmen” (estréia em março de 209 nos cinemas) – que pode ser seu maior filme ou fracasso. É esperar para ver.

Stephen Daldry

Quem é o cabra? Daldry é um inglês de 46 anos que começou sua carreira de diretor nos teatros de Londres, sendo a principal figura criativa da maior companhia de teatral da Europa: a Royal National Theatre, durante a década de 90. Em 2001 estreou como diretor de cinema em grade estilo e com um filme promissor e arrematador: o drama “Billy Elliot” – que recebeu três indicações ao Oscar, incluindo o de direção; indicado a 13 BAFTA, incluindo direção; e 2 Globos de Ouro. Ele repetiu a dose de competência em sua segunda empreitada: “As Horas”, outro drama – indicado a 8 Oscars, incluindo direção e vencedor de um careca dourado; indicado a 11 BAFTA, incluindo direção; e 7 Globo De Ouro, incluindo de direção. Depois de seis anos longe das telonas, Daldry promete dois grandes filmes, para 2008 e 2009: “The Reader” – em pós-produção com dois indicados ao Oscar: Ralph Fiennes e Kate Winslet; e a adaptação da obra vencedora o prêmio Pullitzer: “As Aventuras de Kavalier & Clay”.

Por que está aqui? O premiado diretor de teatro é a garantia de um drama bem feito e interpretações viscerais. Dificilmente seu trabalho – longe de ser datado ou repleto de fórmulas que sempre funcionam – possui falhas, assim como suas escolhas para roteiros e interpretes – principalmente as mulheres. Suas produções são simples, bonitas, com conteúdo e bem realizadas, como o bom cinema deve ser.

O ápice? Muitos citam até hoje seus dois primeiros filmes como obras que devem ser conferidas e adquiridas em DVD, mas os críticos garantem que o melhor ainda está por vir com “The Reader” e “... Kavalier & Clay”. Mas cito o esplendido trabalho realizado com o desconhecido Jamie Biel em “Billy Elliot” e com todo o elenco de “As Horas”.

Alejandro González Iñárritu

Quem é o cabra? A Televisa é a maior rede de televisão do México, de lá saem às telenovelas que passam no SBT, mas não somente isso. De lá também saíram os diretores Alfonso Cuarón (de “Sua Mae Também” e “Filhos da Esperança”), Guillermo del Toro (de “Hellboy” e “Espinha do Diabo”) e Alejandro González Iñárritu. Este mexicano começou sua carreira na direção de programas da rede já citada e em seguida enveredou para a publicidade. A possibilidade de rodar um longa metragem surgiu quando pôs os olhos no incrível roteiro de “Amores Brutos” – de Guillermo Arriaga ( o mesmo de “Três Enterros”). Daí para frente foi uma bela seqüência de filmes – 21 Gramas e “Babel” – e outra de indicações a prêmios.

Por que está aqui? Começar com o pé direito, senão até mesmo os dois pés direitos, já que sua parceria feita com o redator Guillermo Arriaga, fez de Iñárritu um dos melhores diretores americanos. Suas histórias são entrecortadas, possui uma verve artística competente e é repleto de excelentes cenas. A forma como conduz o filme lembra a feitura de um vestido repleto de tecidos diferentes, mas diferente do eu você pensa, o resultado é um belo traje.

O ápice? 21 Gramas sem titubear. Mas “Amores Brutos” e “Babel” - que lhe renderam indicações ao Oscar - têm muito mais valor do que alguns críticos profanam. Mas a grande pergunta é: será que Iñárritu sobreviverá longe do seu parceiro de filmes Arriaga, já que eles romperam a dupla trocando acusações e o roteirista já emendou outro filmão com a direção de Tommy Lee Jones. A resposta vai demorar a ser dada, já que seu próximo filme – ainda sem título – ainda está em pré-produção e só chega aos cinemas no final de 2009.

Brad Bird

Quem é o cabra? Animação e desenho são coisas de criança, certo? Que o diga o americano de 50 anos Brad Bird. O garoto que começou aos 14 anos a desenhar para revistas menores do imenso mercado de revistas em quadrinhos norte americano, cresceu como um dos golden boys do processo de formação de profissionais dos estúdios Disney. Já adulto conheceu John Lasseter – dono da Pixar – e se transformou no melhor diretor de animações em 3D do planeta.

Por que está aqui? Sabe aquele lance de que desenhos não são mais para crianças, os adultos podem acompanhar os filhotes em uma interessante e deliciosa sessão? A premissa poderia ter sido criada somente para filmes com assinatura de Bird. São dele filmes em 2D, com algumas texturas em 3D, “O Gigante de Ferro” – subestimada animação de 1999; uma das melhores animações do gênero 3D e sucesso instantâneo “Os Incríveis”; e uma das maiores obras de arte de 2007: “Ratatouille”, uma das poucas animações que vi em minha vida em que as pessoas – crianças e carrancudos – aplaudiram de pé após a subida dos créditos.

O ápice? Difícil apostar que Bird tenha chegado ao seu ápice, já que após ver “Os Incríveis” senti que nada dali para frente poderia superá-lo. E eis que 3 anos depois da sensação vi que Bird é um louco e gênio ao realizar o já clássico “Ratatouille” e tudo indica que não podemos falar que este será seu máximo criativo, ele já engatilhou novo projeto – 1906”, que tem estréia certa nos cinemas em 2009 - e muitos afirmam que será irrepreensível como os acima citados.

Sam Mendes

Quem é o cabra? Longe de ser aquele tão famoso Sam de “play it again Sam”, este inglês é o melhor diretor surgido nos cinemas do mundo todo, no iniciozinho da virada dos anos 2000. Filho de um escritor freelancer inglês e uma escritora de livros infantis, o jovem Sam teve sua formação na respeitável Universidade de Cambridge, local em que se formou em Arte Teatral. Entre seus primeiros estão montagens com nomes conhecidíssimos do cinema atual: Judi Dench, Ralph Fiennes e Nicole Kidman. Mas o reconhecimento do maior público veio com sua estréia no fabuloso “Beleza Americana”, daí pra frente ele reinou com filmes belos e de contexto dramático interessantes.

Por que está aqui? Se Sam fosse mais “industrial” seu posto, nesta lista, poderia ser até contestado, mas como ele entrega filmes de 3 em 3 anos, não há mínima chance de não ser o rei desse top. Seus filmes são obras fechadas e completas que possuem paleta das de drama, comédia e ação, nas medidas certas. Suas escolhas para elenco beiram a perfeição, seu toque pessoal no estilo de sua fotografia é tão bom quanto os do mestre e conterrâneo Stanley Kubrick – diretor dos clássicos “2001: Uma Odisséia no Espaço”, “Laranja Mecânica” e “Dr. Strangelove”.

O ápice? “Beleza Americana” é a obra-prima de Mendes. Mas seus outros dois filmes não ficam assim tão longe desse tesouro da sétima arte. “Estrada para Perdição” é denso, conta com um elenco masculino dos melhores dos últimos 10 anos e tem cenas marcantes, como não se via em filme de gangsteres, desde “Os Intocáveis”. E o subestimado ao extremo “Soldado Anônimo” tem a mesma importância que “Nascido Para Matar” (de Kubrick) teve ara a sua geração e fica fácil entre os cinco melhores filmes de guerra já produzidos.

E como é de praxe, depois de três anos após ter rodado este último citado filme, Sam entrega no final deste ano sua nova obra: “Revolutionary Road” – drama com a trinca de interpretes de “Titanic”, Leonardo DiCaprio, Kathy Bates e Kate Winslet (esposa de Sam).