!!Atenção: 20 anos do melhor disco do U2!!

29 de ago de 2011


Eu não gostava do U2. Não descia. E não era por falta de tentativa. Muito menos por falta de acesso aos discos/fitas/e a nova sensação: CDs. Nem, era o som. Não achava graça naquele monte de branquelo fazendo política, sei que você já fica chateado com esse comentário e ainda hoje aquilo não me descia.
Dizer que a banda era ruim seria ser bobo ou surdo. Nem um nem o outro, mas que não descia, não descia. 

Um belo dia, minha tia chega com o lançamento do mês: “o novo disco do U2, tá todo mundo elogiando, ouve!”. Devo ter dado uma desculpa qualquer, mas como ficava muito tempo sem ter o que fazer nas minhas tardes, decidi em um dia qualquer daquela semana, em arriscar uma ouvida.

Disco do nome esquisito, “Achtung Baby”. Algo como atenção querida/querido. Capa diferente daquelas pousadas que o U2 e tantas outras bandas gostavam de fazer. Aqui você tinha uma junção de diversas fotos. E em quase todas elas, dava para ver que a banda tinha mudado, o termo correto era: eles haviam amadurecido, nem tanto no som, mas no jeito de ser um roqueiro.

Lembre-se, neste mesmo ano surgia o Nirvana e toda aquela erupção sonora vinda de Seattle, se você tinha uma banda que havia sobrevivido aos anos 80 e queria ser ouvido, tinha que arriscar, tinha que propor algo. O U2, naquelas mais de 10 faixas exagerou na dose e deu um 180 graus na concepção de estilo e som que produzia.

O vazio, proposital da primeira faixa, “Zoo Station”, era proposital, era uns segundos de silêncio para algo inesperado, novo e que faria muitos fãs desaparecerem e tantos outros, como eu, serem conquistados. Daí para o petardo moderno, mas ainda roqueiro de “Even Better Than The Real Thing” – o clipe mais bacana de 1992, com certeza - eram passados poucos, mas prazerosos minutos. 

“One” virou uma coqueluche, mas sempre vi este movimento quanto a esta música como um desespero por parte das viúvas do antigo U2. Bela canção, mas se tornou hino para tentar afogar o que já tinha se transformado. Tanto que a faixa seguinte, que é tão bela quanto “One”, “Until The End Of The World” nunca sequer tocou nas rádios e há muito dela em “Elevation”, música do mesmo U2, mas feita nos anos 2000.

E tanto a já citada “Until The End Of The World” quanto à faixa seguinte do CD, “Who´s Gonna Ride Your Wild Horses”, com certeza são músicas que o pessoal do Coldplay ouviu muito para fazer seus dois primeiros discos. A sonoridade dos mais novos foi praticamente estabelecida em cima dessas duas belas canções que aqui estão, uma atrás da outra.

Mas confesso que enquanto o CD passava e a nova ideia pensada e exercida com maestria por Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen Jr., tentava abrir novos e misteriosos caminhos em minha mente, um petardo me fez repensar tudo, uma sequência de músicas que até hoje me impressionam ao ouvir: a sempre esquecida, com letra ácida e perfeitamente cantada “So Cruel”; o rock setentista, com riff matador, vocal susurrado e estilão cru de “The Fly”; e a melhor canção da banda, em minha opinião, o experimento “Mysterious Way”.
“Tryin´To Throw Your Arms Around The World” era praticamente uma continuação do estilo trabalhado em “So Cruel”, já “Ultra Violet (Light My Way)” era o exercício do diferente, desde o clima de abertura, do desespero no jeito de cantar de Bono, da estrutura ritmada de guitarra, baixo e bateria, outra música para dar um replay, cantando: “Baby, baby, baby, light my way”.

“Acrobat” e “Love Is Blindness” eram o ápice necessário para o U2 abandonar seus ouvintes. Perdidos em suas ideias, conflitados pelo novo, odiando tal fato, adorando o inusitado e finalmente atentos e porque não com vontade de ouvir tudo de novo. Acho que a minha atitude, naquele dia foi ouvir novamente e talvez mais vezes depois.

4 comentários:

Amanda Bezerra disse...

não sou muito fã de U2, escuto uma ou outra porque como se diz "está na boca do povo" não me fez gostar mais, nem menos. pra mim, é a voz do Bono, meio chorada, arrastada, que ainda não me faz parar pra ouvir por livre e espontânea vontade.

Rod Castro disse...

Esse é o auge do U2 Amanda. É aquele momento que até você não gostando, tem que conferir... eu não gostava pelo lance do combate ao terrorismo que assolava a Irlanda e tal... hoje em dia o U2 virou uma banda comum, na minha opinião, vai no certeiro, faz um disco 8,0 por ano e só. É uma pena, como digo no texto, eles foram capazes de fazer obra-prima, como esse Achtung.

Mariana disse...

será uma revolução para meus ouvidos?
vou ouvir com atenção.. mas de início tô com a amanda, rs.

Rod Castro disse...

Fala Mari, ouça com carinho e esta semana posto os de 20 anos do excelente Blood, Sugar, Sex, Magik do Red Hot Chili Peppers. Ah, vou adicionar seu blog aqui na lista dos que acompanho beleza? Abraços!