!!Ângulos diferentes? “Angles” The Strokes!!

16 de mar de 2011


Como recomeçar um projeto musical após entrar em estúdio e divergir de quase tudo já feito com o produtor que você mesmo escolheu? Como ter vontade de continuar com a coisa sabendo que um dos mais importantes membros da sua banda - Albert Hammond Jr. - está com graves problemas com drogas? E pior: como seguir em frente sabendo que a maioria da banda quer mais espaço nas letras que você sempre escreveu?

Esta foi a vida do líder, letrista e vocalista dos Strokes nestes últimos anos de 2010 e recém iniciado 2011. Julian Casablancas sofreu tudo isso de bico fechado, sem devolver acusações ou fazer estardalhaços. Talvez o lançamento do seu disco solo – normal, nada genial, diga-se de passagem – tenha trazido a consciência aos membros dos Strokes de que ele pode sim voar sozinho, como um crooner que chama uma banda e se apresenta, e essa consciência por parte dos outros membros fez o mundo “stroquiano” de compor explodir.

Mas como tudo no rock se transforma – quando não encerra – a banda uniu forças, lembrou-se de como fazia suas canções no início de carreira, de seus maiores e visíveis influenciadores – rock dos anos 80, principalmente The Clash – e também de como seu último disco, o muito bom “First Impressions Of Earth” soou e por isso mesmo apostou neste “Angles”.

Um disco difícil. Que possui realmente ângulos diferentes e que, se bobear, será um disco de transição. Também pode ser o disco que prepara a banda para outro disco maior, com mais experimentações. Por isso mesmo, vou falar através de cada ângulo proposto pela banda, ou seja, das músicas. Lá vai:

“Machu Pichu”: um reggae modernoso, com camadas de tons que remetem as músicas - um pouco mais pesadas, é verdade - do grupo dos anos 80 “Huey Lewis & The News”. Na minha cabeça, nunca seria a primeira música de um disco deles, mas... 

“Under Cover Of Darkness”: lembra dos Strokes que tocavam descompromissados, com ritmo alegre formado pela dupla bateria-baixo? Que tinha as guitarras soltas em detalhes dedilhados? E daquele vocalista que sabia a hora de ser cantor e de ser roqueiro? Está, tudo aqui. A melhor do disco (apesar de lembrar "NY City Cops" do próprio Strokes)!
“Two Kinds Of Happiness”: são duas músicas em uma. É o saudosismo do início dos anos 80 com os solos de guitarra malucos e desenfreados. É o jeitão de cantar como o Billy Idol só pra tirar sarro, mas lembrar que ele não podia fazer o que se pode hoje. 

“You´re So Right”: agorinha lei que o som dos Strokes neste disco é do fim dos anos 70 e início dos 80, como se o Clash se misturasse em alguns momentos com o Joy Division e fizesse um disco para estranhar os fãs das duas bandas. Está é a “canção culhão”, provando que a banda pode e faz rock maduro sim.

“Taken For A Fool”: o jeito de cantar de Joe Strumer, meio que se forçando a falar algumas palavras está presente por quase toda a canção. Que tem a guitarrinha mais legal de todas as canções deste disco. E Julian canta com desleixo nas partes mais importantes, assim como o baixista arrebenta no compasso do solo.

“Games”: saiu de algum disco do New Order bam no começo da carreira. A forca reside no vocal de Casablancas que é, como qualquer um, melhor que o de Bernard Summer – que sempre foi o ponto fraco do New Order. É uma quebra dentro do disco, acho que a ordem das faixas pode ter jogado contra a banda. E assim como “Machu Pichu” está ficaria bem melhor lá pro fim.

“Call Me Back”: e como o disco já “quebrou” com a música anterior, que tal uma soft bossa nova? Com toques de pianinho ao fundo e com um cantor se divertindo com as palavras, lógico que o jeito preguiçoso de fazer o trabalho, que já o caracteriza está presente em momentos-chave, como no “I Look For You And You Look For Meeee!!”. 

“Gratisfaction”: é mais uma daquelas musicas meio trilhas de vídeo game do tempo da Sega que os Strokes tanto gostam de fazer. A diferença está no vocal ao estilão do Bob Dylan em sua fase trovador. Há um que de musiquinha alegre dos Beatles quando descobriram o LSD, mas para por aí.

“Metabolism”: com bateria quebrada, com jeitão de trilha sonora de filme de suspense ao fim de sessão.  Uma parede de guitarras sufoca por muitas vezes a voz de Julian que luta contra a música em alguns momentos. Destoa, mas traz um novo olhar ao jeitão de tocar da banda.  Aqui é visível que o som das guitarras da banda emula o de um teclado, mas com cordas.

“Life Is Simple In The Moonlight”: a bossa nova tem seu retorno, com toques mais sombrios e batida oitentista. Acho que realmente é a música que deveria encerrar este disco que permite tantas leituras, visto pelos mais diversos ângulos musicais que o Strokes tentam rumar.

A pergunta é? Será que eles agüentam o afastamento de fãs radicais? Será que as músicas funcionam ao vivo? Respostas para o futuro. Agora? Nota 8,5.

2 comentários:

Marcos disse...

eu gostei desse disco novo, escutei com um preconceito formado na minha cabeça, após ouvir muita gente reclamando, e ontem de noite fui escutar enquanto lia, parei de ler e disse pra mim mesmo: "epa! isso tá bom sim", mas tbm não é o melhor disco deles, a galera q não gosta qndo a banda começa a soar um pouco diferente.
Com certeza não melhor, aliás acho q dificilmente eles barram o 1º disco, q vai acabar virando tipo o 1º do Korn, onde os fãs mais radicais sempre dizem q o 1º é o melhor, (o q de fato é verdade). Mas e ai? vou deixar de escutar novidades da banda que eu gosto por causa de preconceitos e comentários de quem só abre a boca pra reclamar?

Rod Castro disse...

Verdade Marcos. As pessoas tem por predileção querer mais do mesmo. Isso é bom até certo ponto, depois acaba satirizando a própria banda.

Este é o disco mais fraco dos Strokes, mas ainda assim prima por uma qualidade bem rara no mercado. Agora é esperar pelo dito cujo na pequena coleção de CDs que tenho.