!!Top 5 diretores surgidos nos anos 2000!! By Rod Castro!

25 de abr de 2008

Adoro filmes clássicos. O que me deixa sempre feliz em assisti-los e notar a sua forca e ao mesmo tempo seu critério de originalidade. Algo que se perdeu pela industrialização que Hollywood sofreu com os anos e pela enorme quantidade de porcarias por lá produzidas – algo que influenciou outras indústrias cinematográficas mundo a fora.

Mas e de um tempo para cá, para ser mais preciso nesses últimos oito anos, quantos bons filmes você pode citar? Poucos com certeza. E diretores? Pior ainda. Mas ainda há salvação? Claro, para isso foi criado esse top 5.

Antes de iniciar a seqüência de nomes, vale aqui falar uma boa lista de bons diretores que foram excluídos por terem feito filmes ainda na década de 90. Se você dúvida, pesquise e terá tremendo sustos como eu tive.

Ficaram de fora: M. Night Shyamalan, Darren Aronofsky, Cameron Crowe, Wes Anderson, Alexander Payne, Doug Liman, Marc Foster, Richard Linklater, Chan-wook Park, Alejandro Amenábar, James Mangold, Alfonso Cuarón, Christopher Nolan, Fernando Meirelles e Paul Greengrass.

Todos competentes, mas por um critério de só ter “surgido para o mundo” a partir dos anos 2000, foram cortados sem ao menos poderem reclamar. Vamos dar nome aos escolhidos e seus porquês? Simbá!

Zack Snyder

Quem é o cabra? Zack é uma promessa que a cada filme rodado consegue mostrar a que veio. Em seus mais de 32 anos, o americano rodou uma pá de comerciais, um documentário, uma dúzia de clipes e fez sua estréia com pé direito em uma regravação do clássico de George Romero “A Madrugada dos Mortos”. Em seguida rodou o sensacional 300”, adaptação da excelente revista em quadrinhos de Frank Miller e está pós-produzindo outro clássico da nona arte: “Watchmen”, a obra máxima de Alan Moore.

Por que está aqui? Movimentos rápidos de câmera, abuso de filtros durante as filmagens e um estilo de edição diferenciado faz com que Snyder seja, hoje, um dos mais novos talentos “comerciais” que consegue ter o respeito de críticos e de fãs – tanto de quadrinhos quanto de cinema e ainda conseguiu conquistar, por seu estilo, um público mais ferrenho ainda: os fãs de games.

O ápice? Muita gente acha que 300” foi o grande momento da prematura carreira de Snyder, mas aposto todas as minhas fichas em seu novo projeto: “Watchmen” (estréia em março de 209 nos cinemas) – que pode ser seu maior filme ou fracasso. É esperar para ver.

Stephen Daldry

Quem é o cabra? Daldry é um inglês de 46 anos que começou sua carreira de diretor nos teatros de Londres, sendo a principal figura criativa da maior companhia de teatral da Europa: a Royal National Theatre, durante a década de 90. Em 2001 estreou como diretor de cinema em grade estilo e com um filme promissor e arrematador: o drama “Billy Elliot” – que recebeu três indicações ao Oscar, incluindo o de direção; indicado a 13 BAFTA, incluindo direção; e 2 Globos de Ouro. Ele repetiu a dose de competência em sua segunda empreitada: “As Horas”, outro drama – indicado a 8 Oscars, incluindo direção e vencedor de um careca dourado; indicado a 11 BAFTA, incluindo direção; e 7 Globo De Ouro, incluindo de direção. Depois de seis anos longe das telonas, Daldry promete dois grandes filmes, para 2008 e 2009: “The Reader” – em pós-produção com dois indicados ao Oscar: Ralph Fiennes e Kate Winslet; e a adaptação da obra vencedora o prêmio Pullitzer: “As Aventuras de Kavalier & Clay”.

Por que está aqui? O premiado diretor de teatro é a garantia de um drama bem feito e interpretações viscerais. Dificilmente seu trabalho – longe de ser datado ou repleto de fórmulas que sempre funcionam – possui falhas, assim como suas escolhas para roteiros e interpretes – principalmente as mulheres. Suas produções são simples, bonitas, com conteúdo e bem realizadas, como o bom cinema deve ser.

O ápice? Muitos citam até hoje seus dois primeiros filmes como obras que devem ser conferidas e adquiridas em DVD, mas os críticos garantem que o melhor ainda está por vir com “The Reader” e “... Kavalier & Clay”. Mas cito o esplendido trabalho realizado com o desconhecido Jamie Biel em “Billy Elliot” e com todo o elenco de “As Horas”.

Alejandro González Iñárritu

Quem é o cabra? A Televisa é a maior rede de televisão do México, de lá saem às telenovelas que passam no SBT, mas não somente isso. De lá também saíram os diretores Alfonso Cuarón (de “Sua Mae Também” e “Filhos da Esperança”), Guillermo del Toro (de “Hellboy” e “Espinha do Diabo”) e Alejandro González Iñárritu. Este mexicano começou sua carreira na direção de programas da rede já citada e em seguida enveredou para a publicidade. A possibilidade de rodar um longa metragem surgiu quando pôs os olhos no incrível roteiro de “Amores Brutos” – de Guillermo Arriaga ( o mesmo de “Três Enterros”). Daí para frente foi uma bela seqüência de filmes – 21 Gramas e “Babel” – e outra de indicações a prêmios.

Por que está aqui? Começar com o pé direito, senão até mesmo os dois pés direitos, já que sua parceria feita com o redator Guillermo Arriaga, fez de Iñárritu um dos melhores diretores americanos. Suas histórias são entrecortadas, possui uma verve artística competente e é repleto de excelentes cenas. A forma como conduz o filme lembra a feitura de um vestido repleto de tecidos diferentes, mas diferente do eu você pensa, o resultado é um belo traje.

O ápice? 21 Gramas sem titubear. Mas “Amores Brutos” e “Babel” - que lhe renderam indicações ao Oscar - têm muito mais valor do que alguns críticos profanam. Mas a grande pergunta é: será que Iñárritu sobreviverá longe do seu parceiro de filmes Arriaga, já que eles romperam a dupla trocando acusações e o roteirista já emendou outro filmão com a direção de Tommy Lee Jones. A resposta vai demorar a ser dada, já que seu próximo filme – ainda sem título – ainda está em pré-produção e só chega aos cinemas no final de 2009.

Brad Bird

Quem é o cabra? Animação e desenho são coisas de criança, certo? Que o diga o americano de 50 anos Brad Bird. O garoto que começou aos 14 anos a desenhar para revistas menores do imenso mercado de revistas em quadrinhos norte americano, cresceu como um dos golden boys do processo de formação de profissionais dos estúdios Disney. Já adulto conheceu John Lasseter – dono da Pixar – e se transformou no melhor diretor de animações em 3D do planeta.

Por que está aqui? Sabe aquele lance de que desenhos não são mais para crianças, os adultos podem acompanhar os filhotes em uma interessante e deliciosa sessão? A premissa poderia ter sido criada somente para filmes com assinatura de Bird. São dele filmes em 2D, com algumas texturas em 3D, “O Gigante de Ferro” – subestimada animação de 1999; uma das melhores animações do gênero 3D e sucesso instantâneo “Os Incríveis”; e uma das maiores obras de arte de 2007: “Ratatouille”, uma das poucas animações que vi em minha vida em que as pessoas – crianças e carrancudos – aplaudiram de pé após a subida dos créditos.

O ápice? Difícil apostar que Bird tenha chegado ao seu ápice, já que após ver “Os Incríveis” senti que nada dali para frente poderia superá-lo. E eis que 3 anos depois da sensação vi que Bird é um louco e gênio ao realizar o já clássico “Ratatouille” e tudo indica que não podemos falar que este será seu máximo criativo, ele já engatilhou novo projeto – 1906”, que tem estréia certa nos cinemas em 2009 - e muitos afirmam que será irrepreensível como os acima citados.

Sam Mendes

Quem é o cabra? Longe de ser aquele tão famoso Sam de “play it again Sam”, este inglês é o melhor diretor surgido nos cinemas do mundo todo, no iniciozinho da virada dos anos 2000. Filho de um escritor freelancer inglês e uma escritora de livros infantis, o jovem Sam teve sua formação na respeitável Universidade de Cambridge, local em que se formou em Arte Teatral. Entre seus primeiros estão montagens com nomes conhecidíssimos do cinema atual: Judi Dench, Ralph Fiennes e Nicole Kidman. Mas o reconhecimento do maior público veio com sua estréia no fabuloso “Beleza Americana”, daí pra frente ele reinou com filmes belos e de contexto dramático interessantes.

Por que está aqui? Se Sam fosse mais “industrial” seu posto, nesta lista, poderia ser até contestado, mas como ele entrega filmes de 3 em 3 anos, não há mínima chance de não ser o rei desse top. Seus filmes são obras fechadas e completas que possuem paleta das de drama, comédia e ação, nas medidas certas. Suas escolhas para elenco beiram a perfeição, seu toque pessoal no estilo de sua fotografia é tão bom quanto os do mestre e conterrâneo Stanley Kubrick – diretor dos clássicos “2001: Uma Odisséia no Espaço”, “Laranja Mecânica” e “Dr. Strangelove”.

O ápice? “Beleza Americana” é a obra-prima de Mendes. Mas seus outros dois filmes não ficam assim tão longe desse tesouro da sétima arte. “Estrada para Perdição” é denso, conta com um elenco masculino dos melhores dos últimos 10 anos e tem cenas marcantes, como não se via em filme de gangsteres, desde “Os Intocáveis”. E o subestimado ao extremo “Soldado Anônimo” tem a mesma importância que “Nascido Para Matar” (de Kubrick) teve ara a sua geração e fica fácil entre os cinco melhores filmes de guerra já produzidos.

E como é de praxe, depois de três anos após ter rodado este último citado filme, Sam entrega no final deste ano sua nova obra: “Revolutionary Road” – drama com a trinca de interpretes de “Titanic”, Leonardo DiCaprio, Kathy Bates e Kate Winslet (esposa de Sam).

!!“Hitman”, “Na Natureza Selvagem”, “Encantada”, “O Suspeito” e “Medo da Verdade” by Rod Castro!

23 de abr de 2008

Final de semana com direito a segunda-feira enforcada, tem coisa melhor? Separei vários filmes que tinham que ser conferidos há mais de duas semanas e lasquei um atrás do outro. Tem de tudo. Desde porcarias até filmes que fazem você, mentalmente, refletir e viajar.

Chega de embromação e vamos ao que interessa:

“Hitman” -

Na vou perder mais do que essa linha para falar sobre esse filme. Evite.

Nota 2,5.

“Na Natureza Selvagem” –

Você ouvir muito ou ler bastante sobre um filme é bom, mas ao mesmo tempo cria um falso saber da história que pode transformar o grande filme em um filme que poderia ser mais. Esse foi o caso desse corajoso “Na Natureza Selvagem”.

Entenda: o filme não é ruim, longe disso, mas o que ele promete e o que foi dito dele não se cumpre. E promessa não cumprida nem criança de 3 anos gosta, imagine um rato de cinema como eu.

Sim, o trabalho do diretor Sean Penn é excelente – apesar do filme ser um pouco longo para tão pouca história. Também confirmo que Emile Hirsch – o futuro Speed Racer – finalmente fez um bom trabalho (sempre o achei menos do que o elogiavam) – a direção de fotografia, assim como a trilha sonora (feita por Eddie Vedder do Pearl Jam) são muito boas, e a participação do veterano Hal Holbrook (que não achei merecedor da indicação ao Oscar) realmente têm seus momentos. Mas é só.

E você pode até perguntar: o cara fala tudo isso e na seqüência diz “só”? E a resposta é sim e sabe por quê? Simples, o filme mostra uma experiência de vida que por ser tão única deveria ficar na memória, mas sinceramente, acabei de assisti-lo, fui trabalhar e senão fosse pela simples razão de escrever esse artigo nem lembraria dele.

Fica para a próxima Sean. Nota 6,5.

“Encantada” –

Sabe quando você escorrega pela escada, bate a traseira umas dez vezes, e ao final das contas acaba rindo da situação? É praticamente esse o espírito que cerca essa produção da Disney, o divertido e descompromissado “Encantada”.

No filme acompanhamos a história de uma princesa que vive um verdadeiro conto de fadas e que no dia do seu casamento acaba sendo enganada pela rainha má e cai num fosso que abre portas para a nossa realidade. Todos os clichês dos desenhos clássicos da Disney são explorados ao extremo e sempre com um estilo engraçado – e nada é mais engraçado do que você se permitir ser sacaneado.

Bom roteiro. Excelente interpretação por parte de todo o elenco e canções divertidíssimas. Recomendo. Nota 8,0.

“O Suspeito” –

Referenciais são importantes quando você vai acompanhar uma obra cinematográfica. Um dos porquês dessa minha afirmação reside sobre aquilo que acontece com freqüência quando você assiste a algo novo, como um bom filme.

Exemplificando: há no mínimo dois filmes, um excelente e outro regular que servem de parâmetro para esse novo trabalho do diretor Gavin Hood – que há semanas desci a lenha por aqui mesmo, ao falar de “Infância Roubada”: “Traffic” e “O Reino”.

Do último este bom filme se distanciou bem. Do primeiro perdeu pela falta de atuações melhores e mais próximas do que seu elenco pode desprender em tela grande – só de lambuja ele tem quatro atores que foram indicados ao Oscar: Reese Witherspoon, Jake Gyllenhaal, Alan Arkin e Meryl Streep. E todos estão no automático.

A história é interessante e mais que atual: um imigrante egípcio, que mora nos EUA, volta de uma convenção na África do Sul e é confundido com um possível terrorista. Ao mesmo tempo em que sua esposa tenta ter noticias dele, acompanhamos a história da filha do homem que comanda as torturas americanas em território “Iraquiano” – que se junto a um rapaz, fugiu de casa e pode ter sido vítima de um plano surpreendente.

Bom filme, direções de fotografia e arte bem feitas, poucos atores – os mais desconhecidos, praticamente todos os “árabes” da história – bem e uma queimada de língua, no estilo tostada, de minha parte com o Gavin que deve sim rodar um bom filme de origem do personagem da franquia X-Men, “Wolverine”.

Nota 8,0. Com uma boa atuação de seu elenco subiria e muito.

“Medo da Verdade” –

De uns dois anos para cá Ben Affleck vem voltando ao normal. Alguns dizem que ele nunca teve talento, outros afirmam que a doença chamada “JLo” o fez perder a cabeça ao ponto de assinar contratos para lixos e mais lixos. Mas o que se deve falar é que ele voltou a fazer bons trabalhos e ruma para um lado que seus críticos nunca pensaram vê-lo.

A seqüência de bons trabalhos passa por várias etapas do processo criativo de se realizar filmes e vai muito além de apenas atuar. Foi assim na sátira a si mesmo em “O Balconista 2”, foi assim no bom trabalho apresentado em “Hollywoodland” – em que interpretou o primeiro ator a se vestir como trapezistas e a ter um grande “S” em vermelho e amarelo – em que interpretou a vida fora das telas de George Reeves e se concretiza em um futuro repleto de boas possibilidades ao escrever, produzir e dirigir esse muito bom “Medo da Verdade”.

Para aqueles que falavam que Ben seria lembrado nesses últimos dois anos apenas como o irmão mais velho do promissor Cassey Affleck, o ator mostra que seus detratores vão ter que esperar mais um pouco. “Medo da Verdade” é denso, bem dirigido e principalmente: retrata uma dura realidade que hoje se tornou uma coqueluche nacional com a morte, “novelizada” pelas emissoras de TV de todo o país, da pequena Isabela em São Paulo.

Na história acompanhamos a busca de um “detetive particular” e sua parceira de trabalho por uma pequena garota, filha de uma dependente química, que sumiu em uma região que tudo indica ser mais do que perigosa.

O filme não é um dramalhão e ao mesmo tempo não tenta arrancar de seus interpretes atuações caricaturais. Longe disso, Affleck aposta no naturalismo e no desenvolvimento da história que por si só já é mais do que forte. Cassey está bem, não tanto como em “O Assassinato de Jesse James Pelo Covard Robert Ford”, mas tem bons momentos.

Talvez o grande lance do filme seja assistir a mais uma excelente atuação de um ator que é deixado de lado pelos grandes estúdios por ter se tornado um cara não premiado: o absoluto Ed Harris, no papel de um investigador que tem papel importante na trama.

Bom filme, com um questionamento importante: uma boa vida versus o correto a se fazer, que deixa um bom âmbito de debate entre pais e espectadores. Não é um noir como tanto falaram que era, mas merece ser visto e revisto.

Filme com grandes possibilidades de parara em minha estante. Nota 8,5.

!! Pule, arraste, divirta-se e viaje... ou: paulada de filmes que você tem que conferir!! By Rod Castro

15 de abr de 2008


“Jumper”: Digamos que você faça dois filmes seguidos que são originais e ao mesmo tempo divertidos. No marasmo de imitações baratas e prensadas como novidades nos cinemas a cada sexta, você e seu estilo vão abrir os olhos dos grandes estúdios com certeza. Doug Liman é um desses talentos que uma vez na vida surge e acaba topando sair do “alternativo”, para ganhar mais dinheiro, e acaba tropeçando no “mais do mesmo”.

Em 1996 ele fez interessante e inteligente “Swingers” – filme que infelizmente não tem DVD nacional – e logo em seguida emendou o mais engraçado filme de natal que alguém já feito: “Go, Vamos Nessa!” – filme que ficou dois meses em cartaz em Manaus, mas que ninguém viu (e que saiu em DVD nacional, mas esgotou!).

Daí para frente os engravatados se apropriaram da criatividade de Liman e deixaram em suas mãos o bom “Identidade de Bourne” – que foi elevado a outro patamar nas mãos de Paul Greengrass – e o engraçado, mas atropelado “Sr. & Sra. Smith” – que ficou conhecido internacionalmente como o filme que uniu Bad Pitt e Angelina Jolie.

Depois disso Lima se tornou produtor da série de filmes de Jason Bourne e tocou pra frente a série “The O.C.”, e só. Mas eis que ele tenta, novamente por um estúdio grande, pular toda essa “faze negra”, com a aventura/herói “Jumper”, mas...

O resultado é frustrante e decepcionante. Filme ruim, com protagonista mal trabalhado, vilões pífios (Samuel L. Jackson está se especializando em fazer porcaria, hein?) e um único detalhe positivo: o sempre competente – o Chistian Bale da nova geração - Jamie Bell (mesmo de “Billy Elliot”).

Se estiver na entrada do cinema, nem pense: pule esse lixo. Nota 4,0!

“O Sobrevivente”: Se você tivesse a oportunidade de trabalhar com um dos maiores diretores de cinema moderno - do tipo de cara que fez filmes premiados e que produz cinema de verdade e não aquele tipão americanizado que em seu estilo sério sempre encaixa algo comercial - você pensaria mais de uma vez em assinar o contrato?

Christian Bale (o “Psicopata Americano” e o novo “Batman”) ao receber o contrato, apenas sorriu e assinou nas linhas pontilhadas do papel que tinha em seu cabeçalho a frase: “Uma produção do diretor alemão Werner Herzog.” – produziu mais de 50 filmes, todos europeus e que venceu quatro vezes o Festival Internacional de Cannes.

O filé na verdade é uma dramatização de outro filme de Herzog – um documentário sobre um piloto alemão, naturalizado americano, que em seu primeiro vôo abacá sendo derrubado – e conta com um elenco afinado. Mas é bom firmar uma coisa em sua cabeça, caso esteja com vontade de ver o filme: Herzog deixa o filme acontecer, ele não o empurra com edições rápidas para que o ritmo fique mais comercial – e isso não significa tédio, certo?

Na história acompanhamos os conflitos do grupo de refugiados, entre eles o personagem de Bale, por mais de um ano de maus tratos nas mãos dos “Chralies”, assim tenha certeza: teremos cenas de conflito, cenas de sobrevivência sem cortes (como comer vermes e cobra crua) e muita vontade de viver.

Bom filme, mas admito que esperava mais. Nota: 7,0 – o que é uma pena pelo projeto e pelos nomes ligados a ele.

“Horton e o Mundo dos Quem”: Receita de um bom filme e que vai render boas risadas suas, anote: coloque na mesma produção um astro que arrebenta quando faz tipos esquisitos – Jim Carrey (o elefante da história) – depois outro ator que cada vez mais se supera – Steve Carrel (o prefeito da história), vide “The Office” – e por último, com a panela já fervendo deposite o sabor de mais uma sensacional história de Dr. Seuss – autor de “O Grinch”.

E para comandar o “mexa sem parar” chame dois cozinheiros que nunca foram pilotos de grandes pratos, mas que já auxiliaram grandes mestres: Jimmy Hayward - diretor do setor de animação de “Toy Story 1 e 2”, “Vida de Inseto”, “Monstros S/A” e “Procurando Nemo” - e Steve Martino – diretor de arte de “Robôs”.

Prato para ser apreciado ainda quente – nos cinemas no caso – e que merece ser repetido várias vezes. Mais um que vai para a minha coleção. Nota 8,0!

“Viagem a Darjeeling”: “Indique-me um bom diretor americano, que escreve seus roteiros, que aposta em filmes não comerciais e que sempre que lança um filme tem o respeito de atores e da crítica?”. Perguntou um amigo em um bate-papo pela internet. A resposta foi rápida: Wes Anderson.

“Quem, Wes Craven?”. Não, não falo de um diretor das antigas e que fez até bons filmes recentemente, como a série “Pânico”. Mas sim de um diretor de jeito esquisito, com quase 40 anos, que rodou apenas três filmes e que não dá tantas entrevistas ou se sujeita às vontades dos estúdios, como a maioria o faz.

W. Anderson é conhecido por cinéfilos brasileiros graças à antipatia do maior ícone de crítica de cinema nacional, Rubens Ewald Filho, que sempre desce a lenha em seus trabalhos – sejam eles ruins ou bons; e por sua seqüência de filmes, que se tornaram “cult” por essas bandas – tanto pelas suas histórias, quanto pela péssima distribuição que ofertam aos mesmos, em circuito nacional.

Mas Anderson é mais do que um rótulo que os seus fãs gostam de ostentar em ma discussão de cinema moderno. Ele prima por uma boa fotografia, belas seqüências com músicas de bom gosto, planos seqüência minuciosamente estudados e engraçados, e hoje se tornou referência quando se fala em histórias e personagens interessantes.

Seus filmes são humanos, cheios de diálogos interessantes – pondo a coqueluche Diablo Cody, de “Juno”, no chinelo – situações absurdamente engraçadas e próximas de quem as assiste. Foi assim no excelente e hilário “Os Excêntricos Tenenbaums” e no subestimado “A Vida Marinha com Stevie Zissou”.

Nesse “Viagem a Darjeeling”, a fórmula parece até batida: três irmãos, que nunca mais se falaram desde que o pai morreu, resolvem embarcar em um trem para uma cidade da Índia em que encontrarão a sua mãe. Os conflitos, as conseqüências e os dramas vividos pelos três nesse espaço de tempo, estão a bordo dessa viagem e servem de fundo após embarque ou desembarque.

Recomendação: se você ainda não assistiu aos dois primeiros trabalhos de Anderson, acima citados, embarque nesse “train movie” e tenha boa viagem.

Nota 8,5 e pronto para ser um dos meus filmes preferidos de 2008.

!!Uma surpresa, dois arrastados e um perdido ou: “Superbad”, “O Passado”, “Os Donos da Noite” e “O Reino”!! por Rod Castro

1 de abr de 2008

É incrível como a janela de lançamentos é curta hoje em dia. A tal janela é o termo usado para o intervalo entre a chegada de um filme aos cinemas e o tempo para a sua estréia em formato DVD – antigamente VHS.

Lembro-me que em 1984 “Alien, o oitavo passageiro” era lançamento na locadora próxima a minha casa, sendo que o filme havia chegado aos cinemas do mundo em 1979. Faça os cálculos e verá que absurdos cinco anos se passaram para a sua sinopse estar pendurada em um porta-arquivo – daqueles que ficava nas paredes - das locadoras da década de oitenta, e na sessão “Lançamento” hein?

Hoje em dia, sendo mais preciso esse mês de Março, um filme lançado em novembro e dezembro do ano passado já está nas locadoras. E em alguns casos, menos tempo ainda.

Assim, segue o review, do pior para o melhor, dos filmes vistos por esse chato que aqui escreve:

“O Passado”

Hector Babenco nunca recebeu uma linha de elogios da minha parte. Ainda não consegui ver um filme dele que pudesse fazer um grande elogio. E nisso incluem-se filmes como “Pixote: A Lei do Mais Fraco”, “O Beijo da Mulher Aranha” e o tão falado “Carandiru”.

O acho presunçoso, superestimado e principalmente: um falso bom diretor de atores. Mas é impressionante como bons atores entram em seus projetos e conseguem entregar grandes atuações, como William Hurt o fez em o “Beijo da Mulher Aranha” – em que venceu o Oscar na categoria de Ator – como Jack Nicholson em “Ironweed” – indicado ao Oscar e ao Globo de Ouro - e Rodrigo Santoro em “Carandiru”.

Talvez esse tenha sido o motivo para que o sempre competente, mas neste filme distante de comentários, Gael Garcia Bernal estrelasse esse pífio filme sobre relacionamentos que é escrito e dirigido por Babenco.

Filme fraco, arrastado, com pouquíssimos bons momentos e que não merece mais comentários que isso. Nota 4,5 e olhe lá!

“Os Donos da Noite”

James Gray deve ter fotos impublicáveis de Joaquin Phoenix, Robert Duvall, Mark Wahlberg e Eva Mendes, para ter conseguido um bom elenco desses para rodar um filme tão arrastado e no mínimo normal como esse. Mas dando uma pesquisada, você verá que os dois astros mais novos, só assinaram porque teriam a chance de trabalhar com Robert Duvall.

Boa desculpa, mas injustificável. A história de dois irmãos que estão em lados diferentes da lei é mais batida que milk shake e quando cai em mãos erradas aí que o caldo entorna, ficando tão grosso que nem um canudo daqueles que estão nos quiosques da Bob’s, hoje em dia, faz você engolir.

Filme meiote, arrastado e que nem merece comentários – mesmo tendo uma cena interessante na chuva e só. Nota 4,5.

“O Reino”

Peter Berg foi um ator mediano, que fez pouquíssimos filmes e que é mais conhecido pelos ratos de TV que adoram seriados de médico, por ter feito o papel de um deles em “Chicago Hope” (que passava tempos atrás na Record) série rival do “E.R.”.

Pois bem, no mesmo seriado, o jovem ator deu início a sua carreira de diretor, mas sua vida nesse estilo de trabalho tomou forma e “respeito” ao dirigir a aventura descerebrada “Bem Vindo À Selva”, com The Rock como ator principal. Além disso, ele dirigiu o “esportivo” “Tudo Pela Vitória” e rumou para esse “sério” “O Reino”.

Elenco azeitado – os vencedores do Oscar: Jamie Foxx e Chris Cooper, os competentes atores israelenses Ashraf Barhom e Ali Suliman (do excelente “Paradise Now”), a bela Jennifer Garner e o mequetrefe que veio dos seriados americanos Jason Baterman. História atual – um grupo de agentes especiais do FBI vai ao Reino da Arábia Saudita para matar uns líderes do Riyadh. E um início surpresa e um final porrada garantem a diversão.

Mas o estilão de filme sério que tem conteúdo, mas com ação, emperra pelos diálogos vagos e uma cena de ação, em minha opinião, toda copiada do excelente “Falcão Negro Em Perigo”, dão ao filme um quê de “Diamante de Sangue” em que a história não se posiciona como ação, drama ou aventura.

Filme interessante, mas que deixa o gosto de “o diretor quis abraçar o mundo e não buscou um caminho mais verdadeiro ao seu propósito inicial” fica martelando na cabeça todo o tempo. Nota 6,5 e vamos ver como Berg se vira com a regravação do cultuado “Duna”.

“Superbad”

Sou fã de “Porky’s” – série de filmes que retratava o que um grupo de jovens (praticamente só homens) fazia para se aproximar do sexo oposto e conseguir no mínimo um beijo, senão até, e como eles torciam pelo “senão”, levar umas das meninas do seu colégio/faculdade para a cama.

Mas sinceramente não suporto “American Pie” – que foi rotulada como o “Porky’s” da nova geração e sinceramente esta nova leitura não raspava nem a superfície do que foi a antiga série. Faltava uma coisa na nova que sobrava na antiga: simpatia por personagens tangíveis e que tivessem o mínimo de proximidade com a realidade que cerca os jovens de hoje em dia.

“Superbad” é assim: simples, próximo do que os moleques atuais pensam, tem um trio de personagens principais muito bons – o incrível e carismático McLovin (seria ele o novo Piui?) – e dois coadjuvantes (os policiais) engraçadíssimos.

Pena que foi detonado pela cri-crítica e tenha sido motivo de ridicularizarão por pessoas que “conhecem cinema”. Diversão garantida e com a sensacional possibilidade de nunca passar na Sessão da Tarde como “Juno”, por exemplo. Nota 8,5!