!!O desafio do segundo CD... ou “Como se Comportar” do Moptop!! Por Rod Castro!

25 de set de 2008



“Você parece com alguém” disse à moça que de vez em quando me encarava no caminho do trabalho. Notei que ela falou algo, mas com os fones na orelha não tive como ouvir.

Tiro o fone, ela repete: “Você me lembra alguém?”. É mesmo, respondo sem reconhecê-la. E ela afirma: “Não, você só parece um amigo meu, mas não é ele não, desculpa...” e sai fora me deixando com cara de bobo no meio da rua.

Enfim, coisas da vida. Reponho o fone, aperto o play de novo e retomo o que estava ouvindo no meu MP3 player, o novo CD do Moptop – os nossos Strokes brasileiros – “Como se Comportar”, e o vocalista em sua segunda canção diz algo que me lembra alguém, mas de uma forma até mesma descarada de homenagear, ele diz: “Tentou mentir, é bobagem, é só uma fase, vai passar...”.

Dou um sorriso e me lembro de Jullian Casablancas cantando com voz rouca em cima de um palco escuro: “I Want You, You Want a Me. It’s Just a Phase, It’s Gonna Pass...” na sempre memorável “Automatic Stop”, do segundo disco “Room On Fire”, de sua banda.

Aqui faço um breve momento de reflexão: eu pareço o amigo da moça, mas não sou. O Moptop parece com os Strokes... e realmente quer ser que nem eles!

E isso é...:

A) Ruim, porque copiar os outros é uma vulnerabilidade de quem não é criativo!

B) Bom, porque as bandas de rock brasileiras estão num marasmo criativo incrível e a solução é partir pra algo já feito e que gera retorno, além de ser bacana!

C) Ótimo, pois eles vão morder um grande público – que inclusive já os tinham como uma Xerox dos nova iorquínos!

D) Excelente, afinal os Strokes são uma cópia de Talking Heads com Stooges e ninguém fala nada.

E) Ou: que se exploda! Eu quero é ouvir música boa!

Eu assinalo todas as alternativas de pensamento. E vou além. O que realmente interessa é se o Moptop fez mais um disco bom e a resposta é sim. Primeiro porque eles não procuram fazer obras-primas, assim como os Strokes, eles gravam e pronto.

Segundo porque não há banda legal de se ouvir hoje em dia. Se elas não estão concentradas em falar de emoções – como as emos de hoje em dia – acabam querendo parecer inteligentes, mas sem cabeça – como a Nação Zumbi – e, vez por outra, tentam representar um movimento revolucionário – como o eterno blá, blá, blá do O Rappa.

E rock realmente é tudo isso, mas também há o “descompromisso”, o desleixo e isso ninguém quer. Pelo que parece o Moptop quer, assim como os Strokes e acertaram na mosca com esse “Como se Comportar”.

Disco gostoso de ouvir, feito para se divertir, que em poucos momentos busca a reflexão e dá uma liberdade ao ouvinte de apenas cantarolar trechos da música sem se preocupar com a letra – característica de um fã de Strokes (mais uma).

Nota 8,0 E não sei porque diabos, o disco me lembra alguma outra...

4 comentários:

rafinha disse...

Te falar, nunca ouvi MOPTOP pq não sei, acho que porque o nome da banda me lembra LEGO, não sei pq.

Mas enfim, estou curioso agora, nem que seja pra ouvir essa faixa que vc descreveu.

Sra. Tuppence Beresford disse...

Hahahahahaha, ADOREI o trecho "D) Excelente, afinal os Strokes são uma cópia de Talking Heads com Stooges e ninguém fala nada."

Verdade verdadeira. Mas gosto dos dois primeiros discos dos Strokes.

Ainda não ouvi o Moptop. Mas fiquei curiosa.

beijo!

Marianna

YaCastro disse...

mano, fiz um poste relacionado sobre essa sua critica... ta precisando divulgar um pouco isso aqui enh!!!

:P
yara

Rod Castro disse...

Rafa, MopTop é um nome realmente diferente... mas vale ouvir!

Mariana... pior que essa definição dos Strokes é verdadeira, é a leitura que eu sempre tive deles e acho que o Moptop mama nessa mesma teta...

Yara, não sei, esse lance de divulgar não é muito comigo, faço propaganda paga, mas do que eu penso de verdade... não sei, mas pode indicar aos possíveis leitores que rola!