!!Nois foi no Natura Nós!!

24 de mai de 2011


Não estava em meus planos. Nunca - desde que meus ouvidos encontraram com a voz inusitada e o estilo louco de tocar - pensei que iria assistir ao show de um artista como é Jamie Cullum – que parece ter saído do túnel do tempo da boa música, algo que raramente ocorre hoje em dia, ainda mais com gente nova, não só na música, mas em idade mesmo.

Pois bem, tive um compromisso inadiável em São Paulo este mês, o casamento da minha irmã – Daniela Ianni – e a pergunta veio a cabeça: porque não ver o Cullum ao vivo? A resposta foi: óbvio que sim, pois vale muito a pena. Até porque sempre faço o seguinte cálculo quando me arrisco em um festival: quantas atrações vão tocar? Pego o valor do ingresso e divido por essa quantidade e vejo quanto realmente estou pagando por cada, para ver se vale. 

Esse “Natura Nós” já chamou minha atenção ano passado quando duas de suas principais atrações muito me interessavam: Móveis Coloniais de Acaju e Jamiroquai. Neste ano, somente uma, mas que já vale por essas duas, o já falado Cullum.

Mas e o Festival? Organizadíssimo. O local escolhido foi a Chácara do Jóquei – o mesmo em que assisti ao Festival Maquinária em novembro de 2009 (com Deftones, Janes Adiction e Faith No More) já postado aqui no A Sétima e Todas as Artes (dá uma busca que vale os artigos).

Local distante e que tem o seguinte, melhor, esquema para se chegar: vá de metrô até a Consolação, pegue um táxi e vá ao Shopping Eldorado, dê uma voltinha, lanche no Burguer King, pegue outro táxi para a chácara e troque os ingressos no balcão de entrada (compre seus ingresso pela Net, é mais fácil e seguro) – ah, outra dica: não leve nada, pois tudo fica na entrada, incluindo chicletes, bebidas, e até mesmo presentes.

A Chácara fica em um antigo campo de futebol, logo após uma boa subida. Mas aqui começa os diferenciais desse festival: antes da subida, um funcionário dava as boas vindas e já entregava amostras grátis de produtos da Natura, uma banca de revista da Trip presenteava o público com os mais diversos exemplares, recentes ou não, da revista. E uma funcionária híper solidária tirava as tão famosas fotos em frente ao portal do evento.

Havia quatro imensas tendas diferentes logo no portão de entrada, logo ao lado do Palco das Atrações Nacionais – o azul – eram eles: o de alimentação, o de vendas de roupas feitas por comerciantes e que eram estilosas – nada a ver com roupas do show – uma área para comer – ou seja, numa você comprava, na outra você comia, sossegado – e outra para se tirar foto em uma promoção de um novo perfume da Natura.

Ok, vamos ao que interessa: os shows.

G-Love: a primeira atração do dia, ainda com sol. O norte-americano entrou com seu violão, tambores engatilhados pelos pés e uma gaita, presa aos ombros, próxima a boca. Tocou dezenas de músicas ao velho estilão country e bluseiro. Detalhe: o cara é letrista de diversas músicas do Jack Johnson. Um dos melhores do dia. Cantou com o sol na cara e pareceu se divertir. Recomendo: 8,0.

Roberta Sá: perdi a apresentação dela na praça de alimentação de um shopping local. A mistura de musica pop com samba de raiz caiu bem à moça que parece gostar bastante do que faz. Sua banda é composta praticamente de senhores e todos, ali, calmos e tranquilamente, mostram que são capazes de fazer vários paulistas sambarem, daquele jeito desengonçado que só eles possuem, por alguns minutos. Legal, mas apenas isso: 7,0.

Laura Marling: a inglesa indie mandou bem em sua estreia em São Paulo. Com uma banda bem eclética e um estilo meio Radiohead de tocar – aqui uma explicação: aquelas músicas tristes da banda do Thom Yorke, ok? – a moça, que possui uma voz inesperadamente diferente do seu jeito de ser, mostrou que tem potencial, mas em vez de esquentar o clima local, que já se mostrava ser mais uma atração (congelante) do festival, deixou tudo ameno para uma apresentação normal, que viria em seguida. Para a Laura? Nota 7,0.

Maria Gadú: conheço pouco dessa moça. Já li muita gente, importante, elogiando-a. Mas do que vi ao vivo, cheguei as seguintes conclusões: ela tem uma boa banda, seu repertório esfriou mais ainda a noite local, ela realmente parece com um miquinho daqueles de cheiro – e aqui nenhuma reprovação, mas sim uma constatação, ok? – e se ela não tivesse aparecido por ali, quase certeza que ela não faria falta. O público gostou... eu: Nota 4,0.

Jamie Cullum: eu já tinha lido em algum lugar que os shows desse britânico eram espontaneamente loucos. Ler é uma coisa, ver pela internet outra, mas ao vivo, o impacto é muito grande, mesmo. Ele entrou no palco de terno e gravata e a cada canção tocada, uma peça ia sendo tirada – detalhe: exatamente quando o clima estava intensamente frio. 

Cullum tomou guaraná com whisky – oferecendo um pouco de guaraná “para o santo” – arriscou-se nos atabaques, mostrou que sua banda é polivalente – é baixista tocando violoncelo e piano, é guitarrista tocando tambor, saxofone e trompete – louco – subiu no piano e de lá se jogou duas vezes – e tocou inesperadamente, com um arranjo que privilegiava as vozes que vinham da plateia um clássico da tristeza do rock dos anos 90: “High & Dry” do Radiohead. Perfeito. 

Nota 10. Uma das melhores apresentações que vi ao vivo em minha vida. Volte seu Cullum, nós merecemos.

Bid e Convidados – li pouco sobre essa atração, senão me falha a memória ele é o produtor do momento, mas não me interessei e logo em seguida a apresentação do JC, já citado acima, começaria a última e mais importante atração da noite, a do Jack Johnson. Então, senhor Bid e seus amigos, nada de nota.

Jack Johnson – não aprecio muito as músicas do havaiano – tempo para você me xingar, dizendo que não sabe o que eu fui fazer lá então  e blá,blá,blá. Bem, vamos ao que interessa: tava frio, muuuuito frio, de sair fumaça da boca. Mas o show foi bom, ele emendou quase todos os grandes sucessos no início do show e parecia não acreditar que o público delirava a cada acorde puxado ou em guitarra ou no violão. Bom show, mas nada mais que isso, bom. Nota 8,0.

Um porem final: recomendo o Natura Nós, principalmente para as meninas e a moçada que não curte um som mais pesado. É tranquilo, tem segurança, gente legal e educada e o mais importante: a organização é de primeira. 

É isso, abraços!

2 comentários:

Monica Leitão disse...

Festival Perfeito!
Organização, atrações, pessoas e o melhor de tudo: a companhia =)

Rod Castro disse...

Hehe, faço minhas suas palavras Mô! E o frio?