!!Começa com você ou: SWU, vai tomar no …!! Por Rod Castro

21 de out de 2010

Este título aí de cima não tem significado negativista como, a primeira vista, parece ser. Ele está aí para lembrar a frase que o público mais gostava de entoar a cada coisinha errada que acontecia no festival. Que convenhamos: ir para um local que terá público final de mais de 160 mil pessoas e achar que tudo será perfeito é acreditar em papai noel, ou na volta de Jesus – fato que ocorreu no terceiro dia de evento.

Pontos negativos: vamos logo a parte ruim, que foi pouca coisa e depois seguimos ao que interessa. O local não foi dos melhores: para chegar lá a pé era uma caminhada da via expressa principal até os palcos, de no mínimo 4km, senão mais – a sensação de morte declarada aumentava com a poeira e com as dores de um dia inteiro, em pé, assistindo aos shows; o som falhou, em momentos importantes, como no show do RATM; a segurança, no primeiro dia, foi precária e nos outros foi tão bem feita que atrasou a entrada do público; o preço de tudo estava exageradamente alto.

Os ingressos estavam em conta: R$ 190 por dia de show, é barato; o público estava bem selecionado; as atrações cumpriram o que prometeram, umas mais, outras um pouco menos; e se a organização soubesse que iria fazer aquele frio, teria conquistado a galera com uma loja com casacos e moletons e outra somente com chá, café e chocolate quente – esses últimos dois existiam no quiosque da Nestlé, mas não havia divulgação.

Shows, shows e mais shows

Primeiro dia (09/10/10)

Brothers of Brazil: a dupla filha dos senadores Marta e Eduardo foi a primeira atração a subir nos palcos oficiais do SWU. Divertiram-se e divertiram o público tocando músicas próprias e outros sucessos antigos do Supla. Nota 7,5.

Black Drawing Chalks: a quantidade de pessoas que conheciam a sensacional banda brasileira era menor do que os que realmente já tinham ouvido o seu som e sabiam o que esperar. Era só ouvir quem cantava e quem não cantava a já clássica “My Favourite Way”. Foi o aquecimento perfeito para o frio que começava a despontar. Um dos melhores shows nacionais. Nota 8,5.

Macaco Bong: outra atração nacional que tinha tudo para arrebentar. E cumpriu seu papel com maestria em todas as canções. Não conhecia a banda, não sabia do que se tratava, mas como o meu amigo, baterista, Júnior disse: “Essa daí (a banda) a gente tem que ver de perto, é som!”. E realmente foi. Música instrumental de primeiro mundo, com tudo certo e não deixou a quentura levantada pelo Black esfriar. Nota 8,5.

Infectious Groove: não fiz questão de prestar atenção nem na música, quanto menos no que rolava nesse momento em cima do palco. Um som datado, com uma ou outra música legal e pela primeira vez rolava em minha cabeça o seguinte pensamento: podiam ter deixado isso de fora e trazido algo melhor. Sem nota.

Mutantes: eu respeito os Mutantes. Mas aqueles que tinham a Rita e os Irmãos Batista. Esse, cheio de gente, com cara bonitinha e que mama nas músicas antigas da banda e não tem nada a oferecer de novo, esse eu descarto. A banda se esforçou, mas o frio – tanto o tempo, quanto a reação do público – não os deixou a vontade. Nota 5,0.

Los Hermanos: “Eu nunca vi o Los Hermanos ao vivo”. Disse sem o menor pudor. A maioria do meu grupo de amigos ficou me olhando. E repeti: “Vamos lá pro lado em que eles vão tocar, tenho que ver!”. E lá foi todo mundo. Nesse momento o vento frio já congelava as pessoas, principalmente as que foram de bermuda – como eu. O show não foi dos melhores, mesmo com a banda esgotando todas as melhores músicas cantadas pelo sempre carismático Rodrigo Amarantes. O som também não colaborou e o que seria o grande show da volta, tornou-se somente mais um show – o meu primeiro - do Los Hermanos. Nota 8,0.

The Mars Volta: na metade do show do Los Hermanos, eu e minha trupe já partíamos em direção ao palco em que rolaria um dos shows mais esperados por este escriba – não era o do Rage Against The Machine, não, não – era o do louco e intensamente perfeito The Mars Volta. A banda que faz um som inclassificável teve seu futuro traçado em uma frase profética do amigo Marcos: “Esse povo aqui não sabe quem é o Mars Volta, até hoje”. Som perfeito, presença de palco dominante e pelo menos um fã radical conquistado: eu. Melhor show do dia sem dúvida, um dos melhores do SWU. Nota 9,5!

Rage Against The Machine: 15 anos. E logo na primeira vez em que a banda surge no palco, um sentimento de alegria e total compreensão de que todos perderiam a noção do que é ser racional toma conta da fazenda Maeda. Pulos, gritos, emoção e depois... Socos, desespero, gritos, corre-corre e algumas quedas pelos caminhos. Para piorar a situação, o som desaparece em uma canção chave e a banda continua o show mesmo assim – eles estavam com o retorno. Uma apresentação memorável, mas o RATM sofreu um eclipse psicodélico e intransigente de Marte. Nota 9,0!

Essa semana sai o post do dia pop. Hoje mais conhecido como o dia Joss Stone.

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