!!Interpol com o disco Interpol... ou: coragem não é pra qualquer um!! Rod Castro!

15 de set de 2010










Escolhas, a vida é repleta delas, todos os dias fazemos tantas que nem as percebemos: desde o momento em que se escolhe ir pela esquerda, ao invés da direita. O mais importante é que o poder de escolha e decisão sempre está em suas mãos, mesmo que você ache que não esteja.

O Interpol é uma das bandas, chamadas indies, que mais escolhas fez desde o lançamento do seu primeiro disco “Turn On The Bright Lights” – um dos mais subestimados lançamentos dos anos 2000 – preferiu fazer o que gostava, mesmo que soasse como uma modernização do som feito por Ian Curtis e seus companheiros de Joy Division – banda que deu início ao grupo pop New Order.

“The Antics” segundo trabalho da banda de NY foi mais uma martelada certeira no prego sonoro que o Interpol é: uma bateria precisa - sem muito enfeites – uma linha de baixo marcante, duas guitarras suaves/pesadas e um vocalista dono de letras mordazes, ácidas e por vezes, repleta de verdades impronunciáveis.

“Our Love To Admire” foi o rompimento da banda com o selo que a lançou – Matador! – e uma experiência com uma das chamadas majors. O resultado não foi dos piores, pelo contrário, mas hoje mostra que a banda experimentou e não quer mais do mesmo.

Depois deste terceiro disco, o líder da banda, Paul Banks, decidiu levar em frente um projeto solo: o já falado por aqui Julian Plenti – excelente trabalho que contou com a participação de um ou outro membro de sua banda fixa. Em seguida a banda se reuniu e foi gravar seu quarto trabalho de estúdio: “Interpol” de novo pela “independente” Matador!.

Este é o disco mais difícil da banda. De verdade. Ele vai de encontro ao que já foi feito pelo quarteto anteriormente e desdobra as assinaturas sonoras em novas possibilidades, ao mesmo tempo em que brinca com o status quo do que eles são capazes de fazer.

Se uma música resume o que um disco é – essa teoria acabei de criar – a desse disco seriam duas: “Safe Without” e “Always Malaise”. Parecem Interpol, parecem Joy Division, mas ao mesmo tempo não é: os vocais dobrados, em que Banks canta uma coisa e o back canta outra, o compasso feito por bateria-baixo-e-guitarra-base contrastam com algo que não é da banda, mas serviu como uma luva.

Elas são a prova de que o Interpol se garante como banda de rock sem a necessidade de aparecer em programas de TV ou rádio mundo a fora.





Nesse mesmo CD, encontramos a melhor música de abertura da banda: “Success” – praticamente um resumo artístico, cheia de camadas e dona de um refrão acima das boas músicas de rock da atualidade – “Eu obtive sucesso e não quero viver por muito tempo. Eu sei dos seus segredos, mas não preciso lhe mostrar.” - e termina tão rapidamente quanto é longa em seu tempo, perfeita para um repeat infinito.

“Memory Serves” saiu de algum lado B do início de carreira do Duran Duran; “Summer Well” é repleta de ritmo (a melhor “cozinha” do CD) e elementos de composição - dançante e extremamente grudenta; “Lights” e “All Of The Ways” com certeza são irmãs próximas de “No I In Three Some” de “Our Love To Admire”; “Barricade” é Interpol como só Interpol pode soar; “Try It On” é dançante – foi responsável por um boato de que a banda teria um CD pra cima.

Confesso que agora, na sétima vez em que ouço o disco por inteiro, chego a conclusão de que este pode ser o melhor e pior disco da banda.

A sentença depende do seu dia. O meu pede um 8,5... quase 9,0. E o seu?

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