!!Um filme de primeira classe para os filhos do átomo – “X-Men, Primeira Classe”

8 de jun de 2011

Não sou fã do trabalho de Matthew Vaughn. Acho que ele fez um bom filme – “Nem Tudo É o Que Parece” – uma boa adaptação de quadrinhos – “Kick Ass” – e fez um filme mediano – “Stardust” outra adaptação de quadrinhos.

Gosto mais de seu trabalho como produtor-dupla de Guy Ritchie. Os dois filmesem que eles trabalharam juntos foram muito acima da média e revelaram um novo estilo europeu de se produzir filmes “moderninhos”, como em “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes” e no excelente “Snatch, Porcos e Diamantes”.

O rompimento da parceria trouxe mazelas e fraquezas para os trabalhos de ambos. Guy se recuperou recentemente no divertido “Sherlock Holmes”, enquanto Matthew - que já tinha flertado com os “X-Men” nos cinemas ao assumir a adaptação do terceiro filme dos mutantes e abandonar o barco porque não aguentaria ficar longe da família – deu vida a uma adaptação, não tanto fiel aos quadrinhos, mas bem melhor do que muita coisa que passa no cinema atual, o já citado “Kick Ass”.

Em "X-Men, Primeira Classe" podemos sentir a mão de Matthew no roteiro, em que colaborou diretamente. Esta sua colaboração é um fator que muitos afirmam ser a sua principal característica como diretor/produtor. O resultado é melhor do que a encomenda: na trama, além de mostrar como foi o verdadeiro início da raça mutante – mesmo marco usado no primeiro filme da série: o surgimento de Magneto nos campos de concentração na Alemanha nazista – o roteiro traça um paralelo entre os mais importantes personagens de toda a história mutante Erik Lenhsherr (Magneto) e Charles Xavier (Professor X).

No filme há elementos reais e que cercam a época em que os personagens foram criados por Jack Kirby e Stan Lee, nos estúdios de quadrinhos da Marvel Comics. O principal deles é a década escolhida para mostrar esse ápice do controle dos poderes dos futuros Magneto e Professor X:: os anos 60. Mas o roteiro vai além e traça uma subtrama com o estado de paranoia em que viviam os americanos, e o mundo inteiro, nos dias do imbróglio dos mísseis levados da Rússia para Cuba, durante o governo de John Kenedy.

Outro acerto do diretor: os personagens escolhidos. Além de Magneto e Charles, temos Sebastian Shaw (líder do Clube do Inferno), Emma Frost (a Rainha Branca), alguns outros vilões menores, e os primeiros X-Men: Fera, Mística, Darwin, Destrutor, Angel e Banshee. Todos jovens, todos repletos de poderes e cheio de dúvidas também, afinal, qual jovem não quis fazer parte do todo?

Mas o derradeiro ponto que faz deste o melhor filme dos mutantes em cinema desde o mais bacana filme da Marvel , em minha opinião, “X-Men 2”, são os atores. Se James McAvoy buscava um papel que mostrasse seu talento para o público e não o havia alcançado em “Wanted”, ele conquista a todos com seu Xavier repleto de erros, fatores humanos, sensível e engraçado.

E o que falar do Magneto de Michael Fassbender? Perfeito. O ator alemão tem talento de sobra para ser respeitado em solo americano e deve conquistar papéis de destaque em produções ao estilo Blockbuster. Este foi só o início. 

Dos jovens, pode-se destacar a já indicada ao Oscar Jennifer Lawrence (Mística) e o ex-“Grande Garoto” Nicholas Hoult (como Fera). Entre os veteranos: o trabalho de Kevin Bacon como Sebastian Shaw, um dos primeiros vilões de verdade de toda a série – já que Bryan Singer e Bret Rattner escolheram a humanidade como principal vilão dos três filmes mutantes - é muito acima do que ele vinha oferecendo em papéis menores, em filmes menores.

O que mais faz a diferença neste "reboot"? Dois fatores: uma excelente direção de arte, sem exageros e praticamente um guia de como poderia ter sido feito outra adaptação de quadrinhos em tela grande “Watchmen” (de Zack Snyder). Todos os cenários, até mesmo os feitos em computação gráfica, são perfeitos.
E a edição e condução da câmera. Ambas parecem ter saído de um filme de ação dos anos 60. A trama já remete a isso, é lógico, mas elementos como o bloqueio em “diamante” feito por Emma à “invasão” de Xavier é um toque especial, assim como os enquadramentos ao estilo James Bond do tempo de Sean Connery.

Bela adaptação. Bom momento para Vaughn e demais atores. Merece ser visto no cinema. Nota 8,5.

Ah, a cena em que Wolverine surge em um bar e é chamado pela dupla de amigos Charles e Erik é hilária.

11 comentários:

Dani Ianni disse...

Ahaaaaaa Rod... só 8,5???
Vale um belo de um 10 váaaaa rsrsrs
Sai da merda do cinema eram 0:45 na noite de estréia e em seguida mandei torpedo
pra um monte de gente...
Pra mim foi ótimo, ótimo, ótimo!!!
Agora sim esse puto desse diretor acertou com o X-men rsrsrsrsrsrsrs =D

Rod Castro disse...

Hehe. É aquilo, há elementos que sempre lebo em consideração em uma adaptação de quadrinhos. Um dos que mais considero é a ação. Acho que nesse ponto o filme falha. Não compromete, mas falha.

Mas também tem outro fator que muitos dão valor e eu não me sensibilizo por ele: fidelização. E ness ponto o filme é bem feliz, principalmente por se importar com os caminhos dos filmes dos X-Men e não com a mitologia em quadrinhos. Bom filme, mas não chega a ser um 9,0.

Thiago Henrik disse...

Bela rezenha, o filme é ótimo =)

Rod Castro disse...

Verdade, um filme que merece ser revisto... ainda mais que este ano parece não ter nenhum filme com pencha de ser um dos melhores... tirando os que estrearam em época de Oscar.

Mas aqui uma anotação virtual: lógico que vai aparecer um monte de espertão querendo dizer que apostava sim no filme e que mais não sei o que lá, como em "A Rede Social", tudo balela.

Não há um site que falasse ou apoiasse o filme antes do mesmo chegar as telas e isso é muito bom. Este patamar de julgamento antes das coisas acontecerem nas salas de projeção é que vem fazendo do cinema algo monótono...

margaux disse...

Eu adorei. Também achei que faltou um pouco mais de ação. E eu também não estava dando muita bola para o filme pois achei que iria ser no mesmo estilo dos anteriores(que não gostei nem um pouco)
E o Logan é realmente um bruto hehehehehe(foi hilário)

Rod Castro disse...

Hehehe. Bruto não, perfeito. Aqui uma anotação mental: será que ele afastou ambos pensando que eram gays, ou simplesmente os mandou embora pois não queria papo com ninguém?

Loop disse...

Curti bastante o filme, só não mais por causa daquela maquilagem escrota do Fera, tá fake e a Emma Frost parecia mais gostosa nas fotos de divulgação que no filme (broxei!). Agora é uma ótima nova franquia se mantiverem a equipe toda, dos roteiristas e produtores, diretor até os atores! concordo com a nota tbm: 8,5.

Rod Castro disse...

Pô Loop falastes algo importante: a Emma realmente é beeeem fraquinha. Nem nas fotos a January Jones me convencia e na tela então, não rolou a "magia". Esses roteiristas já tão tentando emplacar mais um filme da Marvel, vamos ver...

Apollo Marcelo disse...

Ainda não tive a oportunidade de assistir esse novo filme, mas pelo que vejo nos comentários por ai parece ser bom,.quando assiti-lo comentarei algo que preste kkkkk'

Cesar Alcon disse...

Gostei muito do filme, tem imagens belíssima. Maass algumas coisas não me agradaram tanto. O fato de muita coisas não baterem com os HQs não me incomoda tanto, mas acho que entre os filmes seria importante manter uma certa coerência. A Frost aparece jovem no filme do Wolverine e nesse, aparece adulta. O Alex é o irmão mais novo do Scot, não era para aparecer no filme.

E fiquei decepcionado quando descubro que o vilão é o Shaw. Nos primeiros minutos do filme, acreditei que era o Sr. Sinistro, um inimigo muito mais interessante e que estava entre os nazistas durante as grandes guerras... enfim...

Fora isso rs... é um ótimo filme! Para mim o melhor entre os filmes dos mutantes.

Rod Castro disse...

Então, continuo achando X-Men 2 o melhor deles. Principalmente pelas cenas de ação, algo que na minha opinião faltou a este novo filme da franquia. Quanto as observações do César concordo quanto ao lance da Frost... foi um erro mesmo.

O Alex por mim passa tranquilo, pois na hora em que o Xavier busca mutantes pelo mundo, utilizando-se do Cérebro, ele vê Scott e este parece mais velho que o Alex mostrado no filme.

Quanto ao Shaw, eu sinceramente gostei muito, acho um dos vilões mais subestimados nos quadrinhos, praticamente bem usado somente na fase do Chris Claremont ao lado do John Byrne, desde lá, sempre deixado de lado, e também porque não sou fã do Sinistro, acho que puxaria para o mundo irreal que a Marvel, principalmente no cinema, sempre deseja se afastar.

Agora uma coisa me veio a mente, aqui lendo esse texto do César e me lembrando do final do filme: será que aquela ilha não poderia ser o start para um novo filme, como o lance do resgate dos mutantes?