!!Os Raimundos Azuis que assisti recentemente, ou: contatos de 4o Grau e 2012 (em Blu-Ray)!! por Rod Castro!

25 de mai de 2010

Eu comprei meu blu-ray a preço de banana. Importadinho, transportado dentro da mala e com direito a um disquinho no formato: Clube da Luta Edição de Dez Anos – sem dúvida nenhuma um título que você deve ter. Sendo assim, comecei a alugar filmes no formato e dois deles até que me agradaram. É óbvio que o som e a imagem que o aparelhinho proporciona dá um toque a mais ao assistir qualquer filme, mas, ainda assim, há críticas aos dois filmes.

Vamos aos artigos? Simbá!

“Contatos de 4º Grau, de Olatunde Osunsanmi”

Alguém aqui já assistiu ao subestimado “Fogo no Céu”? Filme de 1993 e que praticamente foi boicotado nos EUA por ser um filme sério que tratava sobre um assunto polêmico e que se baseava em fatos reais – 05 lenhadores haviam entrado em contato com um disco voador, sendo que um deles foi abduzido.

Este “Contatos de 4º Grau” é um filme muito parecido com “Fogo no céu” a diferença reside no que é verdade e no que é mentira. Ou melhor: no que o diretor com nome africano, mas que é americano, Olatunde Osusanmi, nos vende como parte documental e no que ele encena frente as câmeras como o que teria ocorrido.

A história se passa em Nome, cidade com pouquíssimas pessoas, que fica no Alaska. Há mais de 20 anos, algumas pessoas não conseguem dormir e por vezes, traumatizadas pelos sonhos, acabam cometendo suicídio. Uma psiquiatra (Milla Jovovich) especialista em hipnose chega ao local para realizar sessões com outros moradores e acaba perdendo seu marido, misteriosamente assassinado.

O filme não atira para vários lados, pelo contrário, você sabe que o mistério está relacionado a contatos com ETs, mas o desenvolvimento, juntando fitas das sessões de hipnose com as encenações das mesmas sessões provocam o terror em quem assiste ao filme. A edição é elemento importantíssimo em toda a história contada, os atores estão afiados, mas a possibilidade de que a personagem “real” que aparece em vídeo ser uma atriz se portando como a psiquiatra, acaba com o encanto do filme.

Os efeitos especiais estão no local certo: sem chamar muita atenção e totalmente condizente com a história. O roteiro tem contexto interessante e abre muitas possibilidades e deixa o mistério no ar. A direção peca por não mostrar o que é real ou pior: por se prender em algo visivelmente falso, mostrado como algo verdadeiro.

Recomendável, bem realizado, mas podia ser um pouquinho melhor. Nota 7,0.

“2012, de Roland Emmerich”

A maioria dos diretores conta a mesma história de uma forma diferente, de projeto para projeto. Essa teoria tão defendida pelos críticos franceses e confirmada pelo mestre Alfred Hitchcock, em entrevistas feitas pelo renomado François Truffaut, é um paradigma do cinema.

Alguns poucos diretores seguem-na arisca. Primeiro porque há um grande risco de se tornar repetitivo, ainda mais se você criou uma fórmula para contar suas histórias – como M. Night Shyamalan o fez no início de carreira – segundo porque o público pode taxar você de repetitivo e nada original, como é o caso de Roland Emmerich.

Desde que pisou em Hollywood, com o interessante filme pancada “Soldado Universal”, o diretor alemão praticamente se obcecou por filmes que de alguma forma acabam ou destroem a humanidade, como: “Stargate”, “Independence Day”, “Godzilla”, “O Dia Depois de Amanhã”, “10.000 anos Antes de Cristo” e agora “2012”. A exceção se faz presente no seu único filme de época e que merecia um pouco mais de prestígio: “O Patriota”.

Além de serem filmes com grandes orçamentos e ter em seus elencos estrelas internacionais, o diretor priva por efeitos especiais embasbacantes que foram realmente criados para ganhar reprodução em grande escala, como na tela de um cinema, nada que o Blu-Ray não compense, quando você os assiste em casa.

“2012” não é muito diferente dos filmes catástrofes já tantas vezes realizados mundo a fora: um sujeito da ciência descobre que o planeta está em total risco de extinção. Ao contrário das outras vezes, não há uma solução plausível para o pause dessa situação, assim: tomam-lhe cenas impressionantes dos mais diversos locais do mundo indo pras cucuias, cenas de ação de tirar o fôlego e algumas sacadas visuais que ficam na memória dos espectadores durante alguns minutos.

Outros elementos marcantes dos filmes do diretor alemão também estão lá: o cara comum que se torna um grande herói com o passar do filme – no caso, John Cusack – uma família deteriorada que se junta em um momento tão avassalador como esse e um final quase feliz, mas nada de o mundo acabou e viva a dor de um futuro próximo.

Roland domina a técnica, sabe narrar visualmente, não é tão bom diretor de elenco, tem extremo cuidado com as imagens, mas não tem o mesmo apuro com as histórias que conta. Filme pra entreter, o faz bem, mas que não fica entre os melhores do ano nunca. Nota 7,5!

Depois de tanto tempo, eis que surjo, limpo, e com muitos artigos: Alice no País das Maravilhas e A Hora do Pesadelo – por Rod Castro!

21 de mai de 2010

Finalmente, ajeitando minha vida pessoal, posso atacar com minhas cornetadas, comentários e avaliações nada serias sobre filmes, gibis, livros e demais exemplares da cultura pop que tanto me abastecem de informação e às vezes, as vezes hein, acabam por me divertir. Vamos aos artigos? Simbá!

“Alice No País das Maravilhas, de Tim Burton”

Sejamos francos? Tim Burton é um excelente diretor. Tem um domínio de câmera e cria possibilidades artísticas, através dos seus excelentes diretores de arte, que encantam e tomam conta da tela e do deslumbre de seus fãs e espectadores.

Mas, tirando o subestimado “Peixe Grande” e o bom “Sweneey Todd”, nesses anos 2000 Tim não acertou a mão em seus filmes, principalmente por dois fatores: roteiros visivelmente feitos sem grande inspiração e a total confiança de que ter Johnny Depp em cartaz é a garantia de que o público vai gostar do filme.

Em “Alice” Burton mistura o primeiro e o segundo livro do lisérgico senhor Lewis Carroll e tenta dar um toque pessoal a aventura tantas vezes vista em desenho e tantas vezes recontada através de outros filmes – a criança que entra em contato com um mundo mágico para escapar da sua cruel realidade.

Os efeitos são sensacionais. O 3D é muito bem feito, não tão bem explorado. As atuações – da própria Alice (Mia Wasikowska), do Chapeleiro Louco (Depp disfarçado de Madonna), da Rainha de Copas (Helena Bonham Carter) e da Rainha Branca (Anne Hathaway) – estão perfeitas e até mesmo bem contidas, nada de exageros para compensar o fraco roteiro.

Como tanto falei para as pessoas que eu conheço e queriam minha opinião sobre o filme: é um filme do Tim Burton – cheio de boas referencias visuais, dono de boas interpretações – mas que peca no contexto de desenvolvimento de trama, ou seja, um erro de direção. Nota 7,5!

“A Hora do Pesadelo, de Samuel Bayer”

Grandes marcas do cinema merecem sim um recomeço. Sou a favor e sempre espero uma surpresa durante este processo de reinício. Os que são contrários e sempre perguntam minha opinião, respondo: e o que você acha de “Batman Begins” e “O Cavaleiro das Trevas”?

O detalhe da minha pergunta reside no pensamento por de trás da ideia. Ou seja: Chris Nolan tem uma equipe gigantesca de pré-produção e total liberdade para dar o caminho desejado. Mas será que este novo Freddy passou por este tipo de posicionamento. Pelo que vi, não.

A ideia de praticamente filmar o clássico de Wes Craven nos seus mínimos detalhes – o original – foi uma boa tática, pois o apresentava para os virgens deste tipo de terror, ao mesmo tempo em que fazia os velhotes, como eu, sorrir com os sustos já pré-programados.

Mas o iniciante em cinema e repleto de trabalhos em videoclipes e comerciais, Samuel Bayer, meteu as mãos pelos pés e não inovou em nada. Não se utilizou dos modernos efeitos especiais a sua disposição e muito menos buscou um caminho diferente para contar a mesma história, uma pena.

Sim, ele acertou em chamar o “nerd certo na hora certa”, o ator Jackie Earle Haley – que mais uma vez faz um papel desejado por muitos, como Rorscharch de Watchmen – que dá um toque especial ao Freddy, o tornando mais macabro, mais cruel e sinceramente, nada engraçado – fator especialmente agradável para este que aqui redige.

O filme conta a mesma história do clássico que tinha Johnny Depp entre os jovens perseguidos em seus sonhos por um homem com garras de metal, corpo queimado e usava um chapéu no estilão década de setenta.

Mas o filme não prende, nem produz um efeito interessante que os demais “Hora do Pesadelo” conseguia imprimir em sua platéia: a vontade de ver Freddy estraçalhando em um novo filme. Por esses fatores, positivos e negativos, nota 6,5. Esperava mais.