!!O Chinês Americano, o Superman de Geoff Johns e a Invasão Skrull/Crise Final… ou gibis e mais gibis!! Por Rod Castro!!

24 de ago. de 2009

Mais uma vez posto novidades e recomendações do mundo da nona arte para os que dão uma passada aqui no A Sétima e Todas as Artes. As desse momento são atrasadas, atuais, interessantes e obrigatórias. Vamos lá?

“O Chinês Americano” – A Companhia das Letras enveredou pelo mundo dos quadrinhos e vem lançando excelentes títulos, um desses é este escrito por um chines que realmente mora nos EUA.

De uma forma limpa, descontraída e até mesmo vanguardista, o autor consegue levar seus leitores à reflexão – temas como preconceito racial e total depreendimento das pessoas com as suas origens são contados com maestria – ao mesmo tempo em que diverte e emociona.

A história se divide em três focos: a lenda do Rei-Macaco – um semideus que desafia os demais e se dá mal – um garoto chinês que se desprende de suas origens para ser aceito entre seus colegas americanos e seu primo, um “china” que representa todo o estereótipo que o personagem principal tenta escapar.

Simples, interessante e obrigatório entre os gibis publicados no Brasil. “O Chinês Americano” passa tão rápido que você é capaz de arriscar uma releitura e se divertir com a mesma intensidade. Excelente: 9,0.

“Superman de Geoff Johns” – Poucos personagens do mundo dos quadrinhos tem sofrido tanto nas mãos de seus roteiristas quanto o Superman. Desde 1993 – a fase logo após sua “morte” – o último kryptoniano tem recebido argumentos pífios ao ponto de alguns autores do mercado americano, que trabalharam em seus títulos, afirmarem que sua idade – mais de 70 anos – é um dos maiores fatores contrário a novas histórias e conceitos.

Mas desde que o ex-roteirista de cinema, Geoff Johns, pôs suas mãos no Superman, a vida do personagem e suas histórias melhoraram 900%. Johns é daquele tipo de redator que conhece a fundo a história de todos os personagens com que interage – o Super, os Titãs, o Lanterna Verde, o Flash e a Sociedade da Justiça – e isso agrada não só veteranos, mas acerta em cheio novos leitores.

Somente nestes últimos dois anos de trabalho – publicado no Brasil – ele fez três sequências de histórias que merecem sua atenção: as passadas “O Último Filho de Krypton” e “Fuga do Mundo Bizarro” e a que se encontra atualmente nas bancas, “Braniac Contato”.

As duas primeiras foram escritas em parceria com Richard Donner (diretor da série "Máquina Mortífera" e os primeiros "Superman" – e muitos afirmam que a primeira história seria o pensamento do diretor para “Superman II” – e tiveram desenhistas excepcionais – Adam Kubert e Eric Powel. Já a última citada tem o lápis competente de outro grande desenhista: Gary Frank.

Dois fatores muito interessantes dessas três histórias de Johns: ele recuperou três vilões do Super – General Zod, Bizarro e Braniac – e os seus desenhistas embarcaram na onda nostálgica de seus roteiros e fizeram o personagem com a cara e o jeito de Christophe Reeve. Vá por mim: compre qualquer uma dessas sagas e garanta a sua diversão. Nota 9,0.

“Invasão Secreta/Crise Final” – Quem é o careca mais genial dos quadrinhos: Brian Michael Bendis ou Grant Morrinson? Ambos já fizeram obras sensacionais – “Demolidor, Powers e Alias” e “JLA, Homem Animal e Os Invisíveis”, respectivamente – mas de um tempo para cá não estão empolgando tanto quanto já o fizeram.

Outro ponto em comum: ambos estão a frente das minisséries mais importante de suas editoras – Invasão Secreta (Marvel) e Crise Final (DC) – e também lideram duas importantes obras atuais: Vingadores e Batman.

“Invasão Secreta” mostra que nem tudo é o que parece no universo Marvel. Isso porque a raça de alienígenas Skrull – transmorfos poderosos – infiltrou dezenas dos seus soldados entre os principais heróis da Terra, resultado: ninguém confia em ninguém e o Planeta, pela primeira vez, corre verdadeiramente perigo.

Já “Crise Final” tenta enterrar a ideia de algum editor da década de 50 da DC que criou mais 51 Terras diferentes para que seus personagens pudessem viver novas histórias sem nenhum compromisso com a mitologia original do seu universo. Mas será que o final está próximo? É esperar pra crer ou é acreditar em Grant Morrison e esperar.

Há excelentes momentos nas duas sagas – a invasão ao centro de Manhattan e a morte de Ajax, o caçador de Marte - e os autores tiraram sorte grande ao terem como parceiros os desenhistas Leinil Francis Yu (Invasão) e J.G. Jones (Crise). Merece sua atenção, mas não total empolgação.

Invasão: 8,5 – Crise, até o momento: 8,5.

!!Cara, pode me chamar de ‘Cara’… ou Dez anos de O Grande Lebowski!! Por Rod Castro!

18 de ago. de 2009

Antes dos irmãos Coen serem aclamados pelas maiores premiações mundiais de cinema – como Oscar e Globo de Ouro, ou seja: antes de “Onde Os Fracos Não Têm Vez”, única adaptação feita pela dupla Ethan e Joel - eles eram tachados de excêntricos pelos seus filmes, histórias e principalmente, por seus personagens.

Tecnicamente eles sempre tiveram grandes profissionais em suas equipes e se destacaram por fazer um trabalho diferente dos demais diretores e criadores do mercado Americano. O “excêntrico” na verdade tem outro significado quando possui o sobrenome Coen em seus créditos: originalidade.

Poucos diretores e produtores do bom cinema americano podem falar que fizeram, de próprio punho, uma sequência de filmes tão bons como “Gosto de Sangue” (1984), “Arizona Nunca Mais” (1987), “Ajuste Final” (1990), “Barton Fink” (1991), “Na Roda Da Fortuna” (1994) e “Fargo” (1996). Filmes interessantes, violentos e ao mesmo tempo donos de cenas emblemáticas e personagens marcantes.

Dois anos após o “sucesso” alcançado com “Fargo”, a dupla engrenou mais um conceito que se tornou roteiro e virou um dos filmes mais loucos, intransigentes e engraçados da dupla, o interessantíssimo “O Grande Lebowski”. O trunfo desse filme merecer ser relembrado e até (re) visto por você – e fazer parte da sua DVDteca – passa por uma sequência de fatores.

História: nada como contar um pouco da vida de um cara que não faz nada da vida, não é mesmo? Afinal de contas, os americanos sempre têm algo para fazer de suas vidas, menos “Dude” (Cara), ou melhor Lebowski - encarnado com maestria por Jeff Bridges – o tipo de cara que é capaz de dar um cheque de 69 centavos por um leite em um supermercado.

“The Dude” ou “O Cara” é confundido por dois cobradores de dívidas que arrebentam com ele, em seu próprio vaso sanitário e em seguida urinam em seu único tapete. Sabendo que o Lebowski que os brutamontes foram cobrar não era ele, o seu xará “era para ser rico” como fala um dos cobradores, “Cara” vai cobrar um novo tapete do verdadeiro devedor.

A partir daqui o filme mergulha numa verdadeira confusão de nomes e personagens que é impossivel não pensar no quanto os Coen devem ter se divertindo escrevendo esse roteiro.

Liberdade: sabe aquela máxima que os mais antigos vivem afirmando para os jovens: “Liberdade não se dá. Se conquista!”? Os Coen não batalharam tanto assim para conquistá-la, já que vários dos seus trabalhos saíram pelo mesmo estúdio “o pequeno celeiro de autores independentes”, a Miramax, dos também irmãos Weinstein.

Foi com total liberdade para fazer um filme sem compromisso com o lucro ou com premiações que os Coen sentiram confiança para traçar os caminhos, por vezes loucos, de “Cara” e sua trupe de amigos e demais personagens. Essa confiança acabou chamando atenção de atores consagrados ou recém promovidos a revelações do cinema moderno.

Elenco: digamos que você pegue a capa de um DVD e se depare com nomes como Jeff Bridges, John Goodman, Steve Buscemi, John Turturro, Philip Seymour Hoffman, Julianne Moore e Sam Elliot, como diabos não levar esse possível filmão para casa? Ainda mais com os Coen na liderança da história a ser contada.

Todos os relacionados acima não só estão no filme como transformam seus personagens em seres comuns, mesmo na sua maioria, sendo pessoas diferentes das demais que estão no mesmo planeta que nós – eu e você leitor.

Há um veterano do Vietnã totalmente equivocado e perturbado (talvez o melhor papel de Goodman), um amigo comum que sempre é espizinhado pelos demais (Buscemi), um jogador louco e, esse sim, excêntrico (Turturro, engraçadíssimo), um engravatado puxa-saco sentimental (Hoffman), uma artista plástica que só pensa em sexo (Julianne), um narrador cowboy (Elliot) e o vagabundo do título, que por si só, já é um personagem significante.

Todas essas feras juntas acabam por transformar “O Grande Lebowski” em um filme divertido e que merece maior respeito por parte da crítica e até mesmo do público, ainda mais se você foi conquistado por “Onde Os Fracos Não Têm Vez” e quer conferir os demais trabalhos dos irmãos. Recomendável até demais. Nota 9,0.

!!Um disco do Queens feito pelo Arctic ou um disco do Arctic Monkeys influenciado pelo QOSA?!! Por Rod Castro

13 de ago. de 2009

O que inspira uma grande banda hoje em dia? A liberdade que a internet garante para que o seu trabalho seja conhecido no mundo inteiro com apenas um click? A vontade de fazer trabalhos cada vez mais interessantes e que possuam a sua assinatura? Ou uma grande vontade de soar como outra grande banda do seu tempo, mas que não é a sua?

Perguntas como essas devem ter inspirado os Arctic Monkeys, que: já usaram a net para divulgar o seu primeiro disco; gravaram um dos melhores segundo disco dos últimos 10 anos; e agora convidaram o líder (Josh Homme) da melhor banda surgida nos EUA no finalzinho dos anos 90, o Queens Of Stone Age, para produzir o seu terceiro e mais diferente trabalho.

O novo disco se chama “Humburg” e recentemente chegou às lojas de CDs do mundo inteiro. É um disco do Arctic, mas com o peso da mão de Josh, que teve participação em 7 das 10 faixas escolhidas para o resultado final – as outras três foram produzidas por James Ford, o mesmo dos discos anteriores da banda.

A sombra projetada pelo loiro que manda no Queens Of Stone Age se sente no clima pesado das faixas, no baixo preciso, nos descompassos da bateria e até mesmo no jeitão mais sinistro de cantar e de se tocar guitarra da banda. E isso é bom ou ruim? Bem, o resultado final é bem melhor do que se poderia imaginar.

É Arctic sim, mas com um amadurecimento sonoro que talvez só com mais uns seis anos de carreira os jovens membros da banda apresentariam. Determinadas horas, parece outra banda tentando soar como os verdadeiros Arctic (“My Propeller”, “Crying Lightining” e “Potion Aproach”), mas com o passar das músicas você percebe, em notas e assinaturas artisticas, que são eles tentando se afastar do que já foram (“Dangerous Animals”, a melhor do disco e “Dance Little Liar).

Se o caminho para o futuro do rock & roll passa pelos acordes do Arctic Monkeys, como afirmo a amigos e pessoas que me perguntam a opinião sobre as novas bandas, esse “Humburg” botará os fãs em Xeque, já que o som mudou, não muito, mas mudou. E invitavelmente resultará em uma nova pergunta: esse é o futuro deles como banda ou é apenas uma (boa) influência e passará?

Mais um excelente disco de “rock bretão”, para ficar ao lado de outros do estilo, ou ao lado dos demais CDs do Queens? Boa dúvida, não? Nota 9,0.