!!Os três maiores estúdios de animação dos EUA e suas novas crias!!

28 de jun de 2011

As três mais esperadas animações do ano já passaram nos cinemas de Manaus, na ordem cronológica: “Rio”, “Kung Fu Panda 2” e “Carros 2”. E há o que se falar de cada uma e até mesmo relacioná-las em um aspecto em comum: todas não se preocuparam com o roteiro de suas histórias, principalmente a mais nova a tomar as salas de cinema da cidade, do país e do mundo.

E o fato do maior estúdio de animação, a Pixar, errar a mão em um filme não é novidade. Pelo menos em minha avaliação. “Toy Story 3” é um filme bem abaixo da sequência repleta de qualidade estabelecida pelo estúdio nos últimos anos, como “Monstros S/A”, “Procurando Nemo”, “Os Incríveis”, “Wall-e”, o próprio “Carros” e a sua obra máxima “Ratatouille”.

De comum a “Carros 2” e “Toy Story 3” temos: a excelente realização em efeitos e animação e o fato de ambas terem um número após seu título, o que indica que a obra é uma continuação. Mas calma lá, estamos falando do mesmo estúdio que realizou uma sequência que foi melhor que o original, o subestimado “Toy Story 2”. O que está ocorrendo lá pras bandas da turma da Luminária?

Difícil opinar sem ler nada a respeito, mas que é incomum é. Até porque se há uma coisa que eles mesmos – principalmente em seus documentários de extras em DVDs de seus filmes – sempre privaram foi pela qualidade das histórias contadas. Para se ter uma ideia há um nome importante no roteiro do primeiro filme de sucesso deles, o “Toy Story”, o senhor Joss Whedon (criador da série Buffy e que dirige o novo filme da Marvel “Os Vingadores”). Mas vamos aos filmes?

“Carros 2” – de John Lasseter e Brad Lewis

O que contar a mais sobre um filme que se baseia em outro e que já foi bem resolvido. Talvez aí more o problema deste filme. E sejamos sinceros, “Carros” é um filme que já foi rodado quinhentas outras vezes, mas com astros ou desconhecidos de pele e ossos.

O filme tenta mostrar outro foco de Relâmpago Mc Queen e sua turma, envolvendo-os em uma trama de espionagem e muitas corridas ao redor do mundo. Sim, o personagem Tom Mate é ótimo, mas ele por si só não consegue carregar o filme inteiro em suas costas. Pior, a trama é muito adulta, poucos são os momentos que as crianças demonstram realmente gostarem do filme.

Cheio de excelente cenas de ação, perseguição e corridas, “Carros 2” derrapa feio na parte empatia, demora para pegar a atenção dos seus mais importantes consumidores por sua “complicada trama” e não parece ter combustível suficiente para engatar uma nova aventura. Para fazer uma comparação – quem gosta de carros adora isso – é a mesma situação que ocorreu em “Shrek 3”. Não vejo luz no fim do túnel para essa franquia. Mas é a Pixar e temos que respeitar. Nota 6,5.

“Kung Fu Panda 2” – De Jennifer Yuh

Esta continuação já começa da história pré-estabelecida no primeiro filme da série.  Traduzindo: Po e seus amigos lutadores são a solução para todo e qualquer mal que atinja sua cidade e país. Mas um vilão do passado “histórico” dessa china imaginaria está de volta para resgatar sua herança.

O vilão é mau, engraçado e tem um desenho – a imagem mesmo – muito marcante. No Brasil não me interessei em ver quem o dublou, nos EUA foi o  sempre competente Gary Oldman. É questão de lógica saber que ele quer arrebentar todos que se opõe a sua conquista, até mesmo os grandes mestres de kung fu do mundo – dois deles dublados por Jean-Claude Van Damme e Jackie Chan.

Essa conquista será realizada pela confecção de grandes canhões movidos a pólvora – uma “invenção” realmente chinesa. As cenas de ação estão exageradamente bem feitas e abusam dos efeitos 3D – não o da confecção dos personagens, mas do efeito proporcionado pelos óculos escuros que hoje pomos em nossas faces.

Mas dois fatores fazem desse “Kung Fu Panda” tão melhor quanto o primeiro e são fundamentos já trabalhados no primeiro capítulo da série: o humor – as cenas e quem Po (méritos do enlouquecido Jack Black?) se vê nas situações de combate ao lado de seus companheiros são hilárias, assim como as horas e quem o seu pai adotivo surge na tela – e a arte do filme.

Esta arte aqui dividida em duas situações: a confecção dos locais em que os personagens se encontram: além de belos, possuem detalhes que realmente saltam aos olhos e porque não até trazem novas concepções para os pequenos que forem ver o filme. E a segunda: as animações em 2D, aquele desenho no traço, que além de estarem bem executadas possuem uma beleza oriental marcante, principalmente na movimentação dos personagens em cena.

Tudo isso pode ser o peso de Jennifer, diretora do filme, que foi a argumentista e coordenadora das cenas de lutas do primeiro “Kung Fu Panda” e que fez parte da equipe de algumas animações, como “Spirit” e a série animada do herói “Spawn”. 

Muito boa continuação. Tem tudo para engatar uma terceira parte e se bobear abocanhar o Oscar de 2012, ainda mais pela derrapada do filme citado acima. Nota 8,5.

“Rio” – de Carlos Saldanha

Falar deste filme e não mencionar seu diretor Carlos Saldanha é não reconhecer um talento gigantesco e que venceu onde a maioria gostaria de vencer, mas não teve a coragem de se arriscar. E esse risco põe muita coisa a perder, mas pode muito bem oferecer muita coisa a ganhar. 

O carioca que se mandou para a gringa e venceu por lá, começou seu trabalho no cinema ao realizar alguns efeitos especiais para “Clube da Luta”, pela produtora Blue Sky. Isso mesmo, este foi o trabalho que abriu algumas portas para Carlos por lá. Em seguida ele, já dentro da Fox, foi ser codiretor de dois grandes sucessos animados do estúdio: “A Era do Gelo” e “Robôs”.

As outras duas continuações de “Era do Gelo” foram dirigidas por ele, a terceira parte teve codireção de Mike Thurmeier, e lhe deram a pecha necessária para que ele tocasse um projeto quase autoral: “Rio”. Uma ode a cidade natal do animador.

E o filme não faz feio em nenhum aspecto. Se for pelo técnico é uma aula, todos os detalhes, como textura, iluminação, a moldagem e a movimentação, estão perfeitamente executados. A concepção dos personagens está bem trabalhada, desde o deslocado Blue que sai da sua fria cidade nos EUA para cruzar com uma fêmea de sua espécie em um criadouro no Rio de Janeiro, até chegarmos ao garotinho que “vive” de roubar aves raras para contrabando.

Muitas pessoas afirmaram que o filme é uma tremenda sacanagem com o Rio, discordo, toca em assuntos interessantes, mostra a favela e as belezas que cercam a cidade, com muita verdade – tirando a hora do moleque na direção da moto – respeito, mas não seria diferente com um carioca no comando geral do filme.

Vale o ingresso, traz a memória – de quem já visitou a cidade – certos aspectos únicos e que marcam o local e faz  com que torçamos por mais uma continuação. Ah, Carlos usou bem os efeitos em 3D – o que a gente vê através dos óculos – e o filme possui um legal e fácil jogo para PS3 que eu também recomendo. Nota 8,5.

!!Cinema Scape Especial: 05 Quadrinhos de Silêncio em Homenagem a Sidney Lumett!!

27 de jun de 2011

Um dos maiores diretores de cinema americano faleceu este ano de 2011: Sidney Lumet. Até falei por aqui sobre este triste fato. Daí, fiz uma tirinha para o Cinema Scape que foi entregue a co-autora da tira, dona Érica Lima, que por motivos de muito trampo, não pode realizá-la. Foi assim que surgiu o convite ao nosso amigo Paulo Alexandre, conhecido como Loop.

Ele arrebenta, confiram o resultado final. O título da tira é 05 quadrinhos de Silêncio e mostra um olhar sobre a carreira deste grande diretor que rodou filmes como "Um Dia de Cão", "Rede de Intrigas" e "Antes que o Diabo Saiba que você está morto". E que nunca recebeu um Oscar, em competição. Espero que gostem.

!!Um filme de primeira classe para os filhos do átomo – “X-Men, Primeira Classe”

8 de jun de 2011

Não sou fã do trabalho de Matthew Vaughn. Acho que ele fez um bom filme – “Nem Tudo É o Que Parece” – uma boa adaptação de quadrinhos – “Kick Ass” – e fez um filme mediano – “Stardust” outra adaptação de quadrinhos.

Gosto mais de seu trabalho como produtor-dupla de Guy Ritchie. Os dois filmesem que eles trabalharam juntos foram muito acima da média e revelaram um novo estilo europeu de se produzir filmes “moderninhos”, como em “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes” e no excelente “Snatch, Porcos e Diamantes”.

O rompimento da parceria trouxe mazelas e fraquezas para os trabalhos de ambos. Guy se recuperou recentemente no divertido “Sherlock Holmes”, enquanto Matthew - que já tinha flertado com os “X-Men” nos cinemas ao assumir a adaptação do terceiro filme dos mutantes e abandonar o barco porque não aguentaria ficar longe da família – deu vida a uma adaptação, não tanto fiel aos quadrinhos, mas bem melhor do que muita coisa que passa no cinema atual, o já citado “Kick Ass”.

Em "X-Men, Primeira Classe" podemos sentir a mão de Matthew no roteiro, em que colaborou diretamente. Esta sua colaboração é um fator que muitos afirmam ser a sua principal característica como diretor/produtor. O resultado é melhor do que a encomenda: na trama, além de mostrar como foi o verdadeiro início da raça mutante – mesmo marco usado no primeiro filme da série: o surgimento de Magneto nos campos de concentração na Alemanha nazista – o roteiro traça um paralelo entre os mais importantes personagens de toda a história mutante Erik Lenhsherr (Magneto) e Charles Xavier (Professor X).

No filme há elementos reais e que cercam a época em que os personagens foram criados por Jack Kirby e Stan Lee, nos estúdios de quadrinhos da Marvel Comics. O principal deles é a década escolhida para mostrar esse ápice do controle dos poderes dos futuros Magneto e Professor X:: os anos 60. Mas o roteiro vai além e traça uma subtrama com o estado de paranoia em que viviam os americanos, e o mundo inteiro, nos dias do imbróglio dos mísseis levados da Rússia para Cuba, durante o governo de John Kenedy.

Outro acerto do diretor: os personagens escolhidos. Além de Magneto e Charles, temos Sebastian Shaw (líder do Clube do Inferno), Emma Frost (a Rainha Branca), alguns outros vilões menores, e os primeiros X-Men: Fera, Mística, Darwin, Destrutor, Angel e Banshee. Todos jovens, todos repletos de poderes e cheio de dúvidas também, afinal, qual jovem não quis fazer parte do todo?

Mas o derradeiro ponto que faz deste o melhor filme dos mutantes em cinema desde o mais bacana filme da Marvel , em minha opinião, “X-Men 2”, são os atores. Se James McAvoy buscava um papel que mostrasse seu talento para o público e não o havia alcançado em “Wanted”, ele conquista a todos com seu Xavier repleto de erros, fatores humanos, sensível e engraçado.

E o que falar do Magneto de Michael Fassbender? Perfeito. O ator alemão tem talento de sobra para ser respeitado em solo americano e deve conquistar papéis de destaque em produções ao estilo Blockbuster. Este foi só o início. 

Dos jovens, pode-se destacar a já indicada ao Oscar Jennifer Lawrence (Mística) e o ex-“Grande Garoto” Nicholas Hoult (como Fera). Entre os veteranos: o trabalho de Kevin Bacon como Sebastian Shaw, um dos primeiros vilões de verdade de toda a série – já que Bryan Singer e Bret Rattner escolheram a humanidade como principal vilão dos três filmes mutantes - é muito acima do que ele vinha oferecendo em papéis menores, em filmes menores.

O que mais faz a diferença neste "reboot"? Dois fatores: uma excelente direção de arte, sem exageros e praticamente um guia de como poderia ter sido feito outra adaptação de quadrinhos em tela grande “Watchmen” (de Zack Snyder). Todos os cenários, até mesmo os feitos em computação gráfica, são perfeitos.
E a edição e condução da câmera. Ambas parecem ter saído de um filme de ação dos anos 60. A trama já remete a isso, é lógico, mas elementos como o bloqueio em “diamante” feito por Emma à “invasão” de Xavier é um toque especial, assim como os enquadramentos ao estilo James Bond do tempo de Sean Connery.

Bela adaptação. Bom momento para Vaughn e demais atores. Merece ser visto no cinema. Nota 8,5.

Ah, a cena em que Wolverine surge em um bar e é chamado pela dupla de amigos Charles e Erik é hilária.