!!Filmes interessantes, mas que podiam mais!!

18 de abr de 2011

Todos os dias novos projetos cinematográficos ganham destaque em sites e programas especializados nesta arte. Na maioria das vezes este fator esta ligado aos atores ou aos diretores que se propõem a filmar aquela nova – ou recontar – história.

 Infelizmente três boas promessas para a safra de 2010/2011 acabaram não rendendo o que se esperava, pelo menos pelo meu olhar. Todos os projetos pediam a minha atenção por seus diretores, artistas que fizeram alguns bons vídeos e um ou outro bom filme e por isso, excelente razão, deveriam arrebentar nestes novos projetos, mas não foi assim. Vamos lá, do menos interessante ao quase certeiro?

“Sucker Punch” de Zack Snyder

2004 foi um ano interessante na vida de Zack Snyder. Ele dirigiu um comercial para a Subaru, conheceu sua esposa Deborah – produtora da Warner Brothers – e fez uma refilmagem interessantíssima, “Madrugada dos Mortos”.

Em seguida fez a adaptação de quadrinhos “300”, inspirado no gibi de autoria do mestre Frank Miller. Tal trabalho o preparou para um novo desafio, talvez o maior de todos em que ele se comprometeu: a adaptação do melhor quadrinho de super-herói de todos os tempos, “Watchmen”.

Ano passado ele fez dois filmes de uma só vez, a animação “Lenda dos Guardiões” e este “Sucker Punch”. Diga-se de passagem, que o último citado é um “conceito” pensado por ele e desenvolvido em parceria com o roteirista Steven Shibuya. 

E “SP” funciona como efeito especial. Como estilo de edição, composição e até mesmo de “viagem”, mas como filme, com conteúdo, com algo que realmente tenha algum efeito na vida de quem o assiste, aí, nada ocorre.

É óbvio que ver meninas lindas – Jena Malone nunca esteve tão bonita e Abbie Cornish é uma linda mulher – em roupas diminutas, lutando contra samurais, dragões e robôs – quase tudo em câmera lenta, como em todos os filmes do diretor – rende bons momentos visuais para um marmanjo. Mas a falha no roteiro é tamanha que não dá para engolir os “conceitos visuais”. Filme mediano. Poderia ser muito melhor. Nota 6,0.

“As Melhores Coisas do Mundo” de Laís Bodanzky

De todos os filmes de Laís, vi somente o curta-metragem “Cartão Vermelho” – que pode ser conferido no Youtube. Bom filme, mas nada de mais, sejamos sinceros. Os seus outros dois longas “Bicho de Sete Cabeças e Chega de Saudade” passaram-me batido e por isso mesmo não posso fazer uma busca no IMDB e tecer comentários em cima de outros comentários, como algumas pessoas o fazem.

Por isso vou me prender a este drama adolescente que ela fez e que chegou a passar em salas de cinema locais. “As melhores coisas do mundo” poderia ser um episódio da extinta e saudosa série de TV “Anos Incríveis” – se você não conhece, também procure por este clássico no já citado Youtube, vale muito a pena.
E isso é um elogio e não um demérito, longe disso. Está tudo lá: a narração em over ou off, o personagem principal sofrendo por ter um parente que traz problemas para ele na escola – no filme o pai de Mano, na série a mãe, professora, de Kevin – o irmão problemático e a amiga que deveria ser namorada e que no final, obviamente se tornará.

O filme funciona e tem seus pontos fortes, Fransisco Miguez (Mano) convence como um adolescente que sofre perseguições pelos seus problemas em casa – o pai se assumindo gay e o irmão, artista, sofrendo por perder a namorada para outro colega de colégio – e que se encontra em uma fase de transição de garoto para adolescente e por seguida em adulto.Mas é isso, é um episódio dos “Anos Incríveis” se o filme virasse uma série, funcionaria mais. Nota 7,0.

“Não Me Abandone Jamais” de Mark Romanek

Lembra daquele clipe do Morrissey, com várias lâmpadas, “The More You Ignore Me, The Closer I Get”? E daquele do Michael Jackson com a Janet, todo em preto e branco que até a Sandy e o Júnior imitaram, “Scream”? E aquele da Madonna, lindamente fotografado, “Rain”, ou aquele, também da Madonna, cheio de efeitos especiais, “Bedtime Story”? Ou “Jump The Say” do mestre David Bowie e “Can´t Stop” do Red Hot Chili Peppers?

Todos são do mesmo diretor. O americano Mark Romanek. É dele também o suspense, impressionantemente deixado de lado por várias premiações mundo afora, “Retratos de Uma Obsessão”, com uma atuação espetacular de Robin Williams.

Pois bem, Mark decidiu levar as telas mais um livro do japonês Kazuo Ishiguro, autor do também conhecido “Vestígios do Dia”, levado as telas dos cinemas pelo sempre competente James Ivory, em 1993.

Este “Não me Abandone Jamais” toca num assunto já muitas vezes levado ao mundo do cinema: clones, usados como mercadorias de reposição por parte da humanidade, já vimos isso algumas dezenas de vezes, até em blockbusters, como o único filme feito por Michael Bay, “A Ilha”, o resto era videoclipe, certo?

Mas a diferença da história contada por Romanek reside em seus personagens, muito bem encarnados por Keira Knightley (Ruth), Andrew Garfield (Tommy) e a melhor deles, Carey Mulligan (Kathy). O filme se inicia pela premissa de que a ciência avançou de tal forma durante os anos 50 que todas as doenças por nós conhecidas foram erradicadas. 

A expectativa de vida passa dos 100 anos para todos os que habitam o planeta. E como isso é possível? Através da clonagem de seres humanos, que “doam” seus órgãos para que outros não morram. O tiro certeiro da história é mostrar somente o lado dos clones que realmente não sabem quem são seus receptores e vez por outra - por não terem parentes ou ao menos conhecidos - acabam por ter uma falta de humanidade tocante.

Filme triste, com interpretações na medida. Mas que poderia oferecer um pouco mais. Nota 7,5.

!!04 filmes juntos dão 02?!!

15 de abr de 2011

Assistir a muitos filmes em sequência não é muito apropriado quando você decide pegar o que ainda não viu ou muito menos leu sobre. Assim, lá fui eu a locadora, próxima de casa, e faço um pacotão de filmes “inéditos” aos meus olhos.

Pensei, sinceramente, que dois se salvariam, mas nem isso. Vamos a tralhada... do pior para o menos pior.

“Os Outros Caras” – Nem sempre uma boa dupla faz um bom trabalho. E olha que nem estou falando dos atores principais do filme, mas sim do diretor Adam McKay e o astro Will Ferrell - a mesma de vários programas do Saturday Night Live, do bom “O Âncora”, do engraçado “Ricky Bobby” e do mais ou menos “Quase Irmãos”.

Aqui em “Os Outros Caras” eles recrutam o já indicado ao Oscar Mark Whalberg para ser o novo parceiro de Will Ferrel – totalmente livre de qualquer cacoete daqueles que o fazem engraçado, já um erro gigante do filme. Eles são dois policiais que enfrentam os seguintes problemas: um não tem habilidade alguma para ação (Ferrell) o outro (Whalberg) gosta tanto que mete as mãos pelos pés e até fere um jogador de beisebol em uma final importante.

O filme empaca muitas vezes. A salvação é Eva Mendes como a esposa de Ferrell. Tarada, linda e com as melhores falas do filme. Nota 5,0.

“Demônio” – Brian Nelson era um dos nomes, entre roteiristas, que eu realmente apostava como um prodígio nesses anos 2000. É dele um dos roteiros, originais, mais viscerais dessa última década, o sempre esquecido pelos apreciadores do suspense: “Menina Má.com”.

Também é dele o roteiro adaptado, muito bem adaptado, diga-se de passagem, do outro filme feito em parceria com David Slade (mesmo diretor de “Menina Má. Com”), o horripilante e também esquecido pelos “conhecedores de cinema”, “30 dias de noite”.

Lógico que quando li em um parágrafo o nome de Nelson ao lado do de M. Night Shyamalan em uma história de suspense envolvendo o capiroto, pensei como muita gente: “este filme é imperdível!”. E não é infelizmente.

O erro está tanto no roteiro, repleto de furos, muitos furos mesmo. Passando pela mão incompetente ao extremo de John Erick Dowdle. Pelo menos eu vejo assim:

Como 05 pessoas ficam presas dentro de um elevador e somente depois que uma delas “surge” morta em cena que os seguranças do prédio decidem chamar os bombeiros? Como um técnico de elevadores do prédio cai sobre o elevador morre e as pessoas dentro do elevador não se aterrorizam? E pior, como se pensou em um final tão bobo – esse é o pior xingamento que possuo em meu vocabulário, acredite – pode ter encerrado uma história que tinha tudo para ser boa?

A direção é míope. Cria artifícios visuais amadores e não mostra sua mão em nenhum diálogo – vital no filme – travado entre seus cinco atores principais, presos no elevador. O filme é o terror realmente, mas de forma negativa. Nota 5,0.

“A Mentira”: Ouvi e vi muita gente falando que este filme era imperdível. Que era um filme engraçado e ao mesmo tempo inteligente. E que a Emma Stone arrebentava.

Imperdível não é. Engraçado? De vez em quando e quase sempre quando a própria Emma não está em cena, mas sim os seus pais e algumas pessoas que a cercam. Quanto a Emma eu não sei o que dizer, acho-a linda, dona de uma voz maravilhosa, mas ainda não me convenceu – seu melhor papel ainda está em “Zumbilândia” e nem é tão bom assim.

A história de alguém que conta uma mentira para se livrar de um problema e vai tendo sua vida alterada por conta dos comentários alheios não é novidade, muito menos é nova a forma de contar essa repetida história por parte do diretor Will Gluck.

É lógico que ele tenta modernizar a coisa, usando celulares, torpedos, redes sociais e o tão famigerado videoblog para encerrar a história, que começa no início em que é contada pela personagem de Emma. A referência jogada por ela, tentando trazer um pouco de “nerdismo” para a história, como falar dos filmes de John Hughes, soa gratuita. Filme normal, nota 6,0.

“Splice” – um filme com Sarah Polley, Adrien Brody,dirigido pelo mesmo cara de “O Cubo”, Vicenzo Natali e com o tema terror com experiências genéticas tinha tudo para ser um excelente filme. Mas decepciona principalmente da metade para o fim.

Mais uma vez temos a eterna história do casal de cientistas que tentam a todo custo fazer sua maior experiência tomar vida. Lógico que o laboratório que financia tal evento não se satisfaz com os resultados e põe fim aos ideais da dupla. Em desespero, eles dão mais um passo em sua vontade e acabam por trazer a vida um ser diferente e que vai ganhando forma humana – feminina – até se tornar adulta.

Polley e Brody se esforçam para salvar o filme. As cenas com efeitos especiais se destacam. Mas os últimos 35% do filme são sofríveis, sendo mais do mesmo. Pena, nota 6,0.

!!15 anos do melhor disco de metal que já ouvi: Roots!!

13 de abr de 2011



O Sepultura ganhou forma em minha cabeça e meus ouvidos das mais diversas formas: em 1985, meu tio Ari era presidente do Olímpico Clube e decidiu, junto com o grande Dudu Monteiro de Paula, trazer o show de uma banda de metal repleto de garotos. Eu não sabia direito quem era, mas era o Sepultura.

Meu tio passou em casa, disse: “tu não gosta de rock? Vamos ali comigo.”. Vi o cenário ser montado. Mas não fui ao show, pena. Em 1989 uma professora de religião chegou para mim e mais dois amigos e entregou um folder simples que dizia que bandas não deveríamos ouvir e o porquê. Entre elas, a banda mineira dos irmaos Cavalera.

Em 1991, na minha fase mais metal, comprei “Arise”. E em seguida ouvi em uma fita dezenas de vezes o excelente “Chaos AD”. Até que um dia qualquer de 1996, lá para maio. Algum dos meus amigos de Escola Técnica trouxe o novo disco da banda: “Roots”. Admiração instantânea.

Misturar metal com batuque não era novidade para quem ouvia o Sepultura. Perceber que eles estavam atrás de elementos regionais e nacionalistas para engrandecer o repertorio da banda também era uma característica crescente. Mas “Roots” era muito, mas muito mais que isso. Era uma nova visão do metal. Era um novo estilo de se pensar música pesada.

E o “Sepulta” tinha todos os elementos necessários para isso: o melhor baterista vivo do mundo do rock, Iggor. Um vocalista ensandecido e com letras variadas, Max. Um baixista centrado e com momentos inusitados, Paulo. E um guitarrista em seu melhor momento, principalmente nos solos inesquecíveis, Andreas.

Junte a isso a percussão – pesadíssima – do Olodum, liderada pelo multi-instrumentista Carlinhos Brown, tanto em “Roots Blody Roots” quanto em “Ratamahatta” ou “Breed Apart”; ou a participação de diversos artista em vocal e cordas, entre eles o mestre de mil vozes Mike Patton e o vocalista do Korn, Jonathan Davis, na hoje clássica “Lookway” e você tem o melhor disco de metal já realizado até hoje.

E olha que gosto e muito de “And Justice For All...” do Metallica. Mas em “Roots” você percebe que este é um passo a frente para todo um estilo de se fazer música. Foi o momento certo e o início para que bandas, como a também pesada e de percussão marcante Chico Science e Nação Zumbi, tomassem os ouvidos de roqueiros de todo o planeta de assalto. 

Hoje é audível o que a banda propôs. Seja nos discos dos seguidores do, hoje, extinto Nu Metal, como Korn, Deftones e Coal Chamber. Chegando até a uma banda repleta de percussão, DJ e lances diferentes, como propõe o Slipknot.

Veloz como Lampião e seu bando. Aterrorizante como Zé do Caixão em seus filmes. E revolucionário como Zumbi foi. 

Este é “Roots” que completou 15 anos de lançamento no último dia 12 de março e é tão nacional quanto estes ícones citados. Um clássico.

!!Wasting Light é o melhor disco do Foo Fighters? Sim!!



Fui um dos vários fãs de rock que viu a transmissão ao vivo da MTV, com o Gastão na apresentação, do comunicado da morte de Kurt Cobain. Naquele tempo, eu realmente gostava do Nirvana. Ainda mais porque eles tinham deixado o fantasma de “Nevermind” pra trás e tinham realizado um ótimo, e sempre subestimado, disco “In Utero”.

Passado o susto, quase que de imediato, o baterista do trio mais amado de Seattle, um tal de Dave Grohl, decide sair por detrás de seu instrumento e lançar banda. Pensei na hora, e muitos hoje não admitem, mas devem ter pensado o mesmo: que filho da mãe aproveitador, mal viu o líder de sua antiga banda morrer e já vai mamar nas tetas da fama emprestada e do luto alheio.

O nome da banda? Ridículo: Foo Fighters. O primeiro disco, com o mesmo nome da banda, normal, com uma ou outra música que realmente eram boas e só. Pensei imediatamente: morreu. É esse disco e nunca mais. Enganei-me, ainda bem, pois eles mostraram ser mais do que isso com um dos melhores discos de rock dos anos 90, um disco que eu carinhosamente apelidei de morde-e-assopra, o excelente “The Colour And The Shape” – que até hoje tenho em CD.

Em seguida chegaria a vez dos medianos “There Is Nothing Left To Lose” e “One By One”. Em 2005 a banda faria um disco bem próximo do que haviam feito em “The Colour & The Shape”, fazendo várias músicas rápidas e outras mais tranqüilas. Um disco bom, mas que infelizmente não pegou como deveria pegar, “In Your Honor”.

Mais dois anos e outro disco, o pesado, mas ainda não perfeito “Echoes, Silence, Patience & Grace”. Depois disso, houveram conversas sobre uma separação, a nova banda e imperdível banda, diga-se de passagem, de Grohl, com Josh Homme do QOSA e o mestre John Paul Jones do Led Zeppelin, a já aclamada por aqui, Them Crooked Vultures.

E um dia, vagando pela internet, leio que Grohl decidiu voltar com a banda. E para fazer um trabalho diferente de todos já feitos, decidiu botar todos os 05 elementos da banda em uma garagem, para eles se ouvirem e buscarem o seu melhor em um disco mais cru e com mais vontade. Este disco é esse excelente, e talvez, o melhor disco já realizado pelo Foo Fighters.

“Wasting Light” é uma mistura de tudo o que Grohl fez nos últimos anos: em “Arlandria” temos a introdução ao estilo QOSA e em seguida o roquinho básico (e competente) que sua banda sempre fez e faz também em “Back & Forth”, “A Matter Of Time” e “Miss The Misery”. 

“White Limo” temos o peso de projetos como o Probot que Grohl tocou com nomes do Heavy Metal.

“These Days” é a primeira música de “respiro” de todo o disco e soa como muitas outras, bem feitas, pelo quinteto, mas ainda pega no peso lá pelo meio. 

Mas as cerejas desse belo bolo, são: 
 
As duas melhores músicas iniciais de um disco da banda em toda a sua carreira, a segunda, em minha opinião, a melhor música já feita por eles: “Bridge Burning” – com muitos, mas muitos elementos do estilo de compor do Queens Of Stone Age – e o petardo e talvez melhor música do ano, até o momento “Rope” – que tem elementos do Rush em sua quebrada, a la “Tom Swayer” (a música de abertura da série do McGuyver, “Profissão Perigo”, lembra? 

A lenta, mas interessantíssima “I Should HaveKnown”,  intensa, bem tocada e principalmente, bem cantada por Grohl, uma para entrar em Best Of futuros da banda – o baixo é cortesia do parceiro de tempos de Nirvana Chris Novoselic; 

A derradeira “Walk” que tem tudo o que o Foo Fighters gosta de fazer, nuances lentas, bateria desenfreada e paredes de guitarra.

Este é um dos discos mais obrigatórios do ano e que bom que é do Foo Fighters. Nota 9,0!

!!Vai-se um dos melhores. Adeus Sidney Lumet!!

11 de abr de 2011

Eu estava com meio artigo pronto sobre o novo CD do Foo Fighters "Wasting Light" que é muito bom por sinal. Daí meu hermano, Leonardo Mancini, o Mancha, pergunta-me: "Man, o Sidney Lumet, morreu?". O susto foi tamanho que perguntei pra ele se ele estava perguntando ou afirmando. E ele disse: "No Hot Tomatoes diz que ele morreu dia 09 agora".

Procuro no IMDB de hoje e nenhuma notícia de destaque. Nada. Procuro nos sites e nada de novo. Daí arrisco-me, com aquela vontade de não ser verdade, em dar uma "procura" do nome do mestre Lumet no IMDB e vejo: falecido aos 86 anos, no último dia 09. Entristeci, de verdade. Levei um soco.

A última vez que vi Lumet, em imagem, ele realmente não parecia ter a alegria de vida que sempre demonstrou nas mais variadas situações. Era 2005 e ele recebia seu Oscar honorário, mais que merecido. Afinal, senão fosse naquele momento, correria-se o perigo de mais um grande nome da história do cinema passar sem o devido reconhecimento.

Antes, ele havia sido indicado, na categoria de diretor, pelos: tenso e teatral "12 Homens e Uma Sentença" (1957), o dramático, mas engraçado "Um dia de Cão" (1975), o atualíssimo e preocupante "Rede de Intrigas" (1976) e "O Veredicto" de (1982). Também recebeu outra indicação pelo seu roteiro adaptado para "O Príncipe da Cidade" (1981).


Mas acredite, foram poucas indicações para uma carreira tão prolífica. Um homem que fez filmes como "O Homem do Prego" (1964), "Sérpico" (1973) - ainda não lançado em DVD por essas bandas - e o seu último trabalho, o ignorado pelos prêmios, um absurdo, "Antes Que o Diabo Saiba Que Você Está Morto" (2007), merecia mais que Oscars, merecia aplausos.

Isso ele recebeu. Assim como a consideração de um público seleto que via sinceridade em seus trabalhos e um olhar até mesmo natural em suas obras. Seus atores brilhavam e dava para sentir que Lumet tinha crédito naquilo. Seja pela liberdade dada ou pela confiança concedida, ele estava ali, naquele momento em que o júri decide ("12 Homens e Uma Sentença"), quando Sérpico percebe no que se envolveu, quando o Cid Moreira fictício decide se suicidar em cadeia nacional para não perder o emprego ("Rede de Intrigas") e no desespero alucinante de Sonny (Al Pacino, perfeito) e na compreensão de que ele agora é o astro em um grande palco ("Um dia de Cão").
Perdemos o cara que gostava de melodramas, mas bem feitos, do diretor que apostava em seus atores, sem perder as rédeas, e que se importava sinceramente com a história que tinha para contar, afinal, como li em uma entrevista dele: "como vou contar aquilo que me interessou e deixá-lo mais interessante para quem o vê? Com simplicidade, oras.".

Pena, mas era a hora. Chegou a sua vez de comandar mais um belo espetáculo em tela grande. Agora lá por cima, espero. Abraços Lumet.  Vai-se o homem, fica a obra.
E para o Oscar não se tornar o vilão dessa história. Lumet foi indicado 06 vezes ao Globo de Ouro, levou somente por "Rede De Intrigas"; também foi indicado a 04 Palmas de Ouro em Cannes e nunca ganhou; marcou presença 05 vezes no Festival de Berlim, levando o Urso de Ouro por "12 Homens e uma Sentença"; e 08 vezes indicado ao Bafta, que nunca foi premiado.

!!O primeiro passo rumo ao Oscar 2011. “Maldito Futebol Clube”!!

7 de abr de 2011



Não desgosto de “O Discurso do Rei”. Acho que é um filme competente com um bom enredo e muito boa fotografia. Não sensacional, mas que filme sensacional ganhou o Oscar desde “Beleza Americana”? E olha que esta lista tem bons filmes que acabaram por tirar o prêmio das mãos de outros bem melhores, mas fazer? É o Oscar!

Enfim, tinha ouvido bons comentários sobre o primeiro trabalho de Tom Hooper nos cinemas, já que ele fez uma boa carreira produzindo filmes de drama para as televisões britânicas. O filme falava sobre futebol e tinha, diziam por aí, uma excelente interpretação de Michael Sheen – que não é parente dos Sheen lá dos EUA, mas tem uma filha com a beldade Kate Beckinsale.

Aliás, aqui cabe um comentário a respeito deste inglês que fez sucesso nos palcos do teatro inglês: ele sempre acerta nos personagens escolhidos para o cinema e tem uma sequência muito boa de filmes, confira: “A Rainha”, “Frost/Nixon”, “Maldito Futebol Clube” e “Ameaça Terrorista”.  Suas próximas aparições serão no novo filme de Woody Allen “Meia noite em Paris” e “Dark Shadow”, novo filme de Tim Burton.

E “O Maldito Futebol Clube”? Este é um bom filme. Talvez o melhor sobre futebol até agora feito. A história é simples, mas para pessoas que realmente gostam do esporte e dos seus bastidores, ganha status de imperdível, principalmente por se basear em fatos ocorridos.

O Leeds United é um dos clubes mais queridos dos ingleses. Durante a década de 60/70 sempre esteve entre os finalistas dos mais importantes campeonatos da terra da rainha. Muitos afirmavam que era pelo seu técnico Don Revie (encarnado pelo sempre competente irlandês Colm Meaney) e jeito agressivo de jogar do time.
Outros diziam que era pela perna de pau e pela ajuda dos juízes, esta afirmação vinha de outro técnico, o falastrão Brian Clough (Michael Sheen, ótimo). 

O filme começa quando Revie é chamado para ser o técnico da seleção inglesa e propõe a diretoria do Leeds que contrate Clough. Em 44 dias como treinador, Clough sofre o inferno: perde todos os jogos, fala coisas que não cabem ser ditas, acaba com a parceria que mantinha com seu fiel assistente Peter Taylor (outro sempre bom ator Timothy Spall) – a cena da volta da dupla é hilariante.

O final da aventura do falastrão Clough é ser demitido e consequentemente humilhado por Don River em um dos mais importantes programas esportivos do Reino Unido. Mas ele dá a volta por cima - não acompanhamos isso em filme, mas em cenas reais – ganhando títulos internacionais com outros clubes, no seguir de sua carreira.

É um filme engraçado, bem próximo de nós brasileiros, que temos "contato diário" com os técnicos dos nossos times - através de dezenas de programas esportivos - e vemos neles a projeção dos nossos desejos a beira do campo. Uma ótima estréia para um novato Hooper. Um filme que merece ser descoberto e que é bem melhor que o premiado "O Discurso do Rei". Nota 8,5.

!!Estréia de Cinema Scape!!

5 de abr de 2011

Fala cabeçada que acompanha aqui o A Sétima e Todas as Artes. Muita coisa acontecendo, de bom, na vida deste escriba. Entre elas: a produção do meu primeiro filme - sou co-diretor, roteirista e argumentista do mesmo - chamado "ET Set ERA" em parceria com vários amigos!

A segunda está logo abaixo: uma tirinha semanal que obviamente fala de cinema. Chama-se "Cinema Scape" em homenagem ao sistema Cinemascope de gravar os épicos dos anos 40/50 e acho que até 60.

A parceria, já que eu não desenho nada e acho que o Ernesto, meu filho, me recompensará nisso, é com a grande Japa, ou Giapponezza, a Érica Lima!

Basicamente falaremos dos mais diversos assuntos, mas todos relacionados ao cinema em si. Nesta primeira tirinha teremos a visão dos três personagens principais - Pitt, Kim e Stanley - do que eles acham ser Surrealismo no cinema mundial!!! Espero que gostem!