!!Como o tempo passa rápido... ou: Faith No More no Maquinária!!

21 de dez de 2009

Poucas coisas me tiram de dentro de casa. Poucas coisas me tiram de dentro de Manaus. Para ser mais honesto, falei isso a minha esposa e repito aqui: só viajaria para ver outro show em São Paulo se o Faith No More voltasse a vida - e olha que nesse meio tempo deixei de conferir gente boa, como Arctic Monkeys, Yeah Yeah Yeahs, The Killers e os Beastie Boys.

Em um dia de muito sol, como qualquer outro para quem vive em Manaus, sou alertado por um amigo para conferir meu e-mail, pois tinha me mandado uma notícia surpreendente. Vou lá e com um sorriso imenso na cara, constato que o Faith No More havia voltado a vida, com praticamente a formação clássica da banda - faltava somente o guitarrista, mas eles haviam chamado o mesmo que fez parte da última formação.

Mais três meses se passam e a confirmação mais desejada dos últimos anos é postada no site oficial da banda: eles passariam pelo Brasil, em um festival com outras boas bandas. Convoquei um grupo de amigos, programei-me para ir, e a partir desse parágrafo relato o que aconteceu.

Hoje eu posso ser um bobo pelo resto da vida. Afinal, fui rei por um dia!

Minhas previsões metereológicas se tornavam realidade e uma chuva, um pouco pesada, começou a cair do céu cinza e preto acima da Chácara do Jóquei. Correria geral: pessoas tentavam se abrigar sob as lonas que protegiam os compradores de bebidas e comidas, outros corriam atrás do cara que vendia capas - que lá fora, antes do show, custavam 3 reais e que na hora do pinga pinga saía por 10 ou 15 R$, dependendo da sua cara de desespero - e alguns, já mais felizes do que deviam estar, somente tiravam as blusas e as colocavam sobre suas cabeças.

Enquanto pagava "deizão" na minha capa - que não conseguia por e acabei dando-a para uma moça desesperada atrás de mim - notei que o palco havia sido inundado pela chuva. Pior: todos os intrumentos do Faith já estavam ali e os rodies corriam para cobrí-los. No mínimo haveria um atraso, mas eles tocariam. Pelo menos era o que eu e mais 24 mil pessoas esperavam.

Em poucos minutos a chuva estiaria. Os sorrisos voltariam a face de todos os presentes pela presença acima do palco de um cara vetido ridícularmente com um terno vermelho, óculos escuros e guarda-chuvas preto, daqueles que se compra em um camelô. Era Mike Patton e toda a banda que faria seu primeiro ato: a execução da música Reunited (um brega americano de relativo sucesso gravado pela banda Peaches & Herb) cantada em coro por grande parte da plateia - mostrando que a maioria dos que estavam ali já tinham visto vídeos na internet da apresentaçnao desta nova turnê.

Todos sabem no que são os melhores. E naturalmente vamos nos divertir.

O playlist executado pela banda foi especial, mesmo não fugindo da lista planejada para toda a turnê. Passou por todos os CDs, dando mais oportunidades para os dois melhores - King For A Day... e Angel Dust - e teve boa parte das canções cantadas em coro pelos presentes, mostrando que a maioria não foi pela onda de estar ali, mas sim para ver uma grande banda realizar um belo espetáculo.

Quando a pauleira começou, lembro-me de falar a seguinte frase para o meu velho amigo Marcos: o Chino (do Deftones) é do primário, esse aí é o mestre! E de fato, Mike Patton deu 150%: ficou molhado de chuva, gritou como um louco, teve uma presença de palco que faria a performance realizada a pouco pelo Janes parecer um mero aquecimento, cantou em português, brincou centenas de vezes com a galera - as três mais interessantes foram: "Temos uma grande banda aqui: Secos (o Faith em cima do palco) & Molhados (nós)"; "Esta talvez seja a nossa última apresentação aqui (o público se mostrou triste e ele lembrou), talvez, hein? (e todos riram)"; "Está música é para o Palmeiras! (seguido de muitas vaias e um ou dois aplaudindo - eu no caso!)".

A chuva rareava, mas não dava trégua, eles esbanjavam boa vontade e o povo correspondia, assim foram realizados dois bis, com umas 7 canções (os dois somados), Mike Patton antes do primeiro, fez questão de descer junto ao público que pagou mais e fez uma sequência de eu falo e vocês repetem de "Porra, Caralho", que resultou em confusão entre ele e alguns seguranças e um corajoso beijo na boca por parte de um fã - que se tornou motivo de muitos risos, ao ser projetado em telão para todos que viam a apresentação.

O show foi mais do que esperávamos, com som cristalino, sem confusões, repleto de bons momentose com a minha música favorita executada com pompas de clássica (Caffeine). Por tudo isso, talvez eu não tenha sentido na hora as dores nas pernas - devido as sequências e mais sequências de pulos - a rouquidão e a gripe que se arrastava a partir do desligar das luzes sobre o palco.

A empolgação foi maior do que o primeiro encontro - há 17 anos - e deixou uma certeza, nada de talvez seu Patton, de que mais outros momentos como estes serão vividos entre Faith No More e Rod Castro. Afinal, nem eu e nem eles, entramos na crise da meia idade. Nota 10 e com certeza este foi o melhor show que vi nestes 26 anos de rock.

!!Maquinária: Janes Addiction... ou: eles são bem mais do que sempre pareceram!!

11 de dez de 2009

Quando soube que o Janes Addction estava no plantel do Maquinária confesso que fiquei um pouco triste. Conheço pouco da banda – ainda hoje afirmo isso, mesmo com um Best of no MP4 e alguns outros CDs deles – mas sempre quis ver como seria uma apresentação deles – havia lido sobre e sempre rasgaram elogios.

E a questão mais importante e que sempre me fiz era: será que o David Navarro é o típico ficeleiro ou ele realmente é mais do que apenas uma pose? Com essa pulga atrás da orelha, ainda sentindo a adrenalina deixada pelo Deftones e com o sol saindo de lado – graças a Deus – o Jannes subiu no palco.

E a primeira palavra sobre o que vimos é: eles são muito, mas muito bons mesmo. No mínimo dezenas de vezes melhor do que alguns imaginavam. Tá certo que o som das caixas melhorou muito – não estava ruim, mas algo diferenciou - e isso trouxe mais brilho a apresentação. Uma das coisas que mais passavam pela minha cabeça, como público era: moçada, vamos fazer nossa parte que assim o Pharrel - o Lollapalooza - traz o festival dele para o Brasil.

Tá certo que de meia em meia hora o Perry fazia questão de se afirmar homem – alguém deve ter falado ou postado bobagens sobre o cara e ele ficou muito, mas muito chateado mesmo – mas isso de forma alguma atrapalhou a apresentação dos viciados (addiction, ok?). Em uma apresentação nada contida, repleta de solos cavalares, peso (hard mesmo) da cozinha em total sincronia, eles atropelaram o pessimismo alheio e deixaram o público no ponto para o que seria uma das melhores apresentações de rock do ano em solo brasileiro, o Faith oras?

Momentos paga pau: sentir a precisão do Navarro em um som cristalino, ver o Pharrel cair algumas vezes porque não continha sua felicidade de ver tanta gente junta em um lugar louco como aquele, ouvir “Stop” com uma precisão sonora avassaladora e um encerramento com todos os demais componentes do grupo arrebentando alguns tambores enquanto Perry fazia suas estripulias.

O céu já ameaçava fechar e eu vociferava a todos próximos: vai cair uma tempestade amigos. E neste momento o Janes já se despedia, com muitas pessoas aplaudindo a apresentação e alguns, eu e mais uns três da minha turma, trocávamos palavras como: foi bom hein? Os caras arrebentaram.Sai o Janes, dono de um 9 com louvor.

E o palco se molharia para que os reis surgissem. Daqui alguns dias, senhoras e senhores: Faith No More.