27 de nov de 2008


Dois bons motivos pros marmanjos assistirem ao novo Bond: a inglesa Gemma Anterton, que será a princesa do filme que adapta o clássico vídeo game “Príncipe da Pérsia” e a russa Olga Kurylenko que também esteve em “Hitman” e é atriz principal em “Max Payne”.

!! O Quanto de sola foi gasto pra fazer esse filme?... ou: “007 - Quantum of Solace”!! por Rod Castro!


“Tem que provar pra saber se gosta filho...”. Com certeza em algum momento de sua vida essas palavras foram ditas por um parente próximo, quando você teimava em não experimentar um alimento com cara esquisita.

E qual relação essa afirmativa paterna tem a ver com um filme ou até mesmo o cinema? Simples: quantos filmes você não assistiu porque não gostou do pôster, do estilo de filme ou até mesmo por uma combinação de nomes envolvidos na produção da película? Dezenas, senão centenas, não?

Recentemente o excelente ator Daniel Craig foi a maior vítima dessa máxima de “não provou e não gostou” do cinema. Que ele é feio – apesar da mulherada que assistiu ao primeiro trabalho do ator sob a encarnação de Bond ter feito cara feia antes de ver o filme e depois tê-lo achado com cara de “macho” – ninguém discuti, mas que a sua “excêntrica” beleza é inversamente proporcional a sua capacidade de atuação, isso é provado e comprovado a cada trabalho feito.
E se em “Cassino Royale” Daniel fazia você esquecer Connery, Moore, Dalton e até mesmo Brosnam. E melhor: fazia você acreditar que aquele ser de fantasia pode existir e estar pulando atrás de malfeitores pelo mundo. Em “Quantum Of Solace” novas camadas de realidade são acrescentadas a nova mítica do personagem: vingativo, mais frio, concentrado e ainda assim humano.
Nessa nova aventura descobrimos o que ocorre logo após “Cassino”. Bond vai atrás dos responsáveis pela morte de sua amada Vésper. Mesmo que para isso desobedeça regras – M se pudesse matá-lo não hesitaria em fazê-lo – se transforme em um assassino de provas – a pancadaria está mais rápida e mortal – e deixe até de lado algumas boas Bond Girls.

Tudo bem que o vilão não é tão melhor e nem os diálogos sejam tão apetitosos como em “Cassino”, mas a pancadaria e a ação são elementos constantes do início ao fim do tempo, algo que não se via em um filme do Bond a dezenas de anos.

E se você souber que o diretor do filme é o excelente alemão Marc Forster? Aí é de se avaliar o quão diverso é esse novo capítulo na nova vida do espião mais perigoso do mundo. Afinal, não é todo dia que o diretor de filmes como “A Última Ceia”, “Em Busca da Terra do Nunca”, “A Passagem”, ”Mais Estranho Que a Ficção” e “O Caçador de Pipas”. Nota 8,5!

!!A Grande diversão do ano? Ou “Little Joy”, o projeto de um Hermano com um Stroke!! Por Rod Castro!

26 de nov de 2008

Desde que o mundo é mundo, as pessoas sempre pensam em fazer algo “por fora”. Como assim? Simples, tem uma hora que você cansa do que faz com algumas pessoas e acaba investindo numa nova forma de ser. Mas calma. Nada de traições ou casos. Mas sim experimentações.

Alguns dizem que é moda no mundo da música atual você dar umas voltinhas com membros de outras bandas e tocar projetos paralelos.

Recentemente duas bandas das quais sou apreciador, “Queens Of Stone Age e System Of A Down” – chamadas através de códigos por este que aqui escreve por “QOSA e SOAD” – tiveram lançamentos interessantes.

O vocalista/letrista/líder e faz tudo Josh Homme, do Queens, reuniu uma trupe, sob o nome de “Eagles Of Death Metal”, e fez um bom disco de rock; enquanto o guitarra e o batera do SODA se juntaram e fizeram um disco “mais do mesmo”, sob o nome de “Scars On Broadway”.

Mas nem sempre essas grandes reuniões resultam num excelente material. Mas esse não é o caso da junção do melhor “Hermano” Rodrigo Amarante, com o batera brazuca Fabrízio Moretti dos Strokes. A banda se chama Little Joy – pequena diversão – e é formada por apenas três membros, os dois já citados e a namorada do último.

A definição do som é muito mais do que “Los Hermanos com Strokes, Strokes em português ou Hermanos em inglês”. É diferente de ambos, apesar de se parecerem na essência, entendeu? Então eu explico: logo na primeira faixa você ouve uma típica música americana, daquelas que foram feitas para comerciais de margarina, sabe?

Mas “Brand New Start” tem muito mais a oferecer do que se parecer com algo: ela é leve, muito bem interpretada por Rodrigo e tem um toque saudosista na medida, uma das músicas mais bacanas do disco.

O saudosismo é algo presente por todo o disco e chega a ser um toque do trio, como em “Don’t Watch Me Dancing”, “Evaporar” – cantada em português, “Play The Part”, “With Strangers” e a sensacional “Shoulder To Shoulder” – perfeita para um bailinho no estilo anos 50.

Mas seus ouvidos devem estar preparados para as músicas mais agitadas que tem o melhor de Amarante e Moretti: desleixo vocal, com bateria precisa para cada estilo, como em “No One’s Better Sake”, “The Next Time Around” – de vocal dobrado e com trechinho cantado em português – “How To Hang A Warhol” e a melhor de todo o disco, “Keep Me In Mind” que merece repeat infinito no seu MP3 Player.

Agora fica a pergunta: será que Fabrizio volta mesmo em Fevereiro para a gravação do novo disco dos Strokes sem arrastar nada desse trabalho? E Amarante volta pro Brasil pensando em se reunir com os outros Hermanos?

Boas perguntas que serão respondidas com o tempo. Nota 9,0

!!Antes sou do que em má companhia? Ou... Nós/Sou de Marcelo Camelo!! Por Rod Castro

17 de nov de 2008

Sou fã dos Los Hermanos. Tive a chance de conhecer a banda pessoalmente e fui desarmado pelo jeito simples do seu guitarrista e meu xará Rodrigo Amarantes em um estúdio de uma rádio de Manaus. E olha que isso era na época do hit “difamador” “Ana Júlia” – a maldita canção do Hermanos que tocou tanto na rádio que eles a evitaram até darem um tempo, recentemente.
Tempos depois ouvi ao excelente “Bloco do Eu Sozinho” e revi meu conceito sobre os Hermanos.

Ali tinha tudo, menos uma bandinha de rock cheia de hits, pelo contrário, tinha substancia em letra e conteúdo em sonoridade. Camelo tinha o lado bossa nova MPB na medida certa, enquanto Rodrigo esparramava suas influências em seu jeito despojado de cantar e seus simples arranjos.

O tempo passou e os Hermanos soltaram o clássico “Ventura” e consolidaram tudo o que haviam criado até então com o também já clássico, porque pode ser o último disco da banda, “4”. E assim que os 4 componentes deram um tempo, os dois mais criativos rumaram para o que já se esperava: Rodrigo puxou a frente de um grupo de músicos e mandou ver no disco dos descompromissados Orquestra Imperial, enquanto Camelo fazia mais composições de encomenda para artistas mais pop e migrava para o seu primeiro trabalho solo: Sou/Nós.

O disco é diferente do que ele fazia nos Hermanos? Não. Parece com o que eles faziam? Também não. Camelo parece aquele cara que dorme e acorda com uma idéia, põe no papel e no outro dia grava. Daqueles compositores que ouve por horas suas influências e descobre o que quer ou pelo menos vê no trabalho do outro o que pode fazer melhor ainda.

Tirando a música que ele canta com a Malu Magalhães (“Janta”) – peguei ojeriza a moça, mas não confunda com antipatia pré-meditada – o restante do disco é o que já se esperava: tem marchinha (“Copacabana”), música triste a’la Hermanos (“Doce Solidão”, com direito a um assobio filho da mãe, “Liberdade” com um acordeom sensacional e a melancólica “Téo e a Gaivota”), pop na medida certa (“Mais Tarde”), som latino com influência nordestina (“Menina Bordada”, “Tudo Passa” e “Vida Doce”), instrumental (a calma “Passeando”). E depois disso tudo, o veredito?

Sinceramente? Não há uma música sequer que consigo lembrar desse CD, isso é bem ruim. Ainda mais com um letrista como esse. Nota 6,5. Nessa semana posto o que achei do trabalho do outro Hermano: Rodrigo Amarantes com o batera brazuca Fabrício dos Strokes, o “Little Joy”.

!!Boas dicas de DVDS, ou: “O Amor Não tem Regras, A Outra e Inspeção Geral”!! por Rod Castro!

13 de nov de 2008

Sem muitas delongas vou partir logo para o que pensei sobre os tais filmes listados acima, simbá? Confere aí – todos saíram recentemente em DVD, então já pra locadora:

“O Amor Não Tem Regras” – em seu terceiro filme no comando da direção, George Clooney escorrega. E é triste falar isso de um promissor diretor que fez o subestimado, pela crítica “Confissões de Uma Mente Perigosa” e o neoclássico “Boa Noite, Boa Sorte”.

Em seu terceiro filme no comando, Clooney se mostra tão descompromissado com a história contada – baseada nos primeiros anos da prática do futebol americano – que quando o filme ruma para seu fim, o único pensamento é: porque ele rumou para a comédia senão sabia fazer?

Que ficasse com o imaginário/verdade/sonho de “Confissões...” ou o cinema denúncia/político de seu maravilhoso segundo filme. Enfim, boa direção de arte, algumas poucas boas cenas, mas não convence. Nota 6,0.

“A Outra” – Que não suporto a Natalie Portman não é novidade. Mas que ela está realmente bem neste filme de época – e confesso que em minha opinião é a primeira vez que a vejo realmente bem em um filme, ao contrário do que falam os “entendidos” de sua atuação em “Closer” – ah, ela está.

E ela poderia estar melhor senão fosse à presença de forma até mesmo “boba”, mas perfeita de sua irmã, feita pela sempre competente Scarlett Johansson. A produção é perfeita, a fotografia um caso a parte e a direção de arte muito boa.

O enredo gira em torno da verdadeira história de um rei da Inglaterra – o futuro pai de Elizabeth, encarnado por um bom Eric Bana – que não consegue ter um herdeiro – homem mesmo – para dar continuação a sua dinastia e por isso acaba se envolvendo com duas irmãs.

O jogo amoroso e de traição toma conta de todo o império e produz boas viradas em um filme que sinceramente não tinha a menor vontade de ver, nota 8,0!


“Inspeção Geral” – Sabe quando você vai na locadora, vê uma capa de DVD, nota que há bons nomes envolvidos no filme, mas como nunca ouviu falar dele acaba deixando de lado a caixinha?
Uma dica: não deixe a capa desse excelente “Inspeção Geral”.

Em um filme denso, praticamente teatral – só há dois cenários – acompanhamos dois estrangeiros – uma americana na China e um árabe nos EUA – serem interrogados de uma forma realista. A atuação do elenco, tanto os interrogados – destaque para a performance de Maggie Gyllenhaal – quanto os interrogadores – destaque para Glen Close – é intensa e precisa.
A jogada de as falas serem repetidas, as mesmas, sendo que feitas em locais diferentes é um trabalho magistral, como sempre, do veterano e competente diretor Sidney Lumet – de “Um Dia de Cão”. Filmão, merece sua atenção, nota 9,0!

!!10 anos de Gran Turismo e não é o jogo não, mas sim o The Cardigans!! Por Rod Castro!

12 de nov de 2008

Esta semana, para ser mais preciso, no último dia 03, um dos discos mais ignorados por críticos do rock/pop, da década de 90, completou 10 anos de vida. Antes de dar os parabéns, vale lembrar que antes de “Gran Turismo” os Cardigans tinham feito dois discos – o segundo um sucesso total: “First Band On The Moon”.

Ter uma voz fofinha, conseguir arranjos desconcertantes e ainda assim soar pop/rock é tão complexo quanto inusitado. Essa frase seria um resumo sentimental deste que escreve se pudesse resumir o que “Gran Turismo” me proporcionou logo na primeira audição.

De tanto que “Lovefool” tocou nas rádios e MTVs da vida, acabei optando por não ouvir a banda e pior, criei a velha e conhecida antipatia por todo mundo adorar, conhece? Então, em 1998, vendo o tal canal de música, me deparei com um videoclipe interessantíssimo dos suecos: “My Favourite Game”. Dali para ouvir a música centenas de vezes – após gravar o clipe em fita, lembra disso? – e correr para uma loja que alugava (e ainda o faz) CDs em uma grande avenida da cidade, foi um pulo.

Não comprei o disco, acabei fazendo-o mais tarde, mas este é um disco que tem meu total respeito e ouvidos. Confere aí as razões...

01 – “Paralyzed”: Há frase melhor para se começar um disco completamente diferente do que você poderia pensar ser um CD dos Cardigans, que: “This is where your sanity gives in, And love begins.” Esse refrão é permeado por guitarras distorcidas, uma batida elegante, elementos fantasmagóricos/leves e uma vocalista estilosamente relaxada transformam uma primeira faixa – quase sempre o hit da banda – em uma das melhores aberturas de 98.


02 – “Erase/Rewind”: Um dos clipes mais interessantes dos suecos: em um local já apertado, a banda começa a ser “amassada” pelas paredes que vão se aproximando, a luta de todos os componentes e os seus cuidados com os instrumentos é notável. Quanto à música: lentamente eles constroem uma melodia com violão elétrico, um baixo marcante (inclua aí uma “puxada” no silêncio), bateria concisa e a impressionante voz de Nina Persson, com seus “An, An, Annnnn”.

03/04 – “Explode e Starter”: Com letras subversivamente sensíveis (?) e ao mesmo tempo ácidas, os Cardigans mostram que só não estão no mesmo patamar que um Massive Attack – sem cantora convidada – porque não querem fazer Trip Hop e sim rock, daqueles diferentes a cada faixa.

05 – “Hanging Around”: Tudo bem que o início lembra uma música dos chatos dos “Engenheiros do Havaí”, mas a evolução ruma para uma mistura de Blondie com Chemical Brothers interessante, ainda mais com a letra que fala de uma nova tentativa entre duas pessoas, com direito a “I’m Hanging Around For Another Round”.

06 – “Higher”: Com certeza a mais linda canção feita pelos Cardigans. Suave, excelentemente bem cantada, cheio de coral ao fundo, uma guitarra insinuante e a economia na cozinha. Na letra, o inverso da canção anterior, uma entrega completa.

07 – “Marvel Hill”: Misture os arranjos dos Siouxssie And The Bunishment, com alguns elemntos mais modernosos do Depeche Mode. Para completar o clima, nada como uma letra ao bom e velho estilo surreal de David Lynch a mais diferente música do disco e uma das mais originais apesar de tantos referenciais.

08 – “My Favourite Game”: É impossível falar dessa canção e não se lembrar de seu maravilhoso vídeo clipe. Com o passar do ano ele perdeu em estilo, mas quando surgiu nas telas contagiou a todos e a impressão de que se está em um carro, por vezes sem controle, ao ouvir a música sem ver o vídeo é tão notável que diverte. Um clássico dos Cardigans. Esqueça Love Fool.

09 – “Do You Believe”: Se antes dessa música você ouviu um hit, aqui você tem a melhor música do disco, tudo em seu devido lugar. Início apoteótico, vocal arrastado, letra apocalíptica e uma mistura de teclados com bateria eletrônica e um agudo de guitarra fazem a base dessa deliciosa (?) canção.

10 – “Junk Of The Hearts e Nil”: Sabe quando você sente que fez o seu melhor disco e tem que encerrá-lo de forma inusitada e deixar o ouvinte com cara de paspalho? Essas duas canções foram feitas com esse objetivo. A primeira uma balada leve com refrão rock, enquanto a outra devolve você e seu espírito de volta a Terra após a maluca experiência que é ouvir Gran Turismo do início ao fim.

!! “Via Láctea”, “Cidade dos Homens” e “Cão Sem Dono”, ou cinema tupiniquim em DVD!! por Rod Castro!

5 de nov de 2008

Acho muita graça quando alguém ainda solta à máxima: “Filme bom é americano”. É no mínimo contraditório esse tipo de comentário. E para ser bem franco e não assumir nenhuma posição anti Yankees vou ao pontal nerval do raciocínio: eles têm uma indústria de “entretenimento”, ou seja, tem mais lixo do que “bons produtos”.

E quase sempre quem fala isso é uma pessoa que tira sarro de si mesma, porque os mesmos atores, diretores e pessoal técnico que ele “desrespeita” ao afirmar que o cinema brasileiro não presta, são pessoas que saíram de um meio que o mesmo espectador tanto adora: a TV.

Se hoje Selton Mello é o queridinho do cinema nacional e o artista do diferente, vale lembrar que ele e seu irmão, o Dalton, nasceram e se desenvolveram como atores/dubladores/artistas, nas novelas globais – e não eram novelinhas não, eram verdadeiras líderes de audiência da “Plin-plin”.

De lá ele surgiu, ali ele cresceu e hoje brilha nas salas escuras espalhadas pelo país inteiro. Tá certo: tem menos audiência ou reconhecimento do que tinha em tela menor, mas com certeza está bem mais feliz por ter seu “verdadeiro” trabalho sendo realizado com primor, talvez até mesmo eternizado, em película.

E o cinema brasileiro não é mais aquele terror de pornô chanchada, ou filmes “cabeça”, do tipo “uma câmera na mão e uma idéia na cabeça”. Pelo contrário, todos os anos pelo menos cinco ou seis bons, senão excelentes filmes chamam não só atenção do público, como são elogiados em páginas e mais páginas pela crítica.

E hoje, falaremos de três filmes nacionais – um apenas estreou em Manaus – que apenas conferi agora em DVD. Vamos lá?

“A Via Láctea” - Em “Pavor Nos Bastidores” Alfred Hitchcock se utilizou de uma técnica de manipulação em que uma parte da história é contada para uma personagem e para o público de uma forma, mas que ocorre de outro jeito no desenrolar da trama. Em seu primeiro filme, o ator Marcos Ricca faz o mesmo.

É um filme difícil, que retrata a separação de um casal – Ricca e Alice Braga. Têm bom ritmo, boa edição, viagens interessantes, mostra São Paulo de uma forma singular e perturbatória – como pode-se ver também no excelente “São Paulo S/A”. Mas o resultado final não é dos melhores. Nota 7,0!

“Cidade Dos Homens” – A aventura final de dois dos melhores personagens a ganharem série no Brasil é regular se for comparado ao que foi feito durante toda a série. Tudo bem que o filme possui boa edição, fotografia e tem um roteiro enxuto, mas algumas situações são más exploradas e acabam sem sentido por suas resoluções – como os dois pais dos personagens principais do filme terem matado um ao outro.

As atuações e alguns diálogos continuam verdadeiros como fora na série e até mesmo em “Cidade de Deus” – que originou os episódios na televisão. Mas sinceramente, poderia e deveria, ter rendido muito mais. Nota 7,5!








“Cão Sem Dono” – o cineasta paulistano Beto Brant é um dos melhores de sua geração. Tem estilo, cria bons personagens, tem momentos inspiradores e parece ser um dos melhores diretores de ator do cinema brasileiro. Além de ter uma boa seqüência de filmes rodados – como
“Os Matadores”, “Ação Entre Amigos”, o excelente “O Invasor” e “Crime Delicado”.

Nesse interessante “Cão Sem Dono” Brant explora a vida de dois personagens totalmente livres de compromissos com a vida – ele é tradutor de textos russos para o português, enquanto ela parece ser uma modelo com possibilidades na carreira, mas nada mais que isso – que ficam vagando a vida um do outro, como dois cães sem dono – apesar de o filme sempre enquadrar o cachorrinho pego pelo tradutor, como um ser sem rumo também.

Cheio de bons diálogos, alguns visivelmente fruto de improviso do elenco – como as cenas feitas na casa do motoboy (melhor personagem do filme) e as “reuniões de família” de Ciro – tem linguagem linear (diferente de outros trabalhos de Brant) e prima pelo naturalismo. Bom filme, nota 8,0.