!!(Disco)nsiderados... ou: os discos que ninguém se lembra, mas são bons!! By Rod Castro

26 de ago de 2008

O início da década de 90 não foi tão bom para a música como alguns afirmam. Pois uma ou outra banda conseguia se destacar. Fosse por sua fundamentação – Depeche Mode seguindo sua biografia sonora em Violator – por inovar graças a conseqüências - o Metallica de formação nova mostrando do que seria capaz com o clássico ...And Justice For All . Mas a maioria estava presa em um marasmo do mais do mesmo, como INXS e Guns & Roses.

Em meio a esse cenário uma bomba explode em Seatlle e ecoa pelo mundo com gritos e riffs de guitarras poderosos, o inesperado estilo grunge. A formação básica que representaria todo o movimento era: Mudhoney (os pioneiros), Pearl Jam (o Creedence Clearwater mais jovem), o Screaming Trees (os eternos esquecidos) e o Nirvana (os novos Sex Pistols).

Entre tantas bandas, duas se destacavam por apostar no peso, na forma diferente de compor suas músicas e por contar com os dois melhores vocalistas de toda a sua geração (que me perdoem as Courtneys de plantão): Alice In Chains e Soundgarden.

Ambas pareciam ter saído direto dos anos 70 e soavam carregadas de ótimas referencias sonoras de clássicas bandas como Stepenwolf, Led Zeppelin e até mesmo Black Sabath. Talvez por esse peso ou estilo mais rock, menos poser, mais riffs, menos rádios, mais composições de verdade e menos falta de criatividade ou formulas, é que as duas foram postas de lado – mesmo quando uma ou duas músicas se destacavam nas rádios (quase sempre as baladas).

Uma pena. Nem Alice, nem Sound existem mais. Foram vitimas de seus vocalistas. Chris Cornell largou o som do jardim para viver sua carreira solo, em seguida virou o frontmen do alardeado Audioslave – que também não existe mais. Layne Staley se afundou de tal forma nas drogas, sua mudança visual e até mesmo de espírito era visível de lançamento de disco para outro, e acabou por falecer, aos 35 anos, em abril de 2002.

E é do Alice que vamos conversar um pouco a partir do próximo parágrafo. Para ser mais preciso, falaremos do seu segundo e poderoso disco: Dirt, lançado em 1992 e que adquiri de presente de natal encomendado com o meu Papai Noel (minha mãe), na loja das Americanas, no Centro de Manaus.

(Disco)nsiderados

A de Alice in Chains e seu primoroso Dirt

O que é pior: lançar um bom primeiro CD ou tentar a perfeição do segundo disco? Essa questão tem que ser resolvida por milhões de artistas que gravaram um dia. E quando o assunto é rock e temos a mesma questão levantada, a coisa vai além: pois há a tão famosa maldição do segundo disco.

Com ela vários artistas de potencial elevado são levados a crer que seu triunfo encerrou antes mesmo de começar. Se fossemos escolher uma banda que conseguiu se desvencilhar dessa tal lenda, e que por mais que falem, afirmo com veemência, nunca é lembrada por seu impressionante segundo trabalho, está e boa e velha Alice Acorrentada.

Em Dirt, nome mais perfeito impossível, já que seu som pesado se tornou mais sujo e denso como uma boa banda de rock tem que ser. O Alice foi além e mostrou que ser de Seatlle não era ser exemplo de adolescente problema, usar blusa de flanela, ter cabelos grandes e cavanhaques.

Era mostrar evolução – algo que em seu disco seguinte (Jar Of Flies) foi encarado como “eles tiraram o peso” e na verdade deveria ser encarado como “caraca é o Alice? Que bom!” – e ao mesmo tempo não largar o osso de banda mais pesada dentre as surgidas no movimento.

Se em Facelift eles começavam amassando seus tímpanos com We Die Young, aqui a coisa fica mais pesada com a pancada Them Bones. Que conta com gritos daqueles que assustam empregada doméstica “que tem fé em Deus” desde o primeiro press play.

A paulada desenfreava pelas segunda, terceira e quarta faixas – Dam That River, Rain When I Die e Sickman – até dar de encontro com uma das melhores músicas daquele ano de 92: Rooster.

Ali era possível ouvir e até mesmo sentir o que o Alice realmente tinha a oferecer.
Letra que remete a um veterano de guerra, que ficou bolado pelo fim do seu maior estímulo - Apocalypse Now seria um bom principio - e que convive com milhares de fantasmas que desejam lhe matar, em uma encruzilhada ou até mesmo em casa. Mas ao invés de a música ser atormentadora, há uma estrutura de baixo, vocais com direitos a “uhhhhhhh” e leves dedilhados de guitarra que descambam em um cenário de conflito com o passar e desdobramentos da canção.

Em seguida, sem pausa para pensar ou degustar um pouco mais de Rooster, você é arrastado para outro conflito interno e que deve refletir muito do que passava pelas cabeças de Laney e o guitarrista Jerry Cantrell, os letristas do Alice: “o que somos e o que poderemos ser ao nos tornarmos ‘rock stars’, tá tudo lá na letra de Junkhead, leia. Ou cante.

Dirt era o degrau criativo em camadas que era escalado de dois em dois pela banda: desde sua guitarra que remete ao oriente – algo nunca mais (tão bem) feito desde Kashmir do Zeppelin – ao vocal arrastado e a cozinha pesada, como sempre. E para não passar em branco, temos mais alguns conflitos de ordem psíquica dos letristas: “I’ve Tried To Hide Myself From What It’s Wrong For Me”, ou “You, you are so special. You have the talent to, make me feel like dirt. And you, you use your Talent. To dig me under, and cover me with dirt”.

Godsmack era mais uma paulada, que recebia em seqüência a companhia das não menos leves Iron Gland e a típica canção Alice in Chains com instrumentos descompassados que se unem para acabar com o seu tímpano Hate To Feel.

Mas sinceramente, nada naquele ano iria te preparar para as três músicas seguintes que surgiriam no digital do seu recém comprado aparelho de CDs: Angry Chair, Down In A Hole e Would?. Três clássicos instantâneos e que praticamente demonstram na prática a fórmula criada
pelo Grunge.

Angry Chair mostrava em uma canção que o mar não era para peixe. Traduzindo: para ser uma banda de rock pesado era preciso mostrar seus espinhos e o Alice tinha uma cadeira repleta deles, com direito a candelabros vermelhos aos pares, sombras dançando ao redor do recinto, além de um dos melhores solos e riffs da geração feita pelo mestre Cantrell.

E se Angry Chair era o petardo. Down In A Hole era a leveza nunca encontrada. Com direito a arranjos de violões, batidinhas de leve nos pratos, vocal em dupla de Cantrell e Laney e um refrão grudento. Mas, como estamos falando do peso de Seatlle, essa não é a pluma que toca o coração ou muito menos viraria o hit dos casais, era apenas o suspiro para a introdução de uma música que pode ser chamada como a mais inspirada da banda.

Would? Foi feita especialmente para a trilha do filme Single, Vida de Solteiro – de Cameron Crowe (o mesmo diretor/roteirista de Quase Famosos). Leve e pesada, com um baixo estalando e dando o compasso desde o seu início, Would? Mostra que o Alice tinha mais que um bom vocalista, tinha dois. Cantrell era o tom e Laney era o estardalhaço unido a sustentação. Música que resume uma geração toda e é cantada em uníssono por seus apreciadores.

Semana que vem outro disco deixado de lado em várias listas e que é muito bom, senão, o melhor CD do Stone Temple Pilots: Tiny Music... Songs From The Vatican Giftshop.

!!Ele conseguiu... ou: Viva La Vida or Death And All His Friends!!by Rod Castro!!

12 de ago de 2008


Para onde Chris Martin vai. Ninguém sabe dizer. Mas ao contrário do que a sua letra em “God Put a Smile Upon Your Face” afirma, a sua graça e o seu estilo, a cada dia, tira um pouco do sorriso que ele pôs em minha face ao ouvir várias vezes os seus dois incríveis discos.

Isso porque há uma grande sombra que se projeta sobre qualquer disco lançado por sua banda. Aliás, uma não, duas: U2 e Radiohead. Para ser mais preciso quatro sombras: “Achtung Baby”, “Pop”, “The Bends” e “Ok, Computer”.

E isso mais prejudica do que ajuda. É fato: a cada entrada no estúdio feita por sua banda é notável que “a homenagem a quem me influencia” já se tornou uma incrível “perseguição ao status da nova banda do milênio” e que com o passar dos anos está se transformando na “eu já cresci e quero ser o RadiU2, ou o novo U2head”.

Sei que muitos vão falar que eu estou indo para um lado que não condiz, mas é impossível ouvir duas faixas de “Viva La Vida”, no caso “42” e “Lovers In Japan-Reing Of Love”, e se fingir de surdo cultural, apenas para dizer que eles são demais! Ambas estariam em qualquer disco do Radiohead e do U2.

Isso tira o talento deles? Não. Isso faz do Coldplay “a banda (da semana?) que vai salvar o rock neste novo milênio”? Também não. Mas caramba, como um cara que aprecia e muito a obra da banda, até o momento, me questiono onde foi parar a “fórmula Coldplay de se fazer canções”?

Que muitos sempre os compararam a U2 e Radiohead, isso não é novidade. E convenhamos que ser colocado lado a lado com duas lendas do rock de uma só vez, é para se ter um sorriso estampado na face. Mas daí a chupar seu estilo e colocar o nome da sua banda no lugar da referencia, na capa do CD, é outro caso. Disco fraco, o mais fraco d Coldplay.

E para não dizerem que é obsessão minha (meu nome não é Chris), advinha quem foi o produtor de “Viva La Vida”? Brian Eno, mais conhecido como o eterno produtor de Bono e companhia. Que voltem o tempo de “Yellow”, “Clocks” e “Speed Of Sound”. Nota 6,5!

Obs.: esse artigo não foi copiado de ninguém.