Crise da meia-idade 2 (by Marco Antonio - o Animal!)

30 de abr de 2007

Quando um homem chega a uma certa idade, começa a pensar de como era bom o tempo que passou. Na verdade, passa a questionar o quão ruins são as tendências atuais, sejam elas quais forem. Eu, que passei (quase) ileso pelo movimento punk, fui headbanger e quase skinhead, tenho uma certa dificuldade de encarar essa moçadinha EMO que invade as boates, clubes e bares da cidade. Dá pra sentir o cheiro de viado no cio quando essa turma adentra os recintos. Se pelo menos a música que eles ouvem não fosse tão ruim, até dava pra suportar a presença. Mas esse sonzinho do tipo "olha, eu sou pesado mas sou sensível, viu?" é de dar nó nas tripas. Sem contar que é tudo absolutamente igual.

E não é só pelo som e pelo visual dark, carregado de maquiagem, que se reconhece um emo. Você pode descobrir se o cabra tem tendências só respondendo questões básicas, como as mostradas abaixo. Na minha auto-avaliação, conclui que sou, praticamente, um símbolo de macheza. Um ogro viking, um animal macho sem limites. Ao som de MOTORHEAD, concluo com orgulho que posso até estar ficando velho mas vou morrer MACHO.

Como medir um homem na escala entre macho e EMO:

1. Higiene pessoal:
Toma banho em 3 minutos e usa sabão em barra = MACHO·
Toma banho rápido e usa xampu = HOMEM MÉDIO·
Demora meia hora e usa sabonete líquido = TENDÊNCIAS EMOS OCULTAS·
Toma banho de espuma na banheira = VIADAÇO ASSUMIDO

2. 2. Higiene pessoal 2:
Mija em pé e nem sacode o pau = OGRO·
Mija em pé e sacode o pau para secá-lo = MUITO HOMEM·
Mija sentado e sacode o pau para secá-lo = TENDÊNCIAS HOMOSSEXUAIS·
Mija sentado e seca a ponta do pau com papel higiênico = MUITO EMO,PRATICAMENTE UMA MOÇA

3. Presentes que gosta de ganhar:
Uma garrafa de cachaça ou whisky = HOMEM MÁSCULO·
Uma peça de roupa = FINO·
Doces, bombons etc. = MEIO VIADO·
Flores e/ou perfumes com CD do NX0 = EMO

4. Tratamento dos animais de estimação:
Seu cão vive no quintal e come restos de comida = VARÃO·
Seu cão vive dentro de casa, come ração especial = DELICADO·
Acaricia muito o gato (que já é boiola por si só) que dorme na suaprópria cama = EMO TOTAL

5. Tratamento das plantas:
Se alimenta de algumas delas = RAMBO·
Tem algumas plantas no quintal que não são regadas = MACHO·
Cuida das plantas e dos arbustos = FLORZINHA·
Rega, poda plantas e flores de seu jardim e chora= BICHINHA PURPURINADA

6. Uso do espelho:
Não usa = VIKING·
Usa somente para fazer barba e pentear cabelo = VAIDOSO·
Admira sua pele e observa seus músculos = GAY·
Igual ao GAY, e ainda admira seu bumbum = LOUCA DESATADA·
Admira-se com diferentes perucas, vestidos e maquiagem = EMO TRAVESTI

7. Penteado:
Não se penteia = MACHÃO·
Penteia-se depois do banho = HOMEM·
Penteia-se várias vezes ao dia = FRESCO·
Penteia-se várias vezes ao dia e pinta cabelo = EMO·
Penteia os outros e dá conselhos de penteados = BICHA LOUCA

8. Limpeza da casa:
Varre quando ouve a sujeira estalar sob a sola dos sapatos = ANIMAL·
Varre quando o pó cobre o chão = MACHO·
Limpa com água e detergente = FRESCO·
Limpa com água, detergente e aromatizante = MARIPOSA·
Usa aspirador de pó = BORBOLETA

9. Esportes preferidos:
Futebol, luta livre, automobilismo = MACHO DE CARTEIRINHA·
Tênis, boliche, voleibol = TENDÊNCIAS GAYS OCULTAS·
Aeróbica, spinning = LOUCA·
Os mesmos, mas usando short de lycra = EXTRA BOIOLA

10. Comidas preferidas:
Capivara, javali, animais assados, comida apimentada e gordurosa=TARZAN·
Peixe e salada para não engordar = SENSÍVEL·
Sanduíches integrais, consomées = FRESCO·
Aves acompanhadas de vegetais cozidos no vapor = BICHA MUITO LOUCA

11. Cerveja:
Gelada e em grandes quantidades = MACHO DEMAIS·
Só uma para matar a sede no calor = BICHICE SOB CONTROLE·
Com limão e sal = SUPER EMO·
Sem álcool = PRATICAMENTE UMA LIBÉLULA.

Bundas, a salvação do brasileiro. (by Alexandre Santana)

27 de abr de 2007


Pra não mexer na poupança, Romualdo precisou vender sua Bundas.

Calma, que eu explico: Romualdo tava numa pendura daquelas. Bicho-Grilo típico, dos que nunca terminam o curso na Federal e gastam com goró e sacanagem toda a (pouca) grana que ganham, viu-se sem um vintém pra pagar o aluguel de seu muquifo - que já tava bem atrasado. Revira daqui, baculeja dali, Romualdo encontrou um monte de livros velhos e uma tornozeleira de ouro, que uma vagaba qualquer perdera por lá.

Vendeu os livros pro sebo e pôs a tornozeleira no prego. Mas recebeu como paga uma merreca, que mal limpava os juros das contas vencidas.

Daí Romualdo resolveu radicalizar: apelou para sua caixa de "tesouros". Por tesouros, leia-se aquele lixo supostamente cultural que todo intelectual-indie-neo-comunista-blasé junta só pra criar mofo, até esquecer que existe, mas que se alguém pedir emprestado eles não liberam nem sob tortura. Encontrou uns bolachões acabados do Raulzito, uns fanzines do Cucos e... Tchã-rã! O primeiro exemplar da revista Bundas.

Aqui cabe um parêntese: Bundas foi aquela revista que o Ziraldo lançou em 99 (ou 2000, vai lembrar) . Era uma espécie de Pasquim depois da plástica (bem-sucedida, aliás: a leitura ficou mais gostosa em todos os sentidos). A Bundas era mesmo um desbunde. Uma rebolada de humor, redondinha em suas críticas sacanas (a começar pelo título, óbvia provocação com a "Caras"). Infelizmente, apesar de tanta gente boa segurando (o próprio Ziraldo, Jô, Millor, Jaguar, Veríssimo, Chico e Paulo Caruso, Miguel Paiva, Angeli...), a Bundas caiu. Mas até hoje é artigo de luxo entre colecionadores - especialmente o exemplar nº 1, que esgotou nas bancas em pouco mais de uma semana.

Justamente o exemplar que Romualdo tinha em casa. E fecha parênteses.

Catando na internet, Romualdo rapidinho achou um doido que pagava até 100 paus por Bundas (ôpa!) em bom estado. Daí o liso não se fez de rogado: apesar de lamentar por sua Bundas quase sem uso, vendeu-a sem dó nem piedade (pra sair do aperreio, vale tudo). Catou a grana, emprestou o que restava e pagou o aluguel que devia, sem precisar apelar para sua minguada poupança (no bom sentido).

Moral da História nº 1: Sim, é possível vender Bundas mantendo a dignidade.

Moral da História nº 2: Independente das circunstâncias, todos reconhecem o ótimo desempenho de nossa preferência nacional no mercado financeiro. Tá cheio de brasileiro por aí tendo que vender bundas pra sobreviver.

Lewis nunca levou o Oscar, mas quem precisa do careca dourado? (By Rodrigo Castro)

26 de abr de 2007


No último Oscar, a Academia acabou convidando três grandes diretores do cinema americano para entregarem a estatueta da categoria a Martin Scorsese. Enquanto Steven Spielberg, Francis Ford Coppola e George Lucas esperavam a subida do baixinho Scorsese para receber o prêmio, pensei em alguém muito especial para o cinema e que também foi diretor: Jerry Lewis.

Daí você se pergunta: “Spielberg, Coppola e Lucas. E o cara me vem com Lewis? Enlouqueceu!”. Pois saiba que contando com Martin no palco, o único grande diretor que ali estava e que não teve ligação direta com um dos maiores comediantes do cinema, o bom e velho Lewis, foi Coppola.

A capacidade de Jerry ia além da carreira de ator comediante. Sua participação por de trás das câmeras também foi emblemática: escrevia boa parte dos seus próprios roteiros – em determinada época escreveu dez roteiros de filmes em apenas dez anos, detalhe: todos campeões de bilheterias; e seu trabalho como diretor era preciso e muitas vezes até inovador – principalmente se levarmos em conta que o seu forte era os filmes cômicos e “para toda a família”.

Essa capacidade rendeu ao palhaço das multidões a responsabilidade de se tornar um dos professores de cinema mais importantes de Hollywood. Nessa nova façanha, quando se tornou mestre de cinema em universidades da área, surgiu a idéia do “Professor Aloprado” – seu trabalho mais impressionante e elogiado em toda a sua longa carreira.

Em sala de aula, dois de seus mais fervorosos alunos, tinham um futuro promissor: Steven Allan Spielberg e George Walton Lucas Júnior. Tenho a impressão que a influência do professor se fez presente na vida de Spielberg através da dinâmica de direção, com a sugestão de ângulos diferentes.

Já na carreira de Lucas, a mão do mestre pode ser sentida pela agilidade nos roteiros – principalmente na característica de dar um tom cômico em suas obras, mesmo em “Guerra nas Estrelas” dá para se sentir isso nas mais diversas cenas.

Há 24 anos, Lewis também cruzaria o caminho de Scorsese: quando o diretor ítalo-americano fez “O Rei da Comédia”. Mais impressionante ainda: neste filme o renomado comediante fez o papel de si mesmo – mas com outro sobrenome: Langford - mostrando que sua fama de mal humorado, e até grosseiro, era verdadeira e não atrapalhava seu carisma.

Fico triste, sinceramente, por ver que a cada ano que passa pessoas importantes para a sétima arte - principalmente os comediantes – são deixadas de lado. Jerry Lewis, que no último dia 16 de Março completou 81 anos de idade, praticamente não faz um novo filme desde 1995 e a sua classe não sente sua falta ou muito menos lhe rendem homenagens.

Pior: sai ano e começa outro e você não o vê ou muito menos seus filmes. Assim, jovens e adolescentes perdem a chance de ver em ação um gênio da comédia – do quilate do mestre Charles Chaplin, outro injustiçado - pior: perseguido.


Muitos anos de vida “mestre da comédia moderna”! Você sempre fará muitas pessoas rirem – incluindo este escriba.


Em tempo: uma boa parte dos filmes do Jerry estão a venda no Brasil, lógico que faltam dezenas deles, principalmente quando ele fazia dupla ao lado de Dean Martin. Procure-os e divirta-se.


Em tempo 2: assista ao filme "Verdade Nua" (2006) e talvez você encontre um dos motivos que fez a dupla mais rentável do cinema acabar.

!!Mestres da nona arte (by Rodrigo Castro)!!

25 de abr de 2007




Existe uma tríade sagrada no mundo dos quadrinhos formada por escritores que se tornaram queridos do público e respeitados pela crítica por suas obras importantes e únicas para a nona arte. Os três estão tendo obras transformadas em filmes.

O mais importante é Alan Moore. Inglês, esquisito, barbudo, cabeludo e bruxo, Moore é mestre em desfazer toda a magia dos super heróis, transformando-os em seres humanos tocáveis. Seus argumentos são bem estruturados, seus diálogos inusitados e seus conceitos únicos e originais. É do mago, clássicos instantâneos, como: “Watchmen”, “V de Vingança”, “Do Inferno” e “A Liga Extraordinária”, todas essas já transformadas em filmes - tirando "Watchmen" que começa a ser filmado este ano e conta com a direção de Zack Snyder (mesmo diretor de "300 de Esparta").

O segundo autor também é inglês: Neil Gaiman. Com visual parecido com o de um astro do rock, Gaiman teve boa formação: leu muito e se especializou em obras que retratam o misticismo grego e seus deuses, assim como a era medieval e seus emblemas. O último bem retratado em "Stardust", obra que se tornou filme ano passado, que chega aos cinemas ainda este ano 2007 e que conta com grande elenco.

O autor é conhecido por seu trabalho frente à reformulação de um personagem de segunda do universo DC (lar de Superman, Batman e Mulher Maravilha): “Sandman”. Com elementos pop, escrita rápida, diálogos interessantes e de boa compreensão, seus trabalhos são obras primas que renderam elogios e prêmios literários.

A trindade ganha corpo com um americano: Frank Miller. A diferença dele para os outros dois é que além de escrever ele desenha – foi assim que entrou no mundo dos quadrinhos. Um traço importante de sua personalidade está em todas suas obras: o questionamento, a dúvida do que está sendo mostrado e seus porquês.

Frank fez dos quadrinhos um mundo mais real: abdicou do mundo mágico e icônico dos grandes personagens e deu mais importância para os erros e o lado humano. Diálogos afiados, argumentos brutais e traço vanguardista - que influenciou imitadores e “alunos” - fazem parte da sua importância para a mitologia das boas histórias em quadrinhos.

São do nova iorquíno a reformulação de personagens importantes e obras seminais que mudaram toda a perspectiva das “revistinhas”, como em seu trabalho frente ao título do personagem Demolidor, da Marvel Comics: sob seu comando, a revista – que estava em vias de ser cancelada - ficou entre as mais vendidas dos anos oitenta.

Em meados da mesma década ele iria para a Distinta Concorrência e faria duas das mais importantes obras do homem morcego: “Batman, O Cavaleiro das Trevas” e “Batman: ano Um”. Ambas visionárias por explorarem facetas nunca antes realizadas e pensadas.

Já astro, abandonou as grandes e partiu para uma editora independente, a Dark Horse. Lá, com liberdade total e criatividade em alta escreveu a premiada série inspirada no cinema noir, “Sin City”. Na máxi série o autor explorou o mundo sujo de Basin City: uma cidade repleta de mulheres fatais, detetives de má índole e muitas sombras.

Ainda na DH publicou três trabalhos que merecem destaque: “Marta Washington” (com três histórias divididas em séries), “Hard Boilled” (influenciando o mundo “Matrix”) e “300”, obra visceral lançada em 1999 e que ganhou as salas de cinema recentemente.

Na virada do século, Miller viu seus fãs, críticos e até mesmo pupilos arranharem sua figura de gênio após a segunda parte de “O Cavaleiro das Trevas” chegar às bancas.

Hoje em qualquer banca você encontra a mais nova empreitada de Miller com o homem morcego na série publicada pela Panini Comics: “Batman e Robin”. E o autor promete mais uma série do “morcegão” ano que vem: Batman versus Al-quaeda.

Timberlake hoje é o mais preto dos brancos... (por Rodrigo Castro)

24 de abr de 2007


Qual é a sua definição de rock? É rock, o bom e velho estilo de música que faz muitas pessoas sacudirem o esqueleto e a cabeça a cada música executada. Pergunto isso porque costumo afirmar que a definição do que é rock de verdade, reside em uma palavra distinta: atitude.

Exemplo: Michael Jackson durante boa parte de sua carreira solo - principalmente no início dela – foi um dos maiores roqueiros que o planeta Terra testemunhou em palco e apresentações. Ele dançava, passava a mão em “lugares proibidos” – Elvis e James Brown também o faziam - e ainda conquistava todos os tipos de público e olha que o seu estilo de som não era o rock propriamente dito.

Mas isso foi há muito tempo atrás. Hoje somos vitimas – ou culpados? – de um som datado e sem criatividade que assola rádios e emissoras de televisão com “mais do mesmo” a cada canção. Poucos artistas têm e mantêm uma “atitude rock” perante crítica, público e biografia.

Pois bem, se eu disser para você que nos último três ou quatro anos um artista que era tido como “mais um garoto bonitinho, que dança mais ou menos e que era membro de uma daquelas boys band” se tornou um dos maiores rockers do mundo. Você acreditaria?

Pois é verdade e vou até dar até nome ao boi: Justin Timberlake. Este é um dos caras mais rock and roll do pop atual. Seja por sua mudança artística, postura de “não me preocupo com o que falam de mim, mas falem”, som mais trabalhado (ou “chupado” de bons artistas negros do tempo da Montown) e até mesmo pelo seu lado “pegador”. A soma de todos esses fatores tornou o ex-líder do N’Sync em um artista versátil e diferente.

Duvida? Bem, se você é daqueles que sente falta do bom e velho Michael Jackson, mate-a de maneira rápida e certeira: “Future Sex/Love Sound”, o mais novo disco de Timberlake. Cada música, arranjo, participação especial e voz afinada no tom, farão sua memória musical ir ao seu arquivo de bom gosto e rememorar bons momentos, que um dia ficaram perdidos na pasta “Michael Jackson dos tempos de ‘Thriller’”.

Os entendidos em música dizem que a parceria feita por Justin e o produtor Timbaland foi a principal responsável pela virada de mesa do artista. Mas em “Justified”, primeiro disco solo do cantor, muitos dos elementos que resultaram nesta grande mudança já estavam lá, em menor porte é verdade, mas existiam.

“FS/LS” com certeza é um dos discos mais interessantes e bem produzidos do ano passado e deve catapultar a carreira de Justin, levando seu nome para o mesmo lugar de gente que ele admira e que de certa forma até segue, como o já citado Jackson e até mesmo Prince (a faixa que abre o disco é soa como a canção “1999” do baixinho).


Além de apostar em sons diferentes, dando um clima mais nostálgico em suas músicas, o que se sente a cada canção tocada do novo álbum de Justin é algo entre o intransigente e o “novo”, mesmo que a novidade soe antiquada. Antiquada sim, datada e de qualidade duvidosa? Não.

O refino de “FS/LS” consegue ligar letras sensuais, sexuais e até engraçadas, a uma linguagem rápida e de ritmo arrebatador que deve se tornar – agora não, mas daqui a uns anos com certeza – um dos discos mais inovadores dos anos que sucederam os 2000. Exagero? Só o tempo e Justin podem dizer.

The Smugglers (By Breno Yared - incluíndo a foto feita em PB)

23 de abr de 2007


À primeira vista pode parecer um filme de gênero clássico americano da década de 40: “The Smugglers”. Um Filme de gângsters, como “Force Of Evil” (1948), de Abraham Polonsky, que mostra uma América violenta e corrupta com personagens marginalizados dentro do sistema. Porém, estamos frente a frente com um “contrabandista”, um smuggler. A forma como Martin Scorsese denomina, em seu documentário “Uma Viagem pelo Cinema Americano”, cineastas que na década de 40, no auge do studio system hollywoodiano, burlavam o sistema em projetos extremamente pessoais e de estilos inconfundíveis.

Samuel Fuller, Andre de Toth, Jacques Tourneur, Edgar G. Ulmer, Fritz Lang, Douglas Sirk, Nicholas Ray. Formaram a linha de frente dos smugglers. Os “gângsters” de Hollywood. Trabalhavam clandestinamente e sua subversão não era percebida de imediato. Jacques Tourneur e Edgar G. Ulmer, por exemplo, trabalhando em divisões menores dos grandes estúdios, em filmes de baixo orçamento, como “Sangue de Pantera” (1942), de Tourneur, e “Detour” (1945), de Ulmer, podiam transformar uma produção rotineira em um filme extremamente pessoal, autoral. E isso dentro de gêneros clássicos do cinema americano, como o Noir, o Western e o filme de gângsters.

No entanto, os smugglers, não se limitavam apenas aos filmes de baixo orçamento. E isso é uma das coisas mais fascinantes. Douglas Sirk e Nicholas Ray, por exemplo, em filmes caros de grandes estúdios, com grandes astros, em gêneros típicos da época e bem comportados, como o melodrama, atacavam o estilo de vida americano, a hipocrisia americana. À primeira vista, eles obedeciam às regras do gênero, com o típico final feliz, mas, a partir do subtexto, de forma indireta, criticavam os dogmas da década de 50. Em filmes como “All That heaven Allows” (1955), de Sirk, e “Bigger than life” (1956), de Ray.

Samuel Fuller, talvez tenha sido o maior de todos os smugglers da história de cinema. Em filmes de baixo e grande orçamento. Subverteu as regras dos gêneros tanto pela forma quanto pelo subtexto. Pela forma, como esquecer o cinematograficamente glorioso set piece final de “House of Bamboo” (1955), muito à frente do seu tempo que antecede em anos os soberbos set pieces do mestre dos set pieces, Alfred Hithcock. Pelo subtexto, “Shock Corridor” (1963), metáfora sublime de uma América moralmente degradada. Ambos momentos de um completo smuggler em ação.

Porém, Após a década de 60, tais cineastas entraram em decadência e sumiram com a mudança nas corporações dos grandes estúdios no qual magnatas e produtores, que tinham, de certa forma, conhecimento de cinema, foram substituídos por agentes de grandes corporações que não tinham a mínima visão da sétima arte. A indústria americana entrou em colapso tanto financeiro quanto artístico. Foi quando surgiram, na década de 70, cineastas da "nouvelle vague americana", com filmes agressivamente autorais em nível industrial, que mudariam o cinema americano para sempre: Martin Scorsese, Francis Coppola, Terrence Malick, Brian De Palma, Michael Cimino, George Lucas, Steven Spielberg - os dos últimos, responsáveis pela era dos blockbusters, que continua até os dias de hoje, para o bem e para o mal.

Atualmente, em Hollywood, há raros smugglers em ação. Martin Scorsese é um desses. M. Night Shyamalan e Paul Verhoeven – este em menor grau – também. Os únicos filmes do Scorsese típicos de um smuggler são “Gangues de Nova York” (2002) e “O Aviador” (2004) – em “Os Infiltrados” (2006) ele fingiu ser um smuggler para levar o Oscar. Depois de dirigir o maravilhoso pastiche, de alguns elementos de seu próprio cinema, em “Vivendo no Limite” (1999) à Brian de Palma, a única forma de levar à frente um projeto extremamente pessoal, com orçamento que beirava os 100 milhões de dólares, era atuar clandestinamente, como um smugggler. Á primeira vista, “Gangues de Nova York” é um típico blockbusters do cinema atual: grandes astros, direção de arte suntuosa, final feliz com direito a beijo final.


Em vários momentos, o filme parece como de um cineasta anônimo qualquer. Mas só parece. E isso é intencional. É um smuggler em ação. Um olhar mais apurado perceberá a visão do Scorsese sobre a América no subtexto do filme. Perceberá a beleza da seqüência de abertura - citação de ‘Badaladas à Meia-Noite”, de Orson Welles. E perceberá o lirismo da seqüência final no qual ele homenageia Fellini – o circo passando em frente ao duelo das gangues, D. W. Griffith – a seqüência de ação paralela da cena toda, Ford – principalmente pela temática do filme - e Eisenstein – os navios com canhões atirando e a pura montagem dialética dos soldados armados em contraposição à população fugindo.

O smuggler é uma espécie quase em extinção no cinema americano. Será que Scorsese e Shyamalan, em seus próximos filmes, levarão esta linhagem á frente? Influenciarão ou influenciaram novos smugglers que se inspirarão neles e nós da década de 40 e 50? Só tempo irá dizer. Enquanto isso, alguns dizem, que os smugglres fugiram para as séries de TV americana e inglesa, como “A Família Soprano”, “Prime Suspect” e “The Wire”. Mas isso é assunto para outro texto.

"300 de Esparta" artigo (por Rodrigo Castro)

20 de abr de 2007


Um homem de cabelos loiros voa por cima de um esquadrão formado por guerreiros Persas – que de tão eficientes são chamados de “Imortais”. Com um só golpe o grego arranca a mão do representante do Deus-rei Xerxes. Ainda sofrendo pela perda da mão o homem fala, em um misto de dor e ironia, para o guerreiro espartano: “Nossas flechas bloquearão o sol” e o soldado rival sorrindo, retruca: “Nós lutaremos nas sombras.”.

Há oito anos li este mesmo diálogo e vi esta mesma cena em todos seus detalhes em um gibi que contava a incrível e verdadeira história de 300 soldados espartanos que lutaram bravamente por suas vidas em 480 Antes de Cristo, na batalha de Termópilas.

O gibi intitulado “300 de Esparta” foi uma homenagem feita pelo mestre dos quadrinhos modernos Frank Miller – autor de clássicos como “Batman – O Cavaleiro das Trevas” e “Sin City” - ao filme “Os 300” da Metro Gold Mayer (1962). O autor extrapolava todos os conceitos de quadrinhos, transformando cada ato ou frases proferidas em situações heróicas e por vezes até únicas - tamanha sua inspiração.

Pois bem, acabo de assistir ao filme que adaptou os quadrinhos e digo: quase perfeito. Falo isso, e posso até mesmo ser execrado pelo “quase”, porque faltou algo: um pouco mais de ritmo, até mesmo de audácia por parte dos produtores e do diretor Zack Snyder. Faltou, mas não tirou todo o brilho da adaptação.

Sim, a coloração esplendorosa feita pela ex-mulher do autor – Lynn Varley – está lá. Assim como os diálogos, magistralmente escritos por Miller, que estouram de dez em dez minutos na tela, abrilhantando ainda mais o sentido do que está acontecendo e até mesmo do que está por vir. Mas, por ter dado mais espaço para a esposa do rei Leônidas – líder dos soldados espartanos que enfrentam de forma visceral o incrível exército inimigo – o filme acaba, por breves instantes, sendo maçante.

Não me entenda mal: não sou do tipo de fã que não perdoa intromissões ou muito menos um machista sedento por sangue – este último quesito foi respeitado ao extremo pelo diretor. O que ocorre é que a história contada em quadrinhos acabou “quebrada” por momentos, que no final das contas, nem somam. Pelo contrário: tiram a cadência da película.

Obliterando este fator, afirmo que “300 de Esparta” funciona e muito. O resultado está presente no sucesso de bilheteria alcançado – ainda mais para um filme que teve (merecida) censura alta, afastando crianças e jovens das salas; nas boas críticas recebidas e na grande chance de uma segunda parte para a obra, fato que nem o autor norte americano sonhou um dia.

Enfim, se Miller – que é chato no aspecto “não brinque com o meu brinquedo” – autor do quadrinho deu várias opiniões favoráveis a respeito do filme, quem sou eu para pestanejar contra 300 guerreiros moldados para matar, sobreviver e guerrear?

“Os 300 de Esparta” com certeza é o primeiro documento dramático digno a retratar, com entusiasmo, a história de soldados que morreram por sua liberdade em Termópilas. Vá ao cinema e prepare-se para a glória.

!!Os destaques da semana (tanto bons quanto ruins)!!

19 de abr de 2007

Toda semana farei um pequeno índice com os fatos e notícias mais importantes do mundo cultural que me cerca. Se você gostar das dicas siga-as, senão apenas ria de algumas que são praticamente desgraças para quem mora em Manaus.

!!Destaque “gibi”!! – confesso que não botava um pingo de fé no novo filme do Golias Verde (nome pomposo dado ao Hulk). Ainda mais ao saber que o filme estava sem roteiro previamente pronto, mas já tinha um diretor (o francês que rodou o bom “Cão de Briga”, com Jet Li). Algumas semanas se passaram e o roteirista foi apresentado (o mesmo de X-Men 1 e 2, senão me falha a memória). Daí nesta terça-feira passada sai uma notícia avassaladora: Edward Norton (mesmo de “Clube da Luta”, “A outra história americana” e “As duas faces de um crime”) assume o papel de Bruce Banner neste novo filme do verdoso! Que bom!!! Tanto para o filme, quanto para Norton (que agora deve ser conhecido por um público maior e tem gabarito de sobra para fazer um personagem perturbado como Banner sempre foi!), agora é esperar.

!!Destaque “filme que não vai passar aqui neste fim de semana”!!: não sei se você sabe caro leitor, mas todas as semanas, bons filmes chegam ao mercado nacional e a possibilidade deles chegarem as telas do Amazonas são nulas. Bem, o filme desta semana, que passa no Brasil, mas não passa aqui, é: “Vermelho Como o Céu” – filme italiano que dá vez para os deficientes visuais. Além de ter se utilizado somente de atores-mirins cegos de verdade, o diretor (Cristiano Bertone) não faz o típico filme melodramático que costumam fazer com quem sofre de alguma deficiência. Tomara que saia em DVD!!

!!Destaque “Cinema em Casa”!!: calma que eu não vou falar da Sessão da Tarde do tio Sílvio não! Aqui vai a dica de filme que acaba de ser lançado no mercado de DVD é: “Judgment Night - Uma Jogada do Destino”. Filme de ação/drama paulada que tem um Emilio Esteves mal que dá até medo (mesmo!). A história, que se passa em uma noite e quase em tempo real, ganha destaque graças a sua excelente trilha sonora (na época realizada por várias boas bandas de rock ao lado, na mesma canção, de bandas e artistas de rap/hip-hop). Demorou, muito, mas saiu!

!!Destaque “toca o tempo todo na orelha e não enjoa”!!: é impressionante, mas eu que não dava um puto pelo Kings Of Leon, agora os acho até que bons demais. Acredite: adoro quebrar a cara desse jeito e desde que conferi o som da banda ao vivo no Tim Festival 2005 (que contou com Strokes e Árcade Fire também) parece que eles melhoraram sensivelmente. “Because of The Times”, o novo disco, é recomendável e deve ganhar até uma resenha deste seu escriba na semana que vem. Ouça sem parar.

!!Destaque “A raiva Nerd”!!: quem é nerd de verdade já deve estar ao ponto de ter um enfarte com a distribuição de revistas em quadrinhos por essas bandas do mapa do Brasil. A razão: hoje, faltando apenas sete dias úteis para o fim do mês, e nenhuma, eu disse nenhuma revista em quadrinhos de abril chegou às bancas de Manaus. É sai ano e entra ano, e a consideração para com os leitores que amam a nona arte vai de mal a pior. Mas fazer o quê?

Crise de meia-idade (por Marco Antonio - o Marcão!)

Tenho enfrentado um problema que, cedo ou tarde, todos enfrentarão, seja em maior ou menor escala. O medo de envelhecer. Claro que se a coisa for levada na esportiva, considerando a frase que ficou célebre na voz de Cazuza de que o tempo não para, dá pra encarar numa boa com alimentação de qualidade, exercícios físicos, uma postura otimista e uma caixinha de viagra (êta papo pra consolar véio).

Partindo deste ponto, resolvi tirar um tempinho do trabalho e da interminável pós-graduação e fui para um show, coisa que eu não fazia há tempos, salvo a apresentação de uma ou outra banda local em algum pub fedorento. Como moro numa cidade onde as opções de bons shows são restritas – a única opção que se tem é de ir ou não – comprei um ingresso para assistir Léo Jaime, Marcelo Nova, Nasi e Rádio Táxi que estão juntos na turnê Anos 80, parte 3.

Chegando ao local não muito cheio, comecei a ter impressão de estar numa daquelas festas que se fazem para distrair idosos em asilo. Tá bom estou exagerando, mas foi como me senti ao deparar com senhores carecas e barrigudos e suas respectivas senhoras com os peitos caídos, cobertas com toneladas de maquiagem e vestidas com modelitos dignos de fazer Clodovil se contorcer no túmulo.

Mas deixei pra lá, afinal estava lá pra me divertir e não para assistir Caetano Veloso. Iria se apresentar um dos meus ídolos da infância, que hoje é mais conhecido como o pai daquela guria bocuda que fala sobre sexo na MTV. Tomei umas cervejas – três no total – e fui para o gargarejo, local onde eu sempre gostei de assistir shows.

Depois de uma espera razoável – em que alguns dos presentes já se mostravam impacientes, culminando em brados do quilate de “ começa logo que velho não pode ficar muito tempo em pé” – entrou a banda de abertura, que só toca covers oitentistas, incluindo aí hits do Trem da Alegria, Balão Mágico e Dominó. Foi um aquecimento adequado seguido de uma espera de mais ou menos meia-hora até a entrada do primeiro astro da noite. Pela lateral do palco entrou uma barriga enorme, que só existe em contos de fadas. Dois minutos depois, no outro extremo do enorme abdômen, surge aquele que já foi conhecido como Léo Jaime, empunhando sua fender e detonando um surf rock, com direito a citação de Black Eyed Peas. Depois, já enturmado, destilou seus hits que faziam a alegria da moçada há mais de vinte anos.

Na seqüência, veio o Nasi e seu visual Wolverine. Na verdade, ele substituiu Paulo Ricardo de última hora, que foi convidado pra tocar em um concurso de miss (isso ainda existe!!). A troca foi boa porque o vocalista mandou muito bem em clássicos do Clash, Ramones e, naturalmente, Ira.
Marcelo Nova, apesar dose seus 98 anos, foi o melhor da noite. Sarcástico como ele só, detonou um set curto mais vibrante, com muito rock and roll e putaria, bem ao estilo de Jerry Lee Lewis.

É claro que sempre tem aquele chato que grita “toca Raul” mas Marceleza não precisou de tal artifício e mandou bem nas inesquecíveis músicas do saudoso Camisa de Vênus, incluindo a ultra-mega-clássica Silvia (com o corinho de piranha misturado com tosse típica de velho que engasga com o próprio riso).

Quando viram que a velharada ficou meio sem ar com o rock vigoroso do baiano, mandaram o Rádio Táxi para dar fôlego para os que já estavam apelando para a bomba de oxigênio. O problema passou a ser dos diabéticos que tiveram uma dose extra de sacarose com aquelas musiquinhas mela-cueca da banda do (grande guitarrista) Vander Taffo. E tome Eva e Coisas de Casal goela abaixo.

Pra terminar, voltou Léo “a pança” Jaime, que juntou toda trupe toda para mandar ver no clássico Johnny B. Good, mezzo original, mezzo em versão feita pelos Miquinhos Amestrados.

Eu poderia voltar para casa mais deprimido ainda, pensando que os ídolos da minha juventude estão na pior, fazendo essas turnês saudosistas para descolar uns trocados, tal qual faz o pessoal da Jovem Guarda há duzentos anos. Preferi, no entanto, me deter ao espetáculo em si, onde (re)lembrei de antigas canções que embalaram uma época tão deliciosa como foi a década de 80.

Tudo bem, parece que estou me conformando. Mas, justiça seja feita, não se faz mais música como se fazia.

Em tempo: o show aconteceu no dia 14.04, no Studio 5, em Manaus.

Dando nome aos bois!!!

Então cabeçada que se sente estimulada a ler textos interessantes, sarcásticos e com olhar diferenciado dos fatos que envolvem a cultura em geral. A partir deste post, começa a funcionar o nosso A Sétima e Todas as Artes.

Aqui você encontrará textos sobre cinema, quadrinhos, música, DVDs, Teatro e até shows que rolam em Manaus. A colaboração para que o projeto sempre esteja atual e persista em trazer algo de diferente para quem o lê, é representada por uma equipe ainda em formação (por favor, se você recebeu o convite para participar dessa trupe de escritores que não recebem um puto, mas que ficam feliz por ter seus textos publicados de alguma maneira, aceite em nome de Deus!).

Até agora estamos contando com: Rodrigo Castro (Cinema, rock e quadrinhos), Marco Antonio Ribeiro - o Marcão! (Shows, música e outras manifestações) e Breno Yared (Cinema, quadrinhos e doideiras!!).

Ainda, se Deus quiser e eu ficar insistindo, teremos em nossa linha de frente a colaboração de mais três pessoas. O que resulta em duas coisas: diversidade e olhares diferentes sobre assuntos que lhe interessam!!

Contamos com a colaboraçào de todos e divulgação também.

Abraços, Rodrigo Castro!

Mudei!!!!

15 de abr de 2007

Olá cambada que acessava o antigo Intelectural, este já era. Vida nova aos meus pensamentos, minhas idéias e palavras neste blog que desde já aviso: serve apenas para publicar notícias interessantes, assim como textos que eu queira escrever.

Caso queira participar, não tenha vergonha e fale com o dono do pardieiro que sua presença mental será bem vinda. Abraços e a vida segue!!!